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	<description>apoio pedagógico para cursos de literatura portuguesa</description>
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		<title>revisita&#231;&#245;es do romantismo: entrevista com Michael Lowy</title>
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		<pubDate>Thu, 07 Jul 2011 01:50:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jesielf</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Existe uma relação entre o romantismo e a idéia de propriedade intelectual? Francamente, eu ignoro a história do copyright, ou da idéia de propriedade intelectual, quando é que começou, se é mesmo no século XIX, ou antes – eu nunca trabalhei essa questão. O que o romantismo tem, efetivamente, é essa idéia do indivíduo singular, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lusoleituras.wordpress.com&amp;blog=9054082&amp;post=894&amp;subd=lusoleituras&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify"><a href="http://lusoleituras.files.wordpress.com/2011/07/michael-lwy-imagem-extrada-do-video-la-religion-de-la-libert-chez-kafka.jpg"><img style="background-image:none;border-bottom:0;border-left:0;padding-left:0;padding-right:0;display:inline;border-top:0;border-right:0;padding-top:0;" title="Michael-Löwy-imagem-extraída-do-video-La-religion-de-la-liberté-chez-Kafka" border="0" alt="Michael-Löwy-imagem-extraída-do-video-La-religion-de-la-liberté-chez-Kafka" src="http://lusoleituras.files.wordpress.com/2011/07/michael-lwy-imagem-extrada-do-video-la-religion-de-la-libert-chez-kafka_thumb.jpg?w=474&#038;h=356" width="474" height="356" /></a></p>
<p align="justify"><strong><font color="#800000">Existe uma relação entre o romantismo e a idéia de propriedade intelectual?</font></strong></p>
<p align="justify"><font color="#800000">Francamente, eu ignoro a história do <em>copyright</em>, ou da idéia de propriedade intelectual, quando é que começou, se é mesmo no século XIX, ou antes – eu nunca trabalhei essa questão. O que o romantismo tem, efetivamente, é essa idéia do indivíduo singular, do indivíduo único, dessa originalidade singular do criador, do indivíduo enquanto criador, com efeito. Quanto a isso, acho que a gente pode apontar como aspecto essencial do romantismo. Agora, não sei se realmente se coloca em termos de propriedade, francamente eu não posso me pronunciar, não posso afirmar se a idéia de propriedade intelectual surge nessa época.</font></p>
<p align="justify"><strong><font color="#800000">Esta idéia autoral é uma criação romântica?</font></strong></p>
<p align="justify"><font color="#800000">Não, acredito que isso sempre existiu na história da cultura. Talvez o romantismo dê uma ênfase maior, torne essa idéia mais sistemática. Por isso a imagem do escritor, do artista, do poeta romântico como um solitário, um indivíduo à margem, um maldito; enfim, um exilado dentro da própria sociedade. Isso faz parte do romantismo, no sentido de que o romântico se sente alienado dentro da sociedade moderna, ele sente que os valores que essa sociedade começa a desenvolver não lhe dão mais espaço.     <br />Agora, o romantismo é muito contraditório, às vezes até esquizofrênico, porque, por outro lado, ele levanta com muita força a questão da comunidade, dos laços comunitários, da comunidade orgânica, do indivíduo que pertence a um grupo, de amigos, de afinidades, a uma tribo, a uma religião, a uma etnia, a uma nação, das diversas variantes disso, enfim. Essa ênfase na comunidade é contra a sociedade atual, moderna, anônima, em que os indivíduos valem por si próprios.      <br />O romântico descreve uma rua moderna em que os indivíduos andam e não se comunicam entre si, atuam como uma multidão anônima, como um pesadelo.&#160; Então há uma certa tensão entre os dois elementos. Quero dizer, eles não são realmente contraditórios, porque esse indivíduo singular do romantismo, esse único, esse artista totalmente original, é o oposto do indivíduo da sociedade moderna, impessoal, anônimo, um átomo, sem face, sem identidade, perdido na multidão. E por outro lado, esse indivíduo romântico, isolado, sonha por desco brir uma comunidade onde ele possa se integrar, no mínimo uma comunidade de outros artistas. E a gente vê grupos, artistas que formam grupos e realizam obras conjuntas – e aí eu tenho a impressão que a questão do direito de propriedade um pouco se dilui nessas comunidades de artistas românticos, às vezes é um que escreve e outro que assina. Um pouco como ocorre com Mary e Percy Shelley e Byron, no exílio deles. Existe uma troca de autoria nos textos deles.</font></p>
<p align="justify"><strong><font color="#800000">O sentido de comunidade que você encontra no olhar romântico é puramente nostálgico ou visa um projeto futuro?</font></strong></p>
<p align="justify"><font color="#800000">No romantismo sempre existe uma nostalgia do passado, um sentimento trágico de que a modernidade está destruindo os valores em que se acredita, como por exemplo o amor, um tema que volta mil vezes na literatura romântica. O amor romântico que se enfrenta com as convenções, com o dinheiro, com a riqueza.     <br />Enfim, com a sociedade moderna. Então há uma nostalgia do passado. Por exemplo, houve épocas em que o amor, supostamente, era algo que não se comprava, não se vendia, tinha autenticidade, o que obviamente é uma idealização do passado. É o amor cortês, dos trovadores medievais. E existe realmente esse aspecto de restauração do passado no romantismo.      <br />Agora, outros românticos transformam, investem a nostalgia do passado numa esperança do futuro. São os românticos utópicos ou revolucionários. Rousseau, por exemplo, que é um dos fundadores do romantismo moderno. Existe nele esta idéia de que o amor é impossível na sociedade moderna, por causa das convenções sociais, das desigualdades. Então, há uma utopia implícita de uma sociedade em que não haveria mais essa hierarquia social, que as pessoas de origens diferentes poderiam se amar livremente. Em Rousseau, isto ainda não está colocado como um programa, mas é implícito em suas obras.</font></p>
<p align="justify"><strong><font color="#800000">Octavio Paz, entre outros estudiosos, dizia que o romantismo não se encerrou no seu período áureo, mas transformou-se em outros movimentos, como o simbolismo e o surrealismo. Você concorda com ele?</font></strong></p>
<p align="justify"><font color="#800000">Sim e não. Concordo inteiramente que o romantismo é um ciclo longo, como dizem os economistas, que começa em meados do século XVIII e vai até ao século XX. E acho que permanece ativo até hoje. Efetivamente, ele atravessa todos esses movimentos, o simbolismo, o surrealismo, a <em>beat generation</em>. Octavio Paz é um dos poucos que entendeu que o romantismo é uma das formas fundamentais da cultura moderna, que atravessa toda a história da cultura moderna, contra as visões tradicionais da história da literatura que terminam o romantismo em 1830 ou 1840. Ele percebeu muito bem essa vitalidade do romantismo e a sua presença em todos os momentos da cultura moderna.      <br />Mas eu diria – e não sei se aí há uma diferença para o Octavio Paz, não lembro de memória o texto dele – que o romantismo tem uma matriz comum que atravessa todo esse processo histórico, com todas as modificações. Obviamente entre o romantismo do século XIX e o surrealismo há uma diferença enorme, mas há um fio de continuidade, um fio vermelho, uma espécie de matriz comum, eu diria. Se não me engano, Octavio Paz também vai nessa direção, também identifica esta continuidade.      <br />O romantismo nasce como um protesto contra a civilização burguesa moderna, em nome de certos valores do passado. Valores culturais, éticos, religiosos. E esse elemento está presente desde seus pioneiros, como Rousseau, até os poetas do simbolismo e do surrealismo. A relação é evidente. Agora, dentro dessa proximidade, deste elemento de identidade, há diferenças claras. O simbolismo, por exemplo, era bastante religioso, enquanto o surrealismo faz profissão de fé de ateísmo. Boa parte do romantismo do século XIX é nacionalista, valoriza as culturas locais, enquanto o surrealismo é violentamente antinacional. As diferenças são evidentes, mas a continuidade existe. Inclusive os surrealistas consideravam-se um prolongamento do romantismo, tal como na famosa frase de Breton: “Nós somos a cauda do cometa romântico, mas somos uma cauda preênsil, como aquela do macaco”.</font></p>
<p align="justify"><strong><font color="#800000">E você vê esta continuidade romântica presente até hoje? Como ela se relacionaria com o mundo pós-moderno?</font></strong></p>
<p align="justify"><font color="#800000">Sou bastante cético quanto a esse conceito de pós-moderno. Existe uma corrente de pensamento pós-moderno, mas a sociedade não saiu ainda do século XVI. Estamos ainda vivendo a civilização burguesa, ou capitalista, que surgiu primeiro no século XVI, e se cristalizou no século XVIII com a Revolução Industrial. É claro que de formas diferentes, mas essencialmente ainda vivemos o mesmo mundo.     <br />Mas gostaria de voltar para o surrealismo, para a questão de indivíduo e grupo, porque o surrealismo tem esse elemento de individualidade singular, que se afirma, se manifesta em sua especificidade psíquica, seu inconsciente, em sua libido. Ou seja, na singularidade total do indivíduo. Mas, ao mesmo tempo, o surrealismo é uma comunidade, e o surrealista só pode se realizar, segundo Breton, através de uma atividade coletiva. E na atividade coletiva não existe mais autor, direito autoral, <em>copyright</em> nem se fala&#8230; Assim, há na essência deste romantismo que perdura uma quebra dessas idéias de propriedade intelectual. Esse duplo as-      <br />pecto que aparentemente é tão contraditório no romantismo, não é tão contraditório assim.</font></p>
<p align="justify"><strong><font color="#800000">A essência do romantismo seria então, mais que uma restauração, uma reinvenção?</font></strong></p>
<p align="justify"><font color="#800000">O romantismo também é nostálgico, mas ele se transforma, há uma dialética. Não é uma simples volta ao passado, mas é uma retomada do passado em direção ao futuro. Isso é muito evidente dentro do surrealismo. Eles se interessam pela alquimia, pela cabala, pelas artes primitivas, pela cultura dos trovadores da Idade Média, pelas esculturas da Oceania, por tudo que é manifestação cultural pré-moderna. Eles só encontram autenticidade nessas formas, vão se inspirar nelas, mas obviamente não no sentido de tentar reproduzí-las, de voltar para trás, mas de usá-las como ponto de partida para inventar uma coisa nova.</font></p>
<p align="justify"><strong><font color="#800000">O próprio Breton era um colecionador de máscaras hopi.</font></strong></p>
<p align="justify"><font color="#800000">Exatamente. Essa fascinação pelo arcaico, pelo pré-moderno, vem da idéia de que o pré-moderno continha uma autenticidade que o moderno, ao transformar sua arte em mercadoria, perde. Então para ele há uma degradação. Quer dizer, uma boneca hopi é produzida como objeto de culto, sua beleza é compartilhada pela comunidade, enquanto as cópias são fabricadas para o turismo em massa, meramente uma mercadoria, um objeto sem aura&#8230;</font></p>
<p align="justify"><strong><font color="#800000">E hoje, como você vê a idéia de uma arte compartilhada? A idéia do Creative Commons, por exemplo?</font></strong></p>
<p align="justify"><font color="#800000">Eu francamente tenho pouca informação sobre isso. Quero dizer, o que tenho encontrado na minha prática como autor é mais a entrega da propriedade a um coletivo militante. Você entrega um livro, digamos, ao MST, para ele publicar. E você obviamente não pede direitos autorais. Abre mão de seus direitos por algo político, com que você se identifica. Eu vejo sentido nisso, o indivíduo que abdica de seu direito em favor de um movimento, de uma coletividade. Um movimento da sua política, um movimento social. Isso eu entendo melhor. Senão, essa idéia de Creative Commons me parece um pouco abstrata.     <br />Essa questão é mais gritante em outras áreas, que não a da cultura. O direito de propriedade sobre a medicina, por exemplo. Há toda a briga dos genéricos, de quebrar o monopólio das grandes multinacionais farmacêuticas sobre a medicina. Essa é uma batalha de vida ou morte. Ganhar essa batalha é salvar milhões de vidas, e deixar as coisas como estão é deixar que essas pessoas continuem morrendo, não permitir o acesso ao medicamento.      <br />Outro exemplo de briga, que eu acompanhei um pouco, é a questão das sementes. Através dos transgênicos, a Monsanto adquire o controle da propriedade, do <em>copyright</em> da semente. Com isso, passa a controlar todo o sistema de produção, o camponês é expropriado de sua semente. Uma coisa que nunca existiu na história da humanidade. Não poder cultivar as sementes da sua própria plantação, depender de uma multinacional para isso é uma degradação terrível. Esta é uma batalha fundamental no mundo em que estamos vivendo, a briga entre independência e monopolização.</font></p>
<p align="justify"><strong><font color="#800000">Você falou sobre ceder os direitos em nome de uma ideologia. Não há uma dádiva nisso? E esta dádiva não contém armadilhas, o desejo de um retorno?</font></strong></p>
<p align="justify"><font color="#800000">Marcel Mauss, um famoso antropólogo francês, escreveu um belo livro que se chama <em>Ensaio sobre a dádiva</em>, no qual ele analisa várias comunidades tribais indígenas em que ocorre esta prática. Há lá o <em>potlatch</em>, por exemplo. E nesta dádiva há sempre a idéia de retorno. Você faz uma doação e espera que o outro lhe dê alguma coisa em troca. Então não é uma troca formalizada, mas uma espécie de intercâmbio de dádivas que dá sentido à vida comunitária, às relações sociais, à cultura. É uma bela análise de como, no passado, existiram culturas, civilizações, baseadas na dádiva. O que pode ser terrível. Nestas culturas, você pode esmagar um rival através de uma dádiva tão grande que não possa ser retribuída, por exem-      <br />plo. Não há motivo para idealizações. Mas é bem interessante. Esse tema é atual, e a prova disso é que existe hoje na França um grupo de pessoas que se auto-intitulam Movimento Anti-Utilitário das Ciências Sociais, que em francês cria as iniciais M.A.U.S.S. Então, esse movimento se inspira no trabalho de Mauss para pensar uma economia, uma sociedade, uma cultura utópica, digamos, baseada nesse tipo de relação, nas dádivas, nas relações não-utilitárias. É uma idéia bem interessante. E, no fundo, é uma idéia romântica. No sentido de      <br />que você, na crítica da civilização utilitária, da mercadoria, do capitalismo, vai buscar uma inspiração no passado, nas culturas arcaicas. E através dessa cultura da dádiva, vai buscar alternativas, tentativas solidárias de construção de um novo mundo. Bem no espírito do romantismo utópico.</font></p>
<p align="justify"><strong><font color="#800000">Nesse sentido, a dádiva continuaria criando uma idéia de vínculo&#8230;</font></strong></p>
<p align="justify"><font color="#800000">Ela cria um vínculo, sim. Mas não é um vínculo formal, tem um elemento gratuito, como na graça divina. Segundo os teólogos, a graça divina é gratuita, sobretudo no caso dos jansenistas e dos franciscanos. Os católicos seguem uma concepção maior de intercâmbio, você faz uma boa ação, Deus lhe paga. A dádiva sempre está entre essas duas idéias, de gratuidade e intercâmbio, vínculo.</font></p>
<p align="justify"><strong><font color="#800000">Isso me lembrou as famosas bicicletas brancas de Amsterdã. Não sei se você se lembra da história, mas no fim da década de 1960 as pessoas ligadas ao movimento Provos, na Holanda, começaram a deixar bicicletas na rua. A idéia era que quem quisesse poderia usá-las e, chegando onde queria, as soltasse na rua para o próximo que quisesse ou precisasse usar. Esta é uma idéia bem contracultural, e de uma contracultura européia, que trouxe uma tentativa de tradução concreta da dádiva para o mundo moderno. A contracultura traz grandes traços românticos, não?</font></strong></p>
<p align="justify"><font color="#800000">Existem esses elementos românticos, sem dúvida. Maio de 68, por exemplo, é um movimento que possui fortes traços românticos. Por isso acredito que o romantismo&#160; continua sendo um elemento presente na cultura moderna. Marx tem uma frase interessante, ele diz que a modernidade tem seus apólogos que elogiam o progresso e o desenvolvimento, e de outro lado tem os românticos que dizem o contrário, que tudo é declínio, decadência. E ele conclui dizendo que não concorda nem com um nem com outro, mas que, enquanto existir o capitalismo, vai existir essa crítica romântica como sombra dele. Que esta sombra vai segui-lo até o dia em que o capitalismo acabar. E é verdade. Esta crítica continua, esse protesto. E que deve se agarrar em alguma possibilidade, encontrar algum vínculo. Apoiar-se em alguma coisa que já existiu, como base.</font></p>
<p align="justify"><strong><font color="#800000">Roberto Piva, um dos maiores poetas brasileiros vivos, costuma dizer que o comunismo nasceu da costela do capitalismo, quer dizer, nunca abdicou dos valores básicos de uma revolução industrial que configura o capitalismo moderno.</font></strong></p>
<p align="justify"><font color="#800000">De fato, o socialismo real, tal como existiu na União Soviética e em outros países da Europa oriental, era essencialmente anti-romântico, acreditava piamente na modernidade industrial, no produtivismo, na tecnologia e no Estado moderno, administrativo, eficaz. Efetivamente, há uma continuidade do modelo anterior. Claro que há uma ruptura no sentido de que há uma expropriação da propriedade privada, mas o padrão civilizatório é o da modernidade, não o do romantismo.     <br /> Mas existe um socialismo romântico, que tem uma vertente anarquista, como em Fourier. E, sobretudo, em um autor que é pouco conhecido, mas que é o arquétipo do socialista romântico, que é Gustav Landaur, um judeu alemão revolucionário que chegou a ser comissário do povo para cultura na revolução dos conselhos da Baviera, em 1919. A revolução durou uma semana, foi derrotada, e ele foi assassinado pelo exército. É uma figura muito interessante, que tem uma crítica ao socialismo, à social democracia alemã, acusando-a de seguir o mesmo padrão do capitalismo.      <br />Há um outro personagem muito interessante como exemplo de socialismo romântico, uma espécie de marxista libertário, a meio caminho entre o marxismo e o anarquismo, que é William Morris. Ele era um herdeiro da tradição romântica inglesa, um discípulo de Ruskin, que retoma toda essa crítica romântica à civilização industrial e, em um certo momento, descobre o socialismo. Ele se converte para o socialismo, continua com a sensibilidade romântica, e escreve aquela bela utopia de socialismo romântico que é <em>Notícias de lugar nenhum</em>, publicado no Brasil no ano passado. Um belíssimo livro. É um grande exemplo de um socialismo romântico. E o século XX está cheio desses exemplos, sempre um pouco à margem da vertente principal do socialismo.      <br />Dá para seguir esta forma de pensamento, e possivelmente algumas experiências práticas também. O anarquismo espanhol, por exemplo, foi uma tentativa de colocar em prática uma visão romântica de socialismo. A idéia de comunidades, dos artesãos que se auto-organizam, é uma idéia muito próxima desta vertente. </font></p>
<p align="justify"><strong><font color="#800000">Para finalizar, você acredita que é possível uma associação ou conciliação entre o socialismo e o romantismo? Você acha que esse encontro seria positivo?</font></strong></p>
<p align="justify"><font color="#800000">Eu acho esse encontro indispensável. Quer dizer, acredito que para o socialismo ser humano, ele tem que se comparar esse momento romântico. É profundamente justa essa idéia de que a civilização moderna trouxe profundos avanços, mas ela destruiu muitos valores sociais, culturais, humanos, que nós devemos recuperar. Obviamente, sem voltar atrás, mas sob uma forma nova, reinventando-os. Essa idéia de reencontrar por uma forma nova o que foi perdido é fundamental para qualquer projeto de uma nova sociedade, de uma civilização solidária, para um socialismo do século XXI. Ao menos, esta é a minha aposta.</font></p>
<p align="justify"><font color="#800000">FONTE: </font><a href="http://blogs.cultura.gov.br/culturaepensamento/revistas/revista-azougue-2006-a-2008/" target="_blank"><font color="#800000">Revista Azougue, 2006-2008.</font></a></p>
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		<title>a derrota vexat&#243;ria do preconceito lingu&#237;stico</title>
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		<pubDate>Fri, 01 Jul 2011 21:28:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jesielf</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://lusoleituras.files.wordpress.com/2011/07/o_livro_didatico_de_portugues_1262015148p.jpg"><img style="background-image:none;border-bottom:0;border-left:0;padding-left:0;padding-right:0;display:inline;border-top:0;border-right:0;padding-top:0;" title="O_LIVRO_DIDATICO_DE_PORTUGUES_1262015148P" border="0" alt="O_LIVRO_DIDATICO_DE_PORTUGUES_1262015148P" src="http://lusoleituras.files.wordpress.com/2011/07/o_livro_didatico_de_portugues_1262015148p_thumb.jpg?w=169&#038;h=244" width="169" height="244" /></a>&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; <a href="http://lusoleituras.files.wordpress.com/2011/07/livrodidaticoportuguesnovaspalavras.jpg"><img style="background-image:none;border-bottom:0;border-left:0;padding-left:0;padding-right:0;display:inline;border-top:0;border-right:0;padding-top:0;" title="livro didatico portugues novas palavras" border="0" alt="livro didatico portugues novas palavras" src="http://lusoleituras.files.wordpress.com/2011/07/livrodidaticoportuguesnovaspalavras_thumb.jpg?w=205&#038;h=234" width="205" height="234" /></a></p>
<p align="justify"><font color="#008000">Livro Didático </font></p>
<h4 align="justify"><font color="#008000" size="4">Ministério Público freia obscurantismo e arquiva processo </font></h4>
<p align="justify"><font color="#008000">O Ministério da Educação informa o arquivamento do inquérito civil instaurado pelo Ministério Público Federal (MPF) da Procuradoria da República do Distrito Federal, em face da obra <em>Por uma vida melhor</em>, livro didático que gerou polêmica na imprensa. </font></p>
<p align="justify"><font color="#008000">Ao contrário do que foi divulgado pela imprensa, o inquérito já havia sido arquivado desde a semana passada. O texto do MPF que promove o arquivamento do inquérito menciona que a dinâmica desenvolvida pelo Programa Nacional do Livro Didático para a Educação de Jovens e Adultos (PNLD EJA) apresenta-se “de modo eficiente em seu desenvolvimento, principalmente no tocante aos rigorosos critérios impostos para a seleção de professores especialistas, entre eles mestres e doutores, o que mantém o Brasil no patamar dos países de vanguarda nos trabalhos de indicação de livros didáticos.”</font></p>
<p align="justify"><font color="#008000">De acordo com o MPF, “a obra didática não é objeto de indicação política, mas fruto de estudos e de avaliações rigorosas desenvolvidas por especialistas da área de educação”. O Procurador alegou, também, que a discussão acerca da polêmica gerada em torno da escolha do livro Por uma vida melhor foi apresentada pela mídia de um modo “quiçá temerário”. </font></p>
<p align="justify"><font color="#008000">No documento, o procurador da república do Distrito Federal, Peterson de Paula Pereira, alega que a mídia, na discussão acerca do livro, transmitiu “a ideia de que o indigitado livro pudesse ensinar a língua portuguesa de modo errado aos estudantes, quando, na verdade, o Ministério da Educação propôs à sociedade a introdução e reflexão acerca da linguística”. Ainda de acordo com o procurador, restou evidenciado que “não há elementos plausíveis” indicativos de que o livro em questão “esteja a propagar o ensino errado da língua portuguesa”. </font></p>
<p align="justify"><font color="#008000">Concluiu o procurador, para embasar o pedido de arquivamento do inquérito, que não houve “ofensa aos princípios norteadores da educação, tampouco naqueles informadores da dignidade da pessoa humana”.</font> </p>
<p align="justify">FONTE: <a href="http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=16825" target="_blank">Portal do MEC</a></p>
<br /> Tagged: <a href='http://lusoleituras.wordpress.com/tag/educacao/'>educação</a>, <a href='http://lusoleituras.wordpress.com/tag/lingua-portuguesa/'>língua portuguesa</a>, <a href='http://lusoleituras.wordpress.com/tag/livro-didatico/'>livro didático</a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/lusoleituras.wordpress.com/891/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/lusoleituras.wordpress.com/891/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/lusoleituras.wordpress.com/891/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/lusoleituras.wordpress.com/891/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/lusoleituras.wordpress.com/891/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/lusoleituras.wordpress.com/891/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/lusoleituras.wordpress.com/891/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/lusoleituras.wordpress.com/891/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/lusoleituras.wordpress.com/891/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/lusoleituras.wordpress.com/891/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/lusoleituras.wordpress.com/891/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/lusoleituras.wordpress.com/891/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/lusoleituras.wordpress.com/891/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/lusoleituras.wordpress.com/891/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lusoleituras.wordpress.com&amp;blog=9054082&amp;post=891&amp;subd=lusoleituras&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Jesielf</media:title>
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	</item>
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		<title>a educa&#231;&#227;o brasileira entre a vida e a morte</title>
		<link>http://lusoleituras.wordpress.com/2011/06/30/a-educao-brasileira-entre-a-vida-e-a-morte/</link>
		<comments>http://lusoleituras.wordpress.com/2011/06/30/a-educao-brasileira-entre-a-vida-e-a-morte/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 30 Jun 2011 06:12:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jesielf</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[crise cultural]]></category>
		<category><![CDATA[educação]]></category>
		<category><![CDATA[políticas públicas]]></category>

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		<description><![CDATA[&#160; Universos paralelos da educação III: a morte do ex-ministro e a agonia da Educação Pádua Fernandes Esta nota é um mero desabafo: eu não gostava de Paulo Renato Souza. Porém, como até Romeu Tuma teve sua biografia transformada em hagiografia quando morreu, era de esperar que a morte do ex-ministro da educação e deputado [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lusoleituras.wordpress.com&amp;blog=9054082&amp;post=884&amp;subd=lusoleituras&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#160;</p>
<h5 align="justify"><font color="#008040" size="4">Universos paralelos da educação III: a morte do ex-ministro e a agonia da Educação </font></h5>
<p align="justify"><font color="#008040" size="2"><em>Pádua Fernandes</em></font></p>
<p align="justify"><font color="#008040" size="2">Esta nota é um mero desabafo: eu não gostava de Paulo Renato Souza. Porém, como até </font><a href="http://opalcoeomundo.blogspot.com/2011/01/memoria-e-ditadura-videos-da-ufsc-e.html"><font color="#008040" size="2"><u>Romeu Tuma</u></font></a><font color="#008040" size="2"> teve sua biografia transformada em hagiografia </font><a href="http://opalcoeomundo.blogspot.com/2010/10/nestor-kirchner-e-duas-mortes-entre.html"><font color="#008040" size="2"><u>quando morreu</u></font></a><font size="2"><font color="#008040"><u>,</u> era de esperar que a morte do ex-ministro da educação e deputado federal fosse tratada por vários meios de comunicação como uma perda para a educação brasileira.</font></font></p>
<p align="justify"><font size="2"><font color="#008040">É reconfortante ver que ainda existe a gratidão: afinal, alguns desses meios foram generosamente tratados pelo falecido, como lembra<u> </u></font></font><a href="http://revistaforum.com.br/idelberavelar/2011/06/28/o-que-voce-nao-leu-na-midia-sobre-paulo-renato-1945-2011-2/"><font color="#008040" size="2"><u>Idelber Avelar</u></font></a><font color="#008040" size="2"> em artigo para a Fórum, &quot;O que você não leu na mídia sobre Paulo Renato (1945-2011)&quot; (pobre, porém, do </font><a href="http://opalcoeomundo.blogspot.com/2010/09/gentileza-e-rio-de-janeiro.html"><font color="#008040" size="2"><u>Profeta Gentileza</u></font></a><font color="#008040" size="2">, cujo ensinamento-mor é citado nesse contexto).</font></p>
<p align="justify"><font color="#008040" size="2">O ministério da educação de Paulo Renato tentou que as faculdades de direito pudessem formar bacharéis em três anos &#8211; entre outros cursos, de acordo com o </font><a href="http://docs.google.com/viewer?a=v&amp;q=cache:2e2ZI5oEg5AJ:portal.mec.gov.br/sesu/arquivos/pdf/14602DCEACTHSEMDTD.pdf+OAB+Parecer+CES/CNE/MEC+n.+146/02&amp;hl=pt-BR&amp;gl=br&amp;pid=bl&amp;srcid=ADGEEShpFe8WleVeo_DRgNJq0xw-LW7aZPvr-y5Wz5bCRaHiV2SP20MC5LcXFkgW0QQSaEG0CjxaB2i5kCW59fTNNdS0bBtR-feAUSJ4by0qbdnKAbD7cB5pBSFnIB9Ms_94Ytzjkhrj&amp;sig=AHIEtbS_Zh40HxI4uQENVSIffaUaRgAQ9g"><font color="#008040" size="2"><u>Parecer CNE/CES 146/2002</u></font></a><font color="#008040" size="2">. A ministra interina assinou o ato &#8211; contra o qual a OAB conseguiu liminar. As diretrizes da educação brasileira passaram a ser discutidas pelo tribunais&#8230;</font></p>
<p align="justify"><font color="#008040" size="2">A degradação do ensino nas instituições particulares seria acelerada com a graduação em ritmo de fast food. É evidente que não só elas têm problemas, claro. As públicas possuem diversos problemas, muitos que derivam da falta de recursos, e outros, de origem endógena (às vezes oriundos da endogamia!), das </font><a href="http://politicajustica.blogspot.com/2011/06/degradacao-da-docencia-em-direito.html"><font color="#008040" size="2"><u>práticas de compadrio</u></font></a><font color="#008040" size="2"> e apropriação privada de recursos e cargos públicos, o que ocorre tanto à esquerda quanto à direita.</font></p>
<p align="justify"><font color="#008040" size="2">Dito isso, algo foi feito: o ENEM, o Fundef, que permanece como Fundeb; o Provão, que deu origem ao ENADE do governo Lula. No entanto, o que significaram essas ações? As </font><a href="http://www.camara.gov.br/internet/sitaqweb/TextoHTML.asp?etapa=3&amp;nuSessao=188.2.53.O%20%20%20%20%20&amp;nuQuarto=88&amp;nuOrador=2&amp;nuInsercao=0&amp;dtHorarioQuarto=17:04&amp;sgFaseSessao=OD%20%20%20%20%20%20%20%20&amp;Data=12/08/2008&amp;txApelido=PAULO%20RENATO%20SOUZA&amp;txFaseSessao=Ordem%20do%20Dia%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20&amp;dtHoraQuarto=17:04&amp;txEtapa=Com%20reda%C3%A7%C3%A3o%20final"><font color="#008040" size="2"><u>críticas do ex-ministro</u></font></a><font size="2"><font color="#008040"><u> ao ENADE</u> faziam sentido. Acho que a USP e a Unicamp estão corretas em não participar dessa </font></font><a href="http://opalcoeomundo.blogspot.com/2011/01/universo-paralelo-da-educacao-ii.html"><font color="#008040" size="2"><u>avaliação</u></font></a><font size="2"><font color="#008040">. Mas se tratava do roto falando do esfarrapado: <strong>com Paulo Renato, houve uma expansão drástica, dramática do ensino superior sem qualidade, cujas consequências nefastas já estamos vivendo: os formados simplesmente não detêm as condições mínimas para trabalhar em suas respectivas áreas. O discurso da inclusão por meio do ensino sem qualidade (muitas vezes desejado por esses mesmos alunos) revela, assim, sua perversidade, e sua falta de sentido até mesmo do ponto de vista utilitarista: esses profissionais não servem para o mercado, o que é percebido em várias áreas, inclusive a </strong></font></font><a href="http://www1.folha.uol.com.br/mercado/925607-ibmec-tera-engenharia-e-cursos-em-cidades-medias.shtml"><font color="#008040" size="2"><strong><u>engenharia</u></strong></font></a><font size="2"><strong><font color="#008040"><u>,</u> em que também vivemos um apagão da inteligência no Brasil.</font></strong></font></p>
<p align="justify"><font color="#008040" size="2"><strong>Esses profissionais servem apenas para o mercado do ensino superior, que os produz e é por eles sustentado. Nesse sentido, a educação superior no Brasil, muitas vezes, tem representado um verdadeiro atentado contra o país, comprometendo-lhe seriamente o futuro. Já escrevi que esses profissionais frustrados podem servir de exército de reserva para o fascismo, ainda mais porque boa parte deles poderá retroalimentar aquele mercado de ensino, tornando-se docentes naquelas instituições, reproduzindo essa cultura extemamente cínica em que se sabe que nada se ensina e nada se aprende.</strong></font></p>
<p align="justify"><font color="#008040"><font size="2">Voltando ao ex-ministro: o que foi por ele realizado vinha de certa matriz da reforma do estado, e não propriamente de um pensamento sobre a educação; lembro da dissertação de mestrado de Inácio José Feitosa Neto, O ensino jurídico: uma análise dos discursos do MEC e da OAB no período de 1995-2002</font><font size="2"> (discordo, porém, da solução que ele propõe para outro assunto, o da Residência Jurídica, que fracassou redondamente na área médica e não vejo como daria certo no direito):</font></font></p>
<blockquote><p align="justify"><font color="#008040" size="2">Para o Ministro Paulo Renato Souza, em sua gestão foi realizada uma “Revolução Gerenciada” (SOUZA, 2005), que estava associada aos seguintes fatores, que para ele, “caracterizavam a moderna administração empresarial privada”, [...]        <br />Qualquer semelhança com o discurso do Ministro Bresser Pereira não é mera coincidência. A valorização da administração privada era a mesma que fundamentava o Plano Diretor de reforma do aparelho estatal, daí a semelhança dos discursos dos ministros do MARE e do MEC. (p. 52-53)</font></p>
</blockquote>
<p align="justify"><font color="#008040" size="2">Essa matriz de pensamento coadunou-se com o privatismo do governo. Cito agora Nicholas Davies, autor essencial para entender a questão do financiamento da educação no Brasil. Neste artigo de 2002, &quot;</font><a href="http://www.redefinanciamento.ufpr.br/nic7.htm"><font color="#008040" size="2"><u>O financiamento público às escolas privadas</u></font></a><font color="#008040" size="2">&quot;, ele analisa a singular combinação de ação (para o setor privado) e omissão (no setor público) estatais nas políticas educacionais:</font></p>
<blockquote><p align="justify"><font color="#008040" size="2">[...] as escolas privadas (sobretudo as IES) se expandiram e se expandem não só porque existe uma demanda pelo ensino superior, mas também e sobretudo porque os governos não têm procurado atender toda a demanda, desviando-a para as IES privadas. O apoio oficial às escolas privadas tem se concretizado não só por essa omissão, como também pelo financiamento público direto e indireto a elas, com a isenção de impostos, da contribuição previdenciária e do salário-educação, e a concessão de subvenções, bolsas de estudo, empréstimos subsidiados, crédito educativo, FIES ao longo das últimas décadas. Sem este financiamento público (que deve ter totalizado e ainda totalizar alguns bilhões de reais por ano), as escolas privadas certamente não teriam se expandido tanto, pois as suas mensalidades teriam que ser muito maiores do que são, afastando assim a demanda de estudantes sem condições de pagar. A omissão do Estado e o financiamento público às escolas privadas têm sido, assim, duas das mais importantes medidas de privatização da educação, sobretudo do ensino superior.</font></p>
</blockquote>
<p align="justify"><font color="#008040" size="2">O Fundef, outra bandeira de Paulo Renato Souza e Fernando Henrique Cardoso, nunca foi cumprido pelo governo. Nicholas Davies, entre outros autores, denunciou a violação sistemática da lei pelo governo federal, violação que foi mantida quando Lula subiu ao poder. A ilegalidade crônica e o desrespeito à educação foram constatados por órgãos públicos como o Tribunal de Contas da União, como bem ressaltou aquele autor, de quem cito &quot;</font><a href="http://www.scielo.br/pdf/es/v27n96/a07v2796.pdf"><font size="2"><font color="#008040"><u>Fundeb: a redenção da educação básica</u>?</font></font></a><font color="#008040" size="2">&quot;:</font></p>
<blockquote><p align="justify"><font color="#008040" size="2">Além de dar uma contribuição irrisória, sobretudo porque tanta propaganda fez dos milagres que o FUNDEF é capaz de operar, o governo federal (tanto FHC quanto Lula) não cumpriu o artigo da lei do FUNDEF (n. 9.424), que estabelece o critério de cálculo do valor mínimo nacional, que serviria de base para o cálculo da complementação federal. Essa irregularidade, reconhecida no relatório do GT criado pelo MEC em 2003, significou que ele deixou de contribuir com mais de R$ 12,7 bilhões de 1998 a 2002 (Brasil, MEC, 2003). Como essa irregularidade continuou de 2003 a 2006, a dívida do governo federal com o FUNDEF, tendo em vista a Lei n. 9.424, alcançará um valor em torno de R$ 30 bilhões até o final de 2006, pois, segundo o Tribunal de Contas da União (TCU), em seu relatório sobre as contas da União em 2004 (Brasil, TCU, 2005), a complementação deveria ter sido em torno de R$ 5 bilhões só em 2004, não de R$ 485 milhões, se o governo tivesse calculado o valor mínimo conforme manda a Lei n. 9.424. Com base nisso, podemos estimar que a complementação devida só no governo Lula terá alcançado R$ 20 bilhões (4 x R$ 5 bilhões), que, acrescidos aos R$ 12,7 bilhões não aplicados pelo governo de FHC, totalizariam mais de R$ 30 bilhões.</font></p>
</blockquote>
<p align="justify"><font color="#008040" size="2">O Legislativo e o Executivo desampararam a Educação e, do campo do Judiciário, pouco se pode esperar. A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Superior Eleitoral firmemente solapou a dimensão social do direito à educação, permitindo, contra a lei eleitoral (também contra a Constituição e o Direito internacional dos direitos humanos), que administradores que violam a destinação orçamentária à educação possam, mesmo que tenham as contas rejeitadas (o que já é muito difícil de ocorrer, devido às injunções políticas do Legislativo, normalmente contrárias à educação) mantenham seus direitos políticos!</font></p>
<p align="justify"><font color="#008040" size="2">Analisei esse problema na minha </font><a href="http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/ea000233.pdf"><font color="#008040" size="2"><u>tese</u></font></a><font color="#008040" size="2">, explicando como se dava essa produção legal da ilegalidade no campo da educação. Em um </font><a href="http://redalyc.uaemex.mx/pdf/715/71580107.pdf"><font color="#008040" size="2"><u>breve artigo</u></font></a><font color="#008040" size="2">, tentei resumir a questão e indiquei como se poderia questionar o problema perante a Comissão Interamericana de Direitos Humanos. A educação é, de fato, um sistema: o maior problema do ensino superior não está nele mesmo, é o ensino básico: diante da </font><a href="http://efeito-colateral.blogspot.com/2011/04/ha-tempos-o-fim-da-inocencia.html"><font color="#008040" size="2">violência</font></a><font color="#008040" size="2"> que é a </font><a href="http://efeito-colateral.blogspot.com/2011/05/banalizacao-da-violencia.html"><font color="#008040" size="2">escola de hoje</font></a><font color="#008040" size="2"> e do faz-de-conta das </font><a href="http://efeito-colateral.blogspot.com/2011/04/desabafo.html"><font color="#008040" size="2">avaliações de qualidade</font></a><font color="#008040" size="2"> (indico textos do professor Rodrigo Ciríaco, que é obrigado a se equilibrar entre saraus e bombas), vemos que o Brasil não tem futuro, apesar dos discursos triunfalistas dos governos de Médici até hoje, passando por FHC, Lula e a atual presidenta. A adoção de tecnologias está servindo a esse tipo de discurso. </font><a href="http://redalyc.uaemex.mx/pdf/298/29829206.pdf"><font color="#008040" size="2"><u>Raquel Goulart Barreto</u></font></a><font color="#008040" size="2"> escreveu um interessante artigo sobre o discurso da tecnologia na formação dos professores &#8211; a fetichização da tecnologia, que é tratada não como um instrumento sujeito às decisões humanas, mas como um sujeito (!) que decide as diretrizes sociais.</font></p>
<p align="justify"><font color="#008040" size="2">A tecnologia deve ser usada em benefício da educação, é claro, ainda mais em um país onde </font><a href="http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110629/not_imp738270,0.php"><font color="#008040" size="2"><u>metade dos estudantes</u></font></a><font color="#008040" size="2"> não tem acesso à internet. Mas ela, sozinha, não resolve nada. Vejam que certa </font><a href="http://www.estacio.br/material-didatico/default.asp"><font color="#008040" size="2"><u>gigantesca instituição</u></font></a><font color="#008040" size="2"> de ensino superior (em número de alunos, não em produção científica), que dá tablets aos alunos, perdeu vagas no curso de Direito (não vi o que ocorreu em outros cursos) com os resultados do ENADE de 2009 (por sinal, estranhamente só divulgado em 2011). </font></p>
<p align="justify"><font color="#008040" size="2">Uma sala de aula pode estar toda conectada, todos com alunos com computador, e o resultado ser zero em termos de aprendizagem: os alunos podem usar o computador para brincar com outras coisas (não há ensino sem concentração) e, o que é mais grave, não ter o conhecimento metodológico nem as competências linguísticas para lidar com o universo de fontes que a internet oferece. Ficarão só no recorta-e-cola, completamente analfabetos diante da biblioteca infinita borgiana, apesar das maravilhas prometidas pelos apóstolos da educação à distância (que é um instrumento, não uma panaceia &#8211; embora poupe as instiuições de construir mais salas para abrigar os alunos e contratar mais professores)&#8230;</font></p>
<p align="justify"><font color="#008040"><font size="2">Borges falou da ironia de Deus, que lhe permitiu ter milhares de livros, mas lhe impôs a cegueira. Ocorre algo parecido neste caso &#8211; temos milhões de livros, artigos, notas na rede virtual (muitos deles ruins) e a cegueira também, socialmente produzida pelas péssimas políticas de educação. Os discursos de expansão da internet nas escolas, em geral, não se preocupam com o iletramento generalizado dos alunos. Isso não é irônico, e sim perverso. Parece-me que se trata da mesma perversidade da imprensa (não preciso mencionar os políticos, seja da oposição, seja do governo) ao exaltar a memória do ex-ministro a despeito das condições escatológicas da Educação. Para os jornais, um está morto (permanece, porém, o seu legado), e a outra não deve viver.</font> </font></p>
<p align="justify">FONTE: <a href="http://opalcoeomundo.blogspot.com/2011/06/universos-paralelos-da-educacao-iii.html?spref=tw" target="_blank">O Palco e o Mundo</a></p>
<br /> Tagged: <a href='http://lusoleituras.wordpress.com/tag/crise-cultural/'>crise cultural</a>, <a href='http://lusoleituras.wordpress.com/tag/educacao/'>educação</a>, <a href='http://lusoleituras.wordpress.com/tag/politicas-publicas/'>políticas públicas</a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/lusoleituras.wordpress.com/884/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/lusoleituras.wordpress.com/884/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/lusoleituras.wordpress.com/884/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/lusoleituras.wordpress.com/884/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/lusoleituras.wordpress.com/884/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/lusoleituras.wordpress.com/884/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/lusoleituras.wordpress.com/884/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/lusoleituras.wordpress.com/884/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/lusoleituras.wordpress.com/884/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/lusoleituras.wordpress.com/884/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/lusoleituras.wordpress.com/884/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/lusoleituras.wordpress.com/884/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/lusoleituras.wordpress.com/884/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/lusoleituras.wordpress.com/884/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lusoleituras.wordpress.com&amp;blog=9054082&amp;post=884&amp;subd=lusoleituras&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Jesielf</media:title>
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		<title>a neuroqu&#237;mica dos Jacintos: como a vida urbana pode enlouquecer</title>
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		<pubDate>Wed, 29 Jun 2011 01:12:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jesielf</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[estatísticas]]></category>
		<category><![CDATA[modernidade]]></category>
		<category><![CDATA[vida urbana]]></category>

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		<description><![CDATA[&#160; Insani(ci)dade Pesquisa mostra que o estresse estimula regiões do cérebro associadas à depressão, ansiedade e esquizofrenia em habitantes de centros urbanos. Próximo passo é estudar componentes específicos da cidade para descobrir o que causa esse comportamento cerebral. Por: Sofia Moutinho Moradores de cidades grandes e pessoas criadas em ambientes urbanos processam o estresse de [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lusoleituras.wordpress.com&amp;blog=9054082&amp;post=883&amp;subd=lusoleituras&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#160;</p>
<p align="justify"><font color="#800000" size="4"><strong>Insani(ci)dade </strong></font></p>
<p align="justify"><font color="#800000">Pesquisa mostra que o estresse estimula regiões do cérebro associadas à depressão, ansiedade e esquizofrenia em habitantes de centros urbanos. Próximo passo é estudar componentes específicos da cidade para descobrir o que causa esse comportamento cerebral. </font></p>
<p align="justify"><font color="#800000">Por: <em>Sofia Moutinho</em></font></p>
<p align="justify"><a href="http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/2011/06/insani-ci-dade/image"><font color="#800000"><img title="Moradores de cidades grandes e pessoas criadas em ambientes urbanos processam o estresse de modo particular e estão mais propensos a desenvolver certos distúrbios psiquiátricos. (fotos: Flickr/ Sekushy e Gabriela Medina; montagem: Sofia Moutinho) " alt="Insani(ci)dade" src="http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/2011/06/insani-ci-dade/image_preview" width="400" height="264" /> </font></a></p>
<blockquote><p align="justify"><font color="#800000" size="3">Moradores de cidades grandes e pessoas criadas em ambientes urbanos processam o estresse de modo particular e estão mais propensos a desenvolver certos distúrbios psiquiátricos. (fotos: Flickr/ Sekushy e Gabriela Medina; montagem: Sofia Moutinho) </font></p>
</blockquote>
<p align="justify"><a href="http://www.nature.com/nature/journal/v474/n7352/full/nature10190.html"><font color="#800000">Um estudo publicado na revista </font></a><em><a href="http://www.nature.com/nature/journal/v474/n7352/full/nature10190.html"><font color="#800000">Nature</font></a><font color="#800000"> </font></em><font color="#800000">desta semana mostra pela primeira vez que o ambiente urbano afeta o modo como nosso cérebro lida com o estresse e sugere que a vida nas cidades pode desencadear distúrbios como a ansiedade, a depressão e a esquizofrenia.</font></p>
<p align="justify"><font color="#800000">Conduzida por cientistas alemães, canadenses e ingleses, a pesquisa revela que, em situações de estresse, as pessoas que vivem ou foram criadas em grandes cidades apresentam um nível alto de atividade em duas regiões do cérebro que regulam as emoções, a amígdala e o córtex cingulado anterior.</font></p>
<p align="justify"><font color="#800000">Pessoas que vivem ou foram criadas em grandes cidades apresentam nível alto de atividade em regiões do cérebro que regulam as emoções</font></p>
<p align="justify"><font color="#800000">Para chegar à descoberta, os pesquisadores submeteram um grupo de adultos alemães sem histórico de doenças mentais a um teste de estresse. Os voluntários foram colocados dentro de máquinas de ressonância magnética, onde seus cérebros eram escaneados enquanto resolviam questões de matemática e lógica.</font></p>
<p align="justify"><font color="#800000">A velocidade e a dificuldade das tarefas eram adaptadas ao desempenho individual de cada participante por um programa de computador de modo a impor uma taxa de acertos menor que 40%. Para aumentar ainda mais o nível de estresse, os pesquisadores faziam críticas ao desempenho dos voluntários durante a experiência.</font></p>
<p align="justify"><font color="#800000">Os participantes que moravam em grandes cidades apresentaram alta atividade na amígdala, muito superior à observada nos voluntários moradores do campo e de cidades do interior. Já as pessoas que cresceram em grandes centros urbanos tiveram forte atividade no córtex cingulado anterior.</font></p>
<p align="justify"><font color="#800000">“Alterações na atividade da amígdala são associadas a transtornos de ansiedade, depressão e violência, enquanto que mudanças no córtex cingulado anterior já foram observadas em pacientes com esquizofrenia”, aponta um dos autores do estudo, o psiquiatra </font><a href="http://www.zi-mannheim.de/zi_andreas_meyer-lindenberg_e.html"><font color="#800000">Andreas Meyer-Lindenberg</font></a><font color="#800000"> da Universidade de Heidelberg, na Alemanha.</font></p>
<h5 align="justify"><font color="#800000">Ligações a esclarecer</font></h5>
<p align="justify"><font color="#800000">O pesquisador não sabe ainda o que exatamente causa essa diferença na reação ao estresse entre os moradores da cidade e do campo e afirma que, em princípio, qualquer um dos&#160; fatores relacionados à vida urbana – como a poluição, as aglomerações, o barulho e o ritmo de vida acelerado – poderia estar associado a ela.</font></p>
<dl>
<dt>
<div align="justify"><a href="http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/2011/06/imagens/AdemirBatistadosSantosCCBY2.0.jpg"><font color="#800000"><img title="Aglomeração urbana" alt="Aglomeração urbana" src="http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/2011/06/imagens/AdemirBatistadosSantosCCBY2.0.jpg/image_preview" width="400" height="300" /></font></a><font color="#800000"> </font></div>
</dt>
</dl>
<blockquote><p align="justify"><font color="#800000"><font size="3">A poluição, as aglomerações humanas, o barulho e o ritmo de vida acelerado nas cidades podem estar associados ao desenvolvimento de psicopatias. Mas, para provar essa relação, novos estudos precisam ser conduzidos. (foto: Flickr/ Ademir Batista dos Santos)</font> </font></p>
</blockquote>
<p align="justify"><font color="#800000">Independentemente dessas incertezas, estudos anteriores já haviam mostrado que moradores de cidades têm 21% mais de probabilidade de desenvolver ansiedade e 39% mais chance de desenvolver distúrbios de humor, como a depressão. Já a esquizofrenia seria duas vezes mais comum entre indivíduos criados em centros urbanos.</font></p>
<p align="justify"><font color="#800000">Ainda assim, Meyer-Lindenberg ressalta que são necessários mais estudos para esclarecer as ligações entre essas doenças e as alterações cerebrais identificadas em sua pesquisa. </font><font color="#800000">São necessários mais estudos para esclarecer as ligações entre as psicopatias e as alterações cerebrais identificadas na pesquisa. </font><font color="#800000">“Agora temos um alvo no cérebro para medir os efeitos do ambiente urbano e, em estudos próximos, poderemos olhar componentes específicos da cidade para descobrir o que causa essas mudanças cerebrais e como elas influenciam o aparecimento de psicopatias”, diz o psiquiatra.</font></p>
<p align="justify"><font color="#800000">Apesar de o estudo ter envolvido apenas voluntários alemães, ele acredita que seus resultados sejam válidos para outros países, inclusive para o Brasil. </font><font color="#800000">“Outras sociedades devem ser estudadas para ver se os resultados se aplicam a elas”, comenta. “Mas, se já verificamos esse efeito na Alemanha, onde a diferença entre campo e cidade não é tão forte, é muito provável que o efeito esteja presente em países onde essa diferença é mais proeminente.”</font></p>
<p align="justify"><font color="#800000">FONTE:<strong> </strong><a href="http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/2011/06/insani-ci-dade" target="_blank">Ciência Hoje On-line</a></font></p>
<br /> Tagged: <a href='http://lusoleituras.wordpress.com/tag/estatisticas/'>estatísticas</a>, <a href='http://lusoleituras.wordpress.com/tag/modernidade/'>modernidade</a>, <a href='http://lusoleituras.wordpress.com/tag/vida-urbana/'>vida urbana</a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/lusoleituras.wordpress.com/883/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/lusoleituras.wordpress.com/883/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/lusoleituras.wordpress.com/883/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/lusoleituras.wordpress.com/883/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/lusoleituras.wordpress.com/883/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/lusoleituras.wordpress.com/883/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/lusoleituras.wordpress.com/883/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/lusoleituras.wordpress.com/883/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/lusoleituras.wordpress.com/883/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/lusoleituras.wordpress.com/883/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/lusoleituras.wordpress.com/883/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/lusoleituras.wordpress.com/883/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/lusoleituras.wordpress.com/883/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/lusoleituras.wordpress.com/883/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lusoleituras.wordpress.com&amp;blog=9054082&amp;post=883&amp;subd=lusoleituras&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Moradores de cidades grandes e pessoas criadas em ambientes urbanos processam o estresse de modo particular e estão mais propensos a desenvolver certos distúrbios psiquiátricos. (fotos: Flickr/ Sekushy e Gabriela Medina; montagem: Sofia Moutinho) </media:title>
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			<media:title type="html">Aglomeração urbana</media:title>
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		<title>desvaloriza&#231;&#227;o do magist&#233;rio:                                                        mais uma das &#8220;invis&#237;veis&#8221; guerras brasileiras</title>
		<link>http://lusoleituras.wordpress.com/2011/06/25/desvalorizao-do-magistrio-mais-uma-das-invisveis-guerras-brasileiras/</link>
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		<pubDate>Sun, 26 Jun 2011 00:45:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jesielf</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[educação]]></category>
		<category><![CDATA[exploração]]></category>
		<category><![CDATA[formação do professor]]></category>
		<category><![CDATA[nação]]></category>
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		<category><![CDATA[resistência]]></category>

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		<description><![CDATA[Professores, humilhação e resistência Carreira mergulhou, há 25 anos, em ruína. Escola tornou-se o serviço público mais vulnerável. Mas eles jamais deixaram de lutar Por Valerio Arcary* Mais valem lágrimas de derrota do que a vergonha de não ter lutado. Sabedoria popular brasileira Qualquer avaliação honesta da situação das redes de ensino público estadual e [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lusoleituras.wordpress.com&amp;blog=9054082&amp;post=882&amp;subd=lusoleituras&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h3 align="justify"><a href="http://www.outraspalavras.net/files/2011/06/110610-Professores2b.jpg"><font color="#008000"><img title="110610-Professores2b" alt="" src="http://www.outraspalavras.net/files/2011/06/110610-Professores2b.jpg" width="525" height="255" /></font></a></h3>
<p align="justify"><a href="http://www.outraspalavras.net/2011/06/09/professores-humilhacao-e-resistencia/"><font size="4"><font color="#008000">Professores, humilhação e resistência</font></font></a></p>
<p align="justify"><em><font color="#008000">Carreira mergulhou, há 25 anos, em ruína. Escola tornou-se o serviço público mais vulnerável. Mas eles jamais deixaram de lutar</font></em></p>
<p align="justify"><font color="#008000">Por <strong>Valerio Arcary<em>*</em></strong></font></p>
<p align="justify"><font color="#008000"><em>Mais valem lágrimas de derrota do que a vergonha de não ter lutado</em>.      <br /><strong>Sabedoria popular brasileira</strong></font></p>
<p align="justify"><font color="#008000">Qualquer avaliação honesta da situação das redes de ensino público estadual e municipal revela que a educação contemporânea no Brasil, infelizmente, não é satisfatória. Mesmo procurando encarar a situação dramática com a máxima sobriedade, é incontornável verificar que o quadro é desolador. A escolaridade média da população com 15 anos ou mais permanece inferior a oito anos, e é de quatro entre os 20% mais pobres, porém, é superior a dez entre os 20% mais ricos.</font><a href="http://www.outraspalavras.net/2011/06/09/professores-humilhacao-e-resistencia/#_ftn1"><font color="#008000">[1]</font></a><font color="#008000"> É verdade que o Brasil em 1980 era um país culturalmente primitivo que recém completava a transição histórica de uma sociedade rural. Mas, ainda assim, em trinta anos avançamos apenas três anos na escolaridade média.</font></p>
<p align="justify"><font color="#008000">São muitos, felizmente, os indicadores disponíveis para aferir a realidade educacional. Reconhecer as dificuldades tais como elas são é um primeiro passo para poder ter um diagnóstico aproximativo. A Unesco, por exemplo, realiza uma pesquisa que enfoca as habilidades dominadas pelos alunos de 15 anos, o que corresponde aos oitos anos do ensino fundamental.</font><a href="http://www.outraspalavras.net/2011/06/09/professores-humilhacao-e-resistencia/#_ftn2"><font color="#008000">[2]</font></a><font color="#008000"> O Pisa (Programa Internacional de avaliação de Estudantes) é um projeto de avaliação comparada. As informações são oficiais porque são os governos que devem oferecer os dados. A pesquisa considera os países membros da OCDE além da Argentina, Colômbia e Uruguai, entre outros, somando 57 países.</font></p>
<p align="justify"><font color="#008000">Em uma avaliação realizada em 2006, considerando as áreas de Leitura, Matemática e Ciências o Brasil apresentou desempenho muito abaixo da média.</font><a href="http://www.outraspalavras.net/2011/06/09/professores-humilhacao-e-resistencia/#_ftn3"><font color="#008000">[3]</font></a><font color="#008000"> No caso de Ciências, o Brasil teve mais de 40% dos estudantes situados no nível mais baixo de desempenho. Em Matemática, a posição do Brasil foi muito desfavorável, equiparando-se à da Colômbia e sendo melhor apenas que a da Tunísia ou Quirguistão. Em leitura, 40% dos estudantes avaliados no Brasil, assim como na Indonésia, México e Tailândia, mostram níveis de letramento equivalentes aos alunos que se encontram no meio da educação primária nos países da OCDE. Ficamos entre os dez países com pior desempenho.</font></p>
<p align="justify"><font color="#008000">As razões identificadas para esta crise são variadas. É verdade que problemas complexos têm muitas determinações. Entre os muitos processos que explicam a decadência do ensino público, um dos mais significativos, senão o mais devastador, foi a queda do salário médio docente a partir, sobretudo, dos anos oitenta. Tão grande foi a queda do salário dos professores que, em 2008, como medida de emergência, foi criado um piso nacional. Os professores das escolas públicas passaram a ter a garantia de não ganhar abaixo de R$ 950,00, somados aí o vencimento básico (salário) e as gratificações e vantagens. Se considerarmos como referência o rendimento médio real dos trabalhadores, apurado em dezembro de 2010 o valor foi de R$ 1.515,10.</font><a href="http://www.outraspalavras.net/2011/06/09/professores-humilhacao-e-resistencia/#_ftn4"><font color="#008000">[4]</font></a><font color="#008000"> Em outras palavras, o piso nacional é inferior, apesar da exigência mínima de uma escolaridade que precisa ser o dobro da escolaridade média nacional.</font></p>
<p align="justify"><font color="#008000">Já o salário médio nacional dos professores iniciantes na carreira com licenciatura plena e jornada de 40 horas semanais, incluindo as gratificações, antes dos descontos, foi&#160; R$1.777,66 nas redes estaduais de ensino no início de 2010, segundo o Ministério da Educação. Importante considerar que o ensino primário foi municipalizado e incontáveis prefeituras remuneram muito menos. O melhor salário foi o do Distrito Federal, R$3.227,87. O do Rio Grande do Sul foi o quinto pior, R$1.269,56.</font><a href="http://www.outraspalavras.net/2011/06/09/professores-humilhacao-e-resistencia/#_ftn5"><font color="#008000">[5]</font></a><font color="#008000"> Pior que o Rio Grande do Sul estão somente a Paraíba com R$ 1.243,09, o Rio Grande do Norte com R$ 1.157,33, Goiás com R$ 1.084,00, e o lanterninha Pernambuco com R$ 1016,00. A pior média salarial do país corresponde, surpreendentemente, à região sul: R$ 1.477,28. No Nordeste era de R$ 1.560,73. No centro-oeste de R$ 2.235,59. No norte de R$ 2.109,68. No sudeste de R$ 1.697,41.</font></p>
<p align="justify"><font color="#008000">A média nacional estabelece o salário docente das redes estaduais em três salários mínimos e meio para contrato de 40 horas. Trinta anos atrás, ainda era possível ingressar na carreira em alguns Estados com salário equivalente a dez salários mínimos. Se fizermos comparações com os salários docentes de países em estágio de desenvolvimento equivalente ao brasileiro as conclusões serão igualmente escandalosas. Quando examinados os salários dos professores do ensino médio, em estudo da Unesco, sobre 31 países, há somente sete que pagam salários mais baixos do que o Brasil, em um total de 38.</font><a href="http://www.outraspalavras.net/2011/06/09/professores-humilhacao-e-resistencia/#_ftn6"><font color="#008000">[6]</font></a><font color="#008000"> Não deveria, portanto, surpreender ninguém que os professores se vejam obrigados a cumprir jornadas de trabalho esmagadoras, e que a overdose de trabalho comprometa o ensino e destrua a sua saúde.</font></p>
<p align="justify"><font color="#008000">O que é a degradação social de uma categoria? Na história do capitalismo, várias categorias passaram em diferentes momentos por elevação do seu estatuto profissional ou por destruição. Houve uma época no Brasil em que os “reis” da classe operária eram os ferramenteiros: nada tinha maior dignidade, porque eram aqueles que dominavam plenamente o trabalho no metal, conseguiam manipular as ferramentas mais complexas e consertar as máquinas. Séculos antes, na Europa, foram os marceneiros, os tapeceiros e na maioria das sociedades os mineiros foram bem pagos. Houve períodos históricos na Inglaterra – porque a aristocracia era pomposa – em que os alfaiates foram excepcionalmente bem remunerados. Na França, segundo alguns historiadores, os cozinheiros. Houve fases do capitalismo em que o estatuto do trabalho manual, associada a certas profissões, foi maior ou menor.</font></p>
<p align="justify"><font color="#008000">A carreira docente mergulhou nos últimos vinte e cinco anos numa profunda ruína. Há, com razão, um ressentimento social mais do que justo entre os professores. A escola pública entrou em decadência e a profissão foi, economicamente, desmoralizada, e socialmente desqualificada, inclusive, diante dos estudantes.</font></p>
<p align="justify"><font color="#008000">Os professores foram desqualificados diante da sociedade. O sindicalismo dos professores, uma das categorias mais organizadas e combativas, foi construído como resistência a essa destruição das condições materiais de vida. Reduzidos às condições de penúria, os professores se sentem vexados. Este processo foi uma das expressões da crise crônica do capitalismo. Depois do esgotamento da ditadura, simultaneamente à construção do regime democrático liberal, o capitalismo brasileiro parou de crescer, mergulhou numa longa estagnação. O Estado passou a ser, em primeiríssimo lugar, um instrumento para a acumulação de capital rentista. Isso significa que os serviços públicos foram completamente desqualificados.</font></p>
<p align="justify"><font color="#008000">Dentro dos serviços públicos, contudo, há diferenças de grau. As proporções têm importância: a segurança pública está ameaçada e a justiça continua muito lenta e inacessível, mas o Estado não deixou de construir mais e mais presídios, nem os salários do judiciário se desvalorizaram como os da educação; a saúde pública está em crise, mas isso não impediu que programas importantes, e relativamente caros, como variadas campanhas de vacinação, ou até a distribuição do coquetel para os soropositivos de HIV, fossem preservados. Entre todos os serviços, o mais vulnerável foi a educação, porque a sua privatização foi devastadora. Isso levou os professores a procurarem mecanismos de luta individual e coletiva para sobreviverem.</font></p>
<p align="justify"><font color="#008000">Há formas mais organizadas de resistência, como as greves, e formas mais atomizadas, como a abstenção ao trabalho. Não é um exagero dizer que o movimento sindical dos professores ensaiou quase todos os tipos de greves possíveis. Greves com e sem reposição de aulas. Greves de um dia e greves de duas, dez, quatorze, até vinte semanas. Greves com ocupação de prédios públicos. Greves com marchas.</font></p>
<p align="justify"><font color="#008000">Conhecemos, também, muitas e variadas formas de resistência individual: a migração das capitais dos Estados para o interior onde a vida é mais barata; os cursos de administração escolar para concursos de diretor e supervisor; transferências para outras funções, como cargos em delegacias de ensino e bibliotecas. E, também, a ausência. Tivemos taxas de absenteísmo, de falta ao trabalho, em alguns anos, inverossímeis.</font></p>
<p align="justify"><font color="#008000">Não obstante as desmoralizações individuais, o mais impressionante, se considerarmos futuro da educação brasileira, é valente resistência dos professores com suas lutas coletivas. Foram e permanecem uma inspiração para o povo brasileiro.</font></p>
<p align="justify"><font color="#008000"><strong>       <br />*Valerio Arcary<em>,</em></strong> é professor do IF/SP (Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia), e doutor em História pela USP&#160; </font></p>
<p> <font color="#008000">
<div align="justify">
<hr size="1" /></div>
<p> </font>
<p align="justify"><a href="http://www.outraspalavras.net/2011/06/09/professores-humilhacao-e-resistencia/#_ftnref1"><font color="#008000">[1]</font></a><font color="#008000"> Os dados sobre desigualdades sociais em educação mostram, por exemplo, que, enquanto os 20% mais ricos da população estudam em média 10,3 anos, os 20% mais pobres tem média de 4,7 anos, com diferença superior a cinco anos e meio de estudo entre ricos e pobres. Os dados indicam que os avanços têm sido ínfimos. Por exemplo, a média de anos de estudo da população de 15 anos ou mais de idade se elevou apenas de 7,0 anos em 2005 para 7,1 anos em 2006. Wegrzynovski, Ricardo</font><font color="#008000"><strong> Ainda vítima das iniqüidades       <br /></strong>in </font><a href="http://desafios2.ipea.gov.br/003/00301009.jsp?ttCD_CHAVE=3962"><font color="#008000">http://desafios2.ipea.gov.br/003/00301009.jsp?ttCD_CHAVE=3962</font></a></p>
<p align="justify"><font color="#008000">Consulta em 21/02/2011.</font></p>
<p align="justify"><a href="http://www.outraspalavras.net/2011/06/09/professores-humilhacao-e-resistencia/#_ftnref2"><font color="#008000">[2]</font></a><font color="#008000"> Informações sobre o PISA podem ser procuradas em:</font></p>
<p align="justify"><a href="http://www.unesco.org/new/en/unesco/"><font color="#008000">http://www.unesco.org/new/en/unesco/</font></a></p>
<p align="justify"><font color="#008000">Consulta em 21/02/2011</font></p>
<p align="justify"><a href="http://www.outraspalavras.net/2011/06/09/professores-humilhacao-e-resistencia/#_ftnref3"><font color="#008000">[3]</font></a><font color="#008000"> O relatório citado organiza os dados de 2006, e estão disponíveis em:</font></p>
<p align="justify"><a href="http://unesdoc.unesco.org/images/0018/001899/189923por.pdf"><font color="#008000">http://unesdoc.unesco.org/images/0018/001899/189923por.pdf</font></a></p>
<p align="justify"><font color="#008000">Consulta em 19/02/2011</font></p>
<p align="justify"><a href="http://www.outraspalavras.net/2011/06/09/professores-humilhacao-e-resistencia/#_ftnref4"><font color="#008000">[4]</font></a><font color="#008000"> A pesquisa mensal do IBGE só é realizada em algumas regiões metropolitanas. Não há uma base de dados disponível para aferir o salário médio nacional.</font></p>
<p align="justify"><a href="http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/indicadores/trabalhoerendimento/pme_nova/pme_201012pubCompleta.pdf"><font color="#008000">http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/indicadores/trabalhoerendimento/pme_nova/pme_201012pubCompleta.pdf</font></a></p>
<p align="justify"><font color="#008000">Consulta em 19/02/2011</font></p>
<p align="justify"><a href="http://www.outraspalavras.net/2011/06/09/professores-humilhacao-e-resistencia/#_ftnref5"><font color="#008000">[5]</font></a><font color="#008000"> Uma pesquisa completa sobre os salários iniciais em todos os Estados pode ser encontrada em estudo:</font></p>
<p align="justify"><a href="http://www.apeoc.org.br/extra/pesquisa.salarial.apeoc.pdf"><font color="#008000">http://www.apeoc.org.br/extra/pesquisa.salarial.apeoc.pdf</font></a></p>
<p align="justify"><font color="#008000">Consulta em 14/02/2011</font></p>
<p align="justify"><a href="http://www.outraspalavras.net/2011/06/09/professores-humilhacao-e-resistencia/#_ftnref6"><font color="#008000">[6]</font></a><font color="#008000"> <a href="http://www.adur-rj.org.br/5com/pop-up/unesco.htm">http://www.adur-rj.org.br/5com/pop-up/unesco.htm</a></font></p>
<p align="justify">FONTE: <a href="http://www.outraspalavras.net/2011/06/09/professores-humilhacao-e-resistencia/" target="_blank">Outras Palavras</a></p>
<br /> Tagged: <a href='http://lusoleituras.wordpress.com/tag/educacao/'>educação</a>, <a href='http://lusoleituras.wordpress.com/tag/exploracao/'>exploração</a>, <a href='http://lusoleituras.wordpress.com/tag/formacao-do-professor/'>formação do professor</a>, <a href='http://lusoleituras.wordpress.com/tag/nacao/'>nação</a>, <a href='http://lusoleituras.wordpress.com/tag/politica/'>política</a>, <a href='http://lusoleituras.wordpress.com/tag/resistencia/'>resistência</a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/lusoleituras.wordpress.com/882/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/lusoleituras.wordpress.com/882/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/lusoleituras.wordpress.com/882/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/lusoleituras.wordpress.com/882/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/lusoleituras.wordpress.com/882/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/lusoleituras.wordpress.com/882/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/lusoleituras.wordpress.com/882/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/lusoleituras.wordpress.com/882/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/lusoleituras.wordpress.com/882/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/lusoleituras.wordpress.com/882/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/lusoleituras.wordpress.com/882/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/lusoleituras.wordpress.com/882/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/lusoleituras.wordpress.com/882/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/lusoleituras.wordpress.com/882/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lusoleituras.wordpress.com&amp;blog=9054082&amp;post=882&amp;subd=lusoleituras&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>roteiros para trabalhos acad&#234;micos</title>
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		<pubDate>Sat, 25 Jun 2011 01:21:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jesielf</dc:creator>
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		<title>um olhar profundo para a crise dos valores sociais: excelente entrevista de uma das mais importantes fil&#243;sofas brasileiras</title>
		<link>http://lusoleituras.wordpress.com/2011/06/22/um-olhar-profundo-para-a-crise-dos-valores-sociais-excelente-entrevista-de-uma-das-mais-importantes-filsofas-brasileiras/</link>
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		<pubDate>Wed, 22 Jun 2011 10:41:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jesielf</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[alienação]]></category>
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		<description><![CDATA[Olgária Matos entre Direitos, Desejos e Utopia Entrevistada pelo projeto Revoluções, filósofa vê em 1968 o momento em que a ideia de transformação social começou a mudar Realizou-se no mês de maio, em São Paulo, uma experiência político-estética de rara atualidade. No instante em que ressurgem, no mundo árabe, os grandes movimentos de transformação social [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lusoleituras.wordpress.com&amp;blog=9054082&amp;post=879&amp;subd=lusoleituras&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h3><a href="http://lusoleituras.files.wordpress.com/2011/06/revolucoes4b.jpg"><img style="background-image:none;border-bottom:0;border-left:0;padding-left:0;padding-right:0;display:inline;border-top:0;border-right:0;padding-top:0;" title="Revolucoes4b" border="0" alt="Revolucoes4b" src="http://lusoleituras.files.wordpress.com/2011/06/revolucoes4b_thumb.jpg?w=540&#038;h=254" width="540" height="254" /></a></h3>
<h3><a href="http://www.outraspalavras.net/2011/05/17/olgaria-matos-entre-direitos-desejos-e-utopia/"><font size="4">Olgária Matos entre Direitos, Desejos e Utopia</font></a></h3>
<p><em><font color="#800000">Entrevistada pelo projeto Revoluções, filósofa vê em 1968 o momento em que a ideia de transformação social começou a mudar</font></em></p>
<p align="justify"><font color="#800000"><em>Realizou-se no mês de maio, em São Paulo, uma experiência político-estética de rara atualidade. No instante em que ressurgem, no mundo árabe, os grandes movimentos de transformação social promovidos pela multidão, o projeto </em>Revoluções<em> debateu conceitualmente esta forma de mudar o mundo. Iniciado em abril, ele desdobrou-se em três outras atividades: o <a href="http://revolucoes.org.br/v1/seminario">seminário</a> </em>Revoluções: uma política do <em>sensível (20 e 21/5); a abertura de uma <a href="http://revolucoes.org.br/v1/exposicao">exposição</a> de fotos organizada por Henrique Xavier, a partir de trabalho de Michel Löwy (21/5); e a instigante <a href="http://revolucoes.org.br/v1/oficinas">oficina</a> </em>Mídia e Revolução: culturas de vanguarda (22 e 24/5)<em>.</em></font></p>
<p align="justify"><font color="#800000"><em>Muito mais que uma série de eventos, </em>Revoluções<em> – um projeto que Outras Palavras ajudou a conceber – é um convite a refletir. Por isso, produz, em certos momentos, diálogos e entrevistas, disponíveis em seu <a href="http://www.revolucoes.org.br/">site</a>. Autora, entre muitas outras obras, de </em>As barricadas do desejo<em>, sobre o Maio de 1968 francês, a filósofa Olgária Matos é uma participantes ativa destes momentos.</em></font></p>
<p align="justify"><a href="http://lusoleituras.files.wordpress.com/2011/06/olgariamatos.jpg"><img style="background-image:none;border-bottom:0;border-left:0;padding-left:0;padding-right:0;display:inline;border-top:0;border-right:0;padding-top:0;" title="olgariamatos" border="0" alt="olgariamatos" src="http://lusoleituras.files.wordpress.com/2011/06/olgariamatos_thumb.jpg?w=244&#038;h=204" width="244" height="204" /></a>&#160;</p>
<p align="justify"><em><font color="#800000">O texto abaixo traz a síntese de uma destas conversas, mantida com a equipe de organizadores do seminário. No diálogo, ela falou sobre 1968 – abordando, em especial, seu papel na criação de novos projetos superação do capitalismo (que afloram mais intensamente hoje). Também abordou o sentido e atualidade da noção de direitos humanos, as armadilhas da libertação do corpo conjugada com aprisionamento do espírito e (com viés um tanto conservador…) as redes sociais e o mundo virtual. Ao final, expressou, a respeito da noção de Utopia, uma visão que vale a pena conhecer e discutir.</font></em></p>
<p align="justify"><font color="#800000"><strong>Projeto Revoluções: </strong>Por vezes, seus ensaios refletem as inquietações de uma geração que vivenciou e produziu uma transformação no modo de vida, com novas expectativas no campo do trabalho, da sexualidade ou na comunicação de ideias e ideais. Vivendo as “barricadas do desejo” das lutas de 1968, em que medida aquela pode se sentir representada pela atual luta pelos direitos humanos?</font></p>
<p align="justify"><font color="#800000"><strong>Olgária Matos:</strong> – O ano de 1968 foi emblemático por ter procedido à crítica das abstrações conceituais como a luta de classes, a dialética materialista, golpe de Estado como formas de emancipação, colocando no centro da questão o indivíduo.</font></p>
<p align="justify"><font color="#800000">Não mais o revolucionário profissional e obsessivo, investido da missão histórica de liberar toda a humanidade, pois nenhuma classe social fala pelo universal. Nesse sentido, a luta pelos direitos humanos hoje amplia a noção de direito que passa a abranger as questões subjetivas, além da luta contra todos os tipos de preconceito, sejam religiosos, de classe, de sexo ou gênero, de condições físicas e intelectuais.</font></p>
<p align="justify"><font color="#800000">Toda essa luta tem o sentido de suavizar as relações entre as pessoas, criando as condições do exercício do respeito, da confiança. Também a percepção da violência não só restrita às questões políticas traz para o debate os direitos dos animais e os da natureza, antes fora do debate institucional.</font></p>
<p align="justify"><font color="#800000"><strong>Projeto Revoluções: </strong>A história dos direitos humanos confunde-se com modificações de comportamentos nas relações culturais. Podemos reconhecer aqui o avanço da luta das mulheres, apoiada neste instrumento. De outro modo, há quem afirme que os direitos humanos são um instrumento de manipulação cultural, com valores originados numa cultura burguesa e europeia. Qual a sua posição sobre este paradoxo?</font></p>
<p align="justify"><font color="#800000"><strong>Olgária Matos:</strong> A ideia de direitos universais é parte da tradição da filosofia antiga — grega e estoica. Lembre-se que os cínicos, no século IV a.C., contestavam as fronteiras entre os povos que, segundo eles, criavam as rivalidades e as guerras, elaborando as primeiras reflexões sobre o cosmopolitismo. Na sequência, a visão cristã desenvolve a ideia de igualdade radical em dignidade, “todos somos irmãos” ou então, como o poeta John Donne escreveu no século XVII: “todos nós somos páginas de um mesmo livro espalhadas pelo mundo.”</font></p>
<p align="justify"><font color="#800000">Isto é, foi a luta pela igualdade universal abstrata – burguesa — que facultou a possibilidade de luta pelo direito à diferença, e não o contrário.</font></p>
<p align="justify"><font color="#800000"><strong>Projeto Revoluções:</strong> Um dos aspectos levantados por nosso curso remete diretamente aos conflitos de constituições culturais, sobretudo aquele entre a marca subjetiva do desejo e a composição de um todo social, com leis universalmente reconhecidas – em outras palavras, a cisão entre indivíduo e sociedade. Esta cisão colocaria em xeque um dos projetos mais antigos da vida social, isto é, a felicidade universalizada, ou ele amplia o campo de demandas e sua extensão?</font></p>
<p align="justify"><font color="#800000"><strong>Olgária Matos:</strong> Por sua natureza, a lei é “abstrata”, “impessoal”, e assim tem sua função reguladora da vida social. Como não poderia existir justiça “em si” – universal e abstrata – há sempre um além da lei que diz respeito aos “sentimentos morais”, a um “tato moral” – como o sentimento do pudor – que escapa à legislação.</font></p>
<p align="justify"><font color="#800000">Esse <em>quantum</em> afetivo é o que cabe ao magistrado prover para que a mais-valia afetiva do que está em jogo na lei possa efetivamente ser considerada. A felicidade é uma palavra indeterminada, mas que tem sentido crítico, uma vez que ela é o que obscuramente guia todas as ações que de uma maneira ou outra buscam o prazer. O pensamento antigo definiu a filosofia como a busca da justa vida e do bem viver que hoje, segundo Adorno, é uma “ciência esquecida”. Quer dizer, a aptidão para a felicidade é algo que se aprende, não se herda, ela exige toda uma educação. Os gregos, por exemplo, encontravam na <em>scholé – </em>no tempo liberado dos constrangimentos da autoconservação – a razão essencial da vida, pois viver nada mais é do que uma determinada maneira de nos utilizarmos do tempo finito que nos foi concedido. Os “cuidados de si” faziam parte do conhecimento da natureza e de nossa natureza, a fim de alcançarmos a “tranquilidade da alma”, uma das figuras da felicidade.</font></p>
<p align="justify"><font color="#800000">Mas se os gregos valorizavam a prudência, a moderação, a contenção das paixões – que nos fazem infelizes porque nunca determinam exatamente o que desejam – a modernidade valoriza o excesso, o descomedimento que para os antigos era sinônimo de perdição, de extravio, de infelicidade.</font></p>
<p align="justify"><font color="#800000">E, no mundo contemporâneo, a monotonia e o tédio se instalam no vazio deixado pelo desaparecimento da ideia de “autoconhecimento”’ e autoaprimoramento, e se abandonou para as coisas externas a possibilidade de ser feliz. Substituiu-se o “ser” pelo “ter”, o mercado ocupando o lugar de sucedâneo à busca da felicidade e a posse de bens materiais. Daí o vazio de tudo e a pobreza do mundo interior, atestada pela massificação do uso de drogas, obesidade mórbida, esportes radicais e demais mecanismos de colocar no exterior o que é do domínio subjetivo incontornável.</font></p>
<p align="justify"><font color="#800000"><strong>Projeto Revoluções:</strong> Das experiências culturais da segunda metade do século passado, é possível ressaltar um novo olhar sobre o corpo – não mais formado e preparado para as funções sociais “tradicionais” (basicamente, reproduzir e produzir), mas um espaço novo e aberto para a fruição de suas potencialidades. Entretanto, numa sociedade do espetáculo, em que os corpos devem se apresentar como “belos e saudáveis”, há quem afirme que as conquistas de liberdade foram deturpadas ou perdidas. Onde podemos localizar esta mudança?</font></p>
<p align="justify"><font color="#800000"><strong>Olgária Matos:</strong> Marcuse nos formulou bem essa questão. O século XX, para todos os fins do consumo, liberou os corpos mas reprimiu a vida do espírito ou, melhor, não liberou o espírito. O que significa que se tratou de uma pseudoliberação que acabou por se converter em uma nova forma de opressão. Se no passado a sexualidade era proibida de se realizar, hoje ela é obrigatória! O corpo – que é o que de mais íntimo possuímos – converteu-se em objeto de exposição (através da pornografia em geral veiculada pelo estilo publicitário) e de banalização. Piercings, tatuagens, nudez etc. são formas de exibição voltadas para si mesmas, já que não são signos distintivos de nenhuma identidade, mas são “comportamentos miméticos”, de massa. Todos copiam a todos sem reflexão, num desejo de identidade e de pertencimento buscados apenas no exterior. São pseudoidentidades e pseudopertencimentos, porque aquele que se tatua não o faz por uma escolha pessoal, mas porque um outro já o fez.</font></p>
<p align="justify"><font color="#800000">Seria preciso reinventar a ideia de felicidade para a ação não ser ativismo e não senso, mas autorreflexão, conhecimento e prazer neste conhecimento. Os corpos “belos e saudáveis” de hoje nada possuem em comum com aquela empatia do corpo e da alma, em que a beleza do espírito acaba por se revelar nos corpos precários e mortais. O fetichismo da juventude e o desejo de superação de si – os esportistas que sucumbem às drogas e às performances – nada poderiam ter em comum com a saúde do corpo e da alma, porque estas requerem filosofia!</font></p>
<p align="justify"><font color="#800000"><strong>Projeto Revoluções:</strong> Outro diagnóstico da contemporaneidade volta-se para o advento das redes sociais no mundo virtual. Nelas, os usuários encontram um espaço para expressar suas individualidades, seja em busca de relacionamentos, seja para divulgar suas ideias, ampliando as vias para a liberdade de expressão. Pensando em seu ensaio “A Identidade: um Estrangeiro em nós” (<em>Discretas Esperanças – Reflexões filosóficas sobre o mundo Contemporâneo</em>, 2006), é possível afirmar que tais manifestações na internet reforçam modelos de identificações que geram “patologias da comunicação”, como a intolerância e o dogmatismo que bloqueiam relações de alteridade? Ou seria este um meio a mais para reverter os laços sociais, configurando vias para a tolerância em uma recente cultura em que a virtualidade assume um papel central?</font></p>
<p align="justify"><font color="#800000"><strong>Olgária Matos:</strong> O virtual, as chamadas “amizades à distância”, atesta um “horror do contato”, o evitar a presença factual do outro que, por sua natureza, me contesta. Daí a tendência ao isolamento, ao narcisismo primário, regressivo, ao não contato com o outro, a dificuldade da generosidade e da gratidão, sem o que não há vida ética.</font></p>
<p align="justify"><font color="#800000"><strong>Projeto Revoluções:</strong> Um dos elementos possíveis resultantes da dinâmica entre desejo e direitos explode nas manifestações de violência, apresentadas não apenas na necessidade de reconhecimento de suas demandas, como também na instauração de forças paralelas que geram verdadeiros</font></p>
<p align="justify"><font color="#800000">“Estados dentro do Estado” (sejam as milícias paramilitares, sejam as organizações criminosas). No caso brasileiro, duas estratégias de contenção da violência estão constantemente nos noticiários: as Unidades de Polícia Pacificadoras , nas comunidades em que o tráfico era dominante, e a política de carceragem. Entre uma e outra experiência, podemos afirmar que o brasileiro está experimentando uma nova cultura de paz ou estamos reproduzindo um velho sistema de exclusão social?</font></p>
<p align="justify"><font color="#800000"><strong>Olgária Matos:</strong> Esta é uma questão difícil de começar a ser respondida, porque a lei no Brasil não parece ter a função de promover a paz social e a reparação de injustiças. Seja porque nossas leis por vezes parecem ter sido elaboradas para a pólis grega — e portanto não dão conta da violência da sociedade contemporânea –, seja porque não se compreende como ela é aplicada, e no final ela não cria coesão social, mas é vivida como sendo ela mesma violenta, arbitrária e geradora de injustiça. De onde a proliferação das organizações parapoliciais de extermínio etc.</font></p>
<p align="justify"><font color="#800000">Pode ser também que a ideia de que devamos ser mais compreensivos – complacentes – com os menores infratores, em vez de “conformá-los à boa sociedade”, esteja de fato entregando os jovens (que não têm a noção do limite do permitido e do interdito clara) à vida violenta e breve. Enfim, apesar de eu não me sentir à vontade para tratar de questões tão complexas – eu diria que é com os jovens que a lei deveria ser mais segura a fim de criar a ideia de autoridade legítima etc.</font></p>
<p align="justify"><font color="#800000">Mas que a mídia hoje tem um papel preponderante no mimetismo social não poderia ser minorado. A mídia impõe comportamentos e produz pensamentos imitados na sociedade. Que se pense o quanto a mídia responde pela conversão da política em espetáculo e as eleições em consumo de imagens de baixa qualidade e baixo padrão de comportamento ético e respeito recíproco ao adversário. A mídia polariza a política criando apenas o amor ou o ódio aos governantes,&#160;&#160; o que pouco tem em comum com a inteligência da vida pública e de um espaço comum compartilhado. Cada vez mais proliferam os particularismos e desaparecem valores comuns admirados e respeitados por todos – ou que tendessem simbolicamente a isso.</font></p>
<p align="justify"><font color="#800000">A educação medíocre que se preconiza para a grande massa – sob a alegação de que a “verdadeira cultura lhe é inacessível” – exclui a maioria da “vida do espírito”, que retorna à condição de privilégio de uma elite, esta também cada vez mais precarizada, porque o fim do valor filosófico e existencial da cultura impõe o “naturalismo“ dos comportamentos e sua informalidade como a medida da vida em comum. Daí as diversas formas de incivilidade, desde o comportamento das pessoas no trânsito, passando pelo fim das “boas maneiras” no tratamento entre as pessoas, até das formas mais graves de negação do Outro, como na criminalidade. Pena que os mais pobres tenham chegado à “universidade”, no momento em que o “ensino superior” não é superior a nada, não passa de um segundo grau mal dado e malfeito.</font></p>
<p align="justify"><font color="#800000">Mas como a história é devir – ou inquietação permanente – há sempre o inesperado que pode nos dar boas surpresas. Esperemos que o Egito tenha realmente sua “primavera”, como os franceses tiveram duas, a da Comuna de Paris que este ano comemora 140 anos, e o maio de 68 e suas “barricadas do desejo”. Porque os egípcios já nos deram sua dimensão simbólica, protegendo o Museu – patrimônio de toda a humanidade – dos oportunistas e saqueadores. Pois pode ser que as utopias não mudem o mundo, mas são elas que nos põe a caminho.</font></p>
<p>FONTE: <a href="http://www.outraspalavras.net/2011/05/17/olgaria-matos-entre-direitos-desejos-e-utopia/" target="_blank">Outras Palavras</a></p>
<p align="center">&#160;&#160; <a href="http://blogs.estadao.com.br/luiz-zanin/o-anjo-da-historia/" target="_blank"><img style="background-image:none;border-bottom:0;border-left:0;padding-left:0;padding-right:0;display:block;float:none;margin-left:auto;border-top:0;margin-right:auto;border-right:0;padding-top:0;" title="angelus-novus" border="0" alt="angelus-novus" src="http://lusoleituras.files.wordpress.com/2011/06/angelus-novus.jpg?w=338&#038;h=419" width="338" height="419" /></a><strong>(Paul Klee, “Angelus Novus”. Para um dos grandes inspiradores de Olgária Matos, o filósofo Walter Benjamin, este quadro pode ser interpretado como uma representação das dimensões caóticas da história humana. Saiba mais clicando na imagem)</strong></p>
<br /> Tagged: <a href='http://lusoleituras.wordpress.com/tag/alienacao/'>alienação</a>, <a href='http://lusoleituras.wordpress.com/tag/crise-cultural/'>crise cultural</a>, <a href='http://lusoleituras.wordpress.com/tag/direitos-humanos/'>direitos humanos</a>, <a href='http://lusoleituras.wordpress.com/tag/identidade/'>identidade</a>, <a href='http://lusoleituras.wordpress.com/tag/modernidade/'>modernidade</a>, <a href='http://lusoleituras.wordpress.com/tag/redes-virtuais/'>redes virtuais</a>, <a href='http://lusoleituras.wordpress.com/tag/revolucao/'>revolução</a>, <a href='http://lusoleituras.wordpress.com/tag/violencia/'>violência</a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/lusoleituras.wordpress.com/879/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/lusoleituras.wordpress.com/879/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/lusoleituras.wordpress.com/879/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/lusoleituras.wordpress.com/879/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/lusoleituras.wordpress.com/879/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/lusoleituras.wordpress.com/879/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/lusoleituras.wordpress.com/879/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/lusoleituras.wordpress.com/879/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/lusoleituras.wordpress.com/879/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/lusoleituras.wordpress.com/879/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/lusoleituras.wordpress.com/879/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/lusoleituras.wordpress.com/879/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/lusoleituras.wordpress.com/879/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/lusoleituras.wordpress.com/879/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lusoleituras.wordpress.com&amp;blog=9054082&amp;post=879&amp;subd=lusoleituras&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>o &#8220;problema do branco&#8221; cada vez mais em destaque</title>
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		<pubDate>Tue, 21 Jun 2011 20:04:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jesielf</dc:creator>
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		<description><![CDATA[&#160; Brasil atualiza o racismo por não discutir “branquitude” Por Glenda Almeida Nos debates sobre raças e racismo pouco se fala sobre &#34;branquitude&#34;. E foi a partir desta constatação que a pedagoga e professora de educação infantil, Luciana Alves, demonstrou que ações afirmativas, como a lei sobre ensino da cultura africana, só fazem sentido se [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lusoleituras.wordpress.com&amp;blog=9054082&amp;post=873&amp;subd=lusoleituras&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#160;</p>
<h4 align="justify"><a href="http://www.geledes.org.br/racismo-preconceito/casos-de-racismo/racismo-no-brasil/9946-brasil-atualiza-o-racismo-por-nao-discutir-branquitude"><font color="#800000">Brasil atualiza o racismo por não discutir “branquitude”</font></a></h4>
<p align="justify"><em><font color="#800000">Por Glenda Almeida</font></em></p>
<p align="justify"><font color="#800000">Nos debates sobre raças e racismo pouco se fala sobre &quot;branquitude&quot;. E foi a partir desta constatação que a pedagoga e professora de educação infantil, Luciana Alves, demonstrou que ações afirmativas, como a lei sobre ensino da cultura africana, só fazem sentido se forem realizadas em ambiente de reflexão e reconstrução sobre o &quot;ser branco&quot;.</font></p>
<p align="justify"><font color="#800000">O tema &quot;miscigenação&quot; é muito falado no Brasil, mas o que se esconde por trás desse discurso é uma cultura que atualiza o racismo. A escola se apresenta como instituição discriminatória, onde o assunto &quot;branquitude&quot; é pouquíssimo discutido nos debates sobre raça. Essa situação colabora para que o branco se sinta superior e em posição de neutralidade a respeito do tema, fazendo perpetuar a &quot;positividade da brancura&quot; e os estereótipos negativados do &quot;ser negro&quot;.</font></p>
<p align="justify"><font color="#800000">Para realizar seu estudo Significados de ser branco – a brancura no corpo e para além dele, orientado pela Professora Marília Pinto de Carvalho, Luciana entrevistou 10 professores de ensino básico, sendo 4 autodeclarados brancos e 6 negros, a fim de saber o que pensavam sobre &quot;o que é ser branco no Brasil&quot;. O estudo foi apresentado na Faculdade de Educação (FE) da USP. A pesquisadora conta que os professores foram selecionados para o trabalho quando participavam de um curso sobre a Lei 10639/2003, que obriga o ensino de cultura e história africana e afro-brasileira nas escolas.</font></p>
<p align="justify"><strong><font color="#800000">Metade branca</font></strong></p>
<p align="justify"><font color="#800000">No Brasil, cerca de 50% da população se autodeclara branca, denunciando que no País onde existe um discurso sobre a mistura de raças ainda há motivos que levam as pessoas a se declararem brancas, mesmo sendo provenientes de família mestiça. De acordo com Luciana, esses motivos estão relacionados aos &quot;significados de ser branco, para além da cor da pele&quot;. Esses significados são um conjunto de características atribuídas culturalmente às pessoas que se reconhecem e são reconhecidas em suas comunidades como brancos.</font></p>
<p align="justify"><font color="#800000">&quot;Ser branco é não ser negro&quot;, disse um dos entrevistados. Tal resposta evidencia que o significado de ser negro geralmente já é construído como o contrário de ser branco. Por causa dessa mentalidade, é muito comum perceber no dia-a-dia situações em que &quot;ser negro&quot; é relacionado a características negativas. Em contra partida, o que é associado à brancura são valores positivos, socialmente estimados. A inteligência, a castidade, a beleza, a riqueza, a erudição e a limpeza, por exemplo, seriam características de um &quot;negro de alma branca&quot;, expressão utilizada por um dos professores entrevistados.</font></p>
<p align="justify"><font color="#800000">Nas entrevistas, o que ficou claro nas falas dos negros, além da tal positividade da brancura, foi a sensação de medo, insegurança, opressão e desconfiança. Isso confirma a imagem do branco como potencialmente opressor para os negros, construída e atualizada ao decorrer da história.</font></p>
<p align="justify"><font color="#800000">As respostas dos professores brancos sobre &quot;ser negro&quot; geralmente recorriam aos estereótipos muito bem fixados no imaginário popular. Quando falavam de suas infâncias, lembrando momentos em que presenciaram situações de discriminação, evidenciavam que desde aquela época esses estereótipos, criticados por eles atualmente, já estavam sendo construídos.</font></p>
<p align="justify"><font color="#800000">Essa construção coloca a &quot;brancura&quot; como padrão, como norma, e é essa padronização a principal responsável pela atualização do racismo no Brasil, segundo a pesquisa. &quot;As memórias dos professores revelam a neutralidade de sua pertença racial, indicando que ser branco é não ter que refletir sobre esse dado&quot;, constata a pesquisadora.</font></p>
<p align="justify"><font color="#800000"><strong>Nas Escolas</strong></font></p>
<p align="justify"><font color="#800000">O racismo ainda existe e permeia o cotidiano do brasileiro e, nas escolas, não é diferente. Segundo Luciana, a melhor forma de não atualizar a discriminação nas salas de aula é colocar o tema &quot;branquitude&quot; em pauta. &quot;É preciso entender que os brancos também formam um grupo racial que defende seus interesses, e acabam se beneficiando, direta ou indiretamente com o racismo&quot;, diz a pesquisadora. Ela acredita que deve haver no ambiente escolar oportunidades de se discutir e questionar a adesão à ideia de superioridade da brancura. &quot;É aí que entra a formação adequada dos professores, como aposta para que a idealização branca deixe de ser objeto de desejo para negros e brancos, pois ela pressupõe hierarquia&quot;, descreve a pesquisadora. Nas salas de aula, a brancura ainda é construída como referência de humanidade, onde &quot;o branco é sempre o melhor exemplo&quot;.</font></p>
<p>FONTE: <a href="http://www.geledes.org.br/racismo-preconceito/casos-de-racismo/racismo-no-mundo/9928-livro-causa-polemica-ao-acusar-smurfs-de-racistas-e-antissemitas" target="_blank">Portal Geledés</a></p>
<br /> Tagged: <a href='http://lusoleituras.wordpress.com/tag/branquitude/'>branquitude</a>, <a href='http://lusoleituras.wordpress.com/tag/cultura-brasileira/'>cultura brasileira</a>, <a href='http://lusoleituras.wordpress.com/tag/formacao-do-professor/'>formação do professor</a>, <a href='http://lusoleituras.wordpress.com/tag/identidade/'>identidade</a>, <a href='http://lusoleituras.wordpress.com/tag/lei-10639/'>lei 10639</a>, <a href='http://lusoleituras.wordpress.com/tag/racismo/'>racismo</a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/lusoleituras.wordpress.com/873/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/lusoleituras.wordpress.com/873/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/lusoleituras.wordpress.com/873/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/lusoleituras.wordpress.com/873/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/lusoleituras.wordpress.com/873/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/lusoleituras.wordpress.com/873/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/lusoleituras.wordpress.com/873/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/lusoleituras.wordpress.com/873/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/lusoleituras.wordpress.com/873/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/lusoleituras.wordpress.com/873/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/lusoleituras.wordpress.com/873/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/lusoleituras.wordpress.com/873/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/lusoleituras.wordpress.com/873/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/lusoleituras.wordpress.com/873/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lusoleituras.wordpress.com&amp;blog=9054082&amp;post=873&amp;subd=lusoleituras&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>p&#243;s-colonialismo &amp; negritude em l&#237;ngua portuguesa</title>
		<link>http://lusoleituras.wordpress.com/2011/06/20/ps-colonialismo-negritude-em-lngua-portuguesa/</link>
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		<pubDate>Mon, 20 Jun 2011 07:45:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jesielf</dc:creator>
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		<description><![CDATA[BIBLIOGRAFIA TEÓRICA (parcial): Ementa do minicurso. MUNANGA, Kabenguele. Negritude: usos e sentidos. Belo Horizonte: Autêntica, 2009. (trechos) MARGARIDO, Alfredo. Alienação, independentismo, negritude, mulatismo e negrismo nas poesias africanas de expressão portuguesa. In: Estudos sobre literaturas das nações africanas de língua portuguesa. Lisboa: A Regra do Jogo, 1980. MARGARIDO, Alfredo. Poetas de São Tomé e Príncipe [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lusoleituras.wordpress.com&amp;blog=9054082&amp;post=849&amp;subd=lusoleituras&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://lusoleituras.files.wordpress.com/2011/06/image.png"><img style="background-image:none;padding-left:0;padding-right:0;display:block;float:none;margin-left:auto;margin-right:auto;padding-top:0;border-width:0;" title="image" src="http://lusoleituras.files.wordpress.com/2011/06/image_thumb.png?w=504&#038;h=97" alt="image" width="504" height="97" border="0" /></a></p>
<p><a href="http://lusoleituras.files.wordpress.com/2011/06/4negras.jpg"><img style="display:block;float:none;margin-left:auto;margin-right:auto;" title="4negras" src="http://lusoleituras.files.wordpress.com/2011/06/4negras_thumb.jpg?w=512&#038;h=446" alt="4negras" width="512" height="446" /></a></p>
<p><a href="http://lusoleituras.files.wordpress.com/2011/06/image1.png"><img style="background-image:none;padding-left:0;padding-right:0;display:block;float:none;margin-left:auto;margin-right:auto;padding-top:0;border-width:0;" title="image" src="http://lusoleituras.files.wordpress.com/2011/06/image_thumb1.png?w=372&#038;h=244" alt="image" width="372" height="244" border="0" /></a></p>
<p align="justify"><span style="font-size:small;">BIBLIOGRAFIA TEÓRICA (parcial):</span></p>
<p align="justify"><a href="http://www.4shared.com/file/z0D7pPmk/NOVO_minicurso_Jesiel_Senalic3.html" target="_blank">Ementa do minicurso.</a></p>
<p align="justify"><a href="http://www.4shared.com/document/dY3r_rcw/MUNANGA_Negritude_Usos_Sentido.html" target="_blank">MUNANGA, Kabenguele. <em>Negritude: usos e sentidos</em>. Belo Horizonte: Autêntica, 2009.</a> (trechos)</p>
<p align="justify"><a href="http://www.4shared.com/document/Tq4kgHWh/MARGARIDO_Alienao_Negritude.html" target="_blank">MARGARIDO, Alfredo. <strong>Alienação, independentismo, negritude, mulatismo e negrismo nas poesias africanas de expressão portuguesa</strong>. In: <em>Estudos sobre literaturas das nações africanas de língua portuguesa</em>. Lisboa: A Regra do Jogo, 1980.</a></p>
<p align="justify"><a href="http://www.4shared.com/document/vPY2FJlU/MARGARIDO_Poetas_So_Tom.html" target="_blank">MARGARIDO, Alfredo. <strong>Poetas de São Tomé e Príncipe (Prefácio)</strong>. In: <em>Estudos sobre literaturas das nações africanas de língua portuguesa</em>. Lisboa: A Regra do Jogo, 1980.</a></p>
<p align="justify"><a href="http://www.4shared.com/document/P2uAoB0P/OLIVEIRAFILHO_Hibridismo_e_pod.html" target="_blank">OLIVEIRA FILHO, Jesiel Ferreira de. <strong>Hibridismo e poder na família nacional brasileira: o ‘caçador’ como emblema da miscigenação predatória</strong>. In: <em>Anais Eletrônicos do III Seminário Nacional Literatura e Cultura</em>. v.3. São Cristóvão: GELIC/UFS, 2011.</a></p>
<p align="justify"><span style="font-size:small;">OUTROS TEXTOS TEÓRICOS PODEM SER ACESSADOS <a href="http://lusoleituras.wordpress.com/2010/09/02/o-reverso-das-caravelas-bibliografia-on-line/" target="_blank">NESTA POSTAGEM</a>, ASSIM COMO <a href="http://lusoleituras.wordpress.com/2010/11/18/breve-roteiro-comparativista/" target="_blank">NESTA OUTRA</a>. SEGUE ABAIXO ANTOLOGIA DOS POEMAS TRABALHADOS NO CURSO. OS POEMAS AFROBRASILEIROS </span><span style="font-size:small;"><a href="http://lusoleituras.wordpress.com/2011/06/01/antologia-de-poesia-do-negro/" target="_blank">PODEM SER ACESSADOS AQUI</a>. </span></p>
<p><strong><span style="color:#9b00d3;"><em>NEGRUME DA NOITE<br />
</em></span></strong>(Composição : Paulinho do Reco)</p>
<p>O negrume da noite<br />
Reluziu o dia<br />
A beleza azeviche<br />
Que a negritude criou</p>
<p>O negrume da noite<br />
Reluziu o dia<br />
O perfil azeviche<br />
Que a negritude criou</p>
<p>Constitui um universo de beleza<br />
Explorado pela raça negra<br />
Por isso o negro lutou<br />
O negro lutou<br />
E acabou invejado<br />
E se consagrou</p>
<p>Ilê, Ilê Aiye<br />
Tu és o senhor<br />
Dessa grande nação<br />
E hoje os negros clamam<br />
A benção, a benção, a benção</p>
<p>Odé Comorodé<br />
Odé Arerê<br />
Odé<br />
Comorodé Odé<br />
Odé Arerê</p>
<div id="scid:5737277B-5D6D-4f48-ABFC-DD9C333F4C5D:f796f234-350e-4434-8771-c9e89c2a4bae" class="wlWriterEditableSmartContent" style="display:inline;float:none;margin:0;padding:0;">
<div><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://lusoleituras.wordpress.com/2011/06/20/ps-colonialismo-negritude-em-lngua-portuguesa/"><img src="http://img.youtube.com/vi/8oe_VwkwG-Y/2.jpg" alt="" /></a></span></div>
</div>
<p>******************************</p>
<p><strong><span style="font-family:Arial;"><a href="http://www.algumapoesia.com.br/poesia/poesianet011.htm" target="_blank"><span style="font-size:small;">LANGSTON HUGHES</span></a><span style="font-size:small;"> (tradução: Carlos Machado)</span></span></strong></p>
<p><strong><em><span style="color:#9b00d3;font-family:Calisto MT;">THE NEGRO SPEAKS OF RIVERS</span></em></strong></p>
<p><span style="font-family:Calisto MT;">I&#8217;ve known rivers:<br />
I&#8217;ve known rivers ancient as the world and older than the flow of human blood in human [veins.<br />
My soul has grown deep like the rivers.</span></p>
<p><span style="font-family:Calisto MT;">I bathed in the Euphrates when dawns were young.<br />
I built my hut near the Congo and it lulled me to sleep.</span></p>
<p><span style="font-family:Calisto MT;">I looked upon the Nile and raised the pyramids above it.<br />
I heard the singing of the Mississippi when Abe Lincoln went down to New Orleans, and I've   [seen its muddy bosom turn all golden in the sunset.</span></p>
<p><span style="font-family:Calisto MT;">I've known rivers:<br />
Ancient, dusky rivers.</span></p>
<p><span style="font-family:Calisto MT;">My soul has grown deep like the rivers.</span></p>
<p><strong><em><span style="color:#9b00d3;">O NEGRO FALA SOBRE RIOS</span></em></strong></p>
<p>Conheço rios:<br />
Conheço rios tão antigos quanto o mundo e mais velhos que o fluxo de sangue humano nas     veias humanas.]<br />
Minha alma se tornou profunda como os rios.</p>
<p>Banhei-me no Eufrates quando eram jovens as auroras.<br />
Construí minha cabana junto ao Congo e ele me cantou canções de ninar.</p>
<p>Olhei para o Nilo e acima dele levantei as pirâmides.<br />
Ouvi o canto do Mississippi quando Abe Lincoln desceu até New Orleans e vi seu seio [lamacento tornar-se ouro, ao pôr-do-sol.</p>
<p>Conheço rios:<br />
Antigos, cinzentos rios.</p>
<p>Minha alma se tornou profunda como os rios.</p>
<p><a href="http://www.algumapoesia.com.br/poesia/poesianet011.htm" target="_blank"><img style="background-image:none;padding-left:0;padding-right:0;display:inline;padding-top:0;border-width:0;" title="parks_hughes" src="http://lusoleituras.files.wordpress.com/2011/06/parks_hughes.jpg?w=233&#038;h=244" alt="parks_hughes" width="233" height="244" border="0" /></a></p>
<p>******************************</p>
<p><strong><span style="font-size:small;"><a href="http://lusofonia.com.sapo.pt/tenreiro.htm" target="_blank">FRANCISCO JOSÉ TENREIRO</a></span></strong></p>
<p><strong><em><span style="color:#9b00d3;">FRAGMENTO DE BLUES<br />
</span></em></strong>(A Langston Hughes)</p>
<p>Vem até mim<br />
nesta noite de vendaval na Europa<br />
pela voz solitária de um trompete<br />
toda a melancolia das noites de Geórgia;<br />
oh! mamie oh! mamie<br />
embala o teu menino<br />
oh! mamie oh! mamie<br />
olha o mundo roubando o teu menino.</p>
<p>Vem até mim<br />
ao cair da tristeza no meu coração<br />
a tua voz de negrinha doce<br />
quebrando-se ao som grave dum piano<br />
tocando em Harlem:<br />
– Oh! King Joe<br />
King Joe<br />
Joe Louis bateau Buddy Baer<br />
E Harlem abriu-se num sorriso branco<br />
Nestas noites de vendaval na Europa<br />
Count Basie toca para mim<br />
e ritmos negros da América<br />
encharcam meu coração;<br />
– ah! ritmos negros da América<br />
encharcam meu coração!<br />
E se ainda fico triste<br />
Langston Hughes e Countee Cullen<br />
Vêm até mim<br />
Cantando o poema do novo dia<br />
– ai! os negros não morrem<br />
nem nunca morrerão!</p>
<p>&#8230;logo com eles quero cantar<br />
logo com eles quero lutar<br />
– ai! os negros não morrem nem<br />
nem nunca morrerão!</p>
<p><span style="color:#9b00d3;"><strong><em>CORAÇÃO EM ÁFRICA</em></strong></span></p>
<p>Caminhos trilhados na Europa<br />
de coração em África<br />
Saudades longas de palmeiras vermelhas verdes amarelas<br />
tons fortes da paleta cubista<br />
que o Sol sensual pintou na paisagem;<br />
saudade sentida de coração em África<br />
ao atravessar estes campos de trigo sem bocas<br />
das ruas sem alegrias com casas cariadas<br />
pela metralha míope da Europa e da América<br />
da Europa trilhada por mim Negro de coração em África.<br />
De coração em África na simples leitura dominical<br />
dos periódicos cantando na voz ainda escaldante da tinta<br />
e com as dedadas de miséria dos ardinas das cities boulevards e baixas da Europa<br />
trilhada por mim Negro e por ti ardina<br />
cantando dizia eu em sua voz de letras as melancolias do orçamento que não equilibra<br />
do Benfica venceu o Sporting ou não.<br />
Ou antes ou talvez seja que desta vez vai haver guerra<br />
para que nasçam flores roxas de paz<br />
com fitas de veludo e caixões de pinho:<br />
Oh as longas páginas do jornal do mundo<br />
são folhas enegrecidas de macabro blue<br />
com mourarias de facas e guernicas de toureiros.<br />
Em três linhas (sentidas saudades de África) —<br />
Mac Gee cidadão da América e da democracia<br />
Mac Gee cidadão negro e da negritude<br />
Mac Gee cidadão Negro da América e do Mundo Negro<br />
Mac Gee fulminado pelo coração endurecido feito cadeira eléctrica<br />
(do cadáver queimado de Mac Gee do seu coração em África e sempre vivo<br />
floriram flores vermelhas flores vermelhas flores vermelhas<br />
e também azuis e também verdes e também amarelas<br />
na gama policroma da verdade do Negro<br />
da inocência de Mac Gee) —<br />
três linhas no jornal como um falso cartão de pêsames.<br />
Caminhos trilhados na Europa<br />
de coração em África.<br />
De coração em África com o grito seiva bruta dos poemas de Guillen<br />
de coração em África com a impetuosidade viril de I too am America<br />
de coração em África com as árvores renascidas em todas estações nos belos poemas de [Diop<br />
de coração em África nos rios antigos que o Negro conheceu e no mistério do Chaka-Senghor<br />
de coração em África contigo amigo Joaquim quando em versos incendiários<br />
cantaste a África distante do Congo da minha saudade do Congo de coração em África,<br />
de coração em África ao meio dia do dia de coração em África<br />
com o Sol sentado nas delicias do zénite<br />
reduzindo a pontos as sombras dos Negros<br />
amodorrando no próprio calor da reverberação os mosquitos da nocturna picadela.<br />
De coração em África em noites de vigília escutando o olho mágico do rádio<br />
e a rouquidão sentimento das inarmonias de Armstrong.<br />
De coração em África em todas as poesias gregárias ou escolares que zombam<br />
e zumbem sob as folhas de couve da indiferença<br />
mas que tem a beleza das rodas de crianças com papagaios garridos<br />
e jogos de galinha branca vai até França<br />
que cantam as volutas dos seios e das coxas das negras e mulatas<br />
de olhos rubros como carvões verdes acesos.<br />
De coração em África trilho estas ruas nevoentas da cidade<br />
de África no coração e um ritmo de be bop nos lábios<br />
enquanto que à minha volta se sussurra olha o preto (que bom) olha<br />
um negro (óptimo), olha um mulato (tanto faz)<br />
olha um moreno (ridículo)<br />
e procuro no horizonte cerrado da beira-mar<br />
cheiro de maresias distantes e areias distantes<br />
com silhuetas de coqueiros conversando baixinho a brisa da tarde.<br />
De coração em África na mão deste Negro enrodilhado e sujo de beira-cais<br />
vendendo cautelas com a incisão do caminho da cubata perdida na carapinha alvinitente;<br />
de coração em África com as mãos e os pés trambolhos disformes<br />
e deformados como os quadros de Portinari dos estivadores do mar<br />
e dos meninos ranhosos viciados pelas olheiras fundas das fomes de Pomar<br />
vou cogitando na pretidão do mundo que ultrapassa a própria cor da pele<br />
dos homens brancos amarelos negros ou as riscas<br />
e o coração entristece a beira-mar da Europa<br />
da Europa por mim trilhada de coração em África<br />
e chora fino na arritmia de um relójio cuja corda vai estalar<br />
soluça a indignação que fez os homens escravos dos homens<br />
mulheres escravas de homens crianças escravas de homens negros escravos dos homens<br />
e também aqueles de que ninguém fala e eu Negro não esqueço<br />
como os pueblos e os xavantes os esquimós os ainos eu sei lá<br />
que são tantos e todos escravos entre si.<br />
Chora coração meu estala coração meu enternece-te meu coração<br />
de uma só vez (oh orgão feminino do homem)<br />
de uma só vez para que possa pensar contigo em África<br />
na esperança de que para o ano vem a monção torrencial<br />
que alagará os campos ressequidos pela amargura da metralha<br />
e adubados pela cal dos ossos de Taszlitzki<br />
na esperança de que o Sol há-de prenhar as espigas de trigo para os meninos viciados<br />
e levará milho às cabanas destelhadas do último rincão da Terra<br />
distribuirá o pão o vinho e o azeite pelos aliseos;<br />
na esperança de que as entranhas hiantes de um menino antipoda<br />
haja sempre uma túlipa de leite ou uma vaca de queijo que lhe mitigue a sede da existência.<br />
Deixa-me coração louco<br />
deixa-me acreditar no grito de esperança lançado pela paleta viva de Rivera<br />
e pelos oceanos de ciclones frescos das odes de Neruda;<br />
deixa-me acreditar que do desespero másculo de Picasso sairão pombas<br />
que como nuvens voarão os céus do mundo de coração em África.</p>
<p><strong><em><span style="color:#9b00d3;">NEGRO DE TODO O MUNDO<br />
</span></em></strong><br />
O som do gongue<br />
ficou gritando no ar<br />
que o negro tinha perdido.<br />
Harlém! Harlém!<br />
América!<br />
Nas ruas de Harlém<br />
os negros trocam a vida por navalhas!<br />
América!<br />
Nas ruas de Harlém<br />
o sangue de negros e de brancos<br />
está formando xadrez.<br />
Harlém!<br />
Bairro negro!<br />
Ringue da vida!</p>
<p>Os poetas de Cabo Verde<br />
estão cantando&#8230;</p>
<p>Cantando os homens<br />
perdidos na pesca da baleia.<br />
Cantando os homens<br />
perdidos em aventuras da vida<br />
espalhados por todo o mundo!</p>
<p>Em Lisboa?<br />
Na América?<br />
No Rio?<br />
Sabe-se lá!&#8230;</p>
<p>— Escuta.<br />
É a Morna&#8230;</p>
<p>Voz nostálgica do cabo-verdiano<br />
chamando por seus irmãos!</p>
<p>Nos terrenos do fumo<br />
os negros estão cantando.</p>
<p>Nos arranha-céus de New-York<br />
os brancos macaqueando!</p>
<p>Nos terrenos da Virgínia<br />
os negros estão dançando.</p>
<p>No show-boat do Mississípi<br />
os brancos macaqueando!</p>
<p>Ah!<br />
Nos estados do sul<br />
os negros estão cantando!</p>
<p>A tua voz escurinha<br />
está cantando<br />
nos palcos de Paris.<br />
Folies-Bergères.</p>
<p>Os brancos estão pagando<br />
o teu corpo<br />
a litros de champagne.<br />
Folies-Bergères!</p>
<p>Londres-Paris-Madrid<br />
na mala de viagens&#8230;</p>
<p>Só as canções longas<br />
que estás soluçando<br />
dizem da nossa tristeza e melancolia!</p>
<p>Se fosses branco<br />
terias a pele queimada<br />
das caldeiras dos navios<br />
que te levam à aventura!</p>
<p>Se fosses branco<br />
terias os pulmões cheios<br />
de carvão descarregado<br />
no cais de Liverpool!</p>
<p>Se fosses branco<br />
quando jogas a vida<br />
por um copo de whisky<br />
terias o teu retrato no jornal!</p>
<p>Negro!<br />
Na cidade da Baía<br />
os negros<br />
estão sacudindo os músculos</p>
<p>Ui!<br />
Na cidade da Baía<br />
os negros<br />
estão fazendo macumba.</p>
<p>Oraxilá! Oraxilá!</p>
<p>Cidade branca da Baía.<br />
Trezentas e tantas igrejas!<br />
Baía&#8230;<br />
Negra. Bem negra!<br />
Cidade de Pai Santo.</p>
<p>Oraxilá! Oraxilá!</p>
<p><span style="color:#9b00d3;"><em><strong>MÃOS<br />
</strong></em></span><br />
Mãos que moldaram em terracota a beleza e a serenidade do Ifé.<br />
Mãos que na cera polida encontram o orgulho perdido do Benin.<br />
Mãos que do negro madeiro extraíram a chama das estatuetas olhos de vidro<br />
e pintaram na porta das palhotas ritmos sinuosos de vida plena:<br />
plena de sol incendiando em espasmos as estepes do sem-fim<br />
e nas savanas acaricia e dá flores às gramíneas da fome.<br />
Mãos cheias e dadas às labaredas da posse total da Terra,<br />
mãos que a queimam e a rasgam na sede de chuva<br />
para que dela nasça o inhame alargando os quadris das mulheres<br />
adoçando os queixumes dos ventres dilatados das crianças<br />
o inhame e a matabala, a matabala e o inhame.</p>
<p>Mãos negras e musicais (carinhos de mulher parida) tirando da pauta da Terra<br />
o oiro da bananeira e o vermelho sensual do andim.<br />
Mãos estrelas olhos nocturnos e caminhantes no quente deserto.<br />
Mãos correndo com o harmattan nuvens de gafanhotos livres<br />
criando nos rios da Guiné veredas verdes de ansiedades.<br />
Mãos que à beira-do-mar-deserto abriram Kano à atracção dos camelos da ventura<br />
e também Tombuctu e Sokoto, Sokoto e Zária<br />
e outras cidades ainda pasmadas de solenes emires de mil e mais noites!</p>
<p>Mãos, mãos negras que em vós estou pensando.</p>
<p>Mãos Zimbabwe ao largo do Indico das pandas velas<br />
Mãos Mali do sono dos historiadores da civilização<br />
Mãos Songhai episódio bolorento dos Tombos<br />
Mãos Ghana de escravos e oiro só agora falados<br />
Mãos Congo tingindo de sangue as mãos limpas das virgens<br />
Mãos Abissínias levantadas a Deus nos altos planaltos:<br />
Mãos de África, minha bela adormecida, agora acordada pelo relógio das balas!</p>
<p>Mãos, mãos negras que em vós estou sentindo!</p>
<p>Mãos pretas e sábias que nem inventaram a escrita nem a rosa-dos-ventos<br />
mas que da terra, da árvore, da água e da música das nuvens<br />
beberam as palavras dos corás, dos quissanges e das timbilas que o mesmo é<br />
dizer palavras telegrafadas e recebidas de coração em coração.<br />
Mãos que da terra, da árvore, da água e do coração tantã<br />
criastes religião e arte, religião e amor.</p>
<p>Mãos, mãos pretas que em vós estou chorando!</p>
<p><strong><em><span style="color:#9b00d3;">CANÇÃO DO MESTIÇO<br />
</span></em></strong><br />
Mestiço</p>
<p>Nasci do negro e do branco<br />
e quem olhar para mim<br />
é como que se olhasse<br />
para um tabuleiro de xadrez:<br />
a vista passando depressa<br />
fica baralhando cor<br />
no olho alumbrado de quem me vê.</p>
<p>Mestiço!</p>
<p>E tenho no peito uma alma grande<br />
uma alma feita de adição.</p>
<p>Foi por isso que um dia<br />
o branco cheio de raiva<br />
contou os dedos das mãos<br />
fez uma tabuada e falou grosso:<br />
– mestiço!<br />
a tua conta está errada.<br />
Teu lugar é ao pé do negro.</p>
<p>Ah!<br />
Mas eu não me danei&#8230;<br />
e muito calminho<br />
arrepanhei o meu cabelo para trás<br />
fiz saltar fumo do meu cigarro<br />
cantei alto<br />
a minha gargalhada livre<br />
que encheu o branco de calor!&#8230;</p>
<p>Mestiço!</p>
<p>Quando amo a branca<br />
sou branco&#8230;<br />
Quando amo a negra<br />
sou negro.<br />
Pois é&#8230;</p>
<p><span style="color:#9b00d3;"><strong><em>CORPO MORENO</em></strong></span></p>
<p>Se eu dissesse que o teu corpo moreno<br />
tem o ritmo da cobra preta deslizando<br />
mentia.<br />
Mentia se comparasse o teu rosto fruto<br />
ao das estátuas adormecidas das velhas civilizações de África<br />
de olhos rasgados em sonhos de luar<br />
e boca em segredos de amor.</p>
<p>Como a minha Ilha é o teu corpo mulato<br />
tronco forte que dá<br />
amorosamente ramos, folhas, flores e frutos<br />
e há frutos na geografia do teu corpo.</p>
<p>Teu rosto de fruto<br />
olhos oblíquos de safís<br />
boca fresca de framboesa silvestre<br />
és tu.</p>
<p>És tu minha Ilha e minha África<br />
forte e desdenhosa dos que te falam à volta.</p>
<p><a href="http://lusofonia.com.sapo.pt/tenreiro.htm" target="_blank"><img style="background-image:none;padding-left:0;padding-right:0;display:inline;padding-top:0;border-width:0;" title="tenreiro" src="http://lusoleituras.files.wordpress.com/2011/06/tenreiro.jpg?w=216&#038;h=306" alt="tenreiro" width="216" height="306" border="0" /></a></p>
<p>******************************</p>
<p><span style="font-size:small;"><strong>CRAVEIRINHA</strong></span></p>
<p><span style="color:#9b00d3;"><em><strong>QUANDO EU PENSO NA AMÉRICA &#8211; POEMA PARA DOREEN MARTIN </strong></em><span style="color:#000000;">(fragmento)</span></span></p>
<p>Na Mafalala quando eu penso na América<br />
Não invejo os arranha-céus de Manhattan<br />
Não me deslumbram as luzes da Broadway (&#8230;)<br />
Na Mafalala quando eu penso na América<br />
Um som de ‘spiritual’ geme no tal rio Mississipi<br />
Um belo tiroteio desconsidera a vida de um transeunte (&#8230;)<br />
Mas na história inconfundível<br />
De Nova Orleães e Harlem<br />
Estão lá Armstrong<br />
Duke Ellington<br />
Bessie Smith<br />
Jessé Owens<br />
Joe Louis<br />
E Richard Wright.<br />
E mais em toda a parte estão<br />
Lá todos e também Ella Fitzgerald com suas vozes<br />
Saltos<br />
Murros e livros<br />
A lembrar os velhos e as crianças nas machambas de algodão<br />
E sem falta estão lá todos os negros do mundo nos ‘juke-box’<br />
A tocar barato o que uma simples moeda quiser (&#8230;)</p>
<p>Mas lembrem-se que Jesse Owens foi aos Jogos Olímpicos<br />
E contra todas as expectativas ganhou 4 medalhas de ouro<br />
E sabem onde foi isso? Mesmo em Berlim.<br />
Joe Louis na desforra bateu Max Schmmeling por K.O.<br />
Armstrong dispara o trompete em cheio numa Coca-Cola<br />
Duke Ellington faz o piano colaborar em todos os problemas<br />
De jazz enquanto um prateado Cadillac obsceno atravessa<br />
A ponte de Brooklin como se fosse um insulto (&#8230;)</p>
<p>Mas as crianças que nascem nos becos de Xipamanine<br />
Ou nos irrespiráveis sótãos do Harlem (&#8230;)<br />
Quando crescerem não se limitarão a cantar por cantar<br />
Não subirão ao ringue pelo simples fato de serem pugilistas<br />
Nem ganharão os 100 metros só por uma questão de atletismo (&#8230;)<br />
E para já<br />
Todos os membros da Klu-Klux-Klan<br />
Sabem mais ou menos o que eu sinto na Mafalala<br />
Quando eu penso na pobre e nua Marilyn<br />
Milionária da América do Norte.</p>
<p><strong><em><span style="color:#9b00d3;">QUERO SER TAMBOR</span></em></strong></p>
<p>Tambor está velho de gritar<br />
Oh velho Deus dos homens<br />
deixa-me ser tambor<br />
corpo e alma só tambor<br />
só tambor gritando na noite quente dos trópicos.</p>
<p>Nem flor nascida no mato do desespero<br />
Nem rio correndo para o mar do desespero<br />
Nem zagaia temperada no lume vivo do desespero<br />
Nem mesmo poesia forjada na dor rubra do desespero.</p>
<p>Nem nada!</p>
<p>Só tambor velho de gritar na lua cheia da minha terra<br />
Só tambor de pele curtida ao sol da minha terra<br />
Só tambor cavado nos troncos duros da minha terra.</p>
<p>Eu<br />
Só tambor rebentando o silêncio amargo da Mafalala<br />
Só tambor velho de sentar no batuque da minha terra<br />
Só tambor perdido na escuridão da noite perdida.</p>
<p>Oh velho Deus dos homens<br />
eu quero ser tambor<br />
e nem rio<br />
e nem flor<br />
e nem zagaia por enquanto<br />
e nem mesmo poesia.<br />
Só tambor ecoando como a canção da força e da vida<br />
Só tambor noite e dia<br />
dia e noite só tambor<br />
até à consumação da grande festa do batuque!<br />
Oh velho Deus dos homens<br />
deixa-me ser tambor<br />
só tambor!</p>
<p><span style="color:#9b00d3;"><strong><em>ÁFRICA</em></strong></span></p>
<p>Em meus lábios grossos fermenta<br />
a farinha do sarcasmo que coloniza minha Mãe África<br />
e meus ouvidos não levam ao coração seco<br />
misturada com o sal dos pensamentos<br />
a sintaxe anglo-latina de novas palavras.</p>
<p>Amam-me com a única verdade dos seus evangelhos<br />
a mística das suas missangas e da sua pólvora<br />
a lógica das suas rajadas de metralhadora<br />
e enchem-me de sons que não sinto<br />
das canções das suas terras<br />
que não conheço.</p>
<p>E dão-me<br />
a única permitida grandeza dos seus heróis<br />
a glória dos seus monumentos de pedra<br />
a sedução dos seus pornográficos Rols-Royce<br />
e a dádiva quotidiana das suas casas de passe.<br />
Ajoelham-me aos pés dos seus deuses de cabelos lisos<br />
e na minha boca diluem o abstracto<br />
sabor da carne de hóstias em milionésimas<br />
circunferências hipóteses católicas de pão.</p>
<p>E em vez dos meus amuletos de garras de leopardo<br />
vendem-me a sua desinfectante benção<br />
a vergonha de uma certidão de filho de pai incógnito<br />
uma educativa sessão de «strip-tease» e meio litro<br />
de vinho tinto com graduação de álcool de branco<br />
exacta só para negro<br />
um gramofone de magaíza<br />
um filme de heróis de carabina a vencer traiçoeiros<br />
selvagens armados de penas e flechas<br />
e o ósculo das suas balas e dos seus gases lacrimogéneos<br />
civiliza o meu casto impudor africano.</p>
<p>Efígies de Cristo suspendem ao meu pescoço<br />
em rodelas de latão em vez dos meus autênticos<br />
mutovanas de chuva e da fecundidade das virgens<br />
do ciúme e da colheita de amendoim novo.<br />
E aprendo que os homens inventaram<br />
a confortável cadeira eléctrica<br />
a técnica de Buchenwald e as bombas V2<br />
acenderam fogos de artifício nas pupilas<br />
de ex-meninos vivos de Varsóvia<br />
criaram Al Capone, Hollywood, Harlem<br />
a seita Ku-Klux-Klan, Cato Mannor e Sharpeville<br />
e emprenharam o pássaro que fez o choco<br />
sobre os ninhos mornos de Hiroshima e Nagasaki<br />
conheciam o segredo das parábolas de Charlie Chaplin<br />
lêem Platão, Marx, Gandhi, Einstein e Jean-Paul Sartre<br />
e sabem que Garcia Lorca não morreu mas foi assassinado<br />
são os filhos dos santos que descobriram a Inquisição<br />
perverteram de labaredas a crucificada nudez<br />
da sua Joana D’Arc e agora vêm<br />
arar os meus campos com charruas «made in Germany»<br />
mas já não ouvem a subtil voz das árvores<br />
nos ouvidos surdos do pasmo das turbinas<br />
não lêem nos meus livros de nuvens<br />
o sinal das cheias e das secas<br />
e nos seus olhos ofuscados pelos clarões metalúrgicos<br />
extinguiu-se a eloquente epidérmica beleza de todas<br />
as cores das flores do universo<br />
e já não entendem o gorjeio romântico das aves de casta<br />
instintos de asas em bando nas pistas do éter<br />
infalíveis e simultâneos bicos trespassando sôfregos<br />
a infinita côdea impalpável de um céu que não existe.<br />
E no colo macio das ondas não adivinham os vermelhos<br />
sulcos das quilhas negreiras e não sentem<br />
como eu sinto o prenúncio mágico sob os transatlânticos<br />
da cólera das catanas de ossos nos batuques do mar.<br />
E no coração deles a grandeza do sentimento<br />
é do tamanho cow-boy do nimbo dos átomos<br />
desfolhados no duplo rodeo aéreo no Japão.</p>
<p>Mas nos verdes caminhos oníricos do nosso desespero<br />
perdoo-lhes a sua bela civilização à custa do sangue<br />
ouro, marfim, améns<br />
e bíceps do meus povo.</p>
<p>E ao som másculo dos tantãs tribais o Eros<br />
do meu grito fecunda o húmus dos navios negreiros&#8230;<br />
E ergo no equinócio da minha Terra<br />
o moçambicano rubi do nosso mais belo canto xi-ronga<br />
e na insólita brancura dos rins da plena Madrugada<br />
a necessária carícia dos meus dedos selvagens<br />
é a tácita harmonia de azagaias no cio das raças<br />
belas como altivos falos de ouro<br />
erectos no ventre nervoso da noite africana.</p>
<p><span style="color:#9b00d3;"><em><strong>AO MEU BELO PAI EX-EMIGRANTE</strong></em></span></p>
<p>Pai:<br />
As maternas palavras de signos<br />
vivem e revivem no meu sangue<br />
e pacientes esperam ainda a época de colheita<br />
enquanto soltas já são as tuas sentimentais<br />
sementes de emigrante português<br />
espezinhadas no passo de marcha<br />
das patrulhas de sovacos suando<br />
as coronhas de pesadelo.</p>
<p>E na minha rude e grata<br />
sinceridade não esqueço<br />
meu antigo português puro<br />
que me geraste no ventre de uma tombasana<br />
eu mais um novo moçambicano<br />
semiclaro para não ser igual a um branco qualquer<br />
e seminegro para jamais renegar<br />
um glóbulo que seja dos Zambezes do meu sangue.</p>
<p>E agora<br />
para além do antigo amigo Jimmy Durante a cantar<br />
e a rir-se sem nenhuma alegria na voz roufenha<br />
subconsciência dos porquês de Buster keaton sorumbático<br />
achando que não valia a pena fazer cara alegre<br />
e um Algarve de amendoeiras florindo na outra costa<br />
Ante os meus sócios Bucha e Estica no &#8220;écran&#8221; todo branco<br />
e para sempre um zinco tap-tap de cacimba no chão<br />
e minha Mãe agonizando na esteira em Michafutene<br />
enquanto tua voz serena profecia paternal: &#8211; &#8220;Zé:<br />
quando eu fechar os olhos não terás mais ninguém.&#8221;</p>
<p>Oh, Pai:<br />
Juro que em mim ficaram laivos<br />
do luso-arábico Algezur da tua infância<br />
mas amar por amor só amo<br />
e somente posso e devo amar<br />
esta minha bela e única nação do Mundo<br />
onde minha mãe nasceu e me gerou<br />
e contigo comungou a terra, meu Pai.<br />
E onde ibéricas heranças de fados e broas<br />
se africanizaram para a eternidade nas minhas veias<br />
e teu sangue se moçambicanizou nos torrões<br />
da sepultura de velho emigrante numa cama de hospital<br />
colono tão pobre como desembarcaste em África<br />
meu belo Pai ex-português.</p>
<p>Pai:<br />
O Zé de cabelos crespos e aloirados<br />
não sei como ou antes por tua culpa<br />
o &#8220;Trinta-Diabos&#8221; de joelhos esfolados nos mergulhos<br />
à Zamora nas balizas dos estádios descampados<br />
avançado-centro de &#8220;bicicleta&#8221; à Leónidas no capim<br />
mortífera pontaria de fisga na guerra aos gala-galas<br />
embasbacado com as proezas do Circo Pagel<br />
nódoas de cajú na camisa e nos calções de caqui<br />
campeão de corridas no &#8220;xituto&#8221; Harley-Davidson<br />
os fundilhos dos calções avermelhados nos montes<br />
do Desportivo nas gazetas à doca dos pescadores<br />
para salvar a rapariga Maureen OSullivan das mandíbulas<br />
afiadas dos jacarés do filme de Trazan Weissmuller<br />
os bolsos cheios de tingolé da praia<br />
as viagens clandestinas nas traseiras gã-galhã-galhã<br />
do carro eléctrico e as mangas verdes com sal<br />
sou eu, Pai, o &#8220;Cascabulho&#8221; para ti<br />
e Sontinho para minha Mãe<br />
todo maluco de medo das visões alucinantes<br />
de Lon Chaney com muitas caras.</p>
<p>Pai:<br />
Ainda me lembro bem do teu olhar<br />
e mais humano o tenho agora na lucidez da saudade<br />
ou teus versos de improviso em loas à vida escuto<br />
e também lágrimas na demência dos silêncios<br />
em tuas pálpebras revejo nitidamente<br />
eu Buck Jones no vaivém dos teus joelhos<br />
dez anos de alma nos olhos cheios da tua figura<br />
na dimensão desmedida do meu amor por ti<br />
meu belo algarvio bem moçambicano!</p>
<p>E choro-te<br />
chorando-me mais agora que te conheço<br />
a ti, meu pai vinte e sete anos e três meses depois<br />
dos carros na lenta procissão do nosso funeral<br />
mas só Tu no caixão de funcionário aposentado<br />
nos limites da vida<br />
e na íris do meu olhar o teu lívido rosto<br />
ah, e nas tuas olheiras o halo cinzento do Adeus<br />
e na minha cabeça de mulatinho os últimos<br />
afagos da tua mão trémula mas decidida sinto<br />
naquele dia de visitas na enfermaria do hospital central.</p>
<p>E revejo os teus longos dedos no dirlim-dirlim da guitarra<br />
ou o arco da bondade deslizando no violino da tua aguda tristeza<br />
e nas abafadas noites dos nossos índicos verões<br />
tua voz grave recitando Guerra Junqueiro ou Antero<br />
e eu ainda Ricardino, Douglas Fairbanks e Tom Mix<br />
todos cavalgando e aos tiros menos Tarzan analfabeto<br />
e de tanga na casa de madeira e zinco<br />
da estrada do Zichacha onde eu nasci.</p>
<p>Pai:<br />
Afinal tu e minha mãe não morreram ainda bem<br />
mas sim os símbolos Texas Jack vencedor dos índios<br />
e Tarzan agente disfarçado em África<br />
e a Shirley Temple de sofisma nas covinhas da face<br />
e eu também Ee que musámos.<br />
E alinhavadas palavras como se fossem versos<br />
bandos de se´´cuas ávidos sangrando grãos de sol<br />
no tropical silo de raivas eu deixo nesta canção<br />
para ti, meu Pai, minha homenagem de caniços<br />
agitados nas manhãs de bronzes<br />
chorando gotas de uma cacimba de solidão nas próprias<br />
almas esguias hastes espetadas nas margens das úmidas<br />
ancas sinuosas dos rios.</p>
<p>E nestes versos te escrevo, meu Pai<br />
por enquanto escondidos teus póstumos projectos<br />
mais belos no silêncio e mais fortes na espera<br />
porque nascem e renascem no meu não cicatrizado<br />
ronga-ibérico mas afro-puro coração.<br />
E fica a tua prematura beleza realgarvia<br />
quase revelada nesta carta elegia para ti<br />
meu resgatado primeiro ex-português<br />
número UM Craveirinha moçambicano!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="http://lusoleituras.files.wordpress.com/2011/06/craveirinha.jpg"><img style="background-image:none;padding-left:0;padding-right:0;display:inline;padding-top:0;border-width:0;" title="craveirinha" src="http://lusoleituras.files.wordpress.com/2011/06/craveirinha_thumb.jpg?w=198&#038;h=278" alt="craveirinha" width="198" height="278" border="0" /></a></p>
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		<title>teoria freudiana &amp; racismo &#8220;cordial&#8221;: articula&#231;&#245;es</title>
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		<pubDate>Sun, 19 Jun 2011 16:50:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jesielf</dc:creator>
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		<description><![CDATA[&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; Tal como sugere a capa de livro que ilustra esta postagem, pensar sobre a diversidade humana implica em refletir sobre imagens e linguagens que caracterizam as diferenças entre as pessoas e entre as sociedades. Para compreender a dimensão inconsciente, ou imaginária, desses significantes, o texto de Miriam Chnaiderman linkado a seguir oferece subsídios valiosos, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lusoleituras.wordpress.com&amp;blog=9054082&amp;post=870&amp;subd=lusoleituras&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://lusoleituras.files.wordpress.com/2011/06/raa-diversidade-capa.png"><img style="background-image:none;border-bottom:0;border-left:0;padding-left:0;padding-right:0;display:inline;border-top:0;border-right:0;padding-top:0;" title="raça diversidade capa" border="0" alt="raça diversidade capa" src="http://lusoleituras.files.wordpress.com/2011/06/raa-diversidade-capa_thumb.jpg?w=176&#038;h=270" width="176" height="270" /></a>&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; <a href="http://lusoleituras.files.wordpress.com/2011/06/freud-1949-negativo.jpg"><img style="background-image:none;border-bottom:0;border-left:0;padding-left:0;padding-right:0;display:inline;border-top:0;border-right:0;padding-top:0;" title="freud 1949 negativo" border="0" alt="freud 1949 negativo" src="http://lusoleituras.files.wordpress.com/2011/06/freud-1949-negativo_thumb.jpg?w=199&#038;h=270" width="199" height="270" /></a></p>
<p>Tal como sugere a capa de livro que ilustra esta postagem, pensar sobre a diversidade humana implica em refletir sobre imagens e linguagens que caracterizam as diferenças entre as pessoas e entre as sociedades. Para compreender a dimensão inconsciente, ou imaginária, desses significantes, o texto de Miriam Chnaiderman linkado a seguir oferece subsídios valiosos, sobretudo pela maneira esclarecedora e instigante com que a autora articula o complexo conceito freudiano de <em>unheimlich</em> às experiências intersubjetivas relacionadas à prática do racismo dissimulado na sociedade brasileira. Enfim, como aponta Miriam, o que está em causa nas manifestações de preconceito racial em nossa sociedade mestiça pode não ser a rejeição do outro, mas sim a recusa em encarar aquilo que este outro revela sobre aqueles que o discriminam.&#160;&#160; </p>
<p align="justify"><a href="http://www.4shared.com/document/FGkt5YJK/CHNAIDERMAN_Racismo_e_Estranha.html" target="_blank">CHNAIDERMAN, Miriam. <strong>Racismo, o estranhamento familiar: uma abordagem psicanalítica</strong>. In: SCHWARCZ, Lilia, QUEIROZ, Renato da Silva (orgs.). <em>Raça e diversidade</em>. São Paulo: Edusp, 1996.</a></p>
<br /> Tagged: <a href='http://lusoleituras.wordpress.com/tag/psicanalise/'>psicanálise</a>, <a href='http://lusoleituras.wordpress.com/tag/racismo/'>racismo</a>, <a href='http://lusoleituras.wordpress.com/tag/referencias/'>referências</a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/lusoleituras.wordpress.com/870/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/lusoleituras.wordpress.com/870/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/lusoleituras.wordpress.com/870/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/lusoleituras.wordpress.com/870/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/lusoleituras.wordpress.com/870/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/lusoleituras.wordpress.com/870/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/lusoleituras.wordpress.com/870/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/lusoleituras.wordpress.com/870/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/lusoleituras.wordpress.com/870/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/lusoleituras.wordpress.com/870/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/lusoleituras.wordpress.com/870/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/lusoleituras.wordpress.com/870/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/lusoleituras.wordpress.com/870/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/lusoleituras.wordpress.com/870/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lusoleituras.wordpress.com&amp;blog=9054082&amp;post=870&amp;subd=lusoleituras&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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