romantismo e crítica cultural: convergências

junho 1, 2011 às 10:18 | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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Convivialismo para mudar o mundo

Para além do liberalismo, do socialismo ou do comunismo, devemos inventar um convivialismo, uma convivialidade, dito em outras palavras, a arte de viver juntos mesmo nos opondo, mas sem nos massacrarmos e levando em conta a finitude e a fragilidade do mundo.

A análise é do sociólogo francês Alain Caillé, fundador do movimento antiutilitarista Mauss. O artigo que segue foi escrito pelo autor para o encontro A piene mani, sobre o dom, que ocorreu em Nápoles, na Itália, e publicado no jornal Il Manifesto, 31-05-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

Bem antes da catástrofe de Fukushima tínhamos a sensação, mais ou menos confusa, de que a Terra não poderia sobreviver por muito tempo à corrida generalizada rumo a um crescimento infinito (como afirmavam inúmeros analistas e militantes altermundialistas). Agora temos a certeza de que isso é verdade.

Mas o que não sabemos é como organizar o mundo sobre outras bases. As grandes ideologias políticas da modernidade das quais somos os herdeiros – liberalismo, socialismo ou comunismo – já não estão mais à altura dos problemas que temos à nossa frente, sem falar do neoliberalismo.

Estes repousavam sobre o postulado de que o conflito entre os seres humanos seria resolvido pelo enriquecimento ininterrupto de todos e de cada um. Mas se isso não pode – ou não deve – mais ser o caso, o problema central político e ideológico da humanidade se coloca à nossa frente com toda a violência e a crueldade possíveis: como impedir a guerra de todos contra todos, preservando a democracia, se não for abandonada a perspectiva de um crescimento infinito? A democracia ainda era pensada em uma escala nacional, de uma só cultura ou de um só país. É preciso, hoje, imaginá-la em escala internacional ou intercultural.

Para além do liberalismo, do socialismo ou do comunismo, devemos, portanto, inventar um convivialismo, uma convivialidade, dito em outras palavras, a arte de viver juntos mesmo nos opondo, mas sem nos massacrarmos e levando em conta a finitude e a fragilidade do mundo. No respeito da decência comum, da civilidade, do espírito do dom e do bem comum.

Sob esse padrão, podem-se reunir múltiplas correntes de pensamento (ecologismo, democracia radical, antiutilitarismo, pós-materialismo, decrescimento, novos indicadores de riqueza, sobriedade voluntária etc.), às quais, para realmente pesarem sobre o curso do mundo e evitar as catástrofes anunciadas, só falta a consciência do fato de que o que elas têm em comum é mais importante do que aquilo que as separa.

Nessa perspectiva, contrariamente às certezas hoje onipresentes, parece então que os principais problemas que temos à nossa frente não são acima de tudo econômicos ou técnicos, mas sociais e éticos. É preciso ajudar tanto a sociedade, quanto a natureza, hoje abaladas, a se levantarem dos golpes que sofreram. E isso não será possível sem uma enorme revolta moral, universalizável, contra o curso atual do mundo.

FONTE: IHU Online

exercício 1, LitPort1

outubro 9, 2009 às 1:36 | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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Segundo Stuart Hall, “As culturas nacionais são compostas não apenas de instituições culturais, mas também de símbolos e representações. Uma cultura nacional é um discurso - um modo de construir sentidos que influencia e organiza tanto nossas ações quanto a concepção que temos de nós mesmos. As culturas nacionais, ao produzir sentidos sobre ‘a nação’, sentidos com os quais podemos nos identificar, constroem identidades. Esses sentidos estão contidos nas estórias que são contadas sobre a nação, memórias que conectam seu presente com seu passado e imagens que dela são construídas”. Considerando essas questões, discuta as principais imagens identitárias que se inscrevem nos textos estético-culturais abaixo relacionados:

 

LUSITANA

(Mafalda ARNAUTH)

Doce e salgada
Ó minha amada
Ó minha ideia
Faz–me grego e romano
Tu gingas à africano
Como a sereia
Ó bailarina
Ó columbina
És a nossa predilecta
De prosadores e poetas
Dos visionários
Quem te vê ama de vez
Nómadas e sedentários
Ó pátria lusa
Ó minha musa
O teu génio é português
Doce e salgada
Ó minha amada
Das epopeias
Tu és toda em latim
E a mais mulata sim
Das europeias
Ó bailarina
Ó columbina
Do profano matrimónio
“nas andanças do demónio“
Bela e roliça
Ai dança a chula requebrada
A minha canção é mestiça
Ó pátria lusa
Ó minha musa
O teu génio é português
Teu génio meigo e profundo
É deste tamanho do mundo
Sentimental como eu
Dois corações pagãos
São de apolo e de orfeu
Guarda-nos bem fraternais
No teu chão
No teu colo
De sonhos universais
És o nosso almirante
Terna mãe de crioulos
Cuida da nossa alma errante
Nós só queremos teu consolo
Doce e salgada
Ó minha amada
Da companhia
És um caso bicudo
Tu és o–mais-que-tudo
Da confraria
Ó bailarina
Ó columbina
Tu és a nossa doidice
Meiga “amante de meiguices“
Eu te proclamo
Quem te vê ama de vez
E a verdade é que eu te amo
Ó pátria lusa
Ó minha musa
O teu génio é português.

(para ouvir esta canção, clique AQUI)

* * *

MÚSICA BRASILEIRA

(Olavo Bilac)

Tens, às vezes, o fogo soberano
Do amor: encerras na cadência, acesa
Em requebros e encantos de impureza,
Todo o feitiço do pecado humano.

Mas, sobre essa volúpia, erra a tristeza
Dos desertos, das matas e do oceano:
Bárbara poracé, banzo africano,
E soluços de trova portuguesa.

És samba e jongo, chiba e fado, cujos
Acordes são desejos e orfandades
De selvagens, cativos e marujos:

E em nostalgias e paixões consistes,
Lasciva dor, beijo de três saudades,
Flor amorosa de três raças tristes.

* * *

FADO TROPICAL:

(Chico Buarque de Hollanda & Ruy Guerra)

Oh, musa do meu fado
Oh, minha mãe gentil
Te deixo consternado
No primeiro abril
Mas não sê tão ingrata
Não esquece quem te amou
E em tua densa mata
Se perdeu e se encontrou
Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal
Ainda vai tornar-se um imenso Portugal

“Sabe, no fundo eu sou um sentimental
Todos nós herdamos no sangue lusitano uma boa dose de lirismo
Mesmo quando as minhas mãos estão ocupadas em torturar, esganar,
trucidar
Meu coração fecha aos olhos e sinceramente chora…”

Com avencas na caatinga
Alecrins no canavial
Licores na moringa
Um vinho tropical
E a linda mulata
Com rendas do Alentejo
De quem numa bravata
Arrebato um beijo
Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal
Ainda vai tornar-se um imenso Portugal

“Meu coração tem um sereno jeito
E as minhas mãos o golpe duro e presto
De tal maneira que, depois de feito
Desencontrado, eu mesmo me contesto

Se trago as mãos distantes do meu peito
É que há distância entre intenção e gesto
E se o meu coração nas mãos estreito
Me assombra a súbita impressão de incesto

Quando me encontro no calor da luta
Ostento a aguda empunhadura à proa
Mas o meu peito se desabotoa

E se a sentença se anuncia bruta
Mais que depressa a mão cega executa
Pois que senão o coração perdoa”

Guitarras e sanfonas
Jasmins, coqueiros, fontes
Sardinhas, mandioca
Num suave azulejo
E o rio Amazonas
Que corre Trás-os-Montes
E numa pororoca
Deságua no Tejo
Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal
Ainda vai tornar-se um imenso Portugal
Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal
Ainda vai tornar-se um imenso Portugal

(para ouvir esta canção, clique AQUI)

brasil portugal

memórias & polêmicas da lusofonia

setembro 10, 2009 às 0:36 | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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A comunidade de países de língua portuguesa: A base lingüística e material

Por Fernando Augusto de Albuquerque Mourão

Diante de um mundo onde se registram fortes tendências à supranacionalidade, o uso do português em diferentes regiões do planeta, surge como um elemento unificador das posições de cada estado lusofalante nas suas inserções, não excludentes, em outros espaços regionais.

Entre as perspectivas de globalização e de regionalização – mormente de natureza econômica – surgem perspectivas culturais, em que o uso da língua tem um papel fundamental, levando-se em conta, como limite, a percepção catastrófica de Samuel Huntington de que o mundo de hoje, flutuante, tende, no futuro, para conflitos envolvendo civilizações ao contrário do que pensa Francis Fukuyama ao anunciar o fim da história, reanunciando a paz kantiana.

O ensino e uso da língua constituem, outrossim, um dos temas centrais da diplomacia cultural, instrumento de política externa e tema que tem sido aproveitado por vários países, como a França e a Turquia, ora como forma de resistência, ora como meio de preservar ou até de aumentar o prestígio internacional. No caso da França, é curioso assinalar que as literaturas africanas em língua francesa, que foram um fator de resistência por parte dos africanos no recém passado colonial, são hoje apresentadas como pertencentes ao conceito amplo da francofonia. Sabendo-se que os estados nacionais africanos são na maior parte dos casos, o resultado de uma divisão imperial consolidada na chamada Conferência ou Congresso de Berlim (1894-1895), e, realisticamente, prevista pela alínea 7 do preâmbulo da Carta da Organização da Unidade Africana (1963) numa clara opção pelo clássico princípio do uti possidetis juris, é natural que continuassem a utilizar a ex-língua imperial como língua oficial, tendo em vista vários motivos, entre eles, o da unidade nacional.

A França lança mão de vários mecanismos institucionais, entre eles, a Alliance Française, utilizando a língua não só como instrumento de cultura, mas também como instrumento político, consolidando um espaço importante. A Turquia, por sua vez, vem fazendo algo semelhante ao divulgar sua língua em todo o espaço turcófono que se estende até a fronteira com a China, “criando condições para transformar a Turquia num elo entre a Europa e a Ásia Central”.

As aproximações através do uso da língua portuguesa não excluem o estudo e ensino das línguas nacionais africanas em espaços plurinacionais que, possivelmente, ultrapassadas a fase do processo da paz e da transição democrática, estarão sensíveis ao tema do federalismo – mormente em Angola, Guiné-Bissau e Moçambique – um tema universal, que, por razões históricas, não se registra no arcabouço institucional português. Este tema, que certamente surgirá no futuro, mas como desdobramento de situação substantiva, a ser tratado a curto prazo, poderá levar a fragmentações indesejáveis. A evolução desta temática tangencia o princípio da tolerância envolvendo não só os atores internos, como os atores externos.

A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, em boa hora impulsionada pelo Embaixador José Aparecido de Oliveira, encontra no patrimônio comum da língua portuguesa nas suas variantes de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Portugal, Moçambique e São Tomé e Príncipe, uma base na diferença, mas, principalmente nas expectativas do futuro, permitindo através de um vocabulário de 300-400 mil palavras o acesso à sociedade industrial.

A dinâmica da língua portuguesa:

O português, a exemplo das línguas impostas no espaço colonial, foi também uma língua glotocida, sobretudo no espaço americano. Apresenta, ademais, uma característica fundamental: trata-se de um idioma que demonstrou e demonstra vitalidade, sendo capaz de incorporar as variantes do vocabulário africano e ameríndio. Vários autores registraram a influência de vocábulos africanos, entre eles Antônio Houaiss , Celso Cunha e Lindley Cintra ou ainda dicionaristas como Laudelino Freire. Em relação aos vocábulos ameríndios, podem-se citar mais especificamente Antenor Nascentes , Antônio Geraldo da Cunha e Joaquim Mattoso Câmara Jr.

O português, no passado, contribuiu para a formação da chamada língua de comércio, da qual Celso Cunha tratou ao estudar os crioulos de influência portuguesa. Este eminente filólogo demonstrou, também, o seu desenvolvimento nos séculos XVI, XVII e XVIII, a que ele chama de protocrioulos, seja na Ásia , seja na África , seja na América. Ao preparar glossários de escritores africanos de língua portuguesa, tarefa que em boa parte das vezes levei a cabo com a colaboração dos autores dessas obras, verifiquei que, em alguns casos, vocábulos em línguas africanas haviam sido aportuguesados por alguns autores e, em alguns outros, essa influência se estendia à sintaxe.

Além dessa plasticidade do português, registra-se, no Brasil, a persistência, em práticas religiosas, de línguas africanas dos espaços sudanês e bantu, como por exemplo, o candomblé. Nos quilombos, onde se aglutinaram escravos falantes de várias línguas africanas, a sintaxe portuguesa foi-lhes parcialmente incorporada. Influências africanas em relação ao português do Brasil foram objeto de estudo de vários autores, entre os quais podemos citar Renato Mendonça e Yeda Pessoa de Castro. O privilegiamento da contribuição sudanesa sobre a participação bantu na cultura brasileira – que se deve a vários fatores históricos de que já tratei em outras ocasiões – resulta numa aparente desproporção entre as duas línguas. O universo da contribuição bantu à cultura brasileira constitui um campo a ser estudado prioritariamente como elemento de investigação entre as relações do Brasil com a África Austral.

O estudo minucioso das línguas africanas e dos linguajares africanos no Brasil deverá constituir um alvo prioritário das ciências da linguagem. Não é mais aceitável apenas a pesquisa etimológica; urge uma investigação de fatos linguageiros mais amplos. Quanto aos linguajares africanos ou de origem africana, utilizando várias línguas africanas – o que é natural, uma vez que os escravos eram cuidadosamente divididos para se evitar uma potencial formação de grupos coesos –, alguns estudos têm destacado o processo de formação dessas línguas. Gerhard Kubik, etnólogo da Universidade de Viena, com experiência de campo tanto em países africanos como no Brasil, escreveu vários trabalhos sobre o tema , o qual ultimamente passou a ser tratado pela Professora Margarida Maria Taddoni Petter, com a colaboração do Professor Emílio Bonvini.

Numa época em que os países se dividem entre os que detêm o saber tecnológico e os que não têm acesso a esse saber; num mundo em que, portanto, a tecnologia é um divisor de águas – como o foram a religião e a civilização no passado –, convém realizar projetos de pesquisa sobre a influência africana no campo das técnicas agrícolas e mineralógicas, campo em que os africanos tiveram no Brasil uma contribuição digna de registro.


No que tange às influências técnicas do Brasil em relação à costa africana ocidental, pode-se lembrar a ressonância da arquitetura colonial portuguesa, já adaptada ao Brasil, presente no Brazilian Quarter, em Lagos, em Porto Novo e em outras cidades africanas. Constatam-se influências lingüísticas ligadas à tecnologia da construção, pela presença dos artesãos, ex-escravos que se tornaram o embrião da formação das burguesias locais no final do século passado.

Manifestando sua condição de língua dinâmica, o português não só incorporou, como já dissemos, centenas de vocábulos de origem africana e ameríndia, como serviu aparentemente de suporte sintático às línguas criadas nos quilombos do Brasil colonial, além da sua contribuição à formação do protocrioulo ou crioulos portugueses. O português, no plano horizontal, apresenta variantes na acentuação e no léxico (estas decorrentes não só os regionalismos, como ainda da persistência de arcaísmos). O processo da unificação da norma culta necessita tanto do Acordo Ortográfico, como de um amplo esforço no campo do ensino e aprendizado da língua portuguesa.

A importância da língua portuguesa:

Somente com uma língua de cultura, como diria o insigne filólogo e lexicógrafo Antônio Houaiss, se podem estudar disciplinas como Física, Química, História Natural e Filosofia. No planeta, hoje, contam-se cerca de 10 mil línguas; dessas, porém, classificam-se como língua de cultura ampla não mais de meia centena. Ou seja: apenas essas poucas línguas – que congregam um vocabulário de aproximadamente 400 mil palavras, com uma tradição literária e gráfica muitas vezes bimilenar – podem ensejar a transição de uma sociedade industrial para um estádio posterior, de sociedade pós-industrial. A transição para a Terceira Revolução Industrial acontecerá apenas nos países em que o nível educacional permite a seus nacionais a compreensão da complexidade do mundo moderno. O repto é considerável, e o combate ao analfabetismo é conditio sine qua non para a solução dos problemas dos países em desenvolvimento.

Nota-se, então, que o conhecimento do português – também uma língua de cultura, de importante cabedal vocabular – se mostra essencial, para o seu pleno desenvolvimento econômico. O bom conhecimento lingüístico permitirá, ademais, o incremento do intercâmbio comercial e científico entre os países lusofalantes. Este é, a propósito, um dos objetivos fulcrais da formação da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.

O português é hoje a sétima língua mais falada do mundo – o francês ocupa a oitava posição – e a terceira língua mais falada no Ocidente, além de ser a língua oficial de várias organizações internacionais. Cabe aos países lusofalantes empreender esforços para que a língua portuguesa seja adotada como língua de trabalho nas organizações internacionais, papel que a criação de uma Comunidade de Países de Língua Portuguesa poderá reforçar.

Entre as perspectivas de regionalização e de globalização – mormente de natureza econômica – surgem perspectivas culturais, em que o uso das línguas tem um papel fundamental, até porque os espaços regionais não são excludentes. A língua tem o papel de liame, aproximando culturas, algumas de natureza tridimensional, como é o caso da cultura brasileira, e dando substantividade a espaços localizados em três continentes, para não falar de presenças históricas.

As percepções relativas ao espaço de língua portuguesa, com exceção de situações limite como a da redução da importância do português no caso de uma opção exclusiva pela Europa – tese pessimista –, ou então a do recrudescimento da língua pela presença em novos espaços, como por exemplo, em Luxemburgo em que, no final do milênio, a população lusofalante tende a ultrapassar a população francófona – tese otimista –, incorporam várias vertentes em relação à norma culta do português europeu: português de Angola, do Brasil, de Cabo Verde, da Guiné-Bissau, de Moçambique e de São Tomé e Príncipe.

Como língua de cultura, com um vocabulário amplo, o português é falado e escrito como língua materna em Portugal e no Brasil, nos países africanos que conquistaram as suas independências nacionais nos anos 70. É em português que se exprimem expoentes das correntes literárias nacionalistas. Em África, o português, cujo ensino tem sido uma das preocupações dos governos pós-independências, pode ser considerado no futuro uma língua nacional, tal como as línguas africanas que, na medida em que passam a ser estudadas, certamente também irão ocupar o espaço que lhes é devido.

Para ler o texto completo no site da Casa das Áfricas, clique AQUI.

leitura & identidade nacional

setembro 9, 2009 às 9:37 | Publicado em Uncategorized | 2 Comentários
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Brasileiro ainda lê pouco,

constata estudo da Câmara do Livro

08-SET-2009

Luiz Augusto Gollo
Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro – Uma análise mais detalhada da Pesquisa de Orçamentos Familiares 2002-2003, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostrou aos membros da Câmara Brasileira do Livro (CBL), reunidos hoje (8) durante a 19ª Convenção Nacional, no Rio de Janeiro, que 40,7% das famílias adquirem algum tipo de material de leitura. É um percentual baixo, sobretudo se revistas e jornais estão incluídos na despesa, e mais grave ainda se for considerado outro dado revelador: gasta-se praticamente a mesma quantia em cópias e em originais de livros técnicos e didáticos.

“O preço do livro no Brasil não justifica mais o baixo índice de consumo”, afirma Rosely Boschini, presidente da Câmara. “As editoras estão buscando muitas maneiras de oferecer um produto com a mesma qualidade e mais acessível. Seria interessante o Estado transmitir aos educadores a necessidade de despertar nos alunos o gosto pela leitura”.

O estudo divulgado na convenção foi feito a pedido de oito entidades atuantes no mercado editorial, quase todas presentes à entrevista que se seguiu ao lançamento, a cargo do seu coordenador, Kaizô Iwakami Beltrão, pesquisador do IBGE e consultor. De início, ele destacou que os dados são os mais recentes disponíveis e que nova pesquisa, em andamento agora, poderá refletir uma nova realidade.

“É uma coleta de informações em 50 mil domicílios e, a princípio, mostra que maior renda e maior escolaridade estão também ligadas a maior índice de leitura. Mas isso não quer dizer que quem ganha mais ou estudou mais lê mais livros, o consumo quase sempre se refere a livros didáticos, revistas e jornais, e não a literatura”.

Na realidade, os índices mais altos de aquisição de material de leitura se relacionam a lares com estudantes, onde têm relativo destaque despesas com revistas, jornais, livros didáticos, fotocópias, livros técnicos e livros não didáticos. Mas o total não passou de 0,6% da renda familiar no ano, enquanto somaram quase 2% no período os gastos com TV, vídeo, som e microcomputador.

“É preciso difundir nas crianças não o hábito da leitura, mas sim o gosto pela leitura”, defende João Carneiro, presidente da Câmara Riograndense do Livro, que põe por terra outro mito: o de que a professora é quem desperta a criança para a leitura. “Está comprovado, por diversos estudos, que é a mãe quem primeiro incentiva a leitura. É a cultura de ler, contar histórias para o filho, antes mesmo de ele ser alfabetizado. Isto é marcante no gosto futuro pela leitura”.

O cruzamento de inúmeros indicadores da pesquisa do IBGE, na elaboração do estudo encomendado pela Câmara Brasileira do Livro, permite conclusões aparentemente óbvias, que, entretanto, traduzem realidades surpreendentes. É o caso, por exemplo, da comparação de gastos anuais da família média em 2002/2003 com vários itens contabilizados: material de leitura, R$ 110,00; tv/vídeo/som/micro, R$ 400,00; telefonia celular, R$ 180,00; e lazer fora de casa, R$ 125. “Na época, é importante lembrar, o salário mínimo era R$ 200,00”, ressalta Kaizô Iwakami Beltrão.

Rosely Boschini aplaude ideias como o Vale Cultura, mas enfatiza a necessidade de muitas parcerias entre Estado, iniciativa privada e família como a maneira mais rápida e eficaz de recuperar o terreno perdido pelo mercado do livro. E exemplifica: “O Rio de Janeiro tem, talvez, três mil bancas de jornais, o mesmo número de livrarias que existem no país. É preciso resgatar o papel da livraria, o ambiente do livro. Sabe que as pessoas só frequentam bibliotecas enquanto são estudantes? Depois não vão mais”, lamenta.

João Carneiro adianta a questão: “A leitura não é apresentada como uma coisa prazerosa, é uma obrigação escolar. Isso tem de mudar, para alcançarmos um nível como o da França, onde a literatura é agregador cultural do país, os escritores franceses são a própria França no mundo”.

A pesquisa coordenada por Kaizô Iwakami Beltrão para a Câmara Brasileira do Livro foi encomendada pelas seguintes entidades: Associação Brasileira de Difusão do Livro (ABDL), Associação Brasileira de Direitos Reprográficos (ABDR), Associação Estadual de Livrarias do Rio de Janeiro (AEL-RJ), Associação Nacional de Livrarias (ANL), Câmara Riograndense do Livro (CRL), Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL) e Instituto Pró-Livro (IPL). Foi consultora do trabalho a médica Milena Piraccini, livreira da Livraria Leonardo da Vinci, diretora da ANL e da AEL-RJ.

FONTE: O Educacionista

librarian_arcimboldo_1566

Giuseppe ARCIMBOLDO, “O bibliotecário”, 1566.

modernidade & identidade no Portugal contemporâneo

setembro 3, 2009 às 21:47 | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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Miguel Vale de Almeida diz que radicais tentaram apropriar-se das questões identitárias de igualdade

PÚBLICO, 29.08.2009 – 19h41
Miguel Vale de Almeida, candidato a deputado pelo PS e fundador do BE, afirmou hoje que sectores radicais tentaram apropriar-se das questões identitárias de igualdade e condenou a divisão “histórica” entre revolução e democracia liberal.

Sétimo da lista de candidatos a deputados socialistas por Lisboa, Miguel Vale de Almeida participou na última sessão do Campus da JS, na Praia de Santa Cruz, que antecede o comício de rentrèe política do PS.

Numa sessão em que também intervieram a comissária para a Igualdade e Cidadania, Elza Pais, e a actriz Inês Medeiros (terceira da lista do PS por Lisboa), Miguel Vale de Almeida fez várias críticas aos métodos de actuação política dos sectores radicais, embora sem nunca relacionar directamente essas mesmas críticas com a actuação do Bloco de Esquerda.

“Está na hora de fazermos uma mudança na vida política, que passe por acabar com a divisão histórica entre a revolução e a democracia liberal. É uma coisa de velhos, de outra geração e já não há pachorra. Esse tipo de complexos mina a nossa política de esquerda de uma forma terrível, porque afecta a forma como se lida com as questões da igualdade”, defendeu Miguel Vale de Almeida perante uma plateia de jovens socialistas.

Antropólogo, professor universitário e homossexual assumido, Miguel Vale de Almeida referiu-se ao seu passado político logo após o 25 de Abril na União de Estudantes Comunistas (UEC) – que abandonou pouco depois, discordando da primazia absoluta e quase exclusiva que o PCP concedia às questões da igualdade sócio económica, secundarizando as restantes -, mas também ao período mais recente quando, enquanto membro da Política XXI, fundou o Bloco de Esquerda.

Na sua intervenção, Miguel Vale de Almeida lamentou o atraso histórico que Portugal teve na defesa das questões identitárias de igualdade, que começaram a ser defendidas por sectores políticos mais radicais.

No entanto, segundo o docente universitário, estas questões da igualdade, para além das relacionadas com as desigualdades sócio económicas, “não se aguentaram com a força desejada nestes segmentos mais radicais, sendo também secundarizadas nos momentos de maior tensão política”.

“Quando as questões da igualdade começam a ser defendidas por outras pessoas que não as do costume, ou quando as pessoas que as defendem já não o fazem dentro de um determinado chapéu-de-chuva político, aí o caldo fica entornado. Começa a ver-se que, de facto, havia uma tentativa de apropriação de agendas por alguns sectores políticos”, acusou.

Miguel Vale de Almeida defendeu um ideal de modernidade cosmopolita, em que um canalizador se pode assumir “gay”, exemplo que a actriz Inês Medeiros depois pegou, mas para falar sobre um ideal de “liberdade para amar”.

Inês Medeiros relacionou a sua perspectiva de liberdade com a coragem (citando Péricles da Grécia Antiga), exortando os jovens socialistas a estarem vigilantes e a assumirem sempre as suas posições com clareza.

Elza Pais, candidata a deputada do PS pelo círculo de Viseu, defendeu que nas próximas eleições legislativas está em jogo “uma escolha entre o progresso ou o retrocesso”.

“Há que terminar com as discriminações que ainda persistem, não só ao nível da lei, mas também no plano prático. Ainda identificamos discriminações de género, de orientação sexual, com as minorias étnicas ou com os imigrantes”, apontou a comissária para as questões da Igualdade e da Cidadania.

mujimbando: rotas luso-angolo-brasileiras para leituras das identidades

setembro 3, 2009 às 20:22 | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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mujimbo rosa-dos-textos

O blogue LUSOLEITURAS tem um irmão mais velho, o blogue MUJIMBO, que pus no ar no ano passado, para subsidiar cursos que ministrei nas universidades Federal e do Estado da Bahia. Tal como esclareço na Descrição desse blogue, pretende-se nele construir um ponto de vista africanista & angolanizado para as questões lusófonas. Principalmente para os estudantes da LitPort 1, o MUJIMBO oferece um conjunto diversificado de referências úteis para aprofundar os temas desta disciplina. Clicando nos links você será remetid@ para uma postagem do MUJIMBO na qual é possível acessar o texto “Você tem cultura?”, do antropólogo brasileiro Roberto  DaMatta, leitura especialmente interessante para decidir até que ponto é sociologicamente correto falar em “baixa” & “alta” cultura, em culturas “primitivas” & “desenvolvidas”. Também recomendáveis & disponíveis são “Eu e o outro”, do escritor angolano Manuel Rui, & “O entrelugar do discurso latino-americano”, do crítico brasileiro Silviano Santiago, textos que, se valendo de perspectivas & expressões distintas, problematizam as relações entre cultura, identidade & memória colonial.

Para quem desejar ampliar a navegação no MUJIMBO, recomenda-se, como disse, a leitura da Descrição &, de seguida, acessar todas as postagens, que estão ordenadas de forma progressiva & remetem a percursos variados para o conhecimento das literaturas & culturas lusófonas. Fiel às suas matrizes africanas, há também muita música no MUJIMBO, muitas canções que confirmam o enorme poder de tradução da música popular para as significações & os problemas centrais dos imaginários tropicas.

identidades: o individual, o cultural, o nacional & Stuart Hall

setembro 3, 2009 às 18:56 | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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Nas duas últimas postagens penduramos exemplos de textos midiáticos & literários que podem servir de apoio para as discussões relacionadas aos temas introdutórios de nossas apresentações. Tanto na abordagem neurofisiologista de Marcelo Gleiser quanto na leitura estético-documentarista de Roberta Franco, enfatiza-se a importância em compreender as identidades como sistemas simbólicos. Ao nível pessoal, esses sistemas constituem-se pelas memórias individuais; ao nível coletivo, pela partilha de valores culturais.

Cultura pode ser muito sintetica & genericamente entendida como todo tipo de ação & reflexão humana sobre a realidade; uma realidade, por sua vez, continuamente recriada pela própria cultura. Sob um ponto de vista social e evolucionista, as culturas são estratégias de adaptação, são as estruturas materiais & imaginárias a partir das quais as comunidades humanas se organizam, se especificam & se desenvolvem historicamente. Conforme discute Stuart Hall no capítulo 3 de A identidade cultural na pós-modernidade, uma das melhores maneiras para se enxergar essas estruturas imaginárias é pela leitura das narrativas identitárias nacionais, daquelas estórias circuladas e retransmitidas cujos significados conectam “nossas vidas cotidianas com um destino nacional que preexiste a nós e continua existindo após a nossa morte” (HALL , 2006, p. 53).  Assim, em última instância, toda identidade se materializa como aquilo que Michel Foucault chamaria de uma “formação discursiva“. Para quem desejar saber mais sobre o livro de Hall, vale a pena conferir alguns bons exemplos de resenhas do mesmo, escritas por Dennis de Oliveira,   Jacqueline Ramos & por um Autor Desconhecido que pendurou a sua no sítio da Usina das Letras. Uma quarta resenha, mais detalhada e composta com esmero, é assinada pela letreira Genny Xavier, & pode ser acessada em seu blogue Baú de Guardados. Uma leitura cuidadosa desse panorama de resenhas, além de oferecer mais nitidez para um conceito-chave em nossos cursos, proporciona uma valiosa experiência de familizarização com os diversos estilos que compõem a escrita acadêmica. Com qual deles você mais se identifica?

Abaixo, uma bela foto de Stuart Hall:

stuarthall tricolor

“Diversidade – Identidade”, por Roberta Franco

setembro 3, 2009 às 1:30 | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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