Agualusa conta tudo

maio 24, 2011 às 23:39 | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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Mais dicas interessantes para nossos estudos na LitPort 4 – e para a avaliação em andamento – podem ser encontrados na longa entrevista concedida pelo escritor angolano ao programa Sempre Um Papo. Visite o site do YouTube para ter acesso às outras partes da entrevista.

a mestiçagem na MPB: conciliações e contestações

maio 24, 2011 às 14:12 | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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A partir de nossas leituras de O ano em que Zumbi tomou o Rio e da bibliografia teórica do curso da LitPort 4, pudemos caracterizar elementos centrais para uma compreensão da complexa questão racial brasileira, bem como estabelecer relações entre essa temática, a da “cultura da violência” e o problema da colonialidade, mais especificamente da colonialidade do poder, se entendemos o racismo como um sistema simbólico que perpetua nas sociedades nacionais as divisões e desigualdades que estruturam as sociedades coloniais. No caso brasileiro, o preconceito racial, sobretudo quando exercido como inferiorização dos sujeitos não-brancos, manifesta-se de forma dissimulada, assumindo formulações frequentemente paradoxais, marcadas por uma sobrecarga de afetividade ou de paternalismo, ainda que essas formas se sustentem nos ideias e nos discursos derivados de uma noção de mestiçagem explícita ou implicitamente branqueadora e eurocêntrica. A este projeto alienante e assimilacionista podemos contrapor uma concepção contestadora e sincretizante da mestiçagem, a partir da qual se desenvolve um olhar crítico para as contradições nos convívios interraciais brasileiros e para os nossos mitos identitários “fusionistas”, crítica que propõe a renovação das relações interculturais no Brasil como saída para nossos impasses e conflitos, bem como uma incorporação efetiva das matrizes civilizacionais africanas e ameríndias à construção nacional brasileira.

De maneira a aprofundar essa reflexãao de forma dialógica, desenvolveremos até o final do curso leituras centradas em letras de canções da música popular, buscando identificar e discutir representações do imaginário da mestiçagem e os projetos identitários a que essas representações remetem. Além do corpus relacionado e “entubado” a seguir, recomendamos uma vista a esta postagem do MUJIMBO, que dá acesso ao download das canções aqui listadas e mais algumas.

   

AQUARELA DO BRASIL

Ary Barroso

Brasil, meu Brasil Brasileiro,
Meu mulato inzoneiro,
Vou cantar-te nos meus versos:
O Brasil, samba que dá
Bamboleio, que faz gingar;
O Brasil do meu amor,
Terra de Nosso Senhor.
Brasil!… Brasil!… Prá mim!… Prá mim!…

Ô, abre a cortina do passado;
Tira a mãe preta do cerrado;
Bota o rei congo no congado.
Deixa cantar de novo o trovador
À merencória à luz da lua
Toda canção do meu amor.
Quero ver essa Dona caminhando
Pelos salões, arrastando
O seu vestido rendado.
Brasil!… Brasil! Prá mim … Prá mim!…

Brasil, terra boa e gostosa
Da moreninha sestrosa
De olhar indiferente.
O Brasil, verde que dá
Para o mundo admirar.
O Brasil do meu amor,
Terra de Nosso Senhor.
Brasil!… Brasil! Prá mim … Prá mim!…

Esse coqueiro que dá coco,
Onde eu amarro a minha rede
Nas noites claras de luar.
Ô! Estas fontes murmurantes
Onde eu mato a minha sede
E onde a lua vem brincar.
Ô! Esse Brasil lindo e trigueiro
É o meu Brasil Brasileiro,
Terra de samba e pandeiro.
Brasil!… Brasil!

***

 

MULATA ASSANHADA

Ataulfo Alves

Ô, mulata assanhada
Que passa com graça
Fazendo pirraça
Fingindo inocente
Tirando o sossego da gente!
Ah! Mulata se eu pudesse
E se meu dinheiro desse
Eu te dava sem pensar
Esta terra, este céu, este mar
E ela finge que não sabe
Que tem feitiço no olhar!
Ai, meu Deus, que bom seria
Se voltasse a escravidão
Eu pegava a escurinha
E prendia no meu coração!…
E depois a pretoria
Resolvia a questão!

***

 

CANTO DAS TRÊS RAÇAS

Mauro Duarte & Paulo César Pinheiro

Ninguém ouviu um soluçar de dor
No canto do Brasil.
Um lamento triste sempre ecoou
Desde que o índio guerreiro
Foi pro cativeiro e de lá cantou.
Negro entoou um canto de revolta pelos ares
No Quilombo dos Palmares, onde se refugiou.
Fora a luta dos inconfidentes
Pela quebra das correntes.
Nada adiantou.
E de guerra em paz, de paz em guerra,
Todo o povo dessa terra
Quando pode cantar,
Canta de dor.
E ecoa noite e dia: é ensurdecedor.
Ai, mas que agonia
O canto do trabalhador…
Esse canto que devia ser um canto de alegria
Soa apenas como um soluçar de dor

***

 

A MÃO DA LIMPEZA

Gilberto Gil & Chico Buarque

O branco inventou que o negro
Quando não suja na entrada
Vai sujar na saída, ê
Imagina só
Vai sujar na saída, ê
Imagina só
Que mentira danada, ê
Na verdade a mão escrava
Passava a vida limpando
O que o branco sujava, ê
Imagina só
O que o branco sujava, ê
Imagina só
O que o negro penava, ê
Mesmo depois de abolida a escravidão
Negra é a mão
De quem faz a limpeza
Lavando a roupa encardida, esfregando o chão
Negra é a mão
É a mão da pureza

Negra é a vida consumida ao pé do fogão
Negra é a mão
Nos preparando a mesa
Limpando as manchas do mundo com água e sabão
Negra é a mão
De imaculada nobreza
Na verdade a mão escrava
Passava a vida limpando
O que o branco sujava, ê
Imagina só
O que o branco sujava, ê
Imagina só
Eta branco sujão

***

 

IDENTIDADE

Jorge Aragão

Elevador é quase um templo
Exemplo pra minar teu sono
Sai desse compromisso
Não vai no de serviço
Se o social tem dono, não vai…

Quem cede a vez não quer vitória
Somos herança da memória
Temos a cor da noite
Filhos de todo açoite
Fato real de nossa história

Se o preto de alma branca pra você
É o exemplo da dignidade
Não nos ajuda, só nos faz sofrer
Nem resgata nossa identidade

***

 

SOU NEGRO

Getúlio Côrtes & Ed Wilson

dessa vida
nada cinema
não sei porque vocês têm tanto orgulho assim
você sempre me despreza
sei que sou negro
mas ninguém vai rir de mim
vê se entende
vê se ajuda
o meu caráter não está na minha cor
o que eu quero
não se iluda
o meu futuro é conseguir o seu amor.

***

 

BLACK IS BEAUTIFUL

Marcos Valle & Paulo Sergio Valle

Hoje cedo, na rua do Ouvidor
Quantos brancos horríveis eu vi
Eu quero um homem de cor
Um deus negro do Congo ou daqui
Que se integre no meu sangue europeu
Black is beautiful, black is beautiful
Black beauty so peaceful
I wanna a black I wanna a beautiful
Hoje a noite amante negro eu vou
Vou enfeitar o meu corpo no seu
Eu quero este homem de cor
Um deus negro do Congo ou daqui
Que se integre no meu sangue europeu
Black is beautiful, black is beautiful
Black beauty so peaceful
I wanna a black I wanna a beautiful

***

 

combat - mundo livre s.a

O AFRICANO E O ARIANO

Fred 04, Apolo 9 & Mundo Livre S/A

Há quatro séculos a alma africana tem sido um motor
da inquietação, da resistência, da transgressão
O negro sempre quis sair do gueto,
fugir da opressão fazendo história,
ganhando o mundo com estilo!
E é assim que a alma africana sobrevive
com brilho e vigor em todo o "novo continente".
O africano foi levado pra sofrer no norte e gerou,
entre outras coisas, o jazz, o blues, Gospel, soul,
R & B, funk, rock and roll, rap, hip hop
No centro, o suor africano fomentou o mambo, o ska ,
o calypso, a rumba, o reggae, dub, ragga,
o merengue e a lambada, dancehall e muito mais
Mas é o ariano que ignora o africano
ou é o africano que ignora o ariano?
E ao sul, a inquietude negra fez nascer,
entre outros beats, o bumba, o maracatu,
o afoxé, o xote, o choro, o samba,
o baião, o coco, a embolada.
Entre outros, os Jacksons e os Ferreiras,
os Gonzagas e os Pixinguinhas,
as Lias, os Silvas e os Moreiras
A alma africana sempre esteve no olho do furacão
Dendê no bacalhau, legítima e generosa transgressão
É Dr. Dre e é maracatu
É hip hop e é mestre Salú
Mas é o ariano que ignora o africano
ou é o africano que ignora o ariano?

***

 

MINHA ALMA (A PAZ QUE EU NÂO QUERO)

Marcelo Yuka (O Rappa)

A minha alma tá armada e apontada
Para cara do sossego!
(Sêgo! Sêgo! Sêgo! Sêgo!)
Pois paz sem voz, paz sem voz
Não é paz, é medo!
(Medo! Medo! Medo! Medo!)

As vezes eu falo com a vida,
As vezes é ela quem diz:

"Qual a paz que eu não quero conservar,
Prá tentar ser feliz?"

As grades do condomínio
São prá trazer proteção
Mas também trazem a dúvida
Se é você que tá nessa prisão

Me abrace e me dê um beijo,
Faça um filho comigo!
Mas não me deixe sentar na poltrona
No dia de domingo, domingo!

Procurando novas drogas de aluguel
Neste vídeo coagido…
É pela paz que eu não quero seguir admitindo

É pela paz que eu não quero seguir
É pela paz que eu não quero seguir
É pela paz que eu não quero seguir admitindo

***

 

DECLARAÇÂO DE GUERRA

MV Bill

Hei mãe, acorda que o terror vai começar
Coloca a janta, pode ser a última sopa
Se eu não voltar, sorria
Vou em busca da alegria
Vou incentivando o ódio (quem diria)

É tudo pela salvação
Em nome da razão
Acenda a vela
É o código da rebelião

Os generais nem imaginam nosso plano
Pensam que é mais um engano
Jesus está voltando

Os pretos estão do lado de cá
São soldados mascarados aliados ao pppomar
Os diretores forjam as fugas
Tensão nas celas, bueiros, são verdadeiros sangue sugas

Libere a fuga diretor! solte os detentos
Pelados pelas rua escura, sem lamentos
A nossa tropa só tem doido,
Resto, lixo, bicho, praga
Vou jogar mais vinho na sua área

São pessoas que vivem na amargura
Não nos resta mais ternura
A batalha vai ser dura

Eu avisei que a guerra era inevitável
Pra quem tá na condição desfavorável

Subestimaram, pagaram pra ver, e tão vendo
Ignoraram a nossa coragem, tão morrendo

A violência não fui eu que inventei
Somos condenados a serviços de um rei

Chega de ouvir esse discurso social
Chega de ouvir a lenga lenga racial

Sou animal sou (sou), sou canibal sou (sou), eu sou letal
O verbo que populariza o mal

Vão tirando a fantasia de artista
Não tem mais carnaval
Acabou o show pra turista
Que venham vários pagodeiros e sambistas
A luta é o coração de um guerreiro ativista

Convoque os índios, convoque os canibais
Convoque os sonhos, dos nossos ancestrais

Vou invadir mais um hospício
Vivemos bem no precipício (que que isso)
Quero mais guerrilheiros pra esta noite
Vida longa para os pretos, fim do açoite
Vou maquinar mais homicídio para esse dia

Fim de vida aos brancos, da covardia
São Benedito por favor nos proteja
Tragam todos os fiéis que estão orando da igreja
Sem terra, sem teto, sem nada nos dentes
Sem fama, sem grana, sem luz, sem parentes

Se foi torturado – siga-me
Se tá rebelado – siga-me
Se tiver bolado – siga-me
Ham siga-me, ham siga-me
Se cair seus dentes – siga-me
Se for estuprada – siga-me
Se o nome for maria – siga-me
Ham siga-me, ham siga-me

Eu vou pedir mais orações aos crentes
A guerra é turva, e deus necessita estar com a gente
São meia noite o black-out é geral
Sirenes, apitos, breu total

Ficou pra trás a nossa dor
Lá no passado que restava todo amor
Uma criança pede o fim da guerra
Entre vermelhos e terceiros

Me lembra que somos brasileiros
Mais ideologia, menos conflitos
Não façam de nós mais um grupo de risco

O alemão não apita na favela
Confira você mesmo, e olhe pela sua janela
Fale seu partido preciso saber !
Pmdb, pt , satã ou tc ?

Se for de esquerda, não me contemplou
Se for de direita, me ignorou
Se for de bandido é um caso a pensar
Vou me filiar preciso arriscar

Adestrador prepare os cães, não dê comida,
Avise aos lobos que a pele é branca e a carne é viva

Fazendeiro não há mais tempo pra remorso
Vamos transformar seu paraíso em destroços

A luta é racial
A luta é social
Mais ninguém se espanta
Porque a guerra é santa

É preta, marrom, mestiça e branca
E quem não decidir em que lado está, vira planta

Eu sou ateu, protestante, sou judeu
Eu sou maçon, rosa cruz, e fariseu zulu

Eu sou a luz do universo em desencanto
Não sou mais nada só a voz do catalão

Levei 500 anos para entender esse país
Se querem me entender eu só queria ser feliz!

Maria dê veneno pra rainha sua patroa
Volte pro QG com as jóias da coroa
Agora cai por terra toda arrogância
Vamos celebrar viva a voz da ignorância

Deus vai perdoar , deus vai entender
Deus vai lhe ajudar, chega de padecer
De um lado humanos, do outro, humanos
Todos armados então são desumanos

Falam que a briga não nos leva a nada
O mar não tem cabelo, quem se afoga nada
Não dá pra exigir de quem não come nada
Aqui o seu diploma não vale de nada

Nós não somos nada
Nós não temos nada
Branco camarada, largue a espada

Acabou o desafio, não pode pensar
Imagino deve ser difícil aceitar
Essa guerra que já foi vencida
Solte suas armas e comece a despedida
Abaixe a cabeça, faça o último pedido
Peça qualquer coisa menos ser meu amigo
Não, não faz sentido
Sou herói, e o bandido?
A sirene tá gritando
Perigo

Os pretos que vão te julgar
Você tá na bola
E então comece a chorar
Devolva meu samba, a nossa cultura
A capoeira, o axé e a vida das pessoas que moram na rua
A história foi queimada ofendida
A morte é o fim, a guerra é a vida
Durante muito tempo eu vi o mundo girar
De braços cruzados esperando a morte chegar
Foi o despertar comece a sua prece
Dessa vez é vai ou racha
Ou dá ou desce

Se perdeu o juízo – siga-me
Tá no prejuízo – siga-me
Não quer ser escravo – siga-me
Ham siga-me, ham siga-me
Já matou tarado – siga-me
Se perdeu o seu emprego – siga-me
Se foi derrotado – siga-me
Ham siga-me, ham siga-me

 

branconegro

questionário sobre “O ano em que Zumbi tomou o Rio”

maio 5, 2011 às 9:42 | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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Seguem abaixo os slides dos exercícios preparatórios para nossa avaliação na LitPort 4.

questionario AZRT 1

questionario AZRT 2

questionario AZRT 3

cartografias das literaturas africanas

abril 27, 2011 às 10:57 | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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ipotesi n14 grifo

A recentemente lançada edição 14 da Revista Ipotesi, conceituada publicação do Programa de Pós-Graduação em Letras – Estudos Literários da Universidade Federal de Juiz de Fora, reúne uma série de artigos voltados para discussão teórica e crítica acerca da ficção africana, destacadamente dos textos produzidos por autor@s de língua portuguesa. Nesse conjunto encontra-se um artigo meu, intitulado O sexo da “raça”: identidade, escravidão e patriarcalismo em A gloriosa família, de Pepetela, texto no qual discuto as articulações históricas e simbólicas constituídas entre racismo e sexismo no âmbito das sociedades escravocratas lusófonas, articulações que se convertem numa “economia política da sexualidade”, conforme os termos de Osmundo Pinho, que desempenha um papel central na regulação de conflitos e diferenças nas sociedades lusófonas pós-coloniais. O processo de construção cultural dessa economia pode ser visibilizado através de um estudo genealógico do excelente romance de Pepetela A gloriosa família, tal como me propus a fazer no artigo em causa.

SELEÇÃO DE VOLUNTÁRIOS PARA INICIAÇÃO CIENTÍFICA

julho 15, 2010 às 23:53 | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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ProjetoUFS color2

Projeto PICVOL 2010-2011

LEITURAS TRIANGULARES:

memória colonial, mestiçagem e relações étnicorraciais em literaturas lusófonas

Requisitos:

· interesse por um estudo culturalista das literaturas brasileira, portuguesa e angolana;

· MUITA disposição para a leitura de textos ficcionais e teóricos!

· estar regularmente matriculado em curso de graduação da UFS e ter média geral ponderada (MGP) maior ou igual a 7,0;

· não possuir outro tipo de atividade (a exemplo de estágio e monitoria) na UFS, nem estar recebendo outra modalidade de bolsa

COORDENADOR: Prof. Jesiel Oliveira (Departamento de Letras de Itabaiana)

Candidat(as)os devem marcar entrevista enviando um email para jesielf@yahoo.com.br até o dia 19/07. Da mensagem deverá constar uma breve apresentação justificando o interesse nesta pesquisa. Para maiores informações sobre o projeto, clique AQUI.

a criativa subjetividade do escravo

novembro 6, 2009 às 7:54 | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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gloriosa_edEsp                                             pensador-bandeira

Iniciaremos hoje, na sala 106 do Bloco Didática 1, a partir das 13h, o mini-curso “Como funciona a cabeça de um escravo? Leituras de A gloriosa família”. Segue abaixo uma súmula das questões a serem levantadas ao longo dessa atividade.

Publicada em 1999, dois anos depois do laureamento do escritor angolano Pepetela com o Prêmio Camões, A gloriosa família é um nítido exemplar da vitalidade da produção literária oriunda dos países africanos lusófonos, uma produção cujo bem-sucedido arrojo experimental mobiliza recursos de ficcionalização histórica que são emblemáticos dos modos de intervenção escrita pós-coloniais. Ambientado em Luanda durante os sete anos da ocupação holandesa, entre 1641 e 1648, o romance é narrado por um escravo situado numa difusa posição “não visível e não oculta”, a partir da qual se inscreve uma mirada e um testemunho estratégicos sobre o principal entreposto da máquina escravista gerenciada pelo Império Português.

Obrigado a seguir a reboque de seu dono, o traficante flamengo Baltazar Van Dum, cumprindo uma sina de adereço semi-esquecido, este escravo pessoal representa um grau de objetificação do qual derivam imprevistos efeitos de visibilidade. Tido por mudo e retardado mental, esse indivíduo colocado na condição de bijuteria ambulante abre um estranho lugar de transparência para a discussão dos mecanismos de rasura simbólica e de reversão de valores que dinamizavam as relações de poder no mundo colonial, e que presentemente se atualizam nas diversas formas de expressão e de superação do preconceito racial.

No encontro de hoje nos concentraremos em revisitar os profundos, ainda que institucionalmente esmaecidos, laços geo-histórico-culturais entre o Brasil e Angola. Será também apresentado um breve panorama das teorias contemporâneas sobre o racismo e seus efeitos reificadores sobre a subjetividade negra. No final do encontro, serão apresentados trechos do filme Quanto Vale ou É Por Quilo?, de Sérgio Bianchi. Para saber mais sobre esse filme, clique na imagem abaixo.

quanto vale

mini-curso de literatura angolana

novembro 1, 2009 às 22:05 | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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gloriosa extensão cultura

Dando suporte ao mini-curso que ministrarei durante a VI SEMEX, seguem-se uma série de links que remetem a alguns dos textos a serem discutidos em nossos encontros. Esta atividade tem como principal objetivo veicular conteúdos e referências bibliográficas úteis para as aplicações da Lei 11645 baseadas no trabalho com a criativa e questionadora literatura angolana contemporânea. No âmbito dos objetivos da Lei, esses textos se mostram especialmente interessantes para a releitura dos processos formadores da sociedade brasileira, possibilitando o estudo contrastivo de dinâmicas estratégicas como as relações de poder escravagistas e a mestiçagem.

A partir do dia 5/11 estará disponível na xerox do campus de Itabaiana uma pasta contendo diversos textos que abordam a temática do curso sobre os pontos de vista histórico, literário e culturalista. O programa completo pode ser acessado AQUI.

Apesar da carga horária sintética, o curso se empenhará em ampliar nossos conhecimentos acerca da realidade angolana, também reconstituindo e explicitando os profundos laços geo-histórico-culturais que irmanam esta nação africana ao Brasil. Uma pioneira visão sistêmica acerca dessas relações pode ser lida na introdução de Luanda, “ilha” crioula, livro assinado pelo literato angolano Mário António Fernandes de Oliveira. Para acessar este texto, clique AQUI

No romance que discutiremos, A gloriosa família, publicado em 1998, ressaltam-se formas inventivas de representação literária dos efeitos do racismo sobre a subjetividade do negro e do valor cultural da oralidade. No intuito de embasar a exploração desses temas, recomenda-se a leitura dos textos listados abaixo:

FONSECA, Maria Nazareth Soares. Visibilidade e ocultação da diferença: imagens de negro na cultura brasileira. In: FONSECA (org.). Brasil afro-brasileiro. Belo Horizonte: Autêntica, 2000. p.87-115.

OLIVEIRA FILHO, Jesiel Ferreira de. Narrando em silêncio: resistência e ressignificação em A gloriosa família. Feira de Santana: Seminário Dias de África, 2003.

RUI, Manuel. Eu e o outro — o invasor ou em poucas três linhas uma maneira de pensar o texto. (Comunicação apresentada no Encontro Perfil da Literatura Negra. São Paulo, 23/05/1985).

ROCHA, Roberto Ferreira da. Resgate de vozes distantes: A gloriosa família. In: Metamorfoses. v.1. Rio de Janeiro: Editora Cosmos; Cátedra Jorge de Sena para Estudos Literários Luso-Afro-Brasileiros (UFRJ), 2000. p.172-178.

Muita informação sobre Angola e a literatura do país pode ser obtida navegando-se pelo MUJIMBO, o blogue-irmão do LUSOLEITURAS. Para visitá-lo, clique AQUI e pesquise pela palavra-chave “Angola”.

BOAS LEITURAS & até sexta-feira.

angola brasil

extensão & cultura

outubro 29, 2009 às 11:30 | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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extensao&cultura

Mais um evento na nossa universidade que põe em primeiro plano as pesquisas voltadas para as questões identitárias. Clicando na imagem acima, ou logo ao lado, visite o sítio da VI Semana de Extensão, nesta edição desenvolvendo o tema Extensão e Cultura, e confira a diversificada programação que se estende por todos os campi da UFS. Em Itabaiana, terão lugar apresentações artísticas, oficinas, mini-cursos, palestras & exposições  que abordam as expressões da cultura em suas múltiplas dimensões: como performance, como ritual, como produção de artefatos e de saberes, como técnicas, memórias e vida cotidiana. A organização da VI Semana convida os estudantes interessados a trabalhar como monitores do evento, quem quiser se inscrever procure a pedagoga Luciane na Secretaria dos Núcleos. Também ainda existe espaço para a inclusão na programação de entidades e atividades artísticas representativas da cultura sergipana, se você conhece algum grupo, contate a Luciane. 

No mini-curso que estarei oferecendo entre os dias 6 e 7 de novembro, focalizaremos uma obra literária – o romance A gloriosa família, do escritor angolano Pepetela — na qual ficção e história se entrelaçam para a construção de um olhar inovador sobre o passado colonial partilhado por Brasil e Angola, colocando em destaque o ponto de vista de um africano escravizado sobre o sistema cultural e político a partir do qual foram geradas essas nações. Em paralelo a esse trabalho de releitura crítica da história, o romance de Pepetela proporciona um eloquente testemunho sobre a luta do oprimido contra as forças que pretendem desumanizá-lo, sobretudo as ideologias racistas, mostrando como a aparente passividade pode converter-se numa poderosa arma de resistência e de resgate da dignidade. Laureado com o Prêmio Camões em 1997, largamente reconhecido como um dos mais importantes autores da Literatura Angolana, contando com várias edições de suas obras no Brasil, Pepetela  também está entre os escritores africanos mais estudados nas universidades brasileiras. O romance que discutiremos já integrou a lista de textos literários recomendados para o vestibular da Universidade Federal da Bahia, existindo uma ampla bibliografia analítica, inclusive disponível na web, acerca dele. Novas postagens serão feitas em breve no LUSOLEITURAS e no MUJIMBO (clique aqui e saiba muito mais sobre Angola), tendo em vista oferecer suporte ao mini-curso.  

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