roteiro para o kit antirracista

junho 6, 2011 às 9:42 | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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LITERATURA PORTUGUESA IV – 2011.1
ATIVIDADE FINAL: ELABORAÇÃO DE UM KIT ANTIRRACISMO
Trabalho em dupla
Entrega: 11/07/2011

INTRODUÇÃO:
Por que é importante discutir, em particular no âmbito da formação escolar contemporânea, a questão racial brasileira e nossas matrizes culturais africanas? (mínimo de 60 linhas)

TEXTOS PARA DISCUSSÃO:
•    Selecionar e transcrever uma canção e dois poemas de autores lusófonos, a partir dos quais seja possível desenvolver questões relacionadas à representação do racismo ou das identidades raciais. Justificar as escolhas (10-20 linhas).

•    Selecionar e transcrever uma matéria jornalística ou artigo de opinião no qual sejam abordadas e analisadas questões relacionadas ao racismo brasileiro, ou aos problemas enfrentados pelas identidades “não-brancas” no Brasil ou em outros países lusófonos (10-20 linhas).

OUTRAS SUGESTÕES (opcional):
Indicação de textos teóricos, filmes, sites e obras artísticas que contribuam para uma melhor compreensão dos temas abordados nos objetos selecionados.

Recomendamos visitar, neste blogue, as postagens “literatura e educação afro-brasileiras: alguns pontos cardeais”, “antologia de poesia do negro” e “pós-colonialismo & negritude em língua portuguesa”, tendo em vista acessar fontes primárias de pesquisa.

inscrições abertas para o II Xirê das Letras

junho 1, 2011 às 10:25 | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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xirê2

O II Xirê das Letras: Giros de Resistência é a continuidade da concretização do anseio dos pesquisadores do AYOKÁ-KIANDA – Núcleo de Pesquisas e Estudos Multidisciplinares Africanos e Afro-Americanos e de muitos dos docentes e discentes do Departamento de Ciências Humanas e Tecnologias – DCHT XXIV, do Campus Universitário Professor Gedival Sousa Andrade, da UNEB, no município de Xique-Xique – Bahia, pela realização de um evento de natureza científica, de caráter internacional, a fim de compartilhar e impulsionar pesquisas e estudos desenvolvidos neste Departamento, pondo-os em diálogo com produções de pesquisadores de outras I.E.S., envolvendo a temática das africanidades refletidas nas línguas, nas literaturas, na educação e nas culturas africanas e afro-americanas.

agudeza e plurissignificação: interfaces estéticas

abril 18, 2011 às 23:21 | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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alegoria velho-jovem

Quantas narrativas e quantos sentidos se entrecruzam na imagem acima? Nela, encontram-se habilmente reinscritos o excesso semântico e a poder de articulação entre elementos heterogêneos que caracterizam a estética seiscentista da agudeza, e suas diversificadas expressões barrocas. Interessante notar que as principais tendências da pintura barroca, no século XVII, preferiam investir numa figuração realista, cujo polimorfismo derivava de engenhosas sutilezas pictóricas, engendradas especialmente por composições entre tons claros e escuros, como se pode observar no famoso quadro “Davi e Golias”, de Caravaggio, reproduzido a seguir:

davi   Nas artes verbais, por sua vez, fonemas, palavras e sintaxes são embaralhadas de maneira caprichosa, forçando a conjugação entre significantes desproporcionais e descontínuos, de maneira a gerar efeitos de significação surpreendentes e imagens multifacetadas, como bem se lê num dos poemas do poeta barroco luso-brasileiro Bernardo Vieira Ravasco, irmão do Padre Antonio Vieira, texto também analisado por João Adolfo Hansen, no ensaio Agudezas seiscentistas, disponível AQUI:

Iris parlero, abril organizado
Ramillete de plumas con sentido,
Hybla con habla, irracional florido
Primavera con pies, jardín alado

E aí? Dá para dizer que este poema, ou esta representação barroca, “retrata” um papagaio?

papagaio

Toda linguagem literária produz imagens altamente dinâmicas, imagens moldáveis e remontáveis pela ação direta dos nossos processos imaginativos. É interessante notar que mesmo uma imagem cinematográfica, ou uma pintura, acabam se mostrando representações mais fixas e impositivas do que as figurações com que visualizamos intimamente os personagens de um romance, as paisagens de um conto, as emoções traduzidas num soneto. No caso da literatura barroca, o leitor é sempre conduzido a experiências intensivas de decodificação estética e de construção polifônica dos sentidos.

literatura e liberdade: caminhos que se cruzam

fevereiro 26, 2011 às 16:57 | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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LER DEVIA SER PROIBIDO

Guiomar de Grammont

A pensar fundo na questão, eu diria que ler devia ser proibido.

Afinal de contas, ler faz muito mal às pessoas: acorda os homens para realidades impossíveis, tornando-os incapazes de suportar o mundo insosso e ordinário em que vivem. A leitura induz à loucura, desloca o homem do humilde lugar que lhe fora destinado no corpo social. Não me deixam mentir os exemplos de Don Quixote e Madame Bovary. O primeiro, coitado, de tanto ler aventuras de cavalheiros que jamais existiram meteu-se pelo mundo afora, a crer-se capaz de reformar o mundo, quilha de ossos que mal sustinha a si e ao pobre Rocinante. Quanto à pobre Emma Bovary, tomou-se esposa inútil para fofocas e bordados, perdendo-se em delírios sobre bailes e amores cortesãos.

Ler realmente não faz bem. A criança que lê pode se tornar um adulto perigoso, inconformado com os problemas do mundo, induzido a crer que tudo pode ser de outra forma. Afinal de contas, a leitura desenvolve um poder incontrolável. Liberta o homem excessivamente. Sem a leitura, ele morreria feliz, ignorante dos grilhões que o encerram. Sem a leitura, ainda, estaria mais afeito à realidade quotidiana, se dedicaria ao trabalho com afinco, sem procurar enriquecê-la com cabriolas da imaginação.

Sem ler, o homem jamais saberia a extensão do prazer. Não experimentaria nunca o sumo Bem de Aristóteles: o conhecer. Mas para que conhecer se, na maior parte dos casos, o que necessita é apenas executar ordens? Se o que deve, enfim, é fazer o que dele esperam e nada mais?

Ler pode provocar o inesperado. Pode fazer com que o homem crie atalhos para caminhos que devem, necessariamente, ser longos. Ler pode gerar a invenção. Pode estimular a imaginação de forma a levar o ser humano além do que lhe é devido.

Além disso, os livros estimulam o sonho, a imaginação, a fantasia. Nos transportam a paraísos misteriosos, nos fazem enxergar unicórnios azuis e palácios de cristal. Nos fazem acreditar que a vida é mais do que um punhado de pó em movimento. Que há algo a descobrir. Há horizontes para além das montanhas, há estrelas por trás das nuvens. Estrelas jamais percebidas. É preciso desconfiar desse pendor para o absurdo que nos impede de aceitar nossas realidades cruas.

Não, não deem mais livros às escolas. Pais, não leiam para os seus filhos, pode levá-los a desenvolver esse gosto pela aventura e pela descoberta que fez do homem um animal diferente. Antes estivesse ainda a passear de quatro patas, sem noção de progresso e civilização, mas tampouco sem conhecer guerras, destruição, violência. Professores, não contem histórias, pode estimular uma curiosidade indesejável em seres que a vida destinou para a repetição e para o trabalho duro.

Ler pode ser um problema, pode gerar seres humanos conscientes demais dos seus direitos políticos em um mundo administrado, onde ser livre não passa de uma ficção sem nenhuma verossimilhança. Seria impossível controlar e organizar a sociedade se todos os seres humanos soubessem o que desejam. Se todos se pusessem a articular bem suas demandas, a fincar sua posição no mundo, a fazer dos discursos os instrumentos de conquista de sua liberdade.

O mundo já vai por um bom caminho. Cada vez mais as pessoas leem por razões utilitárias: para compreender formulários, contratos, bulas de remédio, projetos, manuais etc. Observem as filas, um dos pequenos cancros da civilização contemporânea. Bastaria um livro para que todos se vissem magicamente transportados para outras dimensões, menos incômodas. É esse o tapete mágico, o pó de pirlimpimpim, a máquina do tempo. Para o homem que lê, não há fronteiras, não há cortes, prisões tampouco. O que é mais subversivo do que a leitura?

É preciso compreender que ler para se enriquecer culturalmente ou para se divertir deve ser um privilégio concedido apenas a alguns, jamais àqueles que desenvolvem trabalhos práticos ou manuais. Seja em filas, em metrôs, ou no silêncio da alcova… Ler deve ser coisa rara, não para qualquer um.

Afinal de contas, a leitura é um poder, e o poder é para poucos.

Para obedecer não é preciso enxergar, o silêncio é a linguagem da submissão. Para executar ordens, a palavra é inútil.

Além disso, a leitura promove a comunicação de dores, alegrias, tantos outros sentimentos… A leitura é obscena. Expõe o íntimo, torna coletivo o individual e público, o secreto, o próprio. A leitura ameaça os indivíduos, porque os faz identificar sua história a outras histórias. Torna-os capazes de compreender e aceitar o mundo do Outro. Sim, a leitura devia ser proibida.

                                                                …

Ler pode tornar o homem perigosamente  humano.

[In: PRADO, J. & CONDINI, P. (Orgs.). A formação do leitor: pontos de vista. Rio de Janeiro: Argus, 1999. pp.71-3]

Fonte: LÍNGUA E PALAVRAS

literatura pós-colonial: memória, cultura e diferença

setembro 2, 2010 às 22:44 | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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Poeticas_Maravilhoso2

Segue abaixo uma listagem de links que dão acesso aos textos ficcionais que serão trabalhados no curso:

 

ALEGRE, Manuel. Lusíada exilado. In: Praça da canção; O canto e as armas. 2.ed. Lisboa: D. Quixote, 2003.

Nem batalhas nem paz: obscura guerra.
Dói-me um país neste país que levo.
Sou este povo que a si mesmo se desterra
meu nome são três sílabas de trevo.

Há nevoeiro em mim. Dentro de abril dezembro.
Quem nunca fui é um grito na memória.
E há um naufrágio em mim se de quem fui me lembro
há uma história por contar na minha história.

Trago no rosto a marca do chicote.
Cicatrizes as minha condecorações.
Nas minhas mãos é que é verdade D. Quixote
trago na boca um verso de Camões.

Sou este camponês que foi ao mar
lavrou as ondas e mondou a espuma
e andou achando como a vindimar
terra plantada sobre o vento e a bruma.

Sou este marinheiro que ficou em terra
lavrando a mágoa como se lavrar
não fosse mais do que a perdida guerra
entre o não ser na terra e o ser no mar.

Eu que parti e que fiquei sempre presente
eu que tudo mandava e nunca fui senhor
eu que ficando estive sempre ausente
eu que fui marinheiro sendo lavrador.

Eu que fiz Portugal e que o perdi
em cada porto onde plantei o meu sinal.
Eu que fui descobrir e nunca descobri
que o porto por achar ficava em Portugal.

Eu que matei roubei eu que não minto
se vos disser que fui pirata e ladrão.
Eu que fui como Fernão Mendes Pinto
o diabo e o deus da minha peregrinação.

Eu que só tive restos e migalhas
e vi cobiça onde diziam haver fé.
Eu que reguei de sangue os campos das batalhas
onde morria sem saber porquê.

Eu que fundei Lisboa e ando a perdê-la em cada
viagem. (Pátria-Penélope bordando à espera.)
Eu que já fui Ulisses. (Ai do lusíada:
roubaram-lhe Lisboa e a primavera.)

Eu que trago no corpo a marca do chicote
eu que trago na boca um verso de Camões
eu é que sou capaz de ser o D. Quixote
que nunca mais confunda moinhos e ladrões.

* * *

Eu que fiz tudo e nunca tive nada
eu que trago nas mãos o meu país
eu que sou esta árvore arrancada
este lusíada sem pátria em Paris.

Eu que não tenho o mar nem Portugal.
(E foi meu sangue o vinho meu suor o pão.)
Eu que só tenho as lágrimas de sal
que me deixou el-rei Sebastião.

Nem o Gama nem os doze de Inglaterra
O herói sou eu: aqui sem pão nem glória
Eu camponês no mar e marinheiro em terra
todo o mundo e ninguém. Sou eu que faço a história.

Quem foi que fez de mim este estrangeiro
este sem pátria a quem a pátria dói
Eu que fui camponês poeta marinheiro
eu que fiz Portugal quero saber quem foi.

Lusíada exilado. (E em Portugal: muralhas.)
Se eu agora morresse sabia por quê.
Venham tormentas e punhais. Quero batalhas.
Eu que sou Portugal quero viver de pé.

(visite o MUJIMBO e ouça este poema recitado por Manuel Alegre)

 

SANT’ANNA, Affonso Romano de. Que país é este?. In: Que país é este?. Rio de Janeiro: Rocco, 2010.

para Raymundo Faoro

                Puedo decir que nos han traicionado? No. Que todos fueron buenos? Tampoco. Pero allí está una buena voluntad, sin duda y sobretodo, el ser así.

CÉSAR VALLEJO

Fragmento 1

Uma coisa é um país,
           outra um ajuntamento.
           Uma coisa é um país,
           outra um regimento.
           Uma coisa é um país,
           outra o confinamento.

Mas já soube datas, guerras, estátuas
usei caderno “Avante”
                                – e desfilei de tênis para o ditador.
Vinha de um “berço esplêndido” para um “futuro radioso”
e éramos maior em tudo
                                    – discursando rios e pretensão.

           Uma coisa é um país,
           outra um fingimento.

           Uma coisa é um país,
           outra um monumento.

           Uma coisa é um país,
           outra o aviltamento.

Deveria derribar aflitos mapas sobre a praça
em busca da especiosa raiz? ou deveria
parar de ler jornais
                                 e ler anais
como anal
                   animal
                               hiena patética
                                                       na merda nacional?

Ou deveria, enfim, jejuar na Torre do Tombo
comendo o que as traças descomem
                                 procurando
o Quinto Império, o primeiro portulano, a viciosa visão do paraíso
que nos impeliu a errar aqui?

             Subo, de joelhos, as escadas dos arquivos
             nacionais, como qualquer santo barroco a rebuscar
             no mofo dos papiros, no bolor
             das pias batismais, no bodum das vestes reais
             a ver o que se salvou com o tempo
             e ao mesmo tempo
                              – nos trai.

Fragmento 2

Há 500 anos caçamos índios e operários,
Há 500 anos queimamos árvores e hereges,
Há 500 anos estupramos livros e mulheres,
Há 500 anos sugamos negras e aluguéis.

Há 500 anos dizemos:
    que o futuro a Deus pertence,
    que Deus nasceu na Bahia,
    que São Jorge é guerreiro,
    que do amanhã ninguém sabe,
    que conosco ninguém pode,
    que quem não pode sacode.

Há 500 anos somos pretos de alma branca,
    não somos nada violentos,
    quem espera sempre alcança
    e quem não chora não mama
    ou quem tem padrinho vivo
    não morre nunca pagão.

Há 500 anos propalamos:
    este é o país do futuro,
    antes tarde do que nunca,
    mais vale quem Deus ajuda
    e a Europa ainda se curva.

Há 500 anos
    somos raposas verdes
    colhendo uvas com os olhos,

    semeamos promessa e vento
    com tempestades na boca,

    sonhamos a paz na Suécia
    com suíças militares,

    vendemos siris na estrada
    e papagaios em Haias

    senzalamos casas-grandes
    e sobradamos mocambos,

    bebemos cachaça e brahma
    joaquim silvério e derrama,

    a polícia nos dispersa
    e o futebol nos conclama,

    cantamos salve-rainhas
    e salve-se quem puder,

    pois Jesus Cristo nos mata
    num carnaval de mulatas

Este é um país de síndicos em geral,
Este é um país de cínicos em geral,
Este é um país de civis e generais.

Este é o país do descontínuo
onde nada congemina,
e somos índios perdidos
na eletrônica oficina.

Nada nada congemina:
a mão leve do político
com nossa dura rotina,

o salário que nos come
e nossa sede canina,

a esperança que emparedam
e a nossa fé em ruína,

nada nada congemina:
a placidez desses santos
e nossa dor peregrina,

e nesse mundo às avessas
- a cor da noite é obsclara
e a claridez vespertina.

(continua…)

 

ANDRADE, Oswald de. Manifesto antropófago. In: A utopia antropofágica. São Paulo: Globo, 1990.

ANDRADE, Oswald de. Pau-Brasil. São Paulo: Globo, 1990.

 

ALMEIDA, Manuel Antônio de. Memória de um sargento de milícias. 31.ed. São Paulo: Editora Ática, 2006.

 

MACEDO, Joaquim Manuel de. Pai-Raiol. O feiticeiro. In: As vítimas-algozes. Quadros da escravidão. 4.ed. Porto Alegre: Zouk, 2005.

 

RIBEIRO, João Ubaldo. Viva o povo brasileiro. 2.ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984.

o reverso das caravelas: bibliografia on line

setembro 2, 2010 às 12:02 | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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A partir de amanhã estará disponível uma pasta na xerox do campus de Itabaiana contendo cópias dos principais textos do curso. O acesso à bibliografia básica (exceto os ensaios de Eneida Cunha) pode também ser efetuado através dos links abaixo.

GOMES, Heloísa Toller. Crítica pós-colonial em questão. In: Revista Z Cultural. n. 1. ano III. Rio de Janeiro: Programa Avançado de Cultura Contemporânea da UFRJ, 2006. p. 1-12.

CANDAU, Vera Maria Ferrão, OLIVEIRA, Luiz Fernandes de. Pedagogia decolonial e educação antirracista e intercultural no Brasil. In: Educação em Revista. v. 26. n. 1. Belo Horizonte: Faculdade de Educação da UFMG, abr. 2010. p.15-40.

TEIXEIRA, Anísio. Valores proclamados e valores reais nas instituições escolares brasileiras. Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos. Rio de Janeiro, v.37, n.86, abr./jun. 1962. p.59-79.

CANDIDO, Antonio. Dialética da malandragem (caracterização das Memórias de um sargento de milícias). In: Revista do Instituto de Estudos Brasileiros. n.8. São Paulo: USP, 1970. p. 67-89.

FONSECA, Maria Nazareth Soares. Visibilidade e ocultação da diferença. Imagens do negro na cultura brasileira. In: FONSECA (org.). Brasil afro-brasileiro. Belo Horizonte: Autêntica, 2000.

OLIVEIRA FILHO, Jesiel Ferreira de. Leituras triangulares: racismo e alienação em literaturas lusófonas. In: Anais do Seminário Nacional Literatura e Cultura. São Cristóvão: Universidade Federal de Sergipe, 2009.

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uma introdução à crítica pós-colonial

setembro 1, 2010 às 1:50 | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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Para conhecer a proposta do curso O REVERSO DAS CARAVELAS, clique AQUI. Na abertura do curso exibiremos o filme Queimada, de Gillo Pontecorvo. Obra cercada de muita polêmica, talvez a única unanimidade quanto a ela seja a impactante beleza de sua trilha sonora, composta pelo magistral Ennio Morricone. Confira abaixo a sequência de abertura. Ou leia uma breve resenha do filme AQUI.

um LUSOLEITURAS mais dialógico & polifônico

março 25, 2010 às 3:08 | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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discursos

A ideia-chave para compreender o conceito de “dialogismo”, conforme este foi proposto pelo linguista e crítico literário russo Mikhail Bakhtin, é a de interação. Uma ideia que, entretanto, não deve ser desenvolvida de maneira ingênua, destacando apenas as trocas harmônicas entre sujeitos comunicantes, mas pondo em foco os processos de negociação do significado, de cruzamento de referentes culturais e de reinvenção da linguagem que atravessam todos os atos linguísticos. Nas práticas cotidianas da conversa, do bate-papo, da fofoca, da discussão, da interpelação etc, práticas tão características da cultura brasileira, as forças do dialogismo intervém a todo tempo, moldando decisivamente a construção identitária que fazemos dos outros e de nós mesmos. Por outro lado, é importante ressaltar que, para Bakhtin, o mais dialógico de todos os produtos das línguas humanas era o romance, o texto romanesco. Segundo William Cereja, se as gerações atuais perderam, em certa medida, a percepção imediata desse poder dialógico no texto literário, cabe aos professores de língua no ensino básico recolocá-lo em evidência e explorá-lo pedagogicamente, tendo em vista aprimorar nos estudantes tanto o domínio sobre as formas de expressão verbal como a capacidade para interpretar e/ou gerar sentidos – isto é, para exercer uma imaginação organizadora sobre os incontáveis elementos e linguagens com que construímos a realidade. Buscando cumprir com esses objetivos, Cereja recomenda um trabalho de cruzamento entre o texto literário e outros produtos estéticos mais populares, tais como a música e o cinema, realçando convergências e dissonâncias na maneira como temas semelhantes são abordados dialogicamente em distintas linguagens artísticas. Outra sugestão metodológica interessante é a de trabalhar com um corpus diacrônico de obras, colocando em interação épocas diferentes e abrindo espaços para articulações diretas com questões da nossa contemporaneidade.     

Além das propostas de Cereja, outro exemplo de aplicações didáticas do conceito de dialogismo no (árduo) trabalho de ensinar literatura pode ser conferido no artigo A literatura nas séries iniciais no Colégio Pedro II: dialogismo e estética na sala de aula (clique no título para acessá-lo), publicado na Revista Contemporânea de Educação da UFRJ, e composto pelas professoras Glória Tonácio e Patrícia Pacheco. No LUSOLEITURAS, além de algumas mudanças no lay-out para facilitar o acesso a sites úteis para pesquisas, incorporamos na barra direita do blogue uma janela para a conta Twitter em nome do MUJIMBO, o afroblogue-irmão-mais-velho do LUSOLEITURAS, e também uma enquete a ser periodicamente renovada. Concebido sob uma perspectiva polifônica que privilegia, no melhor espírito bakhtiniano, as conjugações entre vozes múltiplas e diferentes e a hibridização dos significados, o MUJIMBO está em fase de reestruturação, mas os valiosos conteúdos sobre as relações afro-luso-brasileiras — especialmente interessantes para @s estudantes da LitPort IV — continuam disponíveis no blogue, acrescentando-se outras referências através da twittagem, que pode ser monitorada aqui no LUSOLEITURAS. Para iniciar as enquetes, retomamos em termos diferentes o debate acerca das competências fundamentais que habilitam @ profissional das Letras para a excelência em seu trabalho. Confiram o painel de votação no lado direito do blogue, e dêem sua opinião.

enquete

 

 

 

 

twitter

cinema luso-brasileiro na UFS-Itabaiana: visões do mundo barroco

março 25, 2010 às 0:41 | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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PALAVRA E UTOPIA – Manoel de Oliveira

SEXTA-FEIRA, 26/03

MINI-AUDITÓRIO DO CAMPUS, PONTUALMENTE ÀS 19H

Segundo crítica publicada no jornal O Estado de São Paulo, por ocasião do lançamento no Brasil de Palavra e utopia, do premiado cineasta português Manoel de Oliveira, na realização deste filme o diretor “com a disposição de um cruzado, parece relembrar (…) que a experiência humana precisa de ser estruturada pela linguagem para fazer sentido”. Obra desenrolada num ritmo bastante diferente daquele ao qual nos habituou a cinematografia norte-americana e a televisão, para o crítico do Estadão o que está em causa é a opção por investir num “cinema profundo quando a preferência é pela superficialidade”, concluindo que “esta cinebiografia livre do Padre António Vieira é um sóbrio retorno aos fundamentos do cinema, aqueles que valorizam a beleza de um plano bem construído, que privilegiam a sonoridade da palavra e a força da interpretação dos atores”, retorno que, por sua vez, “reafirma a fé num cinema cuja imagem mais vibrante é a da literatura”. Como se vê, trata-se de uma obra marcada por intercâmbios entre linguagens estéticas distintas que, entretanto, privilegiam a expressão verbal como forma de produção de significados. Se quiser saber mais informações sobre esse filme, visite o site a ele dedicado.

literatura é pra se ler ou pra se ensinar? literatura é pra curtir ou pra aprender? aliás, literatura é pra que mesmo?…

março 20, 2010 às 0:35 | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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literatura

Nossos cursos se iniciaram com a aplicação de um Questionário Metapedagógico (clique ao lado para baixá-lo), atividade através da qual pretendemos levantar elementos para construir uma visão crítica sobre como concebemos o ensino-aprendizado da literatura. Um trabalho do qual também se espera a liberação de forças criativas que possamos investir em nosso aperfeiçoamento cultural e profissional, gerando novas ferramentas para a reinvenção da realidade – uma mágica que só a ação educativa pode consumar… Para aquel@s que não conseguiram fotocopiar o capítulo recomendado de William Cereja, o LUSOLEITURAS oferece a possibilidade de ler a tese de Doutoramento deste autor, cujo conteúdo é quase idêntico ao do livro – clique AQUI. Uma das diferenças entre a tese e o livro pode ser especialmente interessante para @s estudantes da Literatura Portuguesa II: Cereja dedica-se no capítulo 3 a realizar um estudo crítico de alguns dos mais famosos manuais de ensino de literatura voltados para o ensino médio, focalizando justamente as abordagens feitas ao Barroco.   

as linguagens de Pessoa & as diferenças linguísticas luso-brasileiras

novembro 19, 2009 às 17:45 | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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estas a percber2

Segue abaixo um interessante artigo que tanto aprofunda algumas das questões discutidas na última aula da LitPort 3 sobre a poética pessoana, especificando procedimentos linguísticos que a caracterizam, quanto levanta questões muito úteis para a reflexão que estamos desenvolvendo na LitPort 1 acerca dos intercâmbios e desencontros identitários entre Brasil e Portugal. De quebra, clicando na imagem acima você pode visitar o blogue ESTÁS A PERCEBER? e acessar um ótimo glossário que explicita as grandes diferenças lexicais e semânticas entre o português da terra de Fernando Pessoa e a língua que falamos aqui no Brasil.   

O acordo ortográfico e a saudade de nós mesmos

Heron Moura

O recente acordo ortográfico com os países de língua portuguesa despertou sensações já adormecidas em relação a Portugal. A reforma é percebida como algo que vai aproximar o Brasil do país que nos colonizou; mudanças de ortografia são vistas como um meio de superar o oceano que nos separa (curiosamente, uma mesma sensação não se impõe em relação aos países africanos de fala portuguesa).

Há um sentimento disperso de que algo que se perdeu no passado pode de novo ser encontrado – uma identidade luso-brasileira. Muitas pessoas crêem firmemente que, com o acordo, o português de Portugal vai ficar mais parecido com o português que se fala aqui – como se as letras e os acentos tivessem um estranho poder sobre a articulação das palavras.
É um sonho de volta às origens, de recuperação de uma identidade perdida. Perdemos o trema, mas em compensação o nosso pai, Portugal, está mais próximo de nós. Toda essa emoção não revela também o desejo de dominar o nosso pai, controlando a sua forma de falar?

Na verdade, a reforma ortográfica é um fato político, e não um acontecimento lingüístico. As diferentes línguas (do Brasil, de Portugal e dos países africanos que falam o português) continuarão seus caminhos distintos. Em especial, o português de Portugal soará cada vez mais estranho para nós, brasileiros. A nossa língua, o português do Brasil, evolui num sentido diferente do português europeu. A gramática deles não é a nossa, o léxico muda muito, a forma de articular as palavras é diferente. Ainda nos compreendemos mutuamente, é claro, mas não é certo que essa inter-comunicação possa durar para sempre. Temos que aceitar essa perda de identidade; o Brasil é suficientemente adulto para não precisar de pai. Fica o afeto, mas já acabou a identificação. Portugal é um importante aliado político, mas isso basta.

Nossa separação de Portugal é intensa, profunda. Por exemplo, a literatura produzida aqui é radicalmente diferente da produzida lá. E isso não apenas em função de valores culturais e estéticos discrepantes. A poesia da língua é diferente.

A literatura que se faz lá explora recursos lingüísticos distintos do que exploramos aqui. Quem aprecia a literatura portuguesa o faz percebendo a diferença lingüística da que se faz no Brasil. A poesia da língua é outra.

Mas a literatura tem o poder de evocar uma identidade subliminar, secreta. Ao ler uma frase literária de um bom autor português, sentimos saudades de nós mesmos. Lamento que toda essa celeuma em torno da reforma ortográfica não tenha tocado na questão da identidade literária de nossos países.

Nunca nenhum escritor brasileiro jamais poderia ter escrito como Fernando Pessoa. Não por razões espirituais ou culturais, mas simplesmente porque ele utiliza um material (a língua de Portugal!) que não está disponível para os brasileiros, assim como a nossa língua não está ao dispor dos autores portugueses.

Vou dar exemplos de prosa dessa poesia da língua que Fernando Pessoa constrói com maestria. Os trechos são do Livro do Desassossego.

“Quão pouco, no mundo real, forma o suporte das melhores meditações. O ter chegado tarde para almoçar, o terem-se acabado os fósforos, o ter eu atirado, individualmente, a caixa para a rua, maldisposto por ter comido fora de horas, ser domingo a promessa aérea de um poente mau, o não ser ninguém no mundo, e toda a metafísica”.

A poesia da língua aí consiste em o poeta usar, artisticamente, um recurso próprio do português de Portugal: a nominalização de tempos verbais compostos (“o ter chegado tarde para almoçar”), que transforma uma marcação de tempo num substantivo. O que acontece vira uma coisa, um ser, que afeta a vida do poeta. E também, requinte do português continental, a nominalização de tempos verbais com infinitivo flexionado: “o terem-se acabado os fósforos”. Há toda uma poesia secreta no infinitivo flexionado!

Vou agora mostrar um segundo tipo de poesia da língua: “Recebi o anúncio da manhã, a pouca luz fria que dá um vago azul branco ao horizonte que se revela, como um beijo de gratidão das coisas.”

Fernando Pessoa usa compulsivamente a estrutura Adjetivo + Substantivo + Adjetivo, como em “a pouca luz fria” e “vago azul branco”. Isso dá um ritmo ligeiramente entorpecente à sua escrita, e o permite trazer à tona o mais imperceptível traço de um adjetivo. É claro que no português do Brasil usamos também a anteposição de adjetivos, com efeitos semânticos importantes (como em “pobre homem” x “homem pobre”), mas nem de longe essa construção é tão comum como no português de Portugal: a tríade “vago”, “azul” e “branco” soa muito bem em Portugal. No Brasil, seria pedante e artificial. Só esse tipo de construção já marca claramente a fala literária de Pessoa (e de todos seus heterônimos!). “Breve sombra escura de uma árvore citadina”.

Um último exemplo de construção dessa poesia da língua (mas há vários outros): “Quando durmo muitos sonhos, venho para a rua, de olhos abertos, ainda com o rastro e a segurança deles”. Ah, como a literatura de Fernando Pessoa é arquitetada sobre esses pronomes anafóricos (“deles”), nessas retomadas de uma palavra anterior, numa circularidade que permite remoer a metafísica de cada coisa, para uma eterna “consciência de mim”. Outra mostra desse vício dos pronomes anafóricos (que retomam uma palavra citada antes): “Nem tenho nada no meu passado que relembre com o desejo inútil de o repetir”. Que prazer lingüístico tem o poeta de retomar o passado com o pronome oblíquo “o”, ainda que não deseje reviver o passado!

Escolhi três tipos de construções que marcam a língua de Fernando Pessoa como uma linguagem diferente da nossa. Nenhum brasileiro escreveria assim, e se o fizesse, soaria extemporâneo. O português de Portugal gera outra poesia da língua, que nos é alheia.
No entanto, ao ler o Livro de Desassossego, sobre a vida mesquinha do funcionário Bernardo Soares, herói só em sonho (”Quantos Césares fui, mas não dos reais”), nos apropriamos dessa linguagem estranha como se fosse nossa. A literatura alheia se torna nossa; a vida alheia se funde a nós mesmos. O português de Portugal volta a ser o português de nossa boca.

Tudo o que o acordo ortográfico não poderá fazer, é realizável através da literatura. Não é na ortografia que está a vida, mas na fusão de som e sentido. Quando lemos oLivro do Desassossego, temos saudades de nós mesmos. E o Bernardo Soares da Rua dos Douradores está bem aqui, na Mauro Ramos ou na Conselheiro Mafra. Essa mesma melancolia tão distante e tão próxima.

(Publicado no Diário Catarinense, em 7 de fevereiro de 2009).

fernando_pessoa oculos

Pessoa: uma poética do vazio & da ausência

novembro 15, 2009 às 18:00 | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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A propósito das relações entre linguagem, subjetividade e literatura, discute Leyla Perrone-Moisés:

Na poesia, como mostra Jákobson, “não só a própria mensagem, mas igualmente seu destinatário e seu remetente se tornam ambíguos. Além do autor e do leitor, existe o ‘Eu’ do herói lírico ou do narrador fictício e o ‘tu’ ou ‘vós’ do suposto destinatário (…) Qualquer mensagem poética é, virtualmente, como que um discurso citado, com todos os problemas peculiares e intricados que o ‘discurso dentro do discurso’ oferece ao linguista” (in: Linguística e comunicação).

A experiência de Pessoa, nesse campo, é uma das mais agudas e constantes de que se tem notícia. Sua poesia toda tematiza esse saber de linguagem: a linguagem como ausência da coisa e, sobretudo, como ausência do Eu, que não tem nem mesmo um referente estável.

 

Aprofundando a discussão da professora Leyla, podemos propor que a escrita poética de Fernando Pessoa produziu aquilo que Jacques Lacan denominou de “alíngua”, categoria proposta para descrever o “abismo entre o inconsciente e o consciente”, nas palavras do blogueiro Marcos Vinícius. Leia mais sobre esse assunto na postagem A alíngua: ligação entre o consciente e o inconsciente, pendurada no blogue SOCIEDADE E LÍNGUA.

Também vale a pena procurar no Arquivo Pessoa por poemas que possam exemplificar, de maneira mais nítida, essa tematização da ausência a que se refere Perrone-Moisés, tal como este trecho do Fausto – Tragédia subjetiva, uma das primeiras obras de Fernando Pessoa.

pessoa M2

literaturas lusófonas & exaltação das diferenças

novembro 15, 2009 às 10:46 | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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lapis lusofono

Livro "Desacordo Ortográfico" quer provocar e valorizar diferenças na língua

 

Rio de Janeiro, 12 nov 2009 – Uma provocação ao acordo ortográfico é como o escritor gaúcho Reginaldo Pujol Filho define a antologia "Desacordo Ortográfico", organizada por ele e que será lançada pela Não Editora, no dia 13, em Porto Alegre.

"A ideia do acordo ortográfico de unificação não vai a favor da literatura", afirmou à Agência Lusa o organizador do livro, que reúne autores como os brasileiros Altair Martins, Luis Fernando Veríssimo, Manoel de Barros e Marcelino Freire, os portugueses Gonçalo M. Tavares, Patrícia Reis, João Pedro Mésseder, Luís Filipe Cristóvão e Patrícia Portela, os angolanos Ondjaki, Luandino Vieira e Pepetela, os moçambicanos Nelson Saúte e Rogério Manjate e a são tomense Olinda Beja, entre outros.

É uma exaltação da diferença, explica Pujol Filho. O projeto do "desacordo" não pretende se opor ao acordo, mas sim provocar e valorizar as diferenças na língua portuguesa. "Essa ideologia que rege esse tipo de acordo vai contra os escritores, que querem romper, transgredir, que querem trazer uma nova forma, um novo jeito de escrever", afirma o gaúcho. Na verdade, o que se quer é fazer uma homenagem à língua-mãe.

Segundo o organizador da antologia, as discussões econômicas têm o pensamento de unificação "de que as melhores coisas são as iguais". Porém, defende, "a literatura fica num campo à parte, no campo do estranho, da tentativa". Pujol Filho destacou a plasticidade da língua portuguesa e como ela propicia a formação de neologismos, "como fazem o Luandino Vieira e o Ondjaki".

Sem brigas

"Não vamos brigar e não vamos mudar o acordo. Acreditamos que a diferença é mais legal do que ser igual", afirmou. Para ele, o sentido de "aceitar as diferenças" se insere em um projeto ambicioso de reunir pessoas talentosas que ainda não foram publicadas no Brasil.

"Tem gente chata que quer tirar o prazer de ler o ‘contacto’ com ‘c’ do Tavares, vamos ter que ler contato. O mais legal é ler os textos com a diferença", ressaltou o gaúcho, ao explicar que o critério para a escolha dos trabalhos para o livro era que os autores estivessem vivos. Mas também foram adotados critérios subjetivos, "autores que me cativam pela linguagem, que me surpreendem com sensibilidade e sutileza, com jeito próprio de trabalhar a linguagem", afirmou. O livro, que levou um ano e meio para ser organizado, reúne contos e poemas e será lançado primeiro em Porto Alegre, mas ainda poderá ser divulgado em outras capitais brasileiras.

"Outro lado"

O projeto do "desacordo", idealizado por Pujol Filho em 2007, tem ainda a meta de alcançar "o outro lado" e extrapolar os limites nacionais do Brasil com outros países lusófonos. “Desacordos-desencontros são vias necessárias para chegar aos acordos-encontros que todos procuramos", destacou Pepetela em comentário escrito sobre o "desacordo"

acordo ortografixo expresso[clique na imagem e visite o blogue PÁGINA UM]

FONTE: UOL

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