Pessoa tropical

setembro 29, 2009 às 14:17 | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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Fernando Pessoa 4

Lisboa, 27 Nov 2008 (Lusa)

Fernando Pessoa foi comparado a Homero e a sua influência reconhecida em poetas como Carlos Drummond de Andrade e Cecília Meireles e movimentos culturais como o Tropicalismo, por professores e ensaístas brasileiros, quarta-feira, em Lisboa.

“Heródoto diz que na `Ilíada` Homero, num certo sentido, criou a Grécia e criou os deuses da Grécia, quer dizer, na verdade, o grande feito do poeta não é o feito que ele está relatando, o grande feito é o próprio poema”, disse o poeta, ensaísta e letrista António Cícero, numa sessão do I Congresso Internacional Fernando Pessoa, que decorre até sexta-feira em Lisboa.

Nesse sentido – prosseguiu – “o poema `Mensagem`, de Fernando Pessoa, criou um Portugal diferente do que havia antes dele ser escrito, assim como fez Homero com a própria Grécia”.

Segundo António Cícero, em Homero como em Pessoa, “o próprio poema é mais importante que a realidade que o precede”, seja a Guerra de Tróia ou um país chamado Portugal.

O Tropicalismo, movimento surgido no Brasil, no final da década de 1960, que começou na música popular e no cinema “mas acabou tendo uma influência muito grande sobre todos os aspectos da cultura brasileira”, tem na base “um certo messianismo”, defendeu Cícero, cujas letras foram cantadas por Adriana Calcanhotto, Gal Costa, Zizi Possi e Caetano Veloso, entre outros.

Músico e compositor baiano que foi um dos nomes maiores do Tropicalismo, “Caetano conta que uma das principais influências que sofreu foi de Agostinho da Silva, um professor português, um intelectual, um pensador, que havia emigrado para o Brasil, onde deu aulas”, e em cujos ensaios ele reconhecia “um certo messianismo que derivava imediatamente de Fernando Pessoa”, referiu.

A Caetano, que lera “Mensagem” na faculdade, impressionara-o sobretudo o facto de Fernando Pessoa “ser capaz, ao parecer constituir a fundação mesma da língua portuguesa ou sua justificação última, de dar vida digna a esse mito”, citou o ensaísta.

“Como Eduardo Lourenço explicou brilhantemente – acrescentou – `Mensagem` não pode ser entendido como estritamente nacionalista”.

“Devemos pensar em `Mensagem` como o poema fundador da totalidade linguística lusófona”, frisou António Cicero, na mesa-redonda sobre a influência de Fernando Pessoa na cultura brasileira em que participaram também as professoras Leyla Perrone-Moisés e Maria Lúcia Dal Farra.

Para demonstrar “a clara influência de Pessoa” na poesia de Carlos Drummond de Andrade – “unanimemente considerado um dos dois maiores poetas brasileiros do século XX, a par de João Cabral de Melo Neto” – Leyla Perrone-Moisés leu dois poemas de Drummond, do livro “Claro Enigma” (1951), um dos quais intitulado “Sonetilho do Falso Fernando Pessoa”.

Em seguida, comparou dois poemas de Pessoa e Drummond, “Tabacaria” e “A Máquina do Mundo”, respectivamente, dizendo que “embora muito diversos, são ambos extensos, narrativos, e embora ambos reflictam sobre o universo, Pessoa `está na vida sentada`, é um espectador do mundo, e Drummond caminha `na estrada pedregosa`, é um caminhante no mundo”.

Por sua vez, a professora de Literatura Maria Lúcia Dal Farra (UFS) contou a história da admiração da poetisa brasileira Cecília Meireles por Fernando Pessoa, que a levou mesmo a combinar um encontro com o poeta em 1934, na Brasileira do Chiado, em Lisboa, onde viera para falar de literatura brasileira.

Esperou duas horas e ele não apareceu, mas enviou uma mensagem a justificar a sua ausência: “Culpa do horóscopo!”, relatou Maria Lúcia Dal Farra, provocando o riso na audiência.

“Em contrapartida – indicou – enviou-lhe um exemplar de `Mensagem`, que deve ter sido um dos primeiros, com autógrafo de 10 de Dezembro de 1934, a mesma data dos oferecidos a Ophélia e a Carlos Queiroz”, sobrinho de Ophélia e jovem poeta amigo de Pessoa.

Por isso, “Cecília Meireles deve ter sido a primeira leitora de `Mensagem` no Brasil”, observou.

A professora leu trechos de poemas dela influenciados por Pessoa e um comentário de um crítico literário brasileiro que afirmou que ela “passara a imitar simiescamente Fernando Pessoa”, ao que ela respondeu que era mais uma de suas “ruindades”.

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