extensão & cultura

outubro 29, 2009 às 11:30 | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
Tags: , , , , , ,

extensao&cultura

Mais um evento na nossa universidade que põe em primeiro plano as pesquisas voltadas para as questões identitárias. Clicando na imagem acima, ou logo ao lado, visite o sítio da VI Semana de Extensão, nesta edição desenvolvendo o tema Extensão e Cultura, e confira a diversificada programação que se estende por todos os campi da UFS. Em Itabaiana, terão lugar apresentações artísticas, oficinas, mini-cursos, palestras & exposições  que abordam as expressões da cultura em suas múltiplas dimensões: como performance, como ritual, como produção de artefatos e de saberes, como técnicas, memórias e vida cotidiana. A organização da VI Semana convida os estudantes interessados a trabalhar como monitores do evento, quem quiser se inscrever procure a pedagoga Luciane na Secretaria dos Núcleos. Também ainda existe espaço para a inclusão na programação de entidades e atividades artísticas representativas da cultura sergipana, se você conhece algum grupo, contate a Luciane. 

No mini-curso que estarei oferecendo entre os dias 6 e 7 de novembro, focalizaremos uma obra literária – o romance A gloriosa família, do escritor angolano Pepetela — na qual ficção e história se entrelaçam para a construção de um olhar inovador sobre o passado colonial partilhado por Brasil e Angola, colocando em destaque o ponto de vista de um africano escravizado sobre o sistema cultural e político a partir do qual foram geradas essas nações. Em paralelo a esse trabalho de releitura crítica da história, o romance de Pepetela proporciona um eloquente testemunho sobre a luta do oprimido contra as forças que pretendem desumanizá-lo, sobretudo as ideologias racistas, mostrando como a aparente passividade pode converter-se numa poderosa arma de resistência e de resgate da dignidade. Laureado com o Prêmio Camões em 1997, largamente reconhecido como um dos mais importantes autores da Literatura Angolana, contando com várias edições de suas obras no Brasil, Pepetela  também está entre os escritores africanos mais estudados nas universidades brasileiras. O romance que discutiremos já integrou a lista de textos literários recomendados para o vestibular da Universidade Federal da Bahia, existindo uma ampla bibliografia analítica, inclusive disponível na web, acerca dele. Novas postagens serão feitas em breve no LUSOLEITURAS e no MUJIMBO (clique aqui e saiba muito mais sobre Angola), tendo em vista oferecer suporte ao mini-curso.  

 A_GLORIOSA_FAMILIA_1231100185P

         angola_bandeira         pepetela-red

sobre os relatórios

outubro 26, 2009 às 19:48 | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
Tags: , ,

rosaventos1

No que diz respeito à composição dos relatórios, reitero a seguir algumas orientações básicas que sintetizam aquilo já sugerido em classe.

O relatório pode ser estruturado de acordo com os seguintes tópicos:

* INTRODUÇÃO: apresentação de conceitos  teóricos ou dados contextuais relevantes para a compreensão do tema.

* DESENVOLVIMENTO:

  a) resumo do texto teórico (+ referência bibliográfica)

  b) resumo do texto midiático   (+ referência bibliográfica)

  c) análise do(s) texto(s) literário(s), na qual seja colocada em destaque a relação entre o texto selecionado e o tema do curso (isto é, Modernidade Portuguesa e a obra de Fernando Pessoa, para a LitPort3; Narrativas Fundadoras Luso-Brasileiras, para a LitPort1)

De maneira a dar mais substância ao relatório, é importante acrescentar aos resumos uma breve justificativa da equipe para a escolha daqueles textos: o que houve neles de especial que chamou a atenção durante a pesquisa? qual enfoque ou recorte especialmente interessante o texto realiza sobre o tema?

Para finalizar, pode-se fazer uma relação bibliográfica de todos os textos utilizados pela equipe para montar a apresentação. No relatório, basta resumir/analisar aqueles que a equipe elegeu como os principais.

Mais da metade dos professores reconhece falhas em cursos de formação, aponta pesquisa

outubro 24, 2009 às 20:27 | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
Tags: ,

Daniel Mello, da Agência Brasil, 23/10

Os cursos de formação inicial não contemplam todas as competências necessárias para ser professor, na opinião de 51% dos 3.512 educadores de ensino básico entrevistados para a pesquisa A Formação e a Iniciação Profissional do Professor. Apenas 18% disseram acreditar que as faculdades oferecem toda a capacitação necessária, enquanto 30% não tinham opinião sobre a questão.

O levantamento, divulgado hoje (22), foi elaborado pela Organização dos Estados Ibero-Americanos e a Fundação SM. A pesquisa ouviu principalmente (96%) professores da rede pública. Apesar de apontarem deficiências nos cursos, 57% deles acreditam que a formação inicial está diretamente ligada à qualidade do ensino.

"Os cursos de formação são bons. A questão é que eles ensinam coisas erradas, que não têm valia para a relação de ensino e aprendizagem que depois acontece na sala de aula", disse a responsável pela análise dos dados da pesquisa, Gisela Wajskop.

Doutora em educação, Gisela afirmou que os cursos de pedagogia revisam uma série de teorias de ensino de maneira generalista. Segundo ela, os professores não aprendem nem as técnicas para transmissão do conhecimento nem como se relacionar com os alunos. "Como o professor aprende por repetição e memorização, ele vai ensinar por repetição e por memorização".

O curso de pedagogia é responsável pela formação de 43,6% dos entrevistados. Quase o mesmo número de consultados (43%) afirmou que essa qualificação não oferece equilíbrio entre a teoria e a prática.

Os estudantes são os maiores prejudicados pela incapacidade dos professores em transmitir o conteúdo de maneira a gerar reflexão, na avaliação de Gisela. "Quem se prejudica são as crianças, os jovens e os adolescentes que aprendem apenas a memorizar noções e não se apropriam do conhecimento como instrumentos de reflexão e transformação do mundo."

Os professores, no entanto, também sofrem com a falta de preparação para lidar em sala de aula. "Imagina um menino entre 20 e 30 anos que aprendeu os teóricos da educação, mas que não aprendeu o procedimento de organizar uma turma que grita", exemplifica a educadora.

De acordo com a pesquisa, 39,7% dos professores com menos de três anos de experiência pensaram seriamente em abandonar a profissão nos últimos anos. O número cai para 25% quando se considera todas as faixas de experiência.

Estágios supervisionados e outra atividades que permitam a observação e interação do ambiente escolar são recomendações de Gisela para tentar solucionar o problema.

Na Finlândia, por exemplo, dentro das universidades existe uma escola de treinamento onde os alunos têm desde o início do curso até a experiência de trabalhar dentro de uma sala de aula, contou o professor do Instituto Finlândes de Pesquisa da Universidade de Jyväskylä, Jouni Välijärvi.

Entretanto, ele ressaltou que essa experiência tem uma duração muito curta para que o educador tenha uma noção completa da profissão. Por isso, Välijärvi explicou que o país está aprimorando a formação dos professores por meio de um sistema de estudo e discussão dentro das escolas.

"Atualmente, estamos desenvolvendo um sistema em que os professores mais velhos ajudam os mais novos quando chegam à escola. Eles discutem sobretudo que os mais jovens necessitam e estão sempre disponíveis, apoiando os mais novos e dividindo a sua experiência."

(FONTE: Jornal da Ciência)

Pessoa em múltipla escolha

outubro 23, 2009 às 17:40 | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
Tags: , , ,

hetero2

Será possível abordar de maneira objetiva e direta a poesia pessoana? O blogue Heteronomia não é Heteronímia demonstra claramente que sim, o que não implica em “facilitar” a leitura e interpretação desses textos, sempre sobrecarregados das tensões ambíguas da modernidade. De qualquer forma, vale a pena um passeio por este blogue (clique nas imagens), tendo em vista relembrar dicas básicas para a análise de textos poéticos, ou juntar informações e argumentos que possam ser úteis para desenvolver em estilo digressivo, conforme será solicitado em nossa prova, a discussão sobre a obra de Fernando Pessoa. Abaixo, fica um exemplo dos exercícios de aquecimento que o blogue aqui indicado proporciona.

hetero1

a literatura como espelho trincado do “eu”

outubro 23, 2009 às 16:07 | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
Tags: , , , , ,

pessoa olhos

A propósito das relações entre literatura, subjetividade e cultura nos contextos modernos, discute Eunice Cabral no E-Dicionário de Termos Literários:

A universalidade do sujeito individual corresponde ao dualismo espírito (alma)  / corpo na medida em que só o espiritual é universal. A espiritualidade apontada toma também a designação de racionalidade enquanto razão centrada no sujeito. Deste modo, a subjectividade adquire um valor supremo, facto cultural que tem vindo a ser criticado. Com antecessores como Marx, Nietzsche e Heidegger até contemporâneos como Bataille, Lacan, Foucault e Derrida, todos acusam a razão (vector organizativo das sociedades ocidentais), que é fundada na subjectividade universal e que é erigida como um absoluto. As obras destes autores, sendo em si muito diferentes, são estratégias para superar o positivismo da razão. (…)

De um modo mais restrito, a subjectividade, manifesta no texto literário, acompanhou o processo de descrédito já mencionado. No início da época moderna, foi encarada como um princípio libertador, fonte de confessionalismo, que se desenvolveu nas literaturas românticas mas, progressivamente, o seu impacto tem vindo a diluir-se. Desde o simbolismo, e acentuando-se com os modernismos, a subjectividade tem vindo a ser entendida como a possibilidade que o escritor tem de interpretar a vida e o mundo enquanto idiolecto de autor, visto que os aspectos subjectivos do texto literário já não dizem respeito apenas à vontade, ao entendimento e à razão de um indivíduo, o autor. Estes valores tornaram-se relativos (porque insuficientes) à luz das várias desconstruções de finais do século XIX, a de Freud, a de Marx, a de Nietzsche. Deste modo, a subjectividade tornou-se sinónimo de “impoder” pela transgressão desindividualizada. O não poder atribuído à subjectividade é uma forma de resistência ao totalitarismo da realidade, que o escritor pode optar por rejeitar. (clique AQUI e leia o verbete “subjectividade” na íntegra)

É importante notar as convergências existentes entre esta discussão e as propostas de Stuart Hall acerca dos “descentramentos”, ou das “desconstruções”, do sujeito moderno que são realizados pelos saberes filosóficos e científicos surgidos entre fins do século XIX e o início do XX. Uma referência ao descentramento operado pela teoria da linguagem de Ferdinand de Saussurre, por exemplo, pode ser identificado na noção de “idiolecto do autor”, apontada por Eunice Cabral como definidora do tipo de escrita literária que caracteriza as obras modernistas. Na poesia de Fernando Pessoa, esse idioleto, ou essa dimensão simultaneamente anônima e intimista da expressão artística moderna, representa-se principalmente naquela produção deste autor que costuma ser lida sob perspectivas esotéricas ou espiritualistas, a exemplo do famoso soneto número XIII do conjunto poemático de “Passos da cruz”:

Emissário de um rei desconhecido
Eu cumpro informes instruções de além,
E as bruscas frases que aos meus lábios vêm
Soam-me a um outro e anómalo sentido…

Inconscientemente me divido
Entre mim e a missão que o meu ser tem,
E a glória do meu Rei dá-me o desdém
Por este humano povo entre quem lido…

Não sei se existe o Rei que me mandou
Minha missão será eu a esquecer,
Meu orgulho o deserto em que em mim estou…

Mas há! Eu sinto-me altas tradições
De antes de tempo e espaço e vida e ser…
Já viram Deus as minhas sensações…

fernando_pessoa tri

Alternativamente às interpretações místicas, podemos propor que o “rei desconhecido” é uma imagem metafórica para o caráter semi-determinista das linguagens humanas, conforme este é analisado por Hall:

Nós podemos utilizar a língua para produzir significados apenas nos posicionando no interior das regras da língua e dos sistemas de significado de nossa cultura. (…) Falar [ou escrever em] uma língua não significa apenas expressar nossos pensamentos mais interiores e originais; significa também ativar a imensa gama de significados que já estão embutidos em nossa lingua e em nossos sistemas culturais.

Já do ponto de vista da crítica marxista, a imagem do rei também serviria de metáfora  para o determinismo materialista da história humana, isto é, para a preponderância dos fatores econômicos e sociais na definição de nossos destinos e de nossas personalidades. Embora distintas nas suas implicações filosóficas, ambas as propostas interpretativas aqui destacadas põem em causa a natureza supostamente autônoma do sujeito moderno, tal como era preconizada pelo Iluminismo. A poesia de Pessoa traça a imagem de um eu-vassalo, dividido entre a condição de flanêur desorientado e a de “massa de manobra”, de elemento aprisionado entre as engrenagens das multidões urbanas, conforme vislumbrou Charles Baudelaire em poemas como “As Multidões” (leia uma boa análise deste poema feita por uma estudante de Letras AQUI). Nesse sentido, o “outro e anómalo sentido” a que se refere Pessoa no poema acima pretende justamente traduzir essas experiências de diluição e de alienação que se tornam caracterizantes da condição moderna.

Por sua vez, ainda com relação ao poema XIII, é crucial observar como essa experiência alienante pode rapidamente se converter em formas de sublimação e de superação das angústias modernas. A força que inconscientemente divide a voz lírica pode ser concebida como as fantasias subconscientes que, segundo Freud, fragmentam a subjetividade, fantasias que abrem novas, e por vezes transgressivas, possibilidades de identificação, capazes de libertar o indivíduo do contexto que o oprime social e psicologicamente. Essa terceira linha interpretativa está em aparente contradição com as duas outras sugeridas, mas perceba-se que a coexistência de juízos e sentimentos contrários é uma marca essencial tanto da lírica moderna quanto da poesia heteronômica de Fernando Pessoa. Dar conta dessa multiplicidade ambígua e polivalente é um dos principais desafios que se colocam para os leitores contemporâneos desses textos. Capacidade igualmente necessária para apreciar a produção literária pós-moderna que retoma a problemática da divisão e do descentramento das subjetividades, conforme pode-se ler no famoso poema “Traduzir-se”, do brasileiro Ferreira Gullar:

Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.
Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.
Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.

Uma parte de mim
almoça e janta:
outra parte
se espanta.
Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.
Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.
Traduzir-se uma parte
na outra parte
– que é uma questão
de vida ou morte –
será arte?

 

Assista acima a bela versão de Adriana Calcanhoto, cantada numa tonalidade quase lusitana, para este poema. Aproveite o relax para organizar idéias tendo em vista responder sinteticamente à questão: quais os recursos estéticos mobilizados pela poesia de Fernando Pessoa para “traduzir” as novas subjetividades geradas pela modernidade?

Educação e desenvolvimento

outubro 23, 2009 às 12:39 | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
Tags: , ,

educação-ideologia ou direito

Elisa Pinheiro de Freitas é doutoranda em Geografia Humana na Universidade de São Paulo. Artigo publicado no "Valor Econômico", 27/8/2009

Todo o debate que coloque no centro das atenções os rumos da educação formal brasileira deve ser acolhido, analisado e, sobretudo, ser força geradora de novas reflexões. É assim que se dá com a constituição dos conhecimentos científicos e tecnológicos que dia-a-dia reestruturam as nossas formas de pensar e ver o mundo.

Contudo, é recente o despertar dos diferentes espectros sociais para as questões relativas ao campo educacional e o desvelamento das enormes fragilidades que caracterizam os sistemas de ensino na sua totalidade. Tanto que foi apenas no último decênio do século passado que se encetou a aplicação de avaliações periódicas para aferir a qualidade das nossas escolas.

Embora o Estado brasileiro na década de 1990 tenha conseguido ampliar o acesso à educação básica, as atuais avaliações têm posto em xeque a capacidade dos nossos sistemas educacionais em ofertar educação de qualidade para a grande parte da população que compõe a nossa sociedade.

Nesse sentido, o grande desafio deste século é, sem dúvida, encontrar caminhos que equacionem o binômio quantidade de vagas e qualidade nos estabelecimentos escolares.

Feitas essas considerações, há que se levantar as seguintes questões: em que medida é possível superar a falência histórica da escola pública brasileira? De que modo o precário investimento na educação compromete o pleno desenvolvimento nacional? A partir dessas observações surge um conjunto de respostas que delimitam tendências de análises e se materializam em ações governamentais.

Um dos argumentos que tem sustentado a explicação para o caos da escola pública é aquele que busca responsabilizar o professor pelo fracasso da aprendizagem do estudante. Ou seja, tem se afirmado que se o aluno não aprende é porque o educador não está devidamente preparado para enfrentar determinadas circunstâncias que são comuns ao considerar a realidade do país.

Como solucionar, então, esse dilema? Nota-se que as ações públicas mais imediatas caminham no sentido de querer propiciar melhor formação para os profissionais do magistério. E não temos dúvidas de que possibilitar ao educador uma sólida formação inicial constitui algo indispensável, mas não somente.

Adam Smith, no Livro I, capítulo 10 de sua obra "A riqueza das nações" (1776), quando discutiu as desigualdades de salários resultantes da natureza do trabalho, destacou a importância de preparar o professor com o mesmo esmero que se forma um jurista ou um médico. Ele inclusive se remeteu à Grécia antiga para explicar que, por haver naquela época poucos professores, o pagamento pelo trabalho deles era elevado.

Porém, dificultava-se à população o acesso aos saberes básicos como a leitura, escrita e o cálculo. Na medida em que há o aumento no número de docentes, o salário começa a se degradar. Mas o autor vê nesse processo algo de positivo: mais pessoas conseguem ser educadas por ter condições de pagar. O mecanismo da oferta e da procura irradia-se para além do trabalho produtivo, alcançando também o que é próprio dos serviços.

Para o processo de reprodução do capital, do desenvolvimento das forças produtivas e, consequentemente, de geração de riqueza era vital oportunizar aos trabalhadores o mínimo contato com os conhecimentos elementares. E preparar o professor constituía uma peça chave.

Posta essas colocações, a tese que defende a formação de e com qualidade do profissional que atua na escola possui um caráter verossímil. Todavia, é preciso que se associe a ela o pressuposto de que a natureza do trabalho docente não pode estar sujeita ao tempo imposto pelo capital. Por diferentes razões.

Primeiro, não é possível ao professor, com uma extensa jornada de trabalho e com um número elevado de alunos sob sua tutela, dispor de tempo para aprimorar-se intelectualmente.

Segundo, educar alguém implica não simplesmente instrumentalizá-lo para o exercício de tarefas específicas, mas, sobretudo, ampará-lo na construção de uma consciência mais ampliada de si e do mundo que o cerca. Ler, escrever e calcular deve ser meio, e não o fim último do processo educativo. Por isso, formar é uma tarefa similar à do artesão. Para este, cada peça criada é singular e o processo de constituição da mesma exige uma temporalidade distinta daquela que impera na indústria.

E, por fim, o terceiro ponto: a instituição escolar não é e nem pode ser concebida como uma fábrica, na qual cada estudante passa por uma espécie de "linha de produção" em que recebe as instruções básicas transmitidas pelo professor. A escola é uma instituição que transcendeu os séculos, porque a elegeram como sendo um meio para se atingir a humanização dos homens. Nesta perspectiva, faz sentido fortalecer a escola pública, dando a ela as condições materiais para que esses ideais não se dissolvam. E o Estado deve assumir o papel de grande investidor dessa instituição e não se deixar conduzir pelos princípios que norteiam a esfera privada.

Há que salientar que o desenvolvimento do Brasil foi profundamente comprometido no decorrer de sua formação por conta da ausência de estabelecimentos de ensino, como assinalou Caio Prado Jr. em sua História Econômica do Brasil (1945). Ele pôs em relevo que a administração pública manteve o país num regime totalmente isolado, dificultando o intercâmbio com outras nações mais bem aparelhadas. Além disso, o sistema de ensino ineficiente contribuiu para o baixo nível intelectual da população, fato este que interferiu diretamente na economia do país.

Logo, privar hoje a população brasileira de uma educação mais elaborada é optar pela subserviência do país no plano internacional. E nada pode ser mais desolador e nefasto para um país do que uma população inculta e pouco civilizada, haja vista que o verdadeiro desenvolvimento nacional, seja nas áreas culturais, científicas e tecnológicas, passa por uma escolha política que priorize a elevação intelectual de seu povo. Se esses princípios não forem contemplados, as nossas escolas públicas continuarão a amargar com os seus baixos índices qualitativos.

FONTE: Jornal da Ciência

Salário de professor da escola pública cresceu 53% em cinco anos, aponta MEC

outubro 23, 2009 às 12:28 | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
Tags: , , ,

Amanda Cieglinski, 17 de Outubro de 2009, Agência Brasil

Brasília – Levantamento divulgado pelo Ministério da Educação (MEC) aponta que a média salarial dos professores de escolas públicas da educação básica no Brasil cresceu de R$ 994 para R$ 1.527 entre 2003 e 2008, um aumento de 53% em cinco anos. Entretanto, as distorções permanecem: enquanto um professor de Pernambuco recebeu em 2008 um salário médio de R$ 982, no Distrito Federal a média chega a R$ 3.360. Os valores foram calculados para uma jornada de 40 horas semanais.
Para a secretária de Educação Básica do MEC, Maria do Pilar Lacerda, as disparidades salariais pesam na decisão de um jovem sobre seguir ou não a carreira. Hoje, uma das maiores dificuldades do magistério é atrair novos talentos. Mas ela defende que a criação de um piso nacional para professores traz uma nova perspectiva para futuras gerações.
“Os jovens querem uma boa carreira em termos financeiros, mas também um bom ambiente de trabalho. Nós achamos que o que mais seduzirá os jovens para essa carreira se tivermos uma educação de qualidade”, defende.
O estudo mostra ainda que a diferença entre o salário dos docentes e de outros profissionais com o mesmo nível de formação (ensino superior pelo menos incompleto) tem diminuído. Em 2003, trabalhadores que não eram docentes ganhavam 1,86 vez melhor do que os educadores. Em 2008, a diferença caiu para 1,53.
Para o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Roberto Leão, os valores divulgados pelo MEC não condizem com a realidade. “Eu acho um absurdo, não sei de onde o ministério tirou esses dados. Eles não batem com a realidade do professor brasileiro. Para você ter uma idéia, eu tenho 30 anos de magistério e ganho R$ 2,5 mil”, disse. A CNTE pretende divulgar uma resposta oficial sobre essa pesquisa após analisar os dados.
“Houve alguma leitura equivocada da pesquisa ou uma metodologia incorreta, porque na prática não é assim”, defendeu.

a literatura como instrumento de leitura do “jogo de identidades”

outubro 23, 2009 às 12:08 | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
Tags: , , , ,

 

Num livro seminal para os estudos literários no Brasil, o crítico Antonio Candido afirma, a propósito do trabalho de leitura e interpretação do texto ficcional, que este não pode se limitar “a indicar a ordenação das partes, o ritmo da composição, as constantes do estilo, as imagens, fontes, influências”. Para Candido, a caracterização estética constitui procedimentos auxiliares para um trabalho maior, que consiste em “analisar a visão que a obra exprime do homem, a posição em face dos temas, através dos quais se manifestam o espírito ou a sociedade”. É portanto imprescindível para a aquisição de genuína competência na discussão ou na exploração pedagógica da literatura observar, como enfatiza Candido, que um “poema revela sentimentos, idéias, experiências;  um romance revela isto mesmo, com mais amplitude e menos concentração.  Um e outro valem, todavia, não por copiar a vida, como pensaria, no limite, um crítico não-literário; nem por criar uma expressão sem conteúdo, como pensaria, também no limite, um formalista radical.  Valem porque inventam uma vida nova, segundo a organização formal, tanto quanto possível nova, que a imaginação imprime ao seu objeto”. [In: Formação da literatura brasileira (momentos decisivos). “Introdução”.]

livro fios

Reconstruir essas relações, ou essa tessitura, entre expressão formal e conteúdo existencial, entre texto imaginativo e mundo real, tem solicitado das várias gerações de pesquisadores da literatura a adoção de perspectivas e métodos também diversificados. No que diz respeito à abordagem das questões identitárias e culturalistas, vem se destacando a importância de um olhar interpretativo capaz de identificar a representação de valores fundacionais das sociedades, ou as maneiras como heranças e tradições culturais são tematizadas no texto literário. Algumas indicações valiosas para esses estudos encontram-se sintetizados no artigo de Heloisa Toller GOMES “Questões coloniais e pós coloniais no tratamento (literário) da etnicidade”, disponível AQUI.

Brasil & Portugal: polêmicas & ressentimentos

outubro 18, 2009 às 10:39 | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
Tags: , , , , , , , ,

Como se pode observar no artigo abaixo do jornalista Clóvis Rossi, novamente os incidentes entre brasileiros e portugueses fazem emergir diversas imagens identitárias que refletem, sobretudo quando buscamos lê-las em seus reversos, os traumas não-resolvidos do passado colonial. Um ótimo exercício para @s estudantes da LitPort1 seria compor uma breve redação discutindo a polêmica em causa e posicionando-se quanto a ela. Que motivos teriam os brasileiros para cultivar tanto rancor em relação ao povo que, alegadamente, nos “descobriu”? Como entender a postura portuguesa de repúdio a esses sentimentos?

piadas-portugues

Brasileiros e portugueses, nada a ver

Clóvis Rossi, Folha de São Paulo, 14/10/2009

O comentário sobre a irritação dos portugueses com um vídeo gravado pela atriz Maitê Proença para o “Saia Justa”, do canal a cabo GNT, provocou um tsunami de correspondência, recorde absoluto neste mês e meio em que a “Janela” está aberta. Sou, portanto, obrigado a voltar a ele. (leia AQUI o primeiro artigo de Rossi sobre essa questão)

Primeiro, um esclarecimento: o que mais doeu nos portugueses foi o fato de Maitê ter cuspido em uma fonte do Mosteiro dos Jerónimos, patrimônio da humanidade.

Escreve, por exemplo, José Elias, português e fotógrafo de patrimônio histórico e cultural: “Este sim [cuspir na fonte] é talvez o acto mais ofensivo para os portugueses. A degradação e o desrespeito para com os nossos símbolos nacionais. Poderá ser apenas um edifício, é verdade, mas desculpem lá termos alguma estima por ele”.

Está perfeitamente desculpado, José Elias.

E também peço desculpas por ter omitido esse aspecto na “Janela” de ontem. É uma questão de diferença de sensibilidade: os brasileiros estamos tão arqui-acostumados a ver monumentos cuspidos, escarrados, urinados etc, que não nos chocamos mais com isso.

No meu caso, sou dos que não sacralizam monumentos, mas deveria ter percebido que outras pessoas, de qualquer nacionalidade, inclusive brasileiros, podem ter outra sensibilidade – provavelmente mais adequada que a minha. Ou, como escreve outro leitor português, Eduardo Miguel Sequeira, “piadas, nós entendemos, cuspir em monumentos é outra conversa”.

Nem todo português ou descendente aceita tão tranquilamente as piadas que os brasileiros fazemos abusivamente em relação aos portugueses, do que dá testemunho a jornalista Cristina Silva Rosa, da Agência Lusa de notícias: “Sou filha de portugueses, cresci ouvindo que os portugueses são burros e ficava sempre muito triste e chateada com isso. Quando ouvi os comentários da sra. Maitê, lembrei-me dos tempos de colégio Sion, em São Paulo, em que tinha de aturar as piadas maldosas dos meus colegas de turma sobre os patrícios”, reclama. “Acho que devemos respeitar para sermos respeitados”. (assista o VÍDEO de Maitê Proença em Portugal)

Reforça Carlos Costa Rodrigues, que começa afirmando com toda a razão que “não temos [os portugueses] medo do ridículo. Temos medo sim, da falta de criatividade”, que é um dos grandes pecados do vídeo.

Acrescenta: “Concordo também consigo que o português é extremamente sensível aos comentários que fazem (sejam de brasileiros ou não), mas quem conhece a história de Portugal perceberá que nos últimos séculos fomos ‘achincalhados’ muitas vezes por outros povos (Invasões Espanholas e Francesas, Ultimato Inglês, Guerra Colonial em África) e aquilo que sempre ficou, foi o nosso orgulho (…). No fundo, adoramos ser portugueses. E quando nos juntamos em prol de uma causa, viramos uma família enorme, em que a orientação sexual, a religião, a militância partidária e outros tantos factores de distinção deixam de fazer sentido. Quando defendemos um dos ‘nossos’ ou a ‘nossa’ memória colectiva’ viramos animais irracionais”.

Pena que parte da correspondência tenha sido xingamento puro, em vez de argumentos. É desgraçadamente uma característica usual na internet. Mas o que sobrou de comentários inteligentes daria para escrever um verdadeiro tratado sobre a relação brasileiros/portugueses, ao rés-do-chão, não institucionalmente entre os dois países, que goza de excelente saúde.

Como tratado não cabe aqui, algumas pinceladas apenas sobre o poço de mágoa que há de parte a parte.

João Passos, descendente de brasileiros, casado há 20 anos com brasileira, acha que “o Brasil sofre da síndrome da vergonha das origens. O processo de independência fomentou-o e tornou-se vox populi que se o Brasil é como é se deve à colonização portuguesa; antes tivesse sido colonizado pela Holanda ou Inglaterra, mais inteligentes com certeza”.

Há ataques mais agudos, como o de Bruno Filipe para quem “a única coisa a que os portugueses são sensíveis em relação aos brasileiros é á extrema falsidade que se percebe nos seus rostos. Os brasileiros são em geral um povo falso. (…) O Brasil para a maior parte de nós portugueses e diria mesmo para a maior parte do mundo ocidental não passa de um país de miséria, criminalidade e de 3º mundo, que tenta, tenta, tenta mas nunca consegue chegar a lado nenhum, nem nunca conseguirá pela sua falta de auto-estima e princípios básicos civilizacionais”.

Pensa que é opinião isolada de algum português preconceituoso? Então, leia o seguinte trecho da coluna de Clara Ferreira Alves, no respeitado semanário “Expresso”, publicada dia 9 passado, a propósito da atribuição ao Brasil dos Jogos Olímpicos de 2016:

“Expeditos cariocas hão-de arranjar modo de saltar o muro e vender mais droga, assaltar mais turista, trocar mais tiro e limpar o sebo a mais bope [se alguém souber o que essa expressão significa, favor me contar]. Vender-se-á mais samba e bossa nova, mais cocada na praia, mais pastelinho em Copacabana, mais mulata em hotel, mais criança para tarado”.

Bom, ainda há a imagem da brasileira em geral como prostituta. Escreve, por exemplo, Carlos Matias: “Existe, sim, esse preconceito em relação às brasileiras. Acontece que aqui a prostituição está repleta de brasileiras. A prostituição tem sotaque brasileiro. É um facto. Temos culpa disso?

Contra-ataca Cintia Rubly: “Como brasileira que reside em Lisboa há três anos, será que também devo começar a exigir um pedido de desculpas de cada português que me trata como prostituta pelo simples fato de ser brasileira? E não falo só por mim, falo por todas as brasileiras que são diariamente discriminadas e nada acontece. O que a Maitê fala no vídeo não é nada perto das coisas que nós, brasileiras e brasileiros, ouvimos na terrinha’.

Pelo jeito, o tal de acordo ortográfico é absolutamente insuficiente para que brasileiros e portugueses falem a mesma língua.

piada brasileiro

PROVA adiada, REDAÇÃO mantida: orientações

outubro 18, 2009 às 2:25 | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
Tags: , , , ,

persistencia da memoria_DALI 

(“A persistência da memória”, Salvador DALI, 1931)

De maneira a ganharmos mais um dia de aula para discutirmos os textos, nossas provas, tanto na LitPort1 quanto na LitPort3, ficam adiadas para o dia 30/10, data na qual, impreterivelmente, também devem ser entregues os relatórios das apresentações. Igualmente inadiável é a entrega da segunda redação no dia 23/10. Recordo que o tema da mesma é uma avaliação pessoal, feita por cada estudante, do conjunto das apresentações, devendo também ser feitas as indicações, seguidas de justificativa, do tema que mais interessou ao/à estudante e da equipe que, em sua opinião, melhor se apresentou. A redação deve ter duas (2) páginas, sendo precedida apenas de um cabeçalho com a identificação do/da estudante, data e título da redação. Preferencialmente, encaminhem a redação, em documento Word, para o meu email.

É recomendável estar consultando o blogue com assiduidade pois novas postagens com dicas e sugestões de leituras se tornarão mais frequentes nesses próximos dias, especialmente a partir do próximo final de semana. Desde já, para @s estudantes da LitPort3, fica para reflexão um poema de Álvaro de Campos que coloca em foco as percepções contraditórias quanto à passagem do tempo que afetam aos sujeitos modernos. Algumas dicas importantes para analisar este poema podem ser obtidas no texto “Álvaro de Campos e a definição de um sujeito na vida moderna”, de Ana Lúcia Teixeira, disponível para download AQUI.

 

ADIAMENTO

Depois de amanhã, sim, só depois de amanhã…
Levarei amanhã a pensar em depois de amanhã,
E assim será possível; mas hoje não…
Não, hoje nada; hoje não posso.
A persistência confusa da minha subjectividade objectiva,
O sono da minha vida real, intercalado,
O cansaço antecipado e infinito,
Um cansaço de mundos para apanhar um eléctrico…
Esta espécie de alma…
                                Só depois de amanhã…
Hoje quero preparar-me,
Quero preparar-me para pensar amanhã no dia seguinte…
Ele é que é decisivo.
Tenho já o plano traçado; mas não, hoje não traço planos…
Amanhã é o dia dos planos.
Amanhã sentar-me-ei à secretária para conquistar o mundo;
Mas só conquistarei o mundo depois de amanhã…
Tenho vontade de chorar,
Tenho vontade de chorar muito de repente, de dentro…
Não, não queiram saber mais nada, é segredo, não digo.
Só depois de amanhã…
Quando era criança o circo de domingo divertia-me toda a semana.
Hoje só me diverte o circo de domingo de toda a semana da minha infância…
Depois de amanhã serei outro,
A minha vida triunfar-se-á,
Todas as minhas qualidades reais de inteligente, lido e prático
Serão convocadas por um edital…
Mas por um edital de amanhã…
Hoje quero dormir, redigirei amanhã…
Por hoje qual é o espectáculo que me repetiria a infância?
Mesmo para eu comprar os bilhetes amanhã,
Que depois de amanhã é que está bem o espectáculo…
Antes, não…
Depois de amanhã terei a pose pública que amanhã estudarei.
Depois de amanhã serei finalmente o que hoje não posso nunca ser.
Só depois de amanhã…
Tenho sono como o frio de um cão vadio.
Tenho muito sono.
Amanhã te direi as palavras, ou depois de amanhã…
Sim, talvez só depois de amanhã…

O porvir…
Sim, o porvir…
(14-4-1928)

horoscopo campos(mapa astral de Álvaro de Campos traçado por Fernando Pessoa)

identidade & alteridade: inscrições abertas & algumas considerações teóricas & pedagógicas

outubro 16, 2009 às 17:02 | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
Tags: , , , , , , , , , ,

alteridade

O que realmente distingue os seres humanos uns dos outros? As características físicas ou os estilos de vida, os valores culturais? De acordo com o que podemos chamar de perspectiva essencialista sobre as identidades, esses valores estariam impregnados no “sangue” ou na “alma” dos indivíduos que compõem cada povo, como resultado dos séculos de convívio endogâmico e de manutenção dos costumes tradicionais, costumes estabelecidos através dos mitos fundadores. Para a perspectiva historicista (também denominada antropológica, ou construcionista, ou pós-moderna), esses valores estão continuamente sendo negociados no interior das sociedades, processo que se dá em correlação direta com as tensões políticas e econômicas que afetam a estas, bem como com o desenvolvimento de novos conhecimentos e interpretações sobre a realidade humana.

No âmbito da Era Moderna –- vale dizer, dos acontecimentos sucedidos nos últimos 500 anos –- a intensificação dos contatos e das trocas entre as mais diversas comunidades torna cada vez mais complexo e problemático a produção de identidades estáveis, questão que também repercute fortemente na estabilidade das estruturas de poder, pondo em xeque diversos tipos de privilégios e barreiras. Em suas dimensões psicológicas e subjetivistas, os processos de identificação vivenciados por cada pessoa abrangem, presentemente, uma gama variada de composições de comportamentos, crenças e gostos, gerando indivíduos multifacetados, sujeitos a transições radicais de personalidade e a crises de orientação. No plano das artes, a complexidade alcançada pelo “jogo das identidades” (Stuart HALL. A identidade cultural na pós-modernidade) expressa-se nos diversificados impulsos de questionamento dos cânones, de renovação formal, de deslocamento temático, de vanguardismo e experimentalismo, de radicalização criativa e de abertura sincrética que vão redefinir as noções de beleza, e do próprio sentido do fazer artístico, ao longo do século XX. Conforme sintetiza Hall, “à medida em que os sistemas de significação e representação cultural se multiplicam, somos confrontados por uma multiplicidade desconcertante e cambiante de identidades possíveis, com cada uma das quais poderíamos nos identificar — ao menos temporariamente”.

Em meio à “géleia geral” (ouça a canção de Gilberto Gil com este título no MUJIMBO) que configura as identidades pós-modernas, a qual significado efetivo palavras como diferença ou alteridade podem remeter? Para o professor Francisco Ferreira Lima, retomando conceitos elaborados pelo antropólogo argelino Francis Affergan, a alteridade consiste numa forma de relação intersubjetiva, ou intercultural, que leva os indivíduos a questionarem os fundamentos de suas certezas,de seus critérios de normalidade, estimulando assim a criatividade para a busca de novos projetos existenciais e de novas modalidades de vida coletiva. Contudo, a experiência transformadora da alteridade tende a ser reprimida, segundo Lima, pelo impulso de diferenciação, que tende a menosprezar e desumanizar os valores do Outro que destoem dos padrões fixados pela tradição. Para saber mais sobre esses conceitos, leia o artigo de Francisco Lima, “De Caminha a Mendes Pinto: Brasil, Extremo Oriente e outras maravilhas”, disponível em português na edição eletrônica da Revista de Filologia Románica da Universidade Complutense Madrid. (para ler outros textos de LIMA, consulte o MUJIMBO)

Para os objetivos de nossos cursos, o que o jogo das identidades põe em causa é a aquisição de competências teóricas e interpretativas que possibilitem aos graduandos caracterizar e analisar imagens identitárias representadas em textos artístico-literários, bem como avaliar, no campo das artes verbais, os efeitos estéticos das transformações culturais modernas. Na LitPort 1, merece destaque, entre outros fatores que compõem as visões-de-mundo renascentista e barroca, o estudo das transformações relacionadas à elaboração das ideologias que legitimaram o processo colonial e a hierarquização dos povos em “raças”, tomando-se principalmente o texto de Os lusíadas como objeto desse estudo.

Para a LitPort 3, cabe examinar a repercussão, na poética de Fernando Pessoa, da Revolução Industrial e da crise da racionalidade ocidental gerada pelo que Hall chama de “grandes descentramentos”. A primeira fonte desses descentramentos, segundo Hall, foi a reflexão marxista, que se opôs à idéia liberal-iluminista de autonomia humana fundada no individualismo egocêntrico ou num abstrato livre-arbítrio, voltada apenas para a realização pessoal. Pelo novo ponto de vista proposto por Karl Marx, podemos considerar que as identidades são sempre produtos coletivos e interacionais, fortemente dependentes das condições materiais, ou sócio-históricas, nas quais são engendradas. A alteridade, assim, reporta-se às forças que induzem à superação da sociedade capitalista, criticando-a ou formulando alternativas utópicas para esta.

O segundo descentramento deriva das conclusões de Sigmund Freud acerca da natureza polimórfica e dividida da psiquê humana. Em paralelo à assimilação das regras de convívio social e das imposições da luta pela sobrevivência, cada sujeito lida com uma pluralidade de desejos nos quais, para Freud e Jacques Lacan, se entrelaçam as lembranças da infância e os diversos tipos de “espelhamentos”, ou de projeções identificadoras, que formaram a personalidade. Reorganizados na lógica do “inconsciente”, esses desejos alimentam conflitos psicológicos e morais cada vez mais intricados nos sujeitos modernos, conflitos que se expressam através de comportamentos obsessivos, neuroses, fragmentações e multiplicações do “eu”. A alteridade fica assim instalada no cerne do próprio aparelho psíquico, resultando da coexistência entre as racionalizações conscientes e o fantasiamento inconsciente com que elaboramos nossas narrativas identitárias pessoais e coletivas.

Retomando as teses de Michel Lowy e Robert Sayre (cf. Revolta e melancolia – o romantismo na contramão da modernidade, Vozes, 1995), podemos considerar que o Romantismo, o Realismo e os vários Neo-Realismos expressam os principais efeitos estéticos do descentramento marxista. Para a literatura Modernista, por sua vez, as influências preponderantes derivam do descentramento freudiano e, também, daquele descentramento linguístico que foi promovido pelo trabalho de Ferdinand de Saussurre. Encaradas como sistemas de remissão, através dos quais são gerados, partilhados e recombinados os símbolos que articulam primariamente experiência sensível e pensamento, as línguas desempenham funções básicas na reprodução da realidade e na construção da auto-consciência. Pode-se assim conceber, sob uma ótica logocêntrica, que os processos de estruturação de sentidos que compõem nossas identidades organizam-se como uma espécie de gramática, proposição que coloca em evidência a dimensão discursiva, ou a dimensão narrativa, que é constitutiva dos sujeitos. Uma dimensão marcada pela ambiguidade, pela instabilidade, pelo deslizamento e entrecruzamento dos referentes, como atestam as pesquisas da filosofia pós-estruturalista, renovadoras do pensamento saussureano, pesquisas que fornecem subsídios fundamentais para a formulação teórica do caráter transitivo e “multimodulado” (HALL, op. cit.) do sujeito pós-moderno.

Na poesia de Fernando Pessoa, isto é, nos diversos jogos fonéticos, sintáticos e semânticos com que este escritor procurou traduzir sua subjetividade fragmentada, encontram-se formulados artisticamente os muitos impasses gerados pela exaustão da razão discursiva, pela incapacidade da reflexão científica para superar o materialismo mecanicista e oferecer respostas aos muitos enigmas e mistérios que perpassam o desenrolar efetivo das vidas humanas. A alteridade, nessa poesia, representa-se através de imagens paradoxais, das quais se desdobram ecos, reflexos, sombras, duplicidades, diálogos fantasmáticos, cisões introspectivas, tal como pode ser observado no poema “Brilha uma voz na noute” (ou “A voz de Deus”), ou “Sopra demais o vento” (versos que foram musicados pelo neo-fadista Camané e pelo brasileiro Jardel Caetano), ou no famoso “Autopsicografia”, que aborda a consciência da alteridade interna ao sujeito moderno como dramaturgia íntima, como “fingimento”. Se a alteridade, como sugere Francisco Lima, traduz uma experiência da vertigem identitária, é então sobre ela que escreve Pessoa quando desenvolve as metáforas do abismo, remetendo à percepção da falta de significado estável para a existência; da máscara, que põe em evidência as contradições que se acumulam à medida em que envelhecemos. Mas é sobretudo pelo jogo das heteronímias, é através dessa polifonia  cultivada como estilo, que se expressa a perspectiva mais radical de Pessoa quanto à experiência da alteridade moderna, concebida como um trabalho constante de reescrita, ou de ficcionalização, de si mesmo, isto é, de articulação entre diversas e distintas narrativas pessoais.

 

gepiadde logo

Outro importante momento para aprofundarmos nossa reflexão sobre a alteridade será proporcionado pelo III FÓRUM IDENTIDADES E ALTERIDADES, promoção do GEPIADDE (Grupo de Estudos e Pesquisas Identidades e Alteridades: Diferenças e Desigualdades na Educação) a ocorrer entre 11 a 13 de novembro de 2009 no Campus Itabaiana da UFS, versando sobre o tema: “EDUCAÇÃO, DIVERSIDADE E QUESTÕES DE GÊNERO”. O evento contará com uma grande oferta de mini-cursos relacionados à temática da identidade e está aceitando inscrições para apresentação de comunicações até o dia 31/10. Necessita-se também de voluntários para trabalhar como monitores, os interessados devem entrar em contato comigo assim que possível. No período do Fórum, as aulas nas LitPort 1 e 3 serão suspensas para acompanharmos as atividades. Informem-se e participem!

ciência & cinema & literatura: precisam-se monitores

outubro 16, 2009 às 10:32 | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
Tags: , , , , ,

site semanaIC

No dia 21/10, ao longo do dia, estarão ocorrendo diversas iniciativas no Campus Prof. Alberto Carvalho relacionadas à participação da UFS na Semana Nacional de Ciência e Tecnologia 2009. O Núcleo de Letras disporá de uma sala na qual será montada uma video-exposição que organizei, intitulada Literatura & Cinema: diálogos & traduções. O evento está cadastrando monitores, os interessados devem entrar em contato comigo, por email, o mais brevemente possível. Se quiser saber mais sobre a proposta da Semana, clique AQUI.

Semana IC_MINUS

exercício 1, LitPort1

outubro 9, 2009 às 1:36 | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
Tags: , , , , ,

 

Segundo Stuart Hall, “As culturas nacionais são compostas não apenas de instituições culturais, mas também de símbolos e representações. Uma cultura nacional é um discurso – um modo de construir sentidos que influencia e organiza tanto nossas ações quanto a concepção que temos de nós mesmos. As culturas nacionais, ao produzir sentidos sobre ‘a nação’, sentidos com os quais podemos nos identificar, constroem identidades. Esses sentidos estão contidos nas estórias que são contadas sobre a nação, memórias que conectam seu presente com seu passado e imagens que dela são construídas”. Considerando essas questões, discuta as principais imagens identitárias que se inscrevem nos textos estético-culturais abaixo relacionados:

 

LUSITANA

(Mafalda ARNAUTH)

Doce e salgada
Ó minha amada
Ó minha ideia
Faz–me grego e romano
Tu gingas à africano
Como a sereia
Ó bailarina
Ó columbina
És a nossa predilecta
De prosadores e poetas
Dos visionários
Quem te vê ama de vez
Nómadas e sedentários
Ó pátria lusa
Ó minha musa
O teu génio é português
Doce e salgada
Ó minha amada
Das epopeias
Tu és toda em latim
E a mais mulata sim
Das europeias
Ó bailarina
Ó columbina
Do profano matrimónio
“nas andanças do demónio“
Bela e roliça
Ai dança a chula requebrada
A minha canção é mestiça
Ó pátria lusa
Ó minha musa
O teu génio é português
Teu génio meigo e profundo
É deste tamanho do mundo
Sentimental como eu
Dois corações pagãos
São de apolo e de orfeu
Guarda-nos bem fraternais
No teu chão
No teu colo
De sonhos universais
És o nosso almirante
Terna mãe de crioulos
Cuida da nossa alma errante
Nós só queremos teu consolo
Doce e salgada
Ó minha amada
Da companhia
És um caso bicudo
Tu és o–mais-que-tudo
Da confraria
Ó bailarina
Ó columbina
Tu és a nossa doidice
Meiga “amante de meiguices“
Eu te proclamo
Quem te vê ama de vez
E a verdade é que eu te amo
Ó pátria lusa
Ó minha musa
O teu génio é português.

(para ouvir esta canção, clique AQUI)

* * *

MÚSICA BRASILEIRA

(Olavo Bilac)

Tens, às vezes, o fogo soberano
Do amor: encerras na cadência, acesa
Em requebros e encantos de impureza,
Todo o feitiço do pecado humano.

Mas, sobre essa volúpia, erra a tristeza
Dos desertos, das matas e do oceano:
Bárbara poracé, banzo africano,
E soluços de trova portuguesa.

És samba e jongo, chiba e fado, cujos
Acordes são desejos e orfandades
De selvagens, cativos e marujos:

E em nostalgias e paixões consistes,
Lasciva dor, beijo de três saudades,
Flor amorosa de três raças tristes.

* * *

FADO TROPICAL:

(Chico Buarque de Hollanda & Ruy Guerra)

Oh, musa do meu fado
Oh, minha mãe gentil
Te deixo consternado
No primeiro abril
Mas não sê tão ingrata
Não esquece quem te amou
E em tua densa mata
Se perdeu e se encontrou
Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal
Ainda vai tornar-se um imenso Portugal

“Sabe, no fundo eu sou um sentimental
Todos nós herdamos no sangue lusitano uma boa dose de lirismo
Mesmo quando as minhas mãos estão ocupadas em torturar, esganar,
trucidar
Meu coração fecha aos olhos e sinceramente chora…”

Com avencas na caatinga
Alecrins no canavial
Licores na moringa
Um vinho tropical
E a linda mulata
Com rendas do Alentejo
De quem numa bravata
Arrebato um beijo
Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal
Ainda vai tornar-se um imenso Portugal

“Meu coração tem um sereno jeito
E as minhas mãos o golpe duro e presto
De tal maneira que, depois de feito
Desencontrado, eu mesmo me contesto

Se trago as mãos distantes do meu peito
É que há distância entre intenção e gesto
E se o meu coração nas mãos estreito
Me assombra a súbita impressão de incesto

Quando me encontro no calor da luta
Ostento a aguda empunhadura à proa
Mas o meu peito se desabotoa

E se a sentença se anuncia bruta
Mais que depressa a mão cega executa
Pois que senão o coração perdoa”

Guitarras e sanfonas
Jasmins, coqueiros, fontes
Sardinhas, mandioca
Num suave azulejo
E o rio Amazonas
Que corre Trás-os-Montes
E numa pororoca
Deságua no Tejo
Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal
Ainda vai tornar-se um imenso Portugal
Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal
Ainda vai tornar-se um imenso Portugal

(para ouvir esta canção, clique AQUI)

brasil portugal

exercício 1, LitPort3

outubro 7, 2009 às 17:25 | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
Tags: , , , ,

 

Diz Leyla Perrone-Moisés, famosa pesquisadora da obra de Fernando Pessoa, que todo trabalho sobre este autor “é uma indagação sobre a identidade” [In: Fernando Pessoa: aquém do eu, além do outro]. O grande valor da poesia de FP para esse questionamento reside na maneira como, através dela, se representam algumas das experiências inaugurais de deslocamento e de fragmentação da subjetividade que levarão à transição da relativa estabilidade do sujeito sociológico para a condição instável, dividida e plurifacetada que caracteriza o sujeito pós-moderno. Conforme ressalta Stuart Hall, citando Kobena Mercer, "a identidade somente se torna uma questão quando está em crise, quando algo que se supõe como fixo, coerente e estável é deslocado pela experiência da dúvida e da incerteza". Analise e discuta os poemas de Pessoa transcritos abaixo considerando as questões acima referidas, o contexto histórico-cultural da modernidade européia e os “grandes descentramentos” descritos por Hall no capítulo Nascimento e Morte do Sujeito Moderno.

 

hall close

Saber? Que sei eu?
Pensar é descrer.
— Leve e azul é o céu —
Tudo é tão difícil
De compreender!…

A ciência, uma fada
Num conto de louco…
— A luz é lavada —
Como o que nós vemos
É nítido e pouco!

Que sei eu que abrande
Meu anseio fundo?
Ó céu real e grande,
Não saber o modo
De pensar o mundo!

(4-11-1914)

         * * *

Para onde vai a minha vida, e quem a leva?
Por que faço eu sempre o que não queria?
Que destino contínuo se passa em mim na treva?
Que parte de mim, que eu desconheço, é que me guia?

O meu destino tem um sentido e tem um jeito,
A minha vida segue uma rota e uma escala
Mas o consciente de mim é o esboço imperfeito
Daquilo que faço e sou: não me iguala

Não me compreendo nem no que, compreendendo, faço.
Não atinjo o fim ao que faço pensando num fim.
É diferente do que é o prazer ou a dor que abraço.
Passo, mas comigo não passa um eu que há em mim.

Quem sou, senhor, na tua treva e no teu fumo?
Além da minha alma, que outra alma há na minha?
Por que me destes o sentimento de um rumo,
Se o rumo que busco não busco, se em mim nada caminha

Senão com um uso não meu dos meus passos, senão
Com um destino escondido de mim nos meus atos?
Para que sou consciente se a consciência é uma ilusão?
Que sou entre quê e os fatos?

Fechai-me os olhos, toldai-me a vista da alma!
Ó ilusões! Se eu nada sei de mim e da vida,
Ao menos eu goze esse nada, sem fé, mas com calma,
Ao menos durma viver, como uma praia esquecida…

(5-6-1917)

       * * *

À dolorosa luz das grandes lâmpadas eléctricas da fábrica
Tenho febre e escrevo.
Escrevo rangendo os dentes, fera para a beleza disto,
Para a beleza disto totalmente desconhecida dos antigos.

Ó rodas, ó engrenagens, r-r-r-r-r-r-r eterno!
Forte espasmo retido dos maquinismos em fúria!
Em fúria fora e dentro de mim,
Por todos os meus nervos dissecados fora,
Por todas as papilas fora de tudo com que eu sinto!
Tenho os lábios secos, ó grandes ruídos modernos,
De vos ouvir demasiadamente de perto,
E arde-me a cabeça de vos querer cantar com um excesso
De expressão de todas as minhas sensações,
Com um excesso contemporâneo de vós, ó máquinas!

Em febre e olhando os motores como a uma Natureza tropical –
Grandes trópicos humanos de ferro e fogo e força –
Canto, e canto o presente, e também o passado e o futuro,
Porque o presente é todo o passado e todo o futuro
E há Platão e Virgílio dentro das máquinas e das luzes eléctricas
Só porque houve outrora e foram humanos Virgílio e Platão,
E pedaços do Alexandre Magno do século talvez cinquenta,
Átomos que hão-de ir ter febre para o cérebro do Ésquilo do século cem,
Andam por estas correias de transmissão e por estes êmbolos e por estes volantes,
Rugindo, rangendo, ciciando, estrugindo, ferreando,
Fazendo-me um acesso de carícias ao corpo numa só carícia à alma.

Ah, poder exprimir-me todo como um motor se exprime!
Ser completo como uma máquina!
Poder ir na vida triunfante como um automóvel último-modelo!
Poder ao menos penetrar-me fisicamente de tudo isto,
Rasgar-me todo, abrir-me completamente, tornar-me passento
A todos os perfumes de óleos e calores e carvões
Desta flora estupenda, negra, artificial e insaciável!

[…]

(Álvaro de CAMPOS, “Ode Triunfal”. 6-1914)

pessoas

Salário de professor sobe 18% em 5 anos

outubro 6, 2009 às 14:31 | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
Tags: , ,

 

Renda dos docentes, porém, ainda é menor do que a de profissionais com a mesma escolaridade que atuam em outras áreas. Aumento real do salário do professor da rede pública da educação básica em São Paulo foi de apenas 9%, metade da média do país

Antônio Gois escreve para a "Folha de SP":

Entre os anos de 2003 e 2008, os professores da rede pública da educação básica em todo o Brasil tiveram aumento real (já descontada a inflação) de 18%. A profissão, no entanto, ainda segue desvalorizada salarialmente, uma vez que profissionais com mesma escolaridade em outras ocupações recebem mais do que os docentes.

Os dados que registram aumento real no salário dos professores da rede pública de ensino foram calculados pelo Ministério da Educação. Já a comparação da renda dos docentes com profissionais de outras áreas foi feita pela Folha. Nos dois casos, usou-se a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, do IBGE.

O MEC fez dois recortes. No primeiro, comparou a evolução da renda de todos os professores das redes municipais e estaduais do Brasil, independente da escolaridade, chegando ao percentual de 18% de aumento. Em São Paulo, a variação de 2003 a 2008 foi menor: 9%. Na segunda, selecionou apenas professores com nível superior completo ou incompleto. Nesse caso, a variação real foi de 12% (10% em São Paulo).

A tabulação feita pela Folha levou em conta apenas os professores com nível superior completo, para permitir a comparação com outras profissões universitárias. De uma lista de 21 ocupações em que foi possível comparar, as carreiras relacionadas ao magistério foram as que apresentaram menor rendimento médio.

Um professor de 1ª a 4ª série, por exemplo, tem renda média equivalente a um quinto do que ganha um médico, 46% de um arquiteto, 57% de um enfermeiro com nível superior, e 68% de um fisioterapeuta.

A distância entre os vencimentos dos professores com nível superior em relação à média de profissionais com escolaridade semelhante, no entanto, caiu de 2003 a 2008. No caso de docentes de 1ª a 4ª, eles recebiam em 2003 metade (49%) do que a média de um trabalhador com nível superior. Em 2008, a proporção aumentou para 59%. Entre professores do ensino médio, essa proporção cresceu no período de 71% para 80%.

Piso

Segundo o ministro Fernando Haddad (Educação), já é possível traçar como meta no Plano Nacional de Educação (que será debatido no Congresso no ano que vem) equiparar o rendimento dos docentes com nível superior à média dos demais profissionais com a mesma escolaridade.

Haddad diz acreditar que a regulamentação do piso salarial de R$ 950 – que entrou em vigor neste ano – dá ao governo federal um instrumento para acelerar esse processo de equalização dos salários entre docentes e não docentes de mesma escolaridade.

Apesar desse aumento na renda do magistério, um relatório preparado pela Unesco sobre a situação dos professores brasileiros também destaca que os diferenciais de salário em relação a outras profissões ainda são muito grandes, o que contribui para diminuir a atratividade da carreira.

"A situação do professor no Brasil continua preocupante. Minha impressão é que só agora começamos a acordar para isso, mas a dívida ainda é grande, pois a expansão do ensino fundamental se fez à custa da desvalorização do salário do magistério", diz Célio da Cunha, assessor da Unesco.

Estudos ligam boa educação a maior salário de professores

Um estudo divulgado neste ano comparando os sistemas cubano, brasileiro e chileno ("A Vantagem Acadêmica de Cuba", de Martin Carnoy), aponta que uma das razões para o sucesso cubano é que seus professores recebem, em média, o mesmo rendimento de outros profissionais, o que faz com que a carreira fique atrativa para os melhores estudantes.

Um estudo divulgado em 2007 pela consultoria McKinsey chegou a uma conclusão parecida ao identificar como uma das características comuns em países bem avaliados no Pisa (Programa de Avaliação Internacional de Estudantes) o fato de a carreira ser atrativa aos melhores profissionais que se formam no ensino médio.

Apesar dessas evidências, há controvérsias entre especialistas a respeito do impacto do rendimento do professor no desempenho dos alunos, já que estudos correlacionando salários com a nota dos estudantes mostraram que, para a rede pública brasileira, não há impacto estatisticamente significativo.

Para Bernardete Gatti, que coordenou o estudo da Unesco sobre professores, essas análises que só correlacionam salários e notas captam retrato de momento: "O problema é que se um jovem bem preparado não vê boas perspectivas salariais na carreira, irá procurar profissões mais atraentes".

Para Unesco, situação do professor é crítica

Num dos mais completos relatos já feitos sobre a situação do professor brasileiro, a Unesco aponta que a situação é bastante crítica, e não apenas por causa dos baixos salários.

Além de a carreira, que emprega 2,8 milhões de pessoas no país, não ser atrativa para os jovens de maior nível socioeconômico, os alunos que ingressam em cursos de pedagogia e licenciaturas recebem uma formação que enfatiza pouco a relação entre teoria e prática.

Eles se formam principalmente em instituições particulares, à noite, e poucos passam por atividades de estágio bem coordenadas antes de começarem a dar aulas.

Para mostrar esse quadro complexo, as pesquisadoras da Fundação Carlos Chagas Bernadette Gatti e Elba Barretto usaram várias bases de dados sobre professores no país.

Escolaridade

Do questionário que é aplicado aos alunos que fazem o Enade (exame que avalia a educação superior), elas destacaram, entre outros fatos, que os universitários de cursos de licenciatura e pedagogia vêm de famílias mais pobres, com menor bagagem cultural.

Quase metade (50,6%) tem pais sem nenhuma escolaridade ou que chegaram apenas à 4ª série do ensino fundamental. Entre alunos dos cursos de medicina, por exemplo, esse percentual é de 7,1%. Na carreira de enfermagem, a proporção é de 37,7%.

"São jovens em ascensão social, e é preciso aproveitar o potencial deles, que buscam na universidade enriquecer sua bagagem sociocultural. Para isso, no entanto, é fundamental mexer nas grades curriculares dos cursos que formam professores, que deixam muito a desejar", diz Bernadette Gatti.

Para chegar a essa conclusão, o relatório detalha uma pesquisa da Fundação Carlos Chagas, feita com apoio da Fundação Victor Civita, que analisou a estrutura curricular e as ementas de 165 cursos de pedagogia e licenciaturas.

Num trecho do relatório, as autoras destacam que as "ementas dos cursos frequentemente expressam preocupação com o porquê ensinar, o que pode contribuir para evitar que conteúdos se transformem em meros receituários, mas só de forma muito incipiente registram o quê e como ensinar."

A proporção de horas dedicadas a formação específica, por exemplo, não passa de 30% nesses cursos. "A formação é precária, com pouca ênfase na relação entre teoria e prática. E não há acompanhamento adequado dos estágios. Fazer isso de maneira bem feita tem um custo alto, pois envolve um professor designado para acompanhar cada estudante em seu projeto. Muitas faculdades privadas não estão dispostas a arcar com isso", critica a pesquisadora.

Salário

Célio da Cunha, assessor especial da Unesco, afirma que o relatório deixa muito evidente que a questão salarial é importante, mas que a valorização do trabalho do professor não se restringe a isso. "Salários, apenas, não operam milagres. De que adianta aumentar os rendimentos do professor se ele continuar a ser formado da mesma maneira?", indaga Cunha.

Ele afirma que a dificuldade de valorizar a carreira do magistério não é um desafio apenas do Brasil. No entanto, na comparação com países desenvolvidos, os rendimentos dos professores brasileiros ficam muito abaixo de seus colegas europeus, por exemplo.

"E o que agrava mais a situação dos professores brasileiros e de outros países menos desenvolvidos é que, na Europa, os serviços públicos de saúde e educação são de alta qualidade, o que não acontece no Brasil, onde parte da renda acaba sendo destinada a suprir essa deficiência."

FONTES: Folha de SP, 4/10; Jornal da SBPC; Salário do professor no Brasil é o 3º pior do mundo

a difícil mas incontornável mudança na educação brasileira

outubro 6, 2009 às 14:12 | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
Tags: , ,

 

Por que o Enem deve ser valorizado

"Muitos professores e diretores de escola, acomodados, sabiam que, com a nova prova, teriam de mudar o currículo e até o jeito de dar aula"

Gilberto Dimenstein escreve para a "Folha de SP":

Virar um caso de polícia abateu a imagem do Enem – afinal, trouxe a suspeita de que faltou competência e sobrou pressa ao governo, responsável por medir a competência dos alunos. Desconfio que o vazamento das provas tinha por objetivo exatamente desgastar o exame – ou, quem sabe, o Ministério da Educação.

Não disponho de indícios concretos para sustentar minha desconfiança. Mas não consigo entender por que um fraudador procuraria os meios de comunicação para vender documentos. Seria muito mais provável, como ocorreu, que se denunciasse a fraude. Quem sabe, o criminoso era tão ingênuo e desinformado que imaginou que alguém pagaria pelo furo.

O fato é que o estrago foi feito, e só agregou mais danos ao desgaste que já vinha ocorrendo. Muitos professores e diretores de escola, acomodados, sabiam que, com a nova prova, teriam de mudar o currículo e até o jeito de dar aula. Teriam de estimular mais a reflexão do que a decoreba.

Uma aula deveria juntar os conhecimentos de várias matérias – e, portanto, de vários professores. Quem trabalha com educação sabe a dificuldade de ensinar com bases em eixos múlti e interdisciplinares. Exige mais inteligência e criatividade do que despejar o conteúdo dos livros e apostilas. Exige também levar, quase em tempo real, o cotidiano para a sala de aula, encaixando-o nas matérias.

O que já era complicado ficou um pouco mais complicado com a gripe suína; as escolas tinham ainda menos tempo. Some-se a isso que, na escolha dos lugares das provas, alunos foram mandados para bairros distantes de suas casas. E até para outras cidades. Em São Paulo, estudantes de escolas de elite foram convocados a ir para a região do Jardim Ângela, ou seja, a temida periferia.

São sinais de pressa; o Ministério da Educação preferia não deixar o Enem para um ano eleitoral, quando todas as reações se amplificam.

Apesar de todos esses percalços, entre eventuais incompetências e fraudes, o que não se pode esquecer é o seguinte: o Enem é um enorme avanço na educação brasileira. Vai estimular as escolas e seus professores a se reciclarem, o ensino terá de ser mais próximo do cotidiano. Valoriza-se menos a memorização de matérias fragmentadas, e mais um conjunto de habilidades e competências – ou seja, a arte de compreender e aplicar o que se compreende.

O Enem é resultado de uma batalha de décadas de educadores que denunciavam a inutilidade de determinado tipo de educação, que faz da escola não um espaço de curiosidade, mas de sofrimento com informações inúteis.

É uma atitude mais conectada a sociedades baseadas na informação, nas quais a norma é a aprendizagem permanente.

Pior do que a fraude seria uma tragédia coletiva se tal processo fosse postergado. O Brasil terá muito mais dificuldade de se desenvolver sem trabalhadores capazes de entender e traduzir o mundo, capazes de lidar com as novas tecnologias e com as novas demandas das cidades.

FONTES: Folha de SP, 3/10; Jornal da SBPC

a identidade como construção

outubro 2, 2009 às 10:51 | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
Tags: , , , ,

Nas redações, foram muitos @s estudantes da LitPort 1 que expressaram seu desejo de adotar métodos pedagógicos de matriz construtivista, quando começarem a trabalhar como professor@s. Sob essa perspectiva, é interessante ler abaixo um trecho de artigo assinado pelo professor de história Mozart Linhares da Silva, da Universidade de Santa Cruz do Sul, no qual se desenvolve brevemente uma perspectiva processual, contextual e transitiva acerca das identificações pessoais e coletivas. As citações de Stuart Hall feitas pelo prof. Mozart referem-se à obra que estamos discutindo em classe. Caso deseje ler o artigo na íntegra, clique AQUI.

construtivismo

Essencialismo e Construtivismo Identitário

De modo geral as abordagens acerca das identidades, sobretudo acerca das identidades culturais, podem ser consideradas a partir de duas perspectivas: uma essencialista e a outra a construtivista. Para os essencialistas, pautados na tradição clássica, as identidades são consideradas fatos, entidades e dados dotados de objetividade na sociedade. Segundo Semprini, “Sua existência, sua homogeneidade interna, sua especificidade cultural seriam um fato, aceito como tal e pouco suscetível de evolução. Assim, os negros, os índios ou as demais minorias, são considerados como as peças imóveis do mosaico social” (Semprini, 1999, p. 90-91). Não é difícil perceber que esta concepção de identidade enquanto uma essência permite a justificativas de situações sociais e legitima o status quo, criando ainda, as condições para a resistência às mudanças sociais. Os essencialistas utilizam vários mecanismos para justificar a objetividade identitária, entre os quais vale mencionar a etnia e a herança história, ou mesmo genealógica. Entendem que a cultura é algo que pode ser carregado na bagagem como um conjunto de valores e tradições monolíticas reproduzíveis em qualquer espaço-tempo. Vale lembrar ainda que os defensores do essencialismo hoje procuram legitimar sua posição utilizando-se da chamada autoridade científica pautada no controverso “essencialismo genético”, segundo o qual “cada grupo humano está condicionado definitivamente quanto à inteligência e em seu potencial de mobilidade social conforme seu patrimônio genético” (Semprini, 1999, p. 91). (Para uma crítica às teorias raciais e a própria categoria raça ver, entre outros: Gold, 1999, Darmon e Cavalli-Sforza, 2003).

Ao contrário dos essencialistas, os construtivistas pensam as identidades do ponto de vista histórico considerando as escolhas políticas, econômicas e ainda as relações de poder. Isso porque “toda identidade é fundada sobre uma exclusão (o que não se é ou o que não se deve ser) e, nesse sentido, é um efeito do poder” (Hall, 2003, p. 85). A dinâmica que embala as relações sociais é considerada um fator primordial para entendermos que as identidades não são fixas, objetivas e perenes. Elas são, isso sim, dinâmicas e em permanente construção. Identidades são, numa palavra, híbridas. Não é possível a pureza quando se está em movimento, se está vivo. Segundo Stuart Hall (2003, p. 83), “As comunidades migrantes trazem as marcas da diáspora, da ‘hibridização’ e da différance em sua própria constituição. Sua integração vertical a suas tradições de origem coexiste como vínculos laterais estabelecidos com outras ‘comunidades’ de interesse, prática e aspirações, reais ou simbólicas”. É preciso concordar com Enoch Powell (Apud. Hall, 2003, p. 78) para quem, “a vida das nações, não menos que a dos homens [sic], é vivida em grande parte na mente”. Sendo a nação, na realidade, uma forma imagética que tende a homogeneizar os traços constitutivos da identidade, é evidente, a primeira vista, que a nação se funda na igualdade. Como alerta Hall (2003, p. 78), “Ao contrário do que se supõe, os discursos da nação não refletem um estado unificado já alcançado. Seu intuito é forjar ou construir uma forma unificada de identificação a partir das muitas diferenças de classe, gênero, região, religião ou localidade, que na verdade atravessam a nação”. Na realidade, o discurso identitário nacional se constitui como sistema assimilacionista e nas palavra de Bauman, “o propósito das pressões pela assimilação era despojar os ‘outros’ de sua ‘alteridade’: torná-los indistinguíveis do resto do corpo da nação, digeri-los completamente e dissolver sua idiossincrasia no composto uniforme da identidade nacional” (2003, p. 85).

Enfim, a postura construtivista percebe a identidade como uma construção que implica numa diversidade de fatores que merecem atenção sobretudo pela sua complexidade. Imaginar que as identidades são concretas e fixas é desconsiderar a complexidades das relações em que as narrativas identitárias são construídas.

Segundo o construtivismo então, as identidades não são essências, não são entidades ou dados objetivos mas sim construções plásticas, móveis, fluidas e dinâmicas. É na dinâmica da hybris que podemos apreender o fenômeno identitário e não na pureza ou na herança. É na produção de espaços intervalares que podemos vislumbrar a criatividade identitária, espaços de contato em que as culturas friccionam e iniciam novas experiências. (continue a ler)

sobre os relatórios das apresentações

outubro 2, 2009 às 10:16 | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
Tags: , ,

O exercício proposto na elaboração dos relatórios volta-se, principalmente, para a capacitação no uso de uma linguagem objetiva e descritiva. O que caracteriza essa linguagem é a concisão, a intenção informativa (e não explicativa), a postura neutra, enfim, aquilo que poderíamos chamar de “estilo apresentativo”. Os sentidos das frases, portanto, devem ficar claramente explicitados; as relações frasais e temáticas devem ser construídas através dos conectivos apropriados; a pontuação do texto deve ser observada com tanto rigor quanto a correção ortográfica. Embora seja normal um certo grau de repetitividade na linguagem do relatório, é preciso evitar as redundâncias. Observe abaixo um mapa conceitual que pode lhe a judar a visualizar como deve ser estruturada a argumentação no relatório:

mapa conceitual (acesse AQUI o artigo de Maria Aparecida Pereira Viana de onde foi emprestada esta imagem)

 

Os relatórios da nossa atividade não precisam de capa, basta um cabeçalho do qual conste identificação institucional ("Universidade Federal de Sergipe", etc), data e nomeação dos membros da equipe. Segue-se uma Introdução, na qual a equipe deve apresentar conceitos para o tema que foi trabalhado na apresentação. No Desenvolvimento, a equipe deve descrever os textos selecionados e apresentados através da seguinte sequência de tópicos: um resumo do texto teórico; um resumo do texto midiático; discussão dos textos literários. Cada tópico deve ser encabeçado pela referência bibliográfica completa do texto selecionado.

O fundamental quanto aos resumos e às discussões é que esses materiais sejam compostos pelos estudantes, com suas próprias palavras, procurando atingir os seguintes objetivos: qual o assunto principal dos textos? quais são os conteúdos dos textos que se referem ao tema da equipe? quais são os questionamentos ou problemas que, segundo os textos, merecem destaque no tema? o que os textos literários trazem de diferente na abordagem do tema? Também é importante que sejam destacadas passagens dos textos especialmente interessantes, justificando-se a seleção.

Não é necessária conclusão, exceto se a equipe desejar incluir um breve depoimento sobre o que significou para os integrantes, como experiência de vida ou de aprendizado, pesquisar e refletir sobre o tema. O relatório deve ser entregue juntamente com cópias impressas e identificadas bibliograficamente dos textos selecionados.

cresce a importância da qualificação para a docência

outubro 1, 2009 às 19:27 | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
Tags: , , , ,

JC e-mail 3857, de 28 de Setembro de 2009

Programa oferece mais de 20 mil bolsas para valorização de professores

Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) lança a segunda edição do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (Pibid)

Criado com a finalidade de valorizar o magistério e apoiar estudantes de licenciatura plena das instituições federais e estaduais de educação superior, o programa oferece em 2009 mais de 20 mil bolsas para aprimorar a formação docente e contribuir para elevação do padrão de qualidade da educação básica.

O Pibid pretende elevar a qualidade das ações acadêmicas voltadas à formação inicial de professores nos cursos de licenciatura das instituições públicas de educação superior. Assim como inserir os licenciandos no cotidiano de escolas da rede pública por meio de estágios, promovendo então uma maior integração entre educação superior e educação básica.

Bolsas

São quatro modalidades de concessão de bolsas: bolsistas de iniciação à docência, para estudantes dos cursos de licenciatura plena, no valor de R$ 350. Bolsistas de supervisão, para professores das escolas públicas estaduais ou municipais, no valor R$ 600. E bolsistas coordenadores institucionais de projeto e coordenadores de área de conhecimento, para docentes das instituições federais e estaduais, no valor de R$ 1,2 mil.

Podem apresentar proposta, as instituições públicas de educação superior, federais e estaduais, que possuam cursos de licenciatura plena legalmente constituídos, que tenham sua sede e administração no país e que participam de programas estratégicos do MEC como o Enade, o Reuni e os de valorização do magistério, como o Plano Nacional de Formação de Professores da Educação Básica, o ProLind, o ProCampo e formação de professores para comunidades quilombolas.

Experiências

Juntamente com a valorização do professor como um profissional da educação, o Pibid pretende promover inserção dos alunos de licenciatura nas escolas. Além dos tradicionais cursos para professores de disciplinas como química ou física, o programa também contempla cursos como licenciaturas interculturais para formação de professores indígenas ou em educação do campo e para comunidades quilombolas, por exemplo.

As inscrições para o Pibid 2009 vão até o dia 9 de novembro. Esclarecimentos e informações adicionais sobre o conteúdo do edital e o preenchimento do Formulário de Proposta on line poderão ser obtidos pelo e-mail pibid2009@capes.gov.br ou pelo telefone 0800-616161, na opção 7 mestrado e doutorado, onde é possível obter informações de todos os programas da Capes.

O edital do Pibid 2009 está disponível em: http://www.capes.gov.br/editais/abertos/3185-programa-institucional-de-bolsa-de-iniciacao-a-docencia-pibid

(Informações da Assessoria de Imprensa da Capes)

FONTE: Jornal da Ciência


Entries e comentários feeds.