Litport1: simulado da prova

dezembro 3, 2010 às 17:42 | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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Considere as os dois textos poéticos transcritos abaixo. No primeiro, retirado de Os Lusíadas, Vasco da Gama recorda a decisão do rei D. João II de dar início à Expansão Marítima através da conquista de Ceuta. A seguir, reproduz-se a primeira e a última estrofe de “O homem, as viagens”, de C. D. de Andrade. Comente e articule esses dois textos levando em conta as proposições feitas sobre eles e os parâmetros interpretativos sugeridos por António SARAIVA e Silviano SANTIAGO para os textos que ficcionalizam a memória da expansão marítima lusitana.

Não sofre o peito forte, usado à guerra,
Não ter imigo já a quem faça dano;
E assi, não tendo a quem vencer na terra,
Vai cometer as ondas do Oceano
Este é o primeiro Rei que se desterra
Da pátria, por fazer que o Africano
Conheça, pelas armas, quanto excede
A lei de Cristo à lei de Mafamede.

[CAMÕES. Os Lusíadas, IV, 48]

* * *

O homem, bicho da Terra tão pequeno
chateia-se na Terra
lugar de muita miséria e pouca diversão,
faz um foguete, uma cápsula, um módulo
toca para a Lua
desce cauteloso na Lua
pisa na Lua
planta bandeirola na Lua
experimenta a Lua
coloniza a Lua
civiliza a Lua
humaniza a Lua.

(…)

Restam outros sistemas fora
do solar a col-
onizar.
Ao acabarem todos
só resta ao homem
(estará equipado?)
a dificílima dangerosíssima viagem
de si a si mesmo:
pôr o pé no chão
do seu coração
experimentar
colonizar
civilizar
humanizar
o homem
descobrindo em suas próprias inexploradas entranhas
a perene, insuspeitada alegria
de con-viver.

[Carlos Drummond de ANDRADE. O homem, as viagens]

a) No trecho transcrito de Os Lusíadas, podemos observar um dos momentos em que Camões busca justificar a expansão marítima através da curiosidade pelo outro, especialmente pelos povos africanos.

b) No poema de Drummond, propõe-se que o expansionismo civilizador pode basear-se num tipo de humanismo que não recaia na “incapacidade de sair de si mesmo para se identificar com o Outro”. (SARAIVA, Introdução, p.20)

c) Podemos considerar que a representação do elemento líquido na estrofe camoniana destacada expressa aquele sentimento de “panerotismo” apontado por Saraiva, o qual é entendido como força oposta ao impulso objetificador resultante da “tendência dominadora” ocidental.

d) Ainda que de maneira sutil, podemos identificar representações de um ideário religioso no poema de Drummond (exemplifique).

drummond estátua

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