antologia de poesia do negro

junho 1, 2011 às 0:24 | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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proença trajetória 1

Clicando na imagem acima você pode acessar a versão eletrônica de um artigo de Proença Filho no qual se traça uma proposta de classificação para as diversas, e sempre multifacetadas, formas de representação dos afrodescendentes no texto artístico brasileiro. Trata-se de uma referência importante para a atividade final que desenvolveremos na LitPort 4, centrada na elaboração, por duplas de estudantes, de um “kit” anti-racista que reúna e comente textos poéticos e informativos. Para auxiliar nas pesquisas de materiais para esse trabalho, segue uma coletânea de poesias publicadas no âmbito  da série Cadernos Negros (saiba mais sobre esta série AQUI).

CapaTRES cadernos negros

LINHAGEM

Eu sou descendente de Zumbi
Zumbi é meu pai e meu guia
Me envia mensagens do orum
Meus dentes brilham na noite escura
Afiados como o agadá de Ogum
Eu sou descendente de Zumbi
Sou bravo valente sou nobre
Os gritos aflitos do negro
Os gritos aflitos do pobre
Os gritos aflitos de todos
Os povos sofridos do mundo
No meu peito desabrocham
Em força em revolta
Me empurram pra luta me comovem
Eu sou descendente de Zumbi
Zumbi é meu pai e meu guia
Eu trago quilombos e vozes bravias dentro de mim
Eu trago os duros punhos cerrados
Cerrados como rochas
Floridos como jardins

[CARLOS ASSUMPÇÃO]

 

BATUQUE

Tenho um tambor
Tenho um tambor
Tenho um tambor

Tenho um tambor
Dentro do peito
Tenho um tambor

É todo enfeitado de fitas
Vermelhas pretas amarelas e brancas

Tambor que bate
Batuque batuque bate
Tambor que bate
Batuque batuque bate
Que evoca bravura dos nossos avós
Tambor que bate
Batuque batuque bate
Tambor que bate
Batuque batuque bate
Tambor que bate
O toque de reunir
Todos os irmãos
De todas as cores
Sem distinção

Tenho um tambor
Tenho um tambor
Tenho um tambor

Tenho um tambor
Dentro do peito
Tenho um tambor

É todo enfeitado de fitas
Vermelhas pretas amarelas brancas azuis e verdes

Tambor que bate
Batuque batuque bate
Tambor que bate
Batuque batuque bate
Tambor que bate
O toque de reunir
Todos os irmãos
Dispersos
Jogados em senzalas de dor
Tambor que bate
Batuque batuque bate
Tambor que bate
Batuque batuque bate
Tambor que fala de ódio e de amor
Tambor que bate sons curtos e longos
Tambor que bate
Batuque batuque bate
Tambor que bate
O toque de reunir
Todos os irmãos
De todas as cores

Num quilombo
Num quilombo
Num quilombo

Tenho um tambor
Tenho um tambor
Tenho um tambor

Tenho um tambor
Dentro do peito
Tenho um tambor

[CARLOS ASSUMPÇÃO]

 

EFEITOS COLATERAIS

Na propaganda enganosa
paraíso racial
hipocrisia faz mal
nosso futuro num saco
sem fundo
a gente vê
e finge que não vê
a ditadura da brancura

Negros de alma negra se inscrevem
naquilo que escrevem
mas o Brasil nega
negro que não se nega.

[JAMU MINKA]

 

SAFÁRI

Aquela tigresa é tanta
que me almoça e janta
faço de conta que a sala é ponto
na geografia da África
e o tapete vira suave savana ao entardecer
quando a pele da noite vem camuflar
nosso safári safado.

Olho por olho
dente por dente
recuperamos o pente
ancestral
o impossível continha o bonito
caracol
carapinha
bumerangue infinito
Olho que revê o que olha
dedos que sabem trançar ideias
do original azeviche
princípio do mundo

Se o cabelo é duro
cabe ao pente ser suave serpente
o fundamental dá beleza
a quem não tem preconceito
e conhece segredos da
C R E S P I T U D E

[JAMU MINKA]

 

RAÇA & CLASSE

Nossa pele teve maldição de raça
e exploração de classe
duas faces da mesma diáspora e desgraça

Nossa dor fez pacto antigo com todas as estradas do
mundo e cobre o corpo fechado e sem medo do sol

Nossa raça traz o selo dos sóis e luas dos séculos
a pele é mapa de pesadelos oceânicos
e orgulhosa moldura de cicatrizes quilombolas.

[JAMU MINKA]

 

CRISTÓVÃO-QUILOMBOS

Fez-se a ganância
diabólicos destinos de um caminho sem volta
espíritos e corpos armados nascem do imenso ventre das águas fantásticas
o outro lado do mundo possível
Terrágua, uma bola de vida no cosmo 1492, Colombo!

Naus enormes, engenhocas inéditas — a roda, arma de fogo —
múltiplos poderes desconhecidos
homens-deuses barbados, brancos, loiros e ruivos
e seus olhos coloridos de cobiça

Piratas no paraíso
Europa rouba tudo
ouro e prata, milho, batata
cana e canga em corpos de América e África

Pós impacto do primeiro engano
— a visita era conquista e seus horrores —
deuses invadidos trovejam tambores
e cospem flechas de rebeldia

Depois de Colombo e sua maldita herança
calombos e mutilações em milhões de corpos.
Quilombos por toda parte.

[JAMU MINKA]

 

ZUMBI

As palavras estão como cercas
em nossos braços
Precisamos delas.
Não de ouro,
mas da Noite
do silêncio no grito
em mão feito lança
na voz feito barco
no barco feito nós
no nós feito eu.
No feto
Sim,
20 de novembro
é uma canção
guerreira.

[ABELARDO RODRIGUES]

 

TRAÇADO

O traço saído
ao crespo estilo
do teu cabelo
trançado e escuro
já mora em meu olho

[MÁRCIO BARBOSA]

 

SER E NÃO SER

O racismo que existe,
o racismo que não existe.
O sim que é não,
o não que é sim.
É assim o Brasil
ou não?

[OLIVEIRA SILVEIRA]

 

CABELOS QUE NEGROS

Cabelo carapinha,
engruvinhado, de molinha,
que sem monotonia de lisura
mostra-esconde a surpresa de mil
espertas espirais,
cabelo puro que dizem que é duro,
cabelo belo que eu não corto à zero,
não nego, não anulo, assumo,
assino pixaim,
cabelo bom que dizem que é ruim
e que normal ao natural
fica bem em mim,
fica até o fim
porque eu quero,
porque eu gosto,
porque sim,
porque eu sou
pessoa negra e vou
ser mais eu, mais neguim
e ser mais ser
assim.

[OLIVEIRA SILVEIRA]

 

OUTRA NEGA FULÔ

O sinhô foi açoitar a outra nega Fulô
— ou será que era a mesma?
A nega tirou a saia, a blusa e se pelou.
O sinhô ficou tarado, largou o relho e se engraçou.
A nega em vez de deitar pegou um pau e sampou nas guampas do sinhô.
— Essa nega Fulô!

Esta nossa Fulô!,
dizia intimamente satisfeito
o velho pai João
pra escândalo do bom Jorge de Lima,
seminegro e cristão.

E a mãe-preta chegou bem cretina
fingindo uma dor no coração.
— Fulô! Fulô! Ó Fulô! A sinhá burra e besta perguntou onde é que tava o sinhô que o diabo lhe mandou.
— Ah, foi você que matou!
— É sim, fui eu que matou — disse bem longe a Fulô,
Pro seu nego, que levou
Ela pro mato, e com ele
Sí sim ela deixou.
Essa nega Fulô!
Esta nossa Fulô!

[OLIVEIRA SILVEIRA]

 

EM MAIO

Já não há mais razão de chamar as lembranças
e mostrá-las ao povo
em maio.

Em maio sopram ventos desatados
por mãos de mando, turvam o sentido
do que sonhamos.

Em maio uma tal senhora liberdade se alvoroça,
e desce às praças das bocas entreabertas
e começa:
Outrora, nas senzalas, os senhores…

Mas a liberdade que desce à praça
nos meados de maio
pedindo rumores,
é uma senhora esquálida, seca, desvalida
e nada sabe de nossa vida.

A liberdade que sei é uma menina sem jeito,
vem montada no ombro dos moleques
e se esconde
no peito, em fogo, dos que jamais irão
à praça.

Na praça estão os fracos, os velhos, os decadentes
e seu grito: Ó bendita Liberdade!

E ela sorri e se orgulha, de verdade,
do muito que tem feito!

[OSWALDO DE CAMARGO]

 

POEMA ARMADO

Que o poema venha cantando
ao ritmo contagiante do batuque
um canto quente de força,
coragem, afeto, união

Que o poema venha carregado
de amarguras, dores,
mágoas, medos,
feridas, fomes…

Que o poema venha armado
e metralhe a sangue-frio
palavras flamejantes de revoltas
palavras prenhes de serras e punhais…

Que o poema venha alicerçado
e traga em suas bases
palavras tijolantes,
pontos cimentantes,
portas, chaves, tetos, muros

E construa solidamente
uma fortaleza de fé
naqueles que engordam
o exército dos desesperados

Para que nenhuma fera
não mais galgue escadas
à custa de necessidades iludidas…

E nem mais se sustente
com carne, suor e sangue
dum povo emparedado e sugado
nos engenhos da exploração!

[OUBI INAÊ KIBUKO (Aparecido Tadeu dos Santos)]

 

TORPEDO

irmão, quantos minutos por dia
a tua identidade negra toma sol
nesta prisão de segurança máxima?

e o racismo em lata
quantas vezes por dia é servida a ela
como hóstia?

irmão, tua identidade negra tem direito
na solitária
a alguma assistência médica?

ouvi rumores de que ela teve febre alta
na última semana
e espasmos
– uma quase overdose de brancura –
e fiquei preocupado.

irmão, diz à tua identidade negra
que eu lhe mando um celular
para comunicar seus gemidos
e seguem também
os melhores votos de pleno restabelecimento
e de muita paciência
para suportar tão prolongada pena
de reclusão.
diz ainda que continuamos lutando
contra os projetos de lei
que instauram a pena de morte racial
e que ela não tema
ser a primeira no corredor
da injeção letal.

irmão, sem querer te forçar a nada
quando puderes
permite à tua identidade negra
respirar, por entre as mínimas grades
dessa porta de aço
um pouco de ar fresco.

sei que a cela é monitorada
24 horas por dia.
contudo, diz a ela
que alguns exercícios devem ser feitos
para que não perca completamente
a ginga
depois de cada nova sessão de tortura.

irmão, espero que esta mensagem
alcance as tuas mãos.
o carcereiro que eu subornei para te levar o presente
me pareceu honesto
e com algumas sardas de solidariedade.
irmão, sei que é difícil sobreviver
neste silencioso inferno
por isso toma cuidado
com a técnica de se fingir de morto
porque muitos abusaram
e entraram em coma
fica esperto!
e não esquece o dia da rebelião
quando a ilusão deve ir pelos ares.

um grande abraço
deste teu irmão de presídio

assinado:
zumbi dos palmares

[CUTI]

 

QUEBRANTO

às vezes sou o policial que me suspeito
me peço documentos
e mesmo de posse deles
me prendo
e me dou porrada

às vezes sou o porteiro
não me deixando entrar em mim mesmo
a não ser
pela porta de serviço

às vezes sou o meu próprio delito
o corpo de jurados
a punição que vem com o veredicto

às vezes sou o amor que me viro o rosto
o quebranto
o encosto
a solidão primitiva
que me envolvo com o vazio

às vezes as migalhas do que sonhei e não comi
outras o bem-te-vi com olhos vidrados
trinando tristezas

um dia fui abolição que me lancei de supetão no espanto
depois um imperador deposto
a república de conchavos no coração
e em seguida uma constituição
que me promulgo a cada instante

também a violência dum impulso
que me ponho do avesso
com acessos de cal e gesso
chego a ser

às vezes faço questão de não me ver
e entupido com a visão deles
sinto-me a miséria concebida como um eterno começo

fecho-me o cerco
sendo o gesto que me nego
a pinga que me bebo e me embebedo
o dedo que me aponto
e denuncio
o ponto que me entrego

às vezes…

[CUTI]

 

A NOITE TE CONVIDA

África mãe, Brasil filho,
O leite do mundo habitou suas tetas.
Mamilos perfeitos acalentados de açoite.
Seu ventre sempre foi livre
Gerando toda a história desse universo mal agradecido
Se ser mãe é dádiva de Deus
Então a África é o berçário onde Ele nasceu.
Suas crianças, dotadas de grande picardia,
Lançaram ao mundo variadas culturas.
A noite recente traz o eco
da trilha sonora daquele tempo,
Tambores confeccionadas pelas mãos
Arquitetas do mundo.
Metralhadoras, fuzis e armas químicas
Deitarão no seu colo
para dividir o espaço com as rosas vermelhas.
Os amores não-correspondidos
se contentaram ao seu lado.
Corações sujos que me lembram as pedras,
Hipérbole da herança maldita,
que umedece e goteja em pequenos ventres
Multiplicando a desgraça e mal vivida vida.
Vida que alimenta a feijoada,
Vida que suinga o carnaval,
Vidas de mãos feridas que tocam os instrumentos…
Umbanda, candomblé.
Tragam-me a garrafa com o líquido da cultura nordestina
Vou me embriagar desse sincretismo puro e natural. Noite! Termo abstrato
que absorve o sentimento africano.
África mãe, África pai, África.
Sinônimo de negro.
Ovaciona o seu hino de raiz
Que a recitação voe até a audição
desses espíritos maléficos,
Âmago sem cultura.
África! Sou larápio de cena
Que cutuca a sua bonança com palavras egocêntricas.
Venha mãe, dance comigo o batuque atual
Porque, nas nossas festas noturnas,
A sua entrada é franca.
Então, ginga o batuque atual.
Que cada gesto teu tenha um pedaço de desdém,
Venha, pois a noite… te convida para dançar.

[SACOLINHA (Ademiro Alves)]

 

NEGRITUDE

Para Jorge Henrique Gomes da Silva

De mim
parte um canto guerreiro
um voo rasante, talvez rumo norte
caminho trilhado da cana-de-açúcar
ao trigo crescido, pingado de sangue
do corte do açoite. Suor escorrido
da briga do dia
que os ventos do sul e o tempo distante não podem ocultar.

De mim
parte um abraço feroz
um corpo tomado no verde do campo
beijado no negro da boca da noite
amado na relva, gemido contido
calado na entranha
oculto do medo da luz do luar.

De mim
parte uma fera voraz
(com sede, com fome)
de garras de tigre
pisar de elefante correndo nas veias
je fogo queimando vermelho nas matas
Frugir de leões bailando no ar.

De mim
parte de um pedaço de terra
semente de vida com gosto de mel
criança parida com cheiro de luta
com jeito de briga na areia da praia
de pele retinta, deitada nas águas
sugando os seios das ondas do mar.

De mim
parte  NEGRITUDE
um golpe mortal
negrura rasgando o ventre da noite
punhal golpeando o colo do dia
um punho mais forte que as fendas de aço
das portas trancadas
da casa da história.

[CELINHA]

 

A NOITE NÃO ADORMECE NOS OLHOS DAS MULHERES

Em memória de Beatriz Nascimento

A noite não adormece
nos olhos das mulheres
a lua fêmea, semelhante nossa,
em vigília atenta vigia
a nossa memória.

A noite não adormece
nos olhos das mulheres
há mais olhos que sono
onde lágrimas suspensas
virgulam o lapso
de nossas molhadas lembranças.

A noite não adormece
nos olhos das mulheres
vaginas abertas
retêm e expulsam a vida
donde Ainás, Nzingas, Ngambeles
e outras meninas luas
afastam delas e de nós
os nossos cálices de lágrimas.

A noite não adormecerá
jamais nos olhos das fêmeas
pois do nosso sangue-mulher
de nosso líquido lembradiço
em cada gota que jorra
um fio invisível e tônico
pacientemente cose a rede
de nossa milenar resistência.

[CONCEIÇÃO EVARISTO]

 

DANÇANDO NEGRO

Quando eu danço
atabaques excitados,
o meu corpo se esvaindo
em desejos de espaço,
a minha pele negra
dominando o cosmo,
envolvendo o infinito, o som
criando outros êxtases…
Não sou festa para os teus olhos
de branco diante de um show!
Quando eu danço há infusão dos elementos,
sou razão.
O meu corpo não é objeto,
sou revolução.

[ÉLE SEMOG]

 

MAHIN AMANHÃ

Ouve-se nos cantos a conspiração
vozes baixas sussurram frases precisas
escorre nos becos a lâmina das adagas
Multidão tropeça nas pedras
Revolta
há revoada de pássaros
sussurro, sussurro:
“é amanhã, é amanhã.
Mahin falou, é amanhã”.

A cidade toda se prepara
Malês
bantus
geges
nagôs
vestes coloridas resguardam esperanças
aguardam a luta

Arma-se a grande derrubada branca
a luta é tramada na língua dos Orixás
“é aminhã, aminhã”
sussurram
Malês
bantus
geges
nagôs
“é aminhã, Luiza Mahin falo”

[MIRIAM ALVES]

MALAKÊ

Início da minha história
Lançada do outro lado do mar
Oxé brilhante de Zázi, Sobô,
Xangô, Odus, Orikis
Semente, cio dos raios, Orixá
Início de Rochas, meu elo, Otá
Continente inteiro, destino Atlântico
Razão de minha pele
Vítima da aspereza dos dias
Diáspora, outra canção
Primeira do clã a chegar
Trazendo nos punhos, tornozelos
Estranhos adornos que rangiam
Como a raiva salgada, oceânica
Molhada de banzo, sem zelos
Mesmo assim trazendo
Receitas de Amalá

Malakê
De frente aos seus fundamentos
No Rumpayme Runtoloji
Os do seu pai, nosso pai
Entendi a inteira dor
A violação do passado
Pelos ferros apagado
À mudança do teu nome
Ao chamarem uma Maria
Uma Gaudência
Uma Conceição…

Malakê, menina de uma África
De uma cachoeira, Terra das Águas
Pitanga, Paraguassu, Caquende
(em outro poema levaram minhas mágoas)
Pedra do Cavalo, cheias
Cabeceiras, indomáveis Águas
Lugares de tantas sereias
Malakê
Mãe, Pai
A quem tenho como primeiro Ancestral

Por tudo e por tal
Me ensina
Quero dizer a todos orixás
Da minha crença no toque
No som do lê, do rumpi, do rum
Na força dos tridentes, adagas
Machados, espelhos, abebes, espadas
No ar, na terra, no fogo, na água
Nos Ilês, nos Axés
No Bogun
Na Casa Branca de tão antiga
No Jitolu de mãe Hilda, amiga
Em todo reino do Orun
Na dualidade de Logunedé
Em Stella estrela de Oxóssi
No Tanuri Juçara de Bebé
Na esteira, no Ojá
Ensaiando no Zandró
No Axé Opó Afonjá
Nunca estando só…
Nas cores firmes das vestes
No transe, na festa
Nos Búzios de todos segredos, no Ifã
Na alguidar, nas folhas, no que resta
Porque sem elas não há
No padê
Em Legbara, Iaroiê!
Na Oxum bonita, Ora-ie-iê!
Em Iansã e seus raios, Eparrê!
Em Ogum de tantas lutas Ogunhiê!
Em Oxossi caçador, Okê-Arô!
No meu pai Xangô, Cabelilê!!!
No Alabê, no Mariô
Na Equede, na Makota
Na oferenda, no Pano da Costa
No dendê, nas Abiãs
No branco da paz de Lemba
Nas conversas dos Ogãs
Na gamela, na quartinha
No pó de Pemba
Na prece que é sempre canto
Encanto
Na própria firmeza da fé
Nos eguns, no terreiro
Na luz que me faz inteiro
E que vem do candomblé

Malakê
Obrigado por me legar esta vontade
De contar as Coisas do nosso povo
Nossas Sendas
Pelo gosto de nossa história, contos e lendas…

Obrigado por Anelita por Gaiacu Luíza
Senhora e Dofôna Regina
Didi, Joana, satu, e Benzinha
E ver que de você veio ao mundo
Tanta mulher, tanta rainha
Obrigado por me fazer acordar
E tentar entender toda forma de amor
Obrigado Malakê
Por ter vindo de você
Assim do jeito que sou!

[JOSÉ CARLOS LIMEIRA]

 

Anna Bella Geiger(Carlos Vergara)

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