a neuroquímica dos Jacintos: como a vida urbana pode enlouquecer

junho 28, 2011 às 22:12 | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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Insani(ci)dade

Pesquisa mostra que o estresse estimula regiões do cérebro associadas à depressão, ansiedade e esquizofrenia em habitantes de centros urbanos. Próximo passo é estudar componentes específicos da cidade para descobrir o que causa esse comportamento cerebral.

Por: Sofia Moutinho

Insani(ci)dade

Moradores de cidades grandes e pessoas criadas em ambientes urbanos processam o estresse de modo particular e estão mais propensos a desenvolver certos distúrbios psiquiátricos. (fotos: Flickr/ Sekushy e Gabriela Medina; montagem: Sofia Moutinho)

Um estudo publicado na revista Nature desta semana mostra pela primeira vez que o ambiente urbano afeta o modo como nosso cérebro lida com o estresse e sugere que a vida nas cidades pode desencadear distúrbios como a ansiedade, a depressão e a esquizofrenia.

Conduzida por cientistas alemães, canadenses e ingleses, a pesquisa revela que, em situações de estresse, as pessoas que vivem ou foram criadas em grandes cidades apresentam um nível alto de atividade em duas regiões do cérebro que regulam as emoções, a amígdala e o córtex cingulado anterior.

Pessoas que vivem ou foram criadas em grandes cidades apresentam nível alto de atividade em regiões do cérebro que regulam as emoções

Para chegar à descoberta, os pesquisadores submeteram um grupo de adultos alemães sem histórico de doenças mentais a um teste de estresse. Os voluntários foram colocados dentro de máquinas de ressonância magnética, onde seus cérebros eram escaneados enquanto resolviam questões de matemática e lógica.

A velocidade e a dificuldade das tarefas eram adaptadas ao desempenho individual de cada participante por um programa de computador de modo a impor uma taxa de acertos menor que 40%. Para aumentar ainda mais o nível de estresse, os pesquisadores faziam críticas ao desempenho dos voluntários durante a experiência.

Os participantes que moravam em grandes cidades apresentaram alta atividade na amígdala, muito superior à observada nos voluntários moradores do campo e de cidades do interior. Já as pessoas que cresceram em grandes centros urbanos tiveram forte atividade no córtex cingulado anterior.

“Alterações na atividade da amígdala são associadas a transtornos de ansiedade, depressão e violência, enquanto que mudanças no córtex cingulado anterior já foram observadas em pacientes com esquizofrenia”, aponta um dos autores do estudo, o psiquiatra Andreas Meyer-Lindenberg da Universidade de Heidelberg, na Alemanha.

Ligações a esclarecer

O pesquisador não sabe ainda o que exatamente causa essa diferença na reação ao estresse entre os moradores da cidade e do campo e afirma que, em princípio, qualquer um dos  fatores relacionados à vida urbana – como a poluição, as aglomerações, o barulho e o ritmo de vida acelerado – poderia estar associado a ela.

Aglomeração urbana

A poluição, as aglomerações humanas, o barulho e o ritmo de vida acelerado nas cidades podem estar associados ao desenvolvimento de psicopatias. Mas, para provar essa relação, novos estudos precisam ser conduzidos. (foto: Flickr/ Ademir Batista dos Santos)

Independentemente dessas incertezas, estudos anteriores já haviam mostrado que moradores de cidades têm 21% mais de probabilidade de desenvolver ansiedade e 39% mais chance de desenvolver distúrbios de humor, como a depressão. Já a esquizofrenia seria duas vezes mais comum entre indivíduos criados em centros urbanos.

Ainda assim, Meyer-Lindenberg ressalta que são necessários mais estudos para esclarecer as ligações entre essas doenças e as alterações cerebrais identificadas em sua pesquisa. São necessários mais estudos para esclarecer as ligações entre as psicopatias e as alterações cerebrais identificadas na pesquisa. “Agora temos um alvo no cérebro para medir os efeitos do ambiente urbano e, em estudos próximos, poderemos olhar componentes específicos da cidade para descobrir o que causa essas mudanças cerebrais e como elas influenciam o aparecimento de psicopatias”, diz o psiquiatra.

Apesar de o estudo ter envolvido apenas voluntários alemães, ele acredita que seus resultados sejam válidos para outros países, inclusive para o Brasil. “Outras sociedades devem ser estudadas para ver se os resultados se aplicam a elas”, comenta. “Mas, se já verificamos esse efeito na Alemanha, onde a diferença entre campo e cidade não é tão forte, é muito provável que o efeito esteja presente em países onde essa diferença é mais proeminente.”

FONTE: Ciência Hoje On-line

Sergipe no Pisa: resultados preocupantes

dezembro 27, 2010 às 19:44 | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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pisa2009_resultados estados Acima, tabela que apresenta os resultados do exame Pisa considerando a pontuação obtida em cada estado brasileiro. Vale ressaltar que a nota mínima equivalente a um desempenho tido como satisfatório corresponde a 600 pontos. Um relatório completo pode ser baixado no site do Inep.

 

Todos pela Educação compara notas do Pisa e mostra que país avança devagar

Sergipe tem a pior queda em relação a 2006; Rio, a menor evolução do Sudeste

Recém-divulgado, o Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa, na sigla em inglês), que analisa o desempenho de estudantes de 15 anos, mostrou que o ensino no Brasil avançou: o país teve a terceira maior evolução nas médias de 65 nações. No entanto, ao comparar os dados de 2006 com os de 2009, um estudo do Todos pela Educação aponta que dos 27 estados, incluindo o Distrito Federal, apenas São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Amapá, Pernambuco e Maranhão conseguiram média acima da obtida pelo Brasil, nas disciplinas analisadas pelo Pisa: leitura, matemática e ciências.

Ao todo, onze estados tiveram queda em relação a 2006 em uma ou mais disciplinas. A pior média é a de Sergipe, que apresentou queda nas três áreas – perdeu 29 pontos em leitura, 26 em matemática e 24 em ciências.

– Em 2006, Sergipe tinha índices melhores que São Paulo, e agora está como São Paulo em 2006. As mudanças nesse estado e alguns outros resultados nos levam a crer que é mais fácil melhorar em áreas onde as médias eram as piores. Nas regiões onde já eram razoáveis, dar um salto é muito mais complicado – diz Mozart Neves Ramos, presidente do Todos pela Educação.

Na Região Sudeste, o Rio de Janeiro foi o único estado a perder pontos no Pisa quando se compara os anos de 2006 e 2009, e apresentou também a menor evolução na região. Foram sete pontos perdidos em leitura, e apenas dois ganhos em matemática e um em ciências.

– O Rio estagnou em duas disciplinas e ainda perdeu pontos em leitura. O desinteresse no magistério contribui para esse resultado. Professores deviam ser os melhores alunos, os mais talentosos, mas não é que acontece. Os baixos salários não atraem – diz Mozart Neves Ramos, lembrando que o estado ainda lida com os reflexos da aprovação automática:

– Os resultados da Prova Brasil já mostram que, mesmo sendo aprovados, os alunos não aprendiam. Os índices do Pisa não nos surpreendem.

Coordenadora do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do Rio (Sepe), Beatriz Lugão lembra que o Rio já chegou a ter um déficit de 30 mil professores, e que em média 20 deixam o estado diariamente:

– Isso prejudica a qualidade de ensino. Alunos chegam ao 3º do ensino médio com sérias deficiências, que impedem muitos de irem para a universidade. E, muitas vezes, fazem com o que aquele que conseguiu tenha que desistir do curso por não ter como acompanhar as aulas.

Sobre o Rio ter perdido pontos em leitura, Beatriz diz que essa deficiência na interpretação dos textos pode prejudicar todas as outras disciplinas:

– Se o aluno não tem o domínio da língua, as dificuldades são maiores. É preocupante o resultado.

Pior estado do país em 2006, o Maranhão conseguiu se tornar o que mais avançou em 2009. Na comparação do Todos pela Educação, ganhou 91 pontos em leitura, 71 em matemática e 45 em ciências.

– É um salto tão grande, que a gente tem que analisar mais detalhadamente. Mas reafirma o fato de que é mais fácil crescer quando a situação é pior – diz Mozart.

Com vinte anos de trabalhos prestados para a Secretaria de Educação do estado, a professora Leuzinete Pereira da Silva, Superintendente de Educação Básica do Maranhão, acredita que a melhora se deu por conta do comprometimento dos professores, e da boa formação de quem está em sala de aula:

– Todos os nossos professores têm graduação, e um expressivo número tem pós. Mas contribuíram também a formação continuada e as aulas de reforço para os alunos.

Aluna da rede estadual, Gabrielle Mendonça, de 16 anos, representou o Maranhão num concurso de redação do Senado. Para ela, as atividades fora da sala são fundamentais.

– As rodas de leitura que minha escola promove motivam os alunos – diz Gabrielle, que estuda na Paulo Freire.

Com as melhores médias dos 26 estados em 2009, não considerando o DF, Santa Catarina, na comparação com 2006, perdeu um ponto em matemática. Mas a queda não preocupa o governo.

É o que afirma o diretor de Educação Básica da Secretaria de Educação, Antônio Pazeto:

– A classificação do estado demonstra um bom desempenho, embora reconhecemos que exista muito por fazer.

Coordenadora estadual do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Santa Catarina (Sinte), Alvete Bedin é mais crítica, e diz que o desempenho reflete a falta de aprimoramento no método de ensino nas escolas.

– A maioria das escolas não tem estrutura adequada, e o professor tem apenas um quadro negro, como há três décadas. O jovem não encontra atrativos.

Estudante da 7ª série do ensino fundamental, André dos Santos, de 15 anos, ficou em recuperação em matemática.

– O professor explica uma vez no quadro, se aprendeu, aprendeu. Caso contrário, fica sem saber – diz ele, que acredita que seria mais fácil se pudesse usar computador em sala.

De acordo com Mozart, para que os índices melhorem é preciso investir mais em educação, mas, segundo ele, a presidente eleita, Dilma Rousseff, terá como principal desafio fazer uma “revolução no magistério”:

– Ou fazemos um pacto nacional para que isso aconteça ou vamos estagnar. Para melhorar a educação, só investir dinheiro não basta.

(O Globo, 27/12, Carolina Benevides, Francisco Júnior e Juraci Perboni)

FONTE: Jornal da Ciência

um problema do tamanho do Brasil

novembro 13, 2010 às 19:06 | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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Falta Educação

"Na Educação, no entanto, ao compararmos nossos índices aos de outros países, mostramos nossos pés de barro"

Geraldo Tadeu Monteiro é cientista político. Artigo publicado em "O Globo":

Certa vez, Nabucodonosor, rei da Babilônia, teve um pesadelo em que uma enorme estátua desmanchava-se em pedaços ao ser atingida, nos pés, por um pequenina pedra. Coube ao profeta Daniel explicar o sentido daquele sonho: a cabeça da estátua era de ouro, o peito e os braços de prata, as coxas de bronze, mas os pés, de barro. Depois daquele reino de ouro, prossegue o profeta, virá outro, de prata, seguido por outro, de bronze, até que o último, de barro, pereceria. (Daniel, 1, 31-44).

Esta alegoria bíblica serve perfeitamente para ilustrar as conclusões do último Relatório de Desenvolvimento Humano que colocou o Brasil na nada honrosa 73ª posição no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano.

O novo IDH procura retratar melhor os progressos obtidos em cada área. Por isso, abandona as medidas binárias (alfabetizados x não alfabetizados) em favor de medidas de gradação.

A nova metodologia corrige ainda o risco da substituibilidade entre as dimensões, ou seja, avanços em uma área podiam mascarar atrasos em outras. Por sua abrangência e confiabilidade, o IDH é hoje o principal índice de avaliação da qualidade de vida no mundo, o que deveria levar as autoridades de todos os países a se debruçar sobre seus resultados para elaborar estratégias de superação das lacunas que ele aponta.

No caso brasileiro, elas ficam evidentes quando se fala de Educação.

Na economia, o Brasil apresenta-se como gigante: 8ª maior economia do planeta, 5º mercado mundial em telefonia celular, 5º em número de usuários da internet, 7º maior credor em reservas internacionais e 10º produtor mundial de energia elétrica.

Na Educação, no entanto, ao compararmos nossos índices aos de outros países, mostramos nossos pés de barro. De acordo com o Pisa 2006 (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes), entre 57 países avaliados, fomos 52º em ciências, 54º em matemática e 50º em leitura.

Segundo a ONU, o Brasil tem ainda cerca de 10% de analfabetos (são 2,3% na Argentina), só 21,9% têm alguma educação pós-secundária (no Uruguai são 44,6%) e apenas 30% têm acesso ao ensino superior (no Panamá são 45%). Na avaliação da eficiência do sistema escolar, as discrepâncias são ainda maiores: as taxas de abandono escolar giram em torno de 24% (5,1% no Chile) e os índices de repetência no ensino fundamental vão a 18,7% (no Peru, são 7,2%). Enquanto no Brasil há em média 23 alunos para cada professor, na Argentina são 14,8. Professor cujo rendimento médio é de cerca de 44% do rendimento do professor europeu.

Se o Brasil é 73º no IDH geral, no IDH-Educação caímos para o 93º lugar, atrás de Quirguistão (71º), Botswana (81º) e Guiana (85º). No quesito Educação, somos ainda Terceiro Mundo.

E, paradoxalmente, essa situação calamitosa não resulta de falta de recursos: gastamos cerca de 5,2% do PIB com Educação, mais que a Austrália (4,7%) e que a Alemanha (4,4%), respectivamente segunda e décima colocadas no IDH. Segundo a OCDE, o Brasil destina à Educação cerca de 16% do total da despesa pública, taxa maior que a média da União Europeia (12,1%).

Os recursos, no entanto, são mal aplicados: gastamos com ensino superior proporcionalmente mais que a Itália e o Japão e, na Educação básica, destinamos ao pagamento de professores 73% dos recursos públicos, menos que o Chile (89,2%) e o México (92,2%). A partir desses dados, a discussão sobre o aumento da despesa com Educação para 7% do PIB deixa de ser central; aqui, a prioridade é fazer mais com o que já temos.

Não se trata de negar os avanços que o país obteve também na Educação, como ter colocado 98% das crianças na escola, mas é preciso encarar a realidade: nosso desafio é a qualidade da Educação. A implantação do Sistema Nacional de Educação, envolvendo o governo federal, estados e municípios, do Piso Nacional dos Professores e dos Planos de Carreira Docente é tarefa urgente.

A falta de uma verdadeira política nacional de Educação, com ênfase no ensino básico, já ameaça o futuro do país na Era do Conhecimento.

Como ocorreu com o reino da Babilônia.

FONTE: Jornal da Ciência


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