inscrições abertas para o II Xirê das Letras

junho 1, 2011 às 10:25 | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
Tags: , , ,

xirê2

O II Xirê das Letras: Giros de Resistência é a continuidade da concretização do anseio dos pesquisadores do AYOKÁ-KIANDA – Núcleo de Pesquisas e Estudos Multidisciplinares Africanos e Afro-Americanos e de muitos dos docentes e discentes do Departamento de Ciências Humanas e Tecnologias – DCHT XXIV, do Campus Universitário Professor Gedival Sousa Andrade, da UNEB, no município de Xique-Xique – Bahia, pela realização de um evento de natureza científica, de caráter internacional, a fim de compartilhar e impulsionar pesquisas e estudos desenvolvidos neste Departamento, pondo-os em diálogo com produções de pesquisadores de outras I.E.S., envolvendo a temática das africanidades refletidas nas línguas, nas literaturas, na educação e nas culturas africanas e afro-americanas.

Anúncios

simpósio AFRO-RIZOMAS: divulgação

março 15, 2011 às 10:47 | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
Tags: , ,

Relevo Emblema 9 , 1977

Prezad@s Colegas & Malung@s

Apresentamos aqui nossa proposta de simpósio a ser realizado no âmbito do XII CONGRESSO INTERNACIONAL DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE LITERATURA COMPARADA 2011 (ABRALIC, 18 a 22/07/2011, Curitiba). Como poderão observar, essa proposta tem como principal objetivo construir um espaço abrangente, interdisciplinar, dialógico e diaspórico para a apresentação de pesquisas relacionadas às produções literárias que colocam discursos e sentidos de matriz negra e africana em primeiro plano. Aos que se interessarem em participar, o prazo de submissão de resumos vai de 14/03 a 15/04/2011. Sistema de inscrição e maiores informações podem ser acessados no link destacado a seguir, ou mediante contato com @s Cooordenador@s:

http://www.abralic.org.br/informativo/2010/64

Contamos com sua colaboração na divulgação dessa proposta.

AFRO-RIZOMAS: LITERATURAS AFRO-BRASILEIRA E AFRICANAS DE LÍNGUA PORTUGUESA

Coordenadores:

Prof. Dr. José Henrique de Freitas Santos (UFBA, <henriquebeat@gmail.com>)

Prof. Dr. Jesiel Ferreira de Oliveira Filho (UFS, <negroatlantico@gmail.com>)

Profª Drª Maria Nazaré Mota Lima (UNEB, <librianar@gmail.com>)

As literaturas africanas de língua portuguesa e afro-brasileira derivam de relações diversas que perpassam a experiência colonial lusitana, a noção de diáspora, o processo de (re)invenção das tradições e a constituição de redes rizomáticas que foram tecidas internamente e para além-ar, a fim de autogerir as identidades através das quais Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Portugal e Brasil representam-se e são representados na produção literária contemporânea escrita em língua portuguesa.

Se o rizoma (DELEUZE, 2004) opera a partir de uma lógica de descentramento, pela qual não é possível demarcar sua origem de forma unilateral, nem tampouco pensá-lo a partir de uma teleologia, os afro-rizomas constituem-se como uma reversão da perspectiva que toma exclusivamente a influência colonial lusitana como determinante para a emergência das literaturas no Brasil e nos países africanos de língua portuguesa, reconfigurando, desta forma, as relações em jogo. O termo afro, neste contexto, é ressignificado pela perspectiva da diáspora, que, de acordo com HALL (2003) e GILROY (2001), não se refere apenas à dispersão dos povos africanos pelo mundo, mas, principalmente, à construção de um novo espaço simbólico no qual a reversão da condição subalterna imposta pela escravização africana é realizada continuamente em campos como a música, a literatura e a produção cultural. Desta forma, assim como a literatura afrobrasileira soergue-se historicamente no Brasil afirmando uma estética negra em diálogo com a África, a partir do tensionamento de um cânone instituído que invisibiliza as produções e as representações afrobrasileiras, as literaturas africanas de língua portuguesa emergem também como escritas de si para além de uma circunscrição geopolítica, através de uma tessitura que opera entre tradições e modernidades, entre o local e o global, sem furtar-se a avaliar os projetos nacionais reservados aos países lusófonos de África. É importante ressaltar como a reavaliação da empresa colonial lusitana no Brasil e nos países africanos também tem sido tema recorrente na literatura portuguesa contemporânea, de forma a contribuir significativamente com o importante processo de autognose, de que fala Eduardo Lourenço, uma vez que estes espaços físicos e simbólicos, forjados agora em relações mais desierarquizadas, redimensionam a própria representação de Portugal.

Ora, nesta dinâmica, a constituição da ideia de nação no período “pós-colonial” tanto no Brasil como nos países africanos lusófonos contará com a importante contribuição da literatura no processo de invenção das tradições nacionais (HOBSBAWN, 1984) e de construção de identidades através das quais se representem o povo no intuito de que a imagem forjada não seja mero reflexo do Outro lusitano colonial. Os fluxos dispersos que vão constituindo os comunitarismos (ABDALA JR, 2003) transnacionais vão atando e desatando os nós de uma rede que não se encerra no Estado-nação e, na contemporaneidade, expande-se através dos mercados editoriais, de ações governamentais, da iniciativa individual de escritores e leitores, bem como da ampliação de sítios e blogues na internet sobre autores e textos ficcionais portugueses, africanos e brasileiros. A conformação de uma rede literária que passa a operar nas coletâneas, nas resenhas e em produções críticas sobre obras enfrenta o desafio de contemplar, na narração da nação nestes territórios, a alteridade que põe em xeque os valores etnofalogocêntricos, já que, conforme adverte Laura Padilha, a diferença interroga o cânone toda vez que o outro subsume ao ímpeto de homogeneidade. Neste sentido, este Simpósio, além de constituir-se como espaço de reflexão acerca de conceitos como lusofonia, pós-colonialismo, africanidade, afrobrasilidade, diáspora, dentre outros, os quais atravessam os estudos sobre as literaturas em questão, propõe-se a fomentar análises contrastivas entre as produções africanas e as brasileiras e/ou portuguesas. Ademais, seguindo as observações de Carmem Lúcia Tindó Secco (2002), interessa-nos também pensar as travessias e rotas dessas literaturas na contemporaneidade, contemplando suas errâncias estratégicas tanto no plano estético-político quanto dos discursos identitários, abrangendo-se aí, além da produção literária orientada pela escrita, a oralidade ontológica dos griots, a performance do rap, o grafismo pictórico do graffiti, a produção marginal das periferias das grandes metrópoles, dentre outros. Por fim, este Simpósio acolherá ainda trabalhos acerca dos recursos de produção e circulação oficiais e não-oficiais das literaturas afro-brasileira e africanas de língua portuguesa nos contextos global e local, bem como análises que se detenham no impacto de políticas públicas e privadas de estímulo ao consumo dessas produções em vestibulares, concursos e programas disciplinares.

Referências

ABDALA Jr., Benjamin. De vôos e ilhas: Literatura e comunitarismos. São Paulo: Ateliê Editorial, 2003.

ANDERSON, Benedict. Nação e consciência nacional. São Paulo: Ática. 1989.

AUGEL, Moema Parente. O desafio do escombro: nação, identidades, pós- colonialismo na literatura da Guiné-Bissau. Rio de Janeiro: Editora Garamond, 2007.

BHABHA, Homi K. O local da cultura. Trad. Myriam Ávila, Eliana L. L. Reis e Gláucia R.Gonçalves. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 1998.

CHAVES, Rita. Marcas da diferença. As literaturas africanas de língua portuguesa. São Paulo: Alameda, 2006.

DUARTE, Eduardo de Assis. Literatura, Política, Identidades. Belo Horizonte: UFMG, 2005. Estudos Sociais Afro-Asiáticos, 2001.

FANON, Frantz. Peles negras, máscaras brancas. Salvador: Editora EDUFBA, 2008.

FERRÉZ. Literatura Marginal: talentos da escrita periférica. Rio de Janeiro: Agir, 2005.

FONSECA, Maria Nazareth Soares. Brasil afro-brasileiro. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2000.

FONSECA, Maria Nazareth Soares. Vozes em discordância na literatura afro-brasileira contemporânea. In: FONSECA, Maria Nazareth, FIGUEIREDO, Maria do Carmo Lanna (Org.). Poéticas afro-brasileira. Belo Horizonte: Editora PUC Minas/Mazza Edições. 2002. P. 191 – 220.

GILROY, Paul. Atlântico Negro: modernidade e dupla consciência. Trad. Cid Knipel,

GUATTARI, Félix; DELEUZE, Gilles. Mil Platôs: capitalismo e esquizofrenia. Vol.1. Trad. Aurélio Guerra Neto e Célia Pinto Costa. São Paulo, Editora 34, 2004.

HALL, Stuart. Da Diáspora: identidades e mediações culturais. Org. Liv Sovik. Trad. Adelaine LaGuardia Resende [et al]. Belo Horizonte: Editora UFMG; Brasília: Representação da Unesco no Brasil, 2003.

MIGNOLO, Walter. Histórias Locais, Projetos Globais: Colonialidade, saberes subalternos e pensamento liminar. Belo Horizonte: Editora da UFMG, 2003.

PADILHA, Laura Cavalcante. “A Diferença Interroga o Cânone”. In: SCHMIDT, Rita T. Mulher e Literatura: (Trans)Formando Identidades. Porto Alegre: Palloti, 1997. pp. 61-69.

PIRES LARANJEIRA. Literaturas Africanas de Expressão Portuguesa. Lisboa. Universidade Aberta, 1995.

SANTILLI, Maria Aparecida. Paralelas e tangentes entre literaturas de língua portuguesa. São Paulo: Arte & Ciência, 2003.

SECCO, Carmen Lucia Tindó. Travessia e rotas das literaturas africanas de língua portuguesa (das profecias libertárias as distopias contemporâneas). Légua & meia: Revista de literatura e diversidade cultural. Feira de Santana: UEFS, n°1, 2002, p. 91-113.

SOUZA, Florentina da Silva. Afrodescendência em Cadernos Negros e Jornal do MNU. Belo Horizonte: Autêntica. 2005.

SOUZA, Florentina, LIMA, Maria Nazaré (Org.). Literatura afro-brasileira. Salvador/Brasília: Centro de estudos afro-orientais/Fundação Cultural Palmares. 2006.

Lusofonia em cena no Brasil

outubro 24, 2010 às 11:51 | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
Tags: , ,

3ª edição do Festival de Teatro Lusófono será lançada dia 5

O Festluso contará com espetáculos de 7 países e acontece de 15 a 21 de novembro em Teresina.

Festluso 2010

Desde 2008, o Piauí passou a ser um importante membro do circuito mundial de teatro quando se tornou sede de um evento que já nasceu grande. O Festluso, Festival de Teatro Lusófono, vai este ano para a sua terceira edição e contará com espetáculos de 7 países. Além do Brasil, Angola, Cabo Verde, Portugal, Moçambique, Guiné Bissau e Espanha (Galícia) já estão com participação confirmada.

De 15 a 21 de novembro, Teresina será a capital oficial do teatro internacional sem tradução. Dentro da programação, atividades nos teatros 4 de setembro, João Paulo II e Estação, além de oficinas a apresentações de grupos de teatro de rua. Nas edições passadas, o Festluso contou com a presença de grandes espetáculos e estrelas, como as Regina Duarte e Lucélia Santos e o escritor angolano Ondjaki, que recentemente ganhou o prêmio Jabuti. Ondjaki lançou, em parceria com o festival, a peça “O Morto, os Vivos e o Peixe Frito”.

Além das montagens, o Festluso terá também espaço para discussões da comunidade lusófona. Paralelo ao festival acontece o II Encontro Internacional Sobre Políticas de Intercâmbio na CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa). O evento, que é organizado pela Cena Lusófona (www.cenalusofona.pt) e teve a sua primeira edição em Coimbra, reunirá autoridades da cultura, artistas e produtores dos países lusófonos. O lançamento oficial do evento para a imprensa acontece no próximo dia 5 de novembro, dia nacional da Cultura e da Ciência.

FONTE: Portal Vermelho

ganhe uma medalha escrevendo!

maio 11, 2010 às 22:10 | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
Tags: , , ,

olimpiada-de-lingua-portuguesa

Adesão dos professores deve garantir o êxito da              Olimpíada de Português

Secretária de Educação Básica do MEC aposta na participação dos docentes, que podem se inscrever até dia 14

Convidar, chamar, convocar os professores da educação básica para participar da segunda Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro. É esse o pedido que a Secretaria de Educação Básica (SEB) do MEC faz aos quase 5 mil municípios que já aderiram ao concurso.

A adesão das redes municipais de educação é alta, mas o número de professores inscritos ainda é baixo, diz o coordenador geral de tecnologias da educação da SEB, Raymundo Ferreira Filho. Até as 12 horas desta segunda-feira, 10, aderiram 4.766 municípios, 37.155 escolas e 83.759 professores. A adesão e as inscrições podem ser feitas até a próxima sexta-feira, 14.

A inscrição dos professores do quinto ao nono ano do ensino fundamental (quarta à oitava série) e das três séries do ensino médio é que define a abrangência da olimpíada, explica Raymundo. Como a maioria das prefeituras já aderiu, é preciso que elas mobilizem seus professores para participar.

Dados do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec), entidade que coordena o concurso, indicam que a média de inscrições por semana varia de 10 mil a 15 mil, daí a importância de fazer um esforço nesta última semana para duplicar a participação. Em 2008, a olimpíada teve a adesão de 4.575 municípios e de 130 mil professores. A expectativa do Ministério da Educação e da Fundação Itaú Social, promotores do evento, é de que 98% dos municípios, 200 mil professores e 9 milhões de estudantes participem do concurso.

O tema da olimpíada é "O lugar onde vivo". Professores e estudantes vão trabalhar textos de quatro gêneros literários. Alunos do quinto e sexto ano do ensino fundamental (quarta e quinta séries) vão desenvolver a poesia; sétimo e oitavo ano (sexta e oitava séries), textos no gênero memória; nono ano do ensino fundamental e primeira série do ensino médio, crônica; segunda e terceira séries do ensino médio, artigo de opinião.

Na página eletrônica da olimpíada, secretarias de educação, diretores de escolas e professores encontram o regulamento, objetivos, ficha de inscrição, prazos, prêmios.

Podem, ainda, solicitar informações pelo telefone gratuito 0800-771-9310.

(Assessoria de Comunicação do MEC)

FONTE: Jornal da Ciência

co-memorando & debatendo o 13 de maio: interfaces históricas e literárias

maio 11, 2010 às 13:26 | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
Tags: , ,

13 de Maio

Dissertando sobre a negrabrasilidade literária

abril 24, 2010 às 5:46 | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
Tags: , ,

Defesa

Para saber um pouco mais sobre os fundamentos da pesquisa a ser debatida no Centro de Estudos Afro-Orientais, leia o artigo Literatura negra: uma voz quilombola na literatura brasileira, da professora de literatura e renomada poeta Conceição Evaristo, texto que apresenta elementos básicos para a caracterização das vozes literárias negras que mantém um dialogismo tenso com o cânone literário brasileiro, conforme propõe Simone Santos –- clique AQUI. Para visitar o site do Pós-Afro e conhecer este ativo programa de pós-graduação em estudos étnicos e africanos, clique na imagem acima.

extensão & cultura

outubro 29, 2009 às 11:30 | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
Tags: , , , , , ,

extensao&cultura

Mais um evento na nossa universidade que põe em primeiro plano as pesquisas voltadas para as questões identitárias. Clicando na imagem acima, ou logo ao lado, visite o sítio da VI Semana de Extensão, nesta edição desenvolvendo o tema Extensão e Cultura, e confira a diversificada programação que se estende por todos os campi da UFS. Em Itabaiana, terão lugar apresentações artísticas, oficinas, mini-cursos, palestras & exposições  que abordam as expressões da cultura em suas múltiplas dimensões: como performance, como ritual, como produção de artefatos e de saberes, como técnicas, memórias e vida cotidiana. A organização da VI Semana convida os estudantes interessados a trabalhar como monitores do evento, quem quiser se inscrever procure a pedagoga Luciane na Secretaria dos Núcleos. Também ainda existe espaço para a inclusão na programação de entidades e atividades artísticas representativas da cultura sergipana, se você conhece algum grupo, contate a Luciane. 

No mini-curso que estarei oferecendo entre os dias 6 e 7 de novembro, focalizaremos uma obra literária – o romance A gloriosa família, do escritor angolano Pepetela — na qual ficção e história se entrelaçam para a construção de um olhar inovador sobre o passado colonial partilhado por Brasil e Angola, colocando em destaque o ponto de vista de um africano escravizado sobre o sistema cultural e político a partir do qual foram geradas essas nações. Em paralelo a esse trabalho de releitura crítica da história, o romance de Pepetela proporciona um eloquente testemunho sobre a luta do oprimido contra as forças que pretendem desumanizá-lo, sobretudo as ideologias racistas, mostrando como a aparente passividade pode converter-se numa poderosa arma de resistência e de resgate da dignidade. Laureado com o Prêmio Camões em 1997, largamente reconhecido como um dos mais importantes autores da Literatura Angolana, contando com várias edições de suas obras no Brasil, Pepetela  também está entre os escritores africanos mais estudados nas universidades brasileiras. O romance que discutiremos já integrou a lista de textos literários recomendados para o vestibular da Universidade Federal da Bahia, existindo uma ampla bibliografia analítica, inclusive disponível na web, acerca dele. Novas postagens serão feitas em breve no LUSOLEITURAS e no MUJIMBO (clique aqui e saiba muito mais sobre Angola), tendo em vista oferecer suporte ao mini-curso.  

 A_GLORIOSA_FAMILIA_1231100185P

         angola_bandeira         pepetela-red

identidade & alteridade: inscrições abertas & algumas considerações teóricas & pedagógicas

outubro 16, 2009 às 17:02 | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
Tags: , , , , , , , , , ,

alteridade

O que realmente distingue os seres humanos uns dos outros? As características físicas ou os estilos de vida, os valores culturais? De acordo com o que podemos chamar de perspectiva essencialista sobre as identidades, esses valores estariam impregnados no “sangue” ou na “alma” dos indivíduos que compõem cada povo, como resultado dos séculos de convívio endogâmico e de manutenção dos costumes tradicionais, costumes estabelecidos através dos mitos fundadores. Para a perspectiva historicista (também denominada antropológica, ou construcionista, ou pós-moderna), esses valores estão continuamente sendo negociados no interior das sociedades, processo que se dá em correlação direta com as tensões políticas e econômicas que afetam a estas, bem como com o desenvolvimento de novos conhecimentos e interpretações sobre a realidade humana.

No âmbito da Era Moderna –- vale dizer, dos acontecimentos sucedidos nos últimos 500 anos –- a intensificação dos contatos e das trocas entre as mais diversas comunidades torna cada vez mais complexo e problemático a produção de identidades estáveis, questão que também repercute fortemente na estabilidade das estruturas de poder, pondo em xeque diversos tipos de privilégios e barreiras. Em suas dimensões psicológicas e subjetivistas, os processos de identificação vivenciados por cada pessoa abrangem, presentemente, uma gama variada de composições de comportamentos, crenças e gostos, gerando indivíduos multifacetados, sujeitos a transições radicais de personalidade e a crises de orientação. No plano das artes, a complexidade alcançada pelo “jogo das identidades” (Stuart HALL. A identidade cultural na pós-modernidade) expressa-se nos diversificados impulsos de questionamento dos cânones, de renovação formal, de deslocamento temático, de vanguardismo e experimentalismo, de radicalização criativa e de abertura sincrética que vão redefinir as noções de beleza, e do próprio sentido do fazer artístico, ao longo do século XX. Conforme sintetiza Hall, “à medida em que os sistemas de significação e representação cultural se multiplicam, somos confrontados por uma multiplicidade desconcertante e cambiante de identidades possíveis, com cada uma das quais poderíamos nos identificar — ao menos temporariamente”.

Em meio à “géleia geral” (ouça a canção de Gilberto Gil com este título no MUJIMBO) que configura as identidades pós-modernas, a qual significado efetivo palavras como diferença ou alteridade podem remeter? Para o professor Francisco Ferreira Lima, retomando conceitos elaborados pelo antropólogo argelino Francis Affergan, a alteridade consiste numa forma de relação intersubjetiva, ou intercultural, que leva os indivíduos a questionarem os fundamentos de suas certezas,de seus critérios de normalidade, estimulando assim a criatividade para a busca de novos projetos existenciais e de novas modalidades de vida coletiva. Contudo, a experiência transformadora da alteridade tende a ser reprimida, segundo Lima, pelo impulso de diferenciação, que tende a menosprezar e desumanizar os valores do Outro que destoem dos padrões fixados pela tradição. Para saber mais sobre esses conceitos, leia o artigo de Francisco Lima, “De Caminha a Mendes Pinto: Brasil, Extremo Oriente e outras maravilhas”, disponível em português na edição eletrônica da Revista de Filologia Románica da Universidade Complutense Madrid. (para ler outros textos de LIMA, consulte o MUJIMBO)

Para os objetivos de nossos cursos, o que o jogo das identidades põe em causa é a aquisição de competências teóricas e interpretativas que possibilitem aos graduandos caracterizar e analisar imagens identitárias representadas em textos artístico-literários, bem como avaliar, no campo das artes verbais, os efeitos estéticos das transformações culturais modernas. Na LitPort 1, merece destaque, entre outros fatores que compõem as visões-de-mundo renascentista e barroca, o estudo das transformações relacionadas à elaboração das ideologias que legitimaram o processo colonial e a hierarquização dos povos em “raças”, tomando-se principalmente o texto de Os lusíadas como objeto desse estudo.

Para a LitPort 3, cabe examinar a repercussão, na poética de Fernando Pessoa, da Revolução Industrial e da crise da racionalidade ocidental gerada pelo que Hall chama de “grandes descentramentos”. A primeira fonte desses descentramentos, segundo Hall, foi a reflexão marxista, que se opôs à idéia liberal-iluminista de autonomia humana fundada no individualismo egocêntrico ou num abstrato livre-arbítrio, voltada apenas para a realização pessoal. Pelo novo ponto de vista proposto por Karl Marx, podemos considerar que as identidades são sempre produtos coletivos e interacionais, fortemente dependentes das condições materiais, ou sócio-históricas, nas quais são engendradas. A alteridade, assim, reporta-se às forças que induzem à superação da sociedade capitalista, criticando-a ou formulando alternativas utópicas para esta.

O segundo descentramento deriva das conclusões de Sigmund Freud acerca da natureza polimórfica e dividida da psiquê humana. Em paralelo à assimilação das regras de convívio social e das imposições da luta pela sobrevivência, cada sujeito lida com uma pluralidade de desejos nos quais, para Freud e Jacques Lacan, se entrelaçam as lembranças da infância e os diversos tipos de “espelhamentos”, ou de projeções identificadoras, que formaram a personalidade. Reorganizados na lógica do “inconsciente”, esses desejos alimentam conflitos psicológicos e morais cada vez mais intricados nos sujeitos modernos, conflitos que se expressam através de comportamentos obsessivos, neuroses, fragmentações e multiplicações do “eu”. A alteridade fica assim instalada no cerne do próprio aparelho psíquico, resultando da coexistência entre as racionalizações conscientes e o fantasiamento inconsciente com que elaboramos nossas narrativas identitárias pessoais e coletivas.

Retomando as teses de Michel Lowy e Robert Sayre (cf. Revolta e melancolia – o romantismo na contramão da modernidade, Vozes, 1995), podemos considerar que o Romantismo, o Realismo e os vários Neo-Realismos expressam os principais efeitos estéticos do descentramento marxista. Para a literatura Modernista, por sua vez, as influências preponderantes derivam do descentramento freudiano e, também, daquele descentramento linguístico que foi promovido pelo trabalho de Ferdinand de Saussurre. Encaradas como sistemas de remissão, através dos quais são gerados, partilhados e recombinados os símbolos que articulam primariamente experiência sensível e pensamento, as línguas desempenham funções básicas na reprodução da realidade e na construção da auto-consciência. Pode-se assim conceber, sob uma ótica logocêntrica, que os processos de estruturação de sentidos que compõem nossas identidades organizam-se como uma espécie de gramática, proposição que coloca em evidência a dimensão discursiva, ou a dimensão narrativa, que é constitutiva dos sujeitos. Uma dimensão marcada pela ambiguidade, pela instabilidade, pelo deslizamento e entrecruzamento dos referentes, como atestam as pesquisas da filosofia pós-estruturalista, renovadoras do pensamento saussureano, pesquisas que fornecem subsídios fundamentais para a formulação teórica do caráter transitivo e “multimodulado” (HALL, op. cit.) do sujeito pós-moderno.

Na poesia de Fernando Pessoa, isto é, nos diversos jogos fonéticos, sintáticos e semânticos com que este escritor procurou traduzir sua subjetividade fragmentada, encontram-se formulados artisticamente os muitos impasses gerados pela exaustão da razão discursiva, pela incapacidade da reflexão científica para superar o materialismo mecanicista e oferecer respostas aos muitos enigmas e mistérios que perpassam o desenrolar efetivo das vidas humanas. A alteridade, nessa poesia, representa-se através de imagens paradoxais, das quais se desdobram ecos, reflexos, sombras, duplicidades, diálogos fantasmáticos, cisões introspectivas, tal como pode ser observado no poema “Brilha uma voz na noute” (ou “A voz de Deus”), ou “Sopra demais o vento” (versos que foram musicados pelo neo-fadista Camané e pelo brasileiro Jardel Caetano), ou no famoso “Autopsicografia”, que aborda a consciência da alteridade interna ao sujeito moderno como dramaturgia íntima, como “fingimento”. Se a alteridade, como sugere Francisco Lima, traduz uma experiência da vertigem identitária, é então sobre ela que escreve Pessoa quando desenvolve as metáforas do abismo, remetendo à percepção da falta de significado estável para a existência; da máscara, que põe em evidência as contradições que se acumulam à medida em que envelhecemos. Mas é sobretudo pelo jogo das heteronímias, é através dessa polifonia  cultivada como estilo, que se expressa a perspectiva mais radical de Pessoa quanto à experiência da alteridade moderna, concebida como um trabalho constante de reescrita, ou de ficcionalização, de si mesmo, isto é, de articulação entre diversas e distintas narrativas pessoais.

 

gepiadde logo

Outro importante momento para aprofundarmos nossa reflexão sobre a alteridade será proporcionado pelo III FÓRUM IDENTIDADES E ALTERIDADES, promoção do GEPIADDE (Grupo de Estudos e Pesquisas Identidades e Alteridades: Diferenças e Desigualdades na Educação) a ocorrer entre 11 a 13 de novembro de 2009 no Campus Itabaiana da UFS, versando sobre o tema: “EDUCAÇÃO, DIVERSIDADE E QUESTÕES DE GÊNERO”. O evento contará com uma grande oferta de mini-cursos relacionados à temática da identidade e está aceitando inscrições para apresentação de comunicações até o dia 31/10. Necessita-se também de voluntários para trabalhar como monitores, os interessados devem entrar em contato comigo assim que possível. No período do Fórum, as aulas nas LitPort 1 e 3 serão suspensas para acompanharmos as atividades. Informem-se e participem!

ciência & cinema & literatura: precisam-se monitores

outubro 16, 2009 às 10:32 | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
Tags: , , , , ,

site semanaIC

No dia 21/10, ao longo do dia, estarão ocorrendo diversas iniciativas no Campus Prof. Alberto Carvalho relacionadas à participação da UFS na Semana Nacional de Ciência e Tecnologia 2009. O Núcleo de Letras disporá de uma sala na qual será montada uma video-exposição que organizei, intitulada Literatura & Cinema: diálogos & traduções. O evento está cadastrando monitores, os interessados devem entrar em contato comigo, por email, o mais brevemente possível. Se quiser saber mais sobre a proposta da Semana, clique AQUI.

Semana IC_MINUS

voltando às apresentações

setembro 20, 2009 às 8:43 | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
Tags: , , , , , ,

Olá para tod@s. Nossa aula de quarta-feira, dia 23/09, está CONFIRMADA. Devem, portanto, se apresentar nesse dia as equipes 4 & 5 das turmas de LitPort1 e LitPort3.

O encontro de 25/9, sexta-feira, está suspenso devido a minha participação no II Congresso Baiano de Pesquisadores Negros (CBPN II), a realizar-se na Universidade Estadual de Feira de Santana.

saiba mais sobre o congresso

ERELINS

setembro 3, 2009 às 20:40 | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
Tags: , , ,

erelins

Para o segundo semestre letivo de 2009, mais precisamente entre 16 e 18 de setembro, por meio de uma ação integrada entre corpo docente e discente, o Núcleo de Letras da UFS-Itabaiana propõe a realização do I Encontro Regional Linguagem, Interação e Sociedade – ERELINS.  Tal Encontro propõe a reflexão acerca de alguns dos novos sentidos e práticas que presentemente se desdobram do conceito de Linguagem, emergências estas que têm repercutido diretamente na definição tanto de competências e problemáticas pedagógicas, quanto de grupos identitários ou de interfaces disciplinares.


Entries e comentários feeds.