a derrota vexatória do preconceito linguístico

julho 1, 2011 às 18:28 | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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O_LIVRO_DIDATICO_DE_PORTUGUES_1262015148P                                        livro didatico portugues novas palavras

Livro Didático

Ministério Público freia obscurantismo e arquiva processo

O Ministério da Educação informa o arquivamento do inquérito civil instaurado pelo Ministério Público Federal (MPF) da Procuradoria da República do Distrito Federal, em face da obra Por uma vida melhor, livro didático que gerou polêmica na imprensa.

Ao contrário do que foi divulgado pela imprensa, o inquérito já havia sido arquivado desde a semana passada. O texto do MPF que promove o arquivamento do inquérito menciona que a dinâmica desenvolvida pelo Programa Nacional do Livro Didático para a Educação de Jovens e Adultos (PNLD EJA) apresenta-se “de modo eficiente em seu desenvolvimento, principalmente no tocante aos rigorosos critérios impostos para a seleção de professores especialistas, entre eles mestres e doutores, o que mantém o Brasil no patamar dos países de vanguarda nos trabalhos de indicação de livros didáticos.”

De acordo com o MPF, “a obra didática não é objeto de indicação política, mas fruto de estudos e de avaliações rigorosas desenvolvidas por especialistas da área de educação”. O Procurador alegou, também, que a discussão acerca da polêmica gerada em torno da escolha do livro Por uma vida melhor foi apresentada pela mídia de um modo “quiçá temerário”.

No documento, o procurador da república do Distrito Federal, Peterson de Paula Pereira, alega que a mídia, na discussão acerca do livro, transmitiu “a ideia de que o indigitado livro pudesse ensinar a língua portuguesa de modo errado aos estudantes, quando, na verdade, o Ministério da Educação propôs à sociedade a introdução e reflexão acerca da linguística”. Ainda de acordo com o procurador, restou evidenciado que “não há elementos plausíveis” indicativos de que o livro em questão “esteja a propagar o ensino errado da língua portuguesa”.

Concluiu o procurador, para embasar o pedido de arquivamento do inquérito, que não houve “ofensa aos princípios norteadores da educação, tampouco naqueles informadores da dignidade da pessoa humana”.

FONTE: Portal do MEC

normas e realidades da linguagem em debate

maio 31, 2011 às 1:14 | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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dossie linguagem IHU

Clique na imagem para acessar o dossiê da revista IHU Online.

diferença linguística, preconceito e poder no Brasil

maio 28, 2011 às 22:21 | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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A propósito da polêmica acerca do “livro que ensina a falar errado”, vale a pena conferir no vídeo abaixo, produzido pela Univesp TV, as certeiríssimas considerações do professor José Fiorin, autor de referência para a discussão das relações entre linguagem e poder. Na sequência, leia o posicionamento oficial adotado pela Associação Brasileira de Linguística (Abralin) sobre a questão.

Língua e Ignorância

Nas duas últimas semanas, o Brasil acompanhou uma discussão a respeito do livro didático Por uma vida melhor, da coleção Viver, aprender, distribuída pelo Programa Nacional do Livro Didático do MEC. Diante de posicionamentos virulentos externados na mídia, alguns até histéricos, a ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE LINGUÍSTICAABRALIN – vê a necessidade de vir a público manifestar-se a respeito, no sentido de endossar o posicionamento dos linguistas, pouco ouvidos até o momento.

Curiosamente é de se estranhar esse procedimento, uma vez que seria de se esperar que estes fossem os primeiros a serem consultados em virtude da sua expertise. Para além disso, ainda, foram muito mal interpretados e mal lidos.

O fato que, inicialmente, chama a atenção foi que os críticos não tiveram sequer o cuidado de analisar o livro em questão mais atentamente. As críticas se pautaram sempre nas cinco ou seis linhas largamente citadas. Vale notar que o livro acata orientações dos PCN (Parâmetros Curriculares Nacionais) em relação à concepção de língua/linguagem, orientações que já estão em andamento há mais de uma década. Além disso, não somente este, mas outros livros didáticos englobam a discussão da variação linguística com o intuito de ressaltar o papel e a importância da norma culta no mundo letrado. Portanto, em nenhum momento houve ou há a defesa de que a norma culta não deva ser ensinada. Ao contrário, entende-se que esse é o papel da escola, garantir o domínio da norma culta para o acesso efetivo aos bens culturais, ou seja, garantir o pleno exercício da cidadania . Esta é a única razão que justifica a existência de uma disciplina que ensine língua portuguesa a falantes nativos de português.

A linguística se constituiu como ciência há mais de um século. Como qualquer outra ciência, não trabalha com a dicotomia certo/errado. Independentemente da inegável repercussão política que isso possa ter, esse é o posicionamento científico. Esse trabalho investigativo permitiu aos linguistas elaborar outras constatações que constituem hoje material essencial para a descrição e explicação de qualquer língua humana.

Uma dessas constatações é o fato de que as línguas mudam no tempo, independentemente do nível de letramento de seus falantes, do avanço econômico e tecnológico de seu povo, do poder mais ou menos repressivo das Instituições. As línguas mudam. Isso não significa que ficam melhores ou piores. Elas simplesmente mudam. Formas linguísticas podem perder ou ganhar prestígio, podem desaparecer, novas formas podem ser criadas. Isso sempre foi assim. Podemos ressaltar que muitos dos usos hoje tão cultuados pelos puristas originaram-se do modo de falar de uma forma alegadamente inferior do Latim: exemplificando, as formas "noscum" e "voscum", estigmatizadas por volta do século III, por fazerem parte do chamado "latim vulgar", originaram respectivamente as formas "conosco" e "convosco".< /FONT>

Outra constatação que merece destaque é o fato de que as línguas variam num mesmo tempo, ou seja, qualquer língua (qualquer uma!) apresenta variedades que são deflagradas por fatores já bastante estudados, como as diferenças geográficas, sociais, etárias, dentre muitas outras. Por manter um posicionamento científico, a linguística não faz juízos de valor acerca dessas variedades, simplesmente as descreve. No entanto, os linguistas, pela sua experiência como cidadãos, sabem e divulgam isso amplamente, já desde o final da década de sessenta do século passado, que essas variedades podem ter maior ou menor prestígio. O prestígio das formas linguísticas está sempre relacionado ao prestígi o que têm seus falantes nos diferentes estratos sociais. Por esse motivo, sabe-se que o descon hecimento da norma de prestígio, ou norma culta, pode limitar a ascensão social. Essa constatação fundamenta o posicionamento da linguística sobre o ensino da língua materna.

Independentemente da questão didático-pedagógica, a linguística demonstra que não há nenhum caos linguístico (há sempre regras reguladoras desses usos), que nenhuma língua já foi ou pode ser "corrompida" ou "assassinada", que nenhuma língua fica ameaçada quando faz empréstimos, etc. Independentemente da variedade que usa, qualquer falante fala segundo regras gramaticais estritas (a ampliação da noção de gramática também foi uma conquista científica). Os falantes do português brasileiro podem fazer o plural de "o livro" de duas maneiras: uma formal: os livros; outra informal: os livro. Mas certamente nunca se ouviu ninguém dizer "o livros". Assim também, de modo bastante generali zado, não se pronuncia mais o "r" final de verbos no infinitivo, mas não se deixa de pronunciar (não de forma generalizada, pelo menos) o "r" final de substantivos. Qualquer falante, culto ou não, pode dizer (e diz) "vou comprá" para "comprar", mas apenas algumas variedades diriam ‘dô’ para ‘dor’. Estas últimas são estigmatizadas socialmente, porque remetem a falantes de baixa extração social ou de pouca escolaridade. No entanto, a variação da supressão do final do infinitivo é bastante corriqueira e não marcada socialmente. Demonstra-se, assim, que falamos obedecendo a regras. A escola precisa estar atenta a esse fato, porque precisa ensinar que, apesar de falarmos "vou comprá" precisamos escrever "vou comprar".  E a linguística ao descrever esses fenômenos ajuda a entender melhor o funcionamento das línguas o que deve repercutir no processo de ensino.

Por outro lado, entendemos que o ensino de língua materna não tem sido bem sucedido, mas isso não se deve às questões apontadas. Esse é um tópico que demandaria uma outra discussão muito mais profunda, que não cabe aqui.

Por fim, é importante esclarecer que o uso de formas linguísticas de menor prestígio não é indício de ignorância ou de qualquer outro atributo que queiramos impingir aos que falam desse ou daquele modo. A ignorância não está ligada às formas de falar ou ao nível de letramento. Aliás, pudemos comprovar isso por meio desse debate que se instaurou em relação ao ensino de língua e à variedade linguística.

Maria José Foltran
Presidente da ABRALIN

Secretaria Abralin/Gestão UFPR 2009-2011

que tal licenciar-se em Portugal?

março 17, 2011 às 5:46 | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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Galo_Bar

Projetos de melhoria do ensino podem valer bolsa em Portugal

Quarta-feira, 16 de março de 2011

A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), em parceria com a Universidade de Coimbra, de Portugal, lança nesta quarta-feira, 16, a nova edição do Programa de Licenciaturas Internacionais Capes-UC, que seleciona projetos de melhoria do ensino e da qualidade na formação inicial de professores nas áreas de química, física, matemática, biologia, português, artes e educação física. As inscrições vão até o dia 28 de abril.

O objetivo é estimular o intercâmbio de estudantes de graduação em licenciaturas em nível de graduação-sanduíche, com apoio do Grupo Coimbra de Universidades Brasileiras (GCUB). Os projetos de parceria institucional selecionados terão atividades iniciadas em setembro de 2011.

Modalidades de Apoio – Para os estudantes brasileiros de graduação, cujo período de permanência no exterior deve ser de 24 meses, os benefícios são seguro saúde e auxílio instalação, pagos em uma única vez, no Brasil; bolsa no valor de € 600 por mês, e passagem aérea.

O programa prevê, ainda, missões de trabalho, com duração mínima de dez e máxima de 30 dias, com o objetivo de facilitar a integração dos alunos à nova cultura universitária; ajustar as respectivas estruturas curriculares; acompanhar o desenvolvimento do projeto; avaliar os seus impactos; manter comunicação permanente entre as instituições envolvidas, e sistematizar informações a respeito do programa que possibilitem a geração de banco de dados.

Entre os benefícios estão seguro saúde e diárias, além de passagens aéreas de ida e volta, no trecho Brasil-Portugal. O número máximo de participantes é de duas pessoas por ano, incluindo o coordenador do projeto. Os recursos devem ser utilizados conforme previsto no Manual de concessão e prestação de contas de auxílio financeiro a pesquisador.
Serão apoiados até 30 projetos. Cada projeto poderá contemplar até sete estudantes, totalizando o número máximo de 210 estudantes.

Candidaturas – Para inscrição, as propostas devem ter caráter institucional e priorizar ações preferencialmente para um conjunto de cursos de licenciatura da respectiva instituição. Além disso, a instituição brasileira deve possuir acordo com a Universidade de Coimbra, em Portugal, e ser membro de rede de universidades com vocação para cooperação internacional. O coordenador deve ser um docente com título de doutor há pelo menos cinco anos, que detenha reconhecida competência na área e disponibilidade de tempo para as atividades acadêmicas e administrativas referentes ao projeto. A equipe deve ter, ainda, pelo menos outros dois docentes doutores.

Os bolsistas devem ter cursado dois semestres da graduação (licenciatura ou sistema de ciclos) nas áreas elencadas no edital, ter cursado todo o ensino médio e pelo menos dois anos do ensino fundamental em escolas públicas brasileiras e ter obtido aprovação integral nos estudos realizados.Outros requisitos para inscrição encontram-se no edital.

Inscrição – As inscrições serão gratuitas e efetuadas por meio do preenchimento de formulários e envio de documentos discriminados no edital, exclusivamente via internet, pela página da Capes. A documentação complementar deverá ser incluída, obrigatoriamente, no ato do preenchimento da inscrição na internet, em arquivo eletrônico. A seleção se desenvolverá em quatro fases, todas de caráter eliminatório, sendo elas verificação da consistência documental, análise de mérito, priorização das propostas e reunião conjunta. Os resultados serão divulgados em agosto deste ano.

Mais informações podem ser obtidas pelo endereço eletrônico cpro@capes.gov.br.

FONTE: Ministério da Educação

discursos sobre as lusofonias

novembro 6, 2010 às 14:44 | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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ciberduvidas

Além de dar suporte para o esclarecimento de questões gramaticais, o site CIBERDÚVIDAS DA LÍNGUA PORTUGUESA disponibiliza antologias de textos curtos que abordam variadas dimensões do nosso idioma “comum”. Para @s estudantes da LitPort1 interessados nesse tema, pode ser uma visita bastante produtiva, confiram clicando na imagem acima.

escrever é preciso

setembro 23, 2010 às 20:49 | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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Estudo analisa habilidade da escrita de estudantes universitários

17/09/2010

Mesmo com o aumento nacional do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2007 a 2009 em todas as etapas da educação básica, o desempenho de muitos estudantes ficou aquém do esperado. As metas específicas estabelecidas por 23% dos municípios do país para o últimos anos do ensino fundamental não foram alcançadas; 21% registraram queda do Ideb, totalizando 1.146 cidades. No ensino médio, cinco estados, incluindo Sergipe, obtiveram nota inferior à estipulada por seus governos. A média nacional nessa faixa de ensino foi de 3,6, considerada a mais baixa.

O Brasil ainda apresenta fatores que diminuem o desempenho na educação, como alta taxa de repetência escolar e baixo índice de conclusão da educação básica, de acordo com informações da Unesco presentes no “Monitoramento de Educação para Todos 2010”. De 2005 a 2007, o país perdeu 12 posições no índice de educação feito pela organização, ficando em 88° lugar entre 128 países.
Nesse contexto da educação, a habilidade de leitura e escrita dos estudantes é um aspecto da aprendizagem que acaba sendo prejudicado. Foi o que constatou uma pesquisa orientada pela professora Raquel Meister Ko Freitag, especialista em Linguística, do Núcleo de Letras da UFS.

Intitulado “Não sei escrever: habilidade da escrita acadêmica dos graduandos do campus universitário Prof. Alberto Carvalho/UFS”, o trabalho mostra que a deficiência na escrita se estende da educação básica para o ensino superior. Como a universidade oferece poucos meios para aperfeiçoar essa habilidade, pois pressupõe o conhecimento da língua por parte dos aprovados no vestibular, o aluno encontra dificuldade para realizar tarefas básicas, como por exemplo, escrever um fichamento, uma resenha ou responder a uma prova.

“Aplicamos um questionário de autoavalição em 45 alunos de vários cursos do campus de Itabaiana. Percebemos que o aluno encontra dificuldades para se expressar textualmente, falta domínio das normas gramaticais e ortográficas. Eles próprios reconhecem isso como algo prejudicial ao desenvolvimento das atividades acadêmicas”, diz a professora.

Outros estudos brasileiros sobre o tema foram feitos com resultados semelhantes. Em 2006, as pesquisadoras da Universidade de São Francisco Neide de Brito Cunha e Acácia A. Angeli dos Santos divulgaram os resultados dos testes aplicados em 134 alunos de duas instituições particulares de nível superior de São Paulo e Minas Gerais. Eles confirmam que a habilidade de leitura e escrita dos universitários está aquém do esperado. Percebeu-se ainda que quanto menor a compreensão em leitura, maior a ocorrência de erros na produção escrita.

A conclusão do projeto desenvolvido por Raquel Meister aponta uma possível solução para o quadro. “A análise das respostas indica a necessidade de incluir na grade curricular de todos os cursos uma disciplina voltada para o aprimoramento da escrita”, afirma. Mas, a questão levantada é: a universidade estaria assumindo dessa forma uma responsabilidade da escola básica?

Adaptação
Para suprir a falta de domínio da língua portuguesa dos seus alunos, um dos professores do curso de Matemática do campus de Itabaiana passou a levar textos para trabalhar em sala de aula, conforme relata o estudante universitário Fábio Oliveira Santos, do 6º período. Seu colega de curso, Anderson Góis, do 2º período, diz que recentemente passou a sentir dificuldades para atender às exigências da graduação. “Minha turma está achando complicado elaborar artigos. Acho que uma disciplina própria para escrever textos ajudaria a fazer os trabalhos que os professores pedem”.

A necessidade de produzir conhecimento acadêmico e prepará-lo para uma possível publicação dentro dos parâmetros exigidos pelos órgãos de pesquisa leva os alunos a buscar formas de aprimorar sua escrita. Foi o que aconteceu com Rosenilde Alvez dos Santos, do 8º período de Pedagogia. “A disciplina de metodologia científica me ajudou na adaptação do texto do ensino médio para o da universidade. Entrar em um projeto de pesquisa ou participar de eventos pode ser uma boa forma de desenvolver a escrita”.
Jackeline de Carvalho Peixoto, 6º período de Letras, uma das estagiárias do grupo de pesquisa da professora Raquel Meister, diz que é comum sentir o impacto da mudança da escola para a universidade e que até hoje ainda encara o texto acadêmico como um desafio. No entanto, segundo ela, a formação básica não ofereceu suporte necessário para o aprimoramento da escrita. “Na escola, produzíamos redação, mas não havia debates para melhor compreensão do assunto. Só no último ano do ensino médio é que começamos a desenvolver esse lado. Mesmo assim, muitos estudantes não tinha estímulo para ler e praticar”.

O professor de Física José Gerivaldo dos Santos Duque diz que os estudantes apresentam dificuldade em expressar suas ideias nos testes e relatórios. Além disso, também existe o problema de muitos não saberem interpretar o enunciado da avaliação. “Acredito que essa é uma falta que vem da base, de uma ensino deficiente”, diz o professor.

Soluções
A professora Raquel Meister mostra a importância da boa capacidade de expressão lingüística. “O domínio da norma culta da língua confere poder, pois é uma ferramenta importante no exercício da cidadania”, afirma. Para solucionar o problema verificado através da pesquisa, que reflete uma realidade não apenas sergipana, mas do país inteiro, não bastam medidas emergenciais: é preciso que a universidade e a escola básica se unam no compromisso de garantir uma educação plena ao estudante. “Adicionar na universidade uma disciplina de aprimoramento dessa habilidade seria uma medida paliativa. A solução definitiva é colocar professores preparados para romper com esse ciclo nas escolas”, explica Raquel.

Foi por isso que em maio de 2010 teve início outro projeto da professora, que leva os graduandos de licenciatura de Itabaiana às escolas. A ideia é fazer um diagnóstico da escola selecionada para depois aplicar ações específicas de acordo com os problemas encontrados. “Queremos incentivar o estudante a permanecer na escola depois da graduação, e prepará-los para lidar com a realidade da sala de aula”.

A linha de pesquisa da professora engloba também ações de aprimoramento da escrita na comunidade acadêmica, através de oficinas e minicursos ligados ao tema. Ainda há a produção de uma revista de divulgação científica denominada Feira de Ciência e Cultura, para publicar os trabalhos produzidos pelos pesquisadores da universidade.

Raquel Brabec

FONTE: Portal UFS

Pessoa no Museu da Língua Portuguesa em São Paulo

agosto 25, 2010 às 0:03 | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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pessoa exp museu lingua

Uma espécie de labirinto no qual cada passo leva o visitante a uma experiência poética única, dividida em vozes e estilos diferentes, mas oriundos de uma mesma fonte: a escrita de Fernando Pessoa. A exposição “Fernando Pessoa, plural como o universo”, a primeira sobre um autor português no Museu da Língua Portuguesa, pretende mostrar a multiplicidade da vida e da obra do poeta, que se revela nos versos das dezenas de heterônimos (nomes imaginários sob os quais o autor identificava obras escritas por ele, mas com características próprias) e personagens literários criados por ele.

Saiba mais visitando o site da exposição.

ganhe uma medalha escrevendo!

maio 11, 2010 às 22:10 | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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olimpiada-de-lingua-portuguesa

Adesão dos professores deve garantir o êxito da              Olimpíada de Português

Secretária de Educação Básica do MEC aposta na participação dos docentes, que podem se inscrever até dia 14

Convidar, chamar, convocar os professores da educação básica para participar da segunda Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro. É esse o pedido que a Secretaria de Educação Básica (SEB) do MEC faz aos quase 5 mil municípios que já aderiram ao concurso.

A adesão das redes municipais de educação é alta, mas o número de professores inscritos ainda é baixo, diz o coordenador geral de tecnologias da educação da SEB, Raymundo Ferreira Filho. Até as 12 horas desta segunda-feira, 10, aderiram 4.766 municípios, 37.155 escolas e 83.759 professores. A adesão e as inscrições podem ser feitas até a próxima sexta-feira, 14.

A inscrição dos professores do quinto ao nono ano do ensino fundamental (quarta à oitava série) e das três séries do ensino médio é que define a abrangência da olimpíada, explica Raymundo. Como a maioria das prefeituras já aderiu, é preciso que elas mobilizem seus professores para participar.

Dados do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec), entidade que coordena o concurso, indicam que a média de inscrições por semana varia de 10 mil a 15 mil, daí a importância de fazer um esforço nesta última semana para duplicar a participação. Em 2008, a olimpíada teve a adesão de 4.575 municípios e de 130 mil professores. A expectativa do Ministério da Educação e da Fundação Itaú Social, promotores do evento, é de que 98% dos municípios, 200 mil professores e 9 milhões de estudantes participem do concurso.

O tema da olimpíada é "O lugar onde vivo". Professores e estudantes vão trabalhar textos de quatro gêneros literários. Alunos do quinto e sexto ano do ensino fundamental (quarta e quinta séries) vão desenvolver a poesia; sétimo e oitavo ano (sexta e oitava séries), textos no gênero memória; nono ano do ensino fundamental e primeira série do ensino médio, crônica; segunda e terceira séries do ensino médio, artigo de opinião.

Na página eletrônica da olimpíada, secretarias de educação, diretores de escolas e professores encontram o regulamento, objetivos, ficha de inscrição, prazos, prêmios.

Podem, ainda, solicitar informações pelo telefone gratuito 0800-771-9310.

(Assessoria de Comunicação do MEC)

FONTE: Jornal da Ciência

recomeçando a batalha: notícias do front (nada boas…)

março 18, 2010 às 1:46 | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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enem

Olá para tod@s, o LUSOLEITURAS reinicia as atividades neste novo semestre letivo de 2010.I sob o fogo da escandalosa crise dos valores pedagógicos no Ensino brasileiro atestada pelos resultados do Enem 2009. Na matéria abaixo, um breve mas contundente panorama da situação.

Metade dos alunos não atingiu média no Enem

Lisandra Paraguassú, O Estado de SP, 29/1/2010

Excluindo redação, candidatos fizeram menos de 500 pontos em cada área avaliada

Quase metade dos 2,6 milhões de alunos que prestaram o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em 2009 teve notas inferiores aos 500 pontos estabelecidos como média pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), responsável pela prova, em todas as quatro áreas avaliadas.

Em matemática, a prova considerada mais difícil, 57,7% dos candidatos ficaram abaixo da média. A escala apresentada nesta quinta-feira (28/1) pelo Inep atribuiu ao resultado obtido pelos estudantes que ficaram no meio, nem tão ruins nem tão bons, a nota 500 – no caso, foram usados apenas daqueles que concluíram o ensino médio em 2009.

Quanto mais além de 500 melhor a situação do aluno. Acima de 800 pontos, informou o presidente do Inep, José Soares Neto, apenas uma minoria. Da mesma forma, quanto mais baixo pior.

A análise de quantos alunos ficaram em cada uma das faixas de pontos mostra que boa parte não conseguiu nem mesmo alcançar essa média. Na prova de linguagens, que inclui português, 47% dos estudantes ficaram com menos de 500 pontos e 1,3% ficou abaixo de 300, o que significa que praticamente zeraram o exame, cuja nota mais baixa foi 224,3 pontos, a menor entre as quatro avaliadas. Em ciências humanas, nenhum aluno teve resultados inferiores a 300 pontos, mas apenas 0,1% conseguiu passar dos 700.

A metade ficou abaixo dos 500 pontos. Em ciências da natureza, 48,7% não alcançaram a média e apenas 0,2% passou dos 700 pontos. Nessa área, no entanto, 0,8% dos candidatos não alcançaram os 300 pontos. A nota mais baixa foi 263,3.

Matemática teve a nota mais alta entre as áreas, 985,1 pontos. No entanto, esse resultado foi obtido por apenas um estudante. Só 0,3 % passou dos 800 pontos. No ano passado, 2,6 milhões de jovens fizeram a prova.

Pela primeira vez, o Enem não tem uma nota geral do aluno, mas cinco conceitos diferentes, um para cada prova, o que causou confusão entre os estudantes. O Inep optou por não fazer uma média geral de desempenho porque, no Sistema Unificado de Seleção (Sisu), pelo qual os estudantes poderão a partir de hoje se candidatar a 47,9 mil vagas, cada uma das 51 instituições participantes terá seu próprio cálculo.

"Se uma instituição dá peso igual para todas as áreas, é apenas somar e dividir por cinco. Mas, se há pesos diferentes, a conta varia", explicou Neto. O Sisu fará o cálculo para cada curso e instituição que o aluno se inscrever.

Outro ponto que dificultou a compreensão dos resultados este ano é o fato de que a escala não tem nota zero ou mil (a maior na escala). A mínima em cada área é a obtida pelo aluno que teve o pior resultado e a máxima, pelo melhor estudante. A mais baixa foi registrada em linguagens – 224,3 – e a mais alta em matemática.

A única das áreas que teve uma média simples, por ser subjetiva, foi a de redação. No caso, as notas atribuídas às redações foi somada e dividida pelo número de estudantes que fizeram a prova. A média foi 601,5 pontos. Para avaliar o conhecimento de forma mais precisa, o Inep usou a Teoria da Resposta ao Item.

FONTE: Jornal da Ciência

as linguagens de Pessoa & as diferenças linguísticas luso-brasileiras

novembro 19, 2009 às 17:45 | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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estas a percber2

Segue abaixo um interessante artigo que tanto aprofunda algumas das questões discutidas na última aula da LitPort 3 sobre a poética pessoana, especificando procedimentos linguísticos que a caracterizam, quanto levanta questões muito úteis para a reflexão que estamos desenvolvendo na LitPort 1 acerca dos intercâmbios e desencontros identitários entre Brasil e Portugal. De quebra, clicando na imagem acima você pode visitar o blogue ESTÁS A PERCEBER? e acessar um ótimo glossário que explicita as grandes diferenças lexicais e semânticas entre o português da terra de Fernando Pessoa e a língua que falamos aqui no Brasil.   

O acordo ortográfico e a saudade de nós mesmos

Heron Moura

O recente acordo ortográfico com os países de língua portuguesa despertou sensações já adormecidas em relação a Portugal. A reforma é percebida como algo que vai aproximar o Brasil do país que nos colonizou; mudanças de ortografia são vistas como um meio de superar o oceano que nos separa (curiosamente, uma mesma sensação não se impõe em relação aos países africanos de fala portuguesa).

Há um sentimento disperso de que algo que se perdeu no passado pode de novo ser encontrado – uma identidade luso-brasileira. Muitas pessoas crêem firmemente que, com o acordo, o português de Portugal vai ficar mais parecido com o português que se fala aqui – como se as letras e os acentos tivessem um estranho poder sobre a articulação das palavras.
É um sonho de volta às origens, de recuperação de uma identidade perdida. Perdemos o trema, mas em compensação o nosso pai, Portugal, está mais próximo de nós. Toda essa emoção não revela também o desejo de dominar o nosso pai, controlando a sua forma de falar?

Na verdade, a reforma ortográfica é um fato político, e não um acontecimento lingüístico. As diferentes línguas (do Brasil, de Portugal e dos países africanos que falam o português) continuarão seus caminhos distintos. Em especial, o português de Portugal soará cada vez mais estranho para nós, brasileiros. A nossa língua, o português do Brasil, evolui num sentido diferente do português europeu. A gramática deles não é a nossa, o léxico muda muito, a forma de articular as palavras é diferente. Ainda nos compreendemos mutuamente, é claro, mas não é certo que essa inter-comunicação possa durar para sempre. Temos que aceitar essa perda de identidade; o Brasil é suficientemente adulto para não precisar de pai. Fica o afeto, mas já acabou a identificação. Portugal é um importante aliado político, mas isso basta.

Nossa separação de Portugal é intensa, profunda. Por exemplo, a literatura produzida aqui é radicalmente diferente da produzida lá. E isso não apenas em função de valores culturais e estéticos discrepantes. A poesia da língua é diferente.

A literatura que se faz lá explora recursos lingüísticos distintos do que exploramos aqui. Quem aprecia a literatura portuguesa o faz percebendo a diferença lingüística da que se faz no Brasil. A poesia da língua é outra.

Mas a literatura tem o poder de evocar uma identidade subliminar, secreta. Ao ler uma frase literária de um bom autor português, sentimos saudades de nós mesmos. Lamento que toda essa celeuma em torno da reforma ortográfica não tenha tocado na questão da identidade literária de nossos países.

Nunca nenhum escritor brasileiro jamais poderia ter escrito como Fernando Pessoa. Não por razões espirituais ou culturais, mas simplesmente porque ele utiliza um material (a língua de Portugal!) que não está disponível para os brasileiros, assim como a nossa língua não está ao dispor dos autores portugueses.

Vou dar exemplos de prosa dessa poesia da língua que Fernando Pessoa constrói com maestria. Os trechos são do Livro do Desassossego.

“Quão pouco, no mundo real, forma o suporte das melhores meditações. O ter chegado tarde para almoçar, o terem-se acabado os fósforos, o ter eu atirado, individualmente, a caixa para a rua, maldisposto por ter comido fora de horas, ser domingo a promessa aérea de um poente mau, o não ser ninguém no mundo, e toda a metafísica”.

A poesia da língua aí consiste em o poeta usar, artisticamente, um recurso próprio do português de Portugal: a nominalização de tempos verbais compostos (“o ter chegado tarde para almoçar”), que transforma uma marcação de tempo num substantivo. O que acontece vira uma coisa, um ser, que afeta a vida do poeta. E também, requinte do português continental, a nominalização de tempos verbais com infinitivo flexionado: “o terem-se acabado os fósforos”. Há toda uma poesia secreta no infinitivo flexionado!

Vou agora mostrar um segundo tipo de poesia da língua: “Recebi o anúncio da manhã, a pouca luz fria que dá um vago azul branco ao horizonte que se revela, como um beijo de gratidão das coisas.”

Fernando Pessoa usa compulsivamente a estrutura Adjetivo + Substantivo + Adjetivo, como em “a pouca luz fria” e “vago azul branco”. Isso dá um ritmo ligeiramente entorpecente à sua escrita, e o permite trazer à tona o mais imperceptível traço de um adjetivo. É claro que no português do Brasil usamos também a anteposição de adjetivos, com efeitos semânticos importantes (como em “pobre homem” x “homem pobre”), mas nem de longe essa construção é tão comum como no português de Portugal: a tríade “vago”, “azul” e “branco” soa muito bem em Portugal. No Brasil, seria pedante e artificial. Só esse tipo de construção já marca claramente a fala literária de Pessoa (e de todos seus heterônimos!). “Breve sombra escura de uma árvore citadina”.

Um último exemplo de construção dessa poesia da língua (mas há vários outros): “Quando durmo muitos sonhos, venho para a rua, de olhos abertos, ainda com o rastro e a segurança deles”. Ah, como a literatura de Fernando Pessoa é arquitetada sobre esses pronomes anafóricos (“deles”), nessas retomadas de uma palavra anterior, numa circularidade que permite remoer a metafísica de cada coisa, para uma eterna “consciência de mim”. Outra mostra desse vício dos pronomes anafóricos (que retomam uma palavra citada antes): “Nem tenho nada no meu passado que relembre com o desejo inútil de o repetir”. Que prazer lingüístico tem o poeta de retomar o passado com o pronome oblíquo “o”, ainda que não deseje reviver o passado!

Escolhi três tipos de construções que marcam a língua de Fernando Pessoa como uma linguagem diferente da nossa. Nenhum brasileiro escreveria assim, e se o fizesse, soaria extemporâneo. O português de Portugal gera outra poesia da língua, que nos é alheia.
No entanto, ao ler o Livro de Desassossego, sobre a vida mesquinha do funcionário Bernardo Soares, herói só em sonho (”Quantos Césares fui, mas não dos reais”), nos apropriamos dessa linguagem estranha como se fosse nossa. A literatura alheia se torna nossa; a vida alheia se funde a nós mesmos. O português de Portugal volta a ser o português de nossa boca.

Tudo o que o acordo ortográfico não poderá fazer, é realizável através da literatura. Não é na ortografia que está a vida, mas na fusão de som e sentido. Quando lemos oLivro do Desassossego, temos saudades de nós mesmos. E o Bernardo Soares da Rua dos Douradores está bem aqui, na Mauro Ramos ou na Conselheiro Mafra. Essa mesma melancolia tão distante e tão próxima.

(Publicado no Diário Catarinense, em 7 de fevereiro de 2009).

fernando_pessoa oculos

literaturas lusófonas & exaltação das diferenças

novembro 15, 2009 às 10:46 | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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lapis lusofono

Livro "Desacordo Ortográfico" quer provocar e valorizar diferenças na língua

 

Rio de Janeiro, 12 nov 2009 – Uma provocação ao acordo ortográfico é como o escritor gaúcho Reginaldo Pujol Filho define a antologia "Desacordo Ortográfico", organizada por ele e que será lançada pela Não Editora, no dia 13, em Porto Alegre.

"A ideia do acordo ortográfico de unificação não vai a favor da literatura", afirmou à Agência Lusa o organizador do livro, que reúne autores como os brasileiros Altair Martins, Luis Fernando Veríssimo, Manoel de Barros e Marcelino Freire, os portugueses Gonçalo M. Tavares, Patrícia Reis, João Pedro Mésseder, Luís Filipe Cristóvão e Patrícia Portela, os angolanos Ondjaki, Luandino Vieira e Pepetela, os moçambicanos Nelson Saúte e Rogério Manjate e a são tomense Olinda Beja, entre outros.

É uma exaltação da diferença, explica Pujol Filho. O projeto do "desacordo" não pretende se opor ao acordo, mas sim provocar e valorizar as diferenças na língua portuguesa. "Essa ideologia que rege esse tipo de acordo vai contra os escritores, que querem romper, transgredir, que querem trazer uma nova forma, um novo jeito de escrever", afirma o gaúcho. Na verdade, o que se quer é fazer uma homenagem à língua-mãe.

Segundo o organizador da antologia, as discussões econômicas têm o pensamento de unificação "de que as melhores coisas são as iguais". Porém, defende, "a literatura fica num campo à parte, no campo do estranho, da tentativa". Pujol Filho destacou a plasticidade da língua portuguesa e como ela propicia a formação de neologismos, "como fazem o Luandino Vieira e o Ondjaki".

Sem brigas

"Não vamos brigar e não vamos mudar o acordo. Acreditamos que a diferença é mais legal do que ser igual", afirmou. Para ele, o sentido de "aceitar as diferenças" se insere em um projeto ambicioso de reunir pessoas talentosas que ainda não foram publicadas no Brasil.

"Tem gente chata que quer tirar o prazer de ler o ‘contacto’ com ‘c’ do Tavares, vamos ter que ler contato. O mais legal é ler os textos com a diferença", ressaltou o gaúcho, ao explicar que o critério para a escolha dos trabalhos para o livro era que os autores estivessem vivos. Mas também foram adotados critérios subjetivos, "autores que me cativam pela linguagem, que me surpreendem com sensibilidade e sutileza, com jeito próprio de trabalhar a linguagem", afirmou. O livro, que levou um ano e meio para ser organizado, reúne contos e poemas e será lançado primeiro em Porto Alegre, mas ainda poderá ser divulgado em outras capitais brasileiras.

"Outro lado"

O projeto do "desacordo", idealizado por Pujol Filho em 2007, tem ainda a meta de alcançar "o outro lado" e extrapolar os limites nacionais do Brasil com outros países lusófonos. “Desacordos-desencontros são vias necessárias para chegar aos acordos-encontros que todos procuramos", destacou Pepetela em comentário escrito sobre o "desacordo"

acordo ortografixo expresso[clique na imagem e visite o blogue PÁGINA UM]

FONTE: UOL

exercício 1, LitPort1

outubro 9, 2009 às 1:36 | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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Segundo Stuart Hall, “As culturas nacionais são compostas não apenas de instituições culturais, mas também de símbolos e representações. Uma cultura nacional é um discurso – um modo de construir sentidos que influencia e organiza tanto nossas ações quanto a concepção que temos de nós mesmos. As culturas nacionais, ao produzir sentidos sobre ‘a nação’, sentidos com os quais podemos nos identificar, constroem identidades. Esses sentidos estão contidos nas estórias que são contadas sobre a nação, memórias que conectam seu presente com seu passado e imagens que dela são construídas”. Considerando essas questões, discuta as principais imagens identitárias que se inscrevem nos textos estético-culturais abaixo relacionados:

 

LUSITANA

(Mafalda ARNAUTH)

Doce e salgada
Ó minha amada
Ó minha ideia
Faz–me grego e romano
Tu gingas à africano
Como a sereia
Ó bailarina
Ó columbina
És a nossa predilecta
De prosadores e poetas
Dos visionários
Quem te vê ama de vez
Nómadas e sedentários
Ó pátria lusa
Ó minha musa
O teu génio é português
Doce e salgada
Ó minha amada
Das epopeias
Tu és toda em latim
E a mais mulata sim
Das europeias
Ó bailarina
Ó columbina
Do profano matrimónio
“nas andanças do demónio“
Bela e roliça
Ai dança a chula requebrada
A minha canção é mestiça
Ó pátria lusa
Ó minha musa
O teu génio é português
Teu génio meigo e profundo
É deste tamanho do mundo
Sentimental como eu
Dois corações pagãos
São de apolo e de orfeu
Guarda-nos bem fraternais
No teu chão
No teu colo
De sonhos universais
És o nosso almirante
Terna mãe de crioulos
Cuida da nossa alma errante
Nós só queremos teu consolo
Doce e salgada
Ó minha amada
Da companhia
És um caso bicudo
Tu és o–mais-que-tudo
Da confraria
Ó bailarina
Ó columbina
Tu és a nossa doidice
Meiga “amante de meiguices“
Eu te proclamo
Quem te vê ama de vez
E a verdade é que eu te amo
Ó pátria lusa
Ó minha musa
O teu génio é português.

(para ouvir esta canção, clique AQUI)

* * *

MÚSICA BRASILEIRA

(Olavo Bilac)

Tens, às vezes, o fogo soberano
Do amor: encerras na cadência, acesa
Em requebros e encantos de impureza,
Todo o feitiço do pecado humano.

Mas, sobre essa volúpia, erra a tristeza
Dos desertos, das matas e do oceano:
Bárbara poracé, banzo africano,
E soluços de trova portuguesa.

És samba e jongo, chiba e fado, cujos
Acordes são desejos e orfandades
De selvagens, cativos e marujos:

E em nostalgias e paixões consistes,
Lasciva dor, beijo de três saudades,
Flor amorosa de três raças tristes.

* * *

FADO TROPICAL:

(Chico Buarque de Hollanda & Ruy Guerra)

Oh, musa do meu fado
Oh, minha mãe gentil
Te deixo consternado
No primeiro abril
Mas não sê tão ingrata
Não esquece quem te amou
E em tua densa mata
Se perdeu e se encontrou
Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal
Ainda vai tornar-se um imenso Portugal

“Sabe, no fundo eu sou um sentimental
Todos nós herdamos no sangue lusitano uma boa dose de lirismo
Mesmo quando as minhas mãos estão ocupadas em torturar, esganar,
trucidar
Meu coração fecha aos olhos e sinceramente chora…”

Com avencas na caatinga
Alecrins no canavial
Licores na moringa
Um vinho tropical
E a linda mulata
Com rendas do Alentejo
De quem numa bravata
Arrebato um beijo
Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal
Ainda vai tornar-se um imenso Portugal

“Meu coração tem um sereno jeito
E as minhas mãos o golpe duro e presto
De tal maneira que, depois de feito
Desencontrado, eu mesmo me contesto

Se trago as mãos distantes do meu peito
É que há distância entre intenção e gesto
E se o meu coração nas mãos estreito
Me assombra a súbita impressão de incesto

Quando me encontro no calor da luta
Ostento a aguda empunhadura à proa
Mas o meu peito se desabotoa

E se a sentença se anuncia bruta
Mais que depressa a mão cega executa
Pois que senão o coração perdoa”

Guitarras e sanfonas
Jasmins, coqueiros, fontes
Sardinhas, mandioca
Num suave azulejo
E o rio Amazonas
Que corre Trás-os-Montes
E numa pororoca
Deságua no Tejo
Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal
Ainda vai tornar-se um imenso Portugal
Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal
Ainda vai tornar-se um imenso Portugal

(para ouvir esta canção, clique AQUI)

brasil portugal

memórias & polêmicas da lusofonia

setembro 10, 2009 às 0:36 | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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A comunidade de países de língua portuguesa: A base lingüística e material

Por Fernando Augusto de Albuquerque Mourão

Diante de um mundo onde se registram fortes tendências à supranacionalidade, o uso do português em diferentes regiões do planeta, surge como um elemento unificador das posições de cada estado lusofalante nas suas inserções, não excludentes, em outros espaços regionais.

Entre as perspectivas de globalização e de regionalização – mormente de natureza econômica – surgem perspectivas culturais, em que o uso da língua tem um papel fundamental, levando-se em conta, como limite, a percepção catastrófica de Samuel Huntington de que o mundo de hoje, flutuante, tende, no futuro, para conflitos envolvendo civilizações ao contrário do que pensa Francis Fukuyama ao anunciar o fim da história, reanunciando a paz kantiana.

O ensino e uso da língua constituem, outrossim, um dos temas centrais da diplomacia cultural, instrumento de política externa e tema que tem sido aproveitado por vários países, como a França e a Turquia, ora como forma de resistência, ora como meio de preservar ou até de aumentar o prestígio internacional. No caso da França, é curioso assinalar que as literaturas africanas em língua francesa, que foram um fator de resistência por parte dos africanos no recém passado colonial, são hoje apresentadas como pertencentes ao conceito amplo da francofonia. Sabendo-se que os estados nacionais africanos são na maior parte dos casos, o resultado de uma divisão imperial consolidada na chamada Conferência ou Congresso de Berlim (1894-1895), e, realisticamente, prevista pela alínea 7 do preâmbulo da Carta da Organização da Unidade Africana (1963) numa clara opção pelo clássico princípio do uti possidetis juris, é natural que continuassem a utilizar a ex-língua imperial como língua oficial, tendo em vista vários motivos, entre eles, o da unidade nacional.

A França lança mão de vários mecanismos institucionais, entre eles, a Alliance Française, utilizando a língua não só como instrumento de cultura, mas também como instrumento político, consolidando um espaço importante. A Turquia, por sua vez, vem fazendo algo semelhante ao divulgar sua língua em todo o espaço turcófono que se estende até a fronteira com a China, “criando condições para transformar a Turquia num elo entre a Europa e a Ásia Central”.

As aproximações através do uso da língua portuguesa não excluem o estudo e ensino das línguas nacionais africanas em espaços plurinacionais que, possivelmente, ultrapassadas a fase do processo da paz e da transição democrática, estarão sensíveis ao tema do federalismo – mormente em Angola, Guiné-Bissau e Moçambique – um tema universal, que, por razões históricas, não se registra no arcabouço institucional português. Este tema, que certamente surgirá no futuro, mas como desdobramento de situação substantiva, a ser tratado a curto prazo, poderá levar a fragmentações indesejáveis. A evolução desta temática tangencia o princípio da tolerância envolvendo não só os atores internos, como os atores externos.

A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, em boa hora impulsionada pelo Embaixador José Aparecido de Oliveira, encontra no patrimônio comum da língua portuguesa nas suas variantes de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Portugal, Moçambique e São Tomé e Príncipe, uma base na diferença, mas, principalmente nas expectativas do futuro, permitindo através de um vocabulário de 300-400 mil palavras o acesso à sociedade industrial.

A dinâmica da língua portuguesa:

O português, a exemplo das línguas impostas no espaço colonial, foi também uma língua glotocida, sobretudo no espaço americano. Apresenta, ademais, uma característica fundamental: trata-se de um idioma que demonstrou e demonstra vitalidade, sendo capaz de incorporar as variantes do vocabulário africano e ameríndio. Vários autores registraram a influência de vocábulos africanos, entre eles Antônio Houaiss , Celso Cunha e Lindley Cintra ou ainda dicionaristas como Laudelino Freire. Em relação aos vocábulos ameríndios, podem-se citar mais especificamente Antenor Nascentes , Antônio Geraldo da Cunha e Joaquim Mattoso Câmara Jr.

O português, no passado, contribuiu para a formação da chamada língua de comércio, da qual Celso Cunha tratou ao estudar os crioulos de influência portuguesa. Este eminente filólogo demonstrou, também, o seu desenvolvimento nos séculos XVI, XVII e XVIII, a que ele chama de protocrioulos, seja na Ásia , seja na África , seja na América. Ao preparar glossários de escritores africanos de língua portuguesa, tarefa que em boa parte das vezes levei a cabo com a colaboração dos autores dessas obras, verifiquei que, em alguns casos, vocábulos em línguas africanas haviam sido aportuguesados por alguns autores e, em alguns outros, essa influência se estendia à sintaxe.

Além dessa plasticidade do português, registra-se, no Brasil, a persistência, em práticas religiosas, de línguas africanas dos espaços sudanês e bantu, como por exemplo, o candomblé. Nos quilombos, onde se aglutinaram escravos falantes de várias línguas africanas, a sintaxe portuguesa foi-lhes parcialmente incorporada. Influências africanas em relação ao português do Brasil foram objeto de estudo de vários autores, entre os quais podemos citar Renato Mendonça e Yeda Pessoa de Castro. O privilegiamento da contribuição sudanesa sobre a participação bantu na cultura brasileira – que se deve a vários fatores históricos de que já tratei em outras ocasiões – resulta numa aparente desproporção entre as duas línguas. O universo da contribuição bantu à cultura brasileira constitui um campo a ser estudado prioritariamente como elemento de investigação entre as relações do Brasil com a África Austral.

O estudo minucioso das línguas africanas e dos linguajares africanos no Brasil deverá constituir um alvo prioritário das ciências da linguagem. Não é mais aceitável apenas a pesquisa etimológica; urge uma investigação de fatos linguageiros mais amplos. Quanto aos linguajares africanos ou de origem africana, utilizando várias línguas africanas – o que é natural, uma vez que os escravos eram cuidadosamente divididos para se evitar uma potencial formação de grupos coesos –, alguns estudos têm destacado o processo de formação dessas línguas. Gerhard Kubik, etnólogo da Universidade de Viena, com experiência de campo tanto em países africanos como no Brasil, escreveu vários trabalhos sobre o tema , o qual ultimamente passou a ser tratado pela Professora Margarida Maria Taddoni Petter, com a colaboração do Professor Emílio Bonvini.

Numa época em que os países se dividem entre os que detêm o saber tecnológico e os que não têm acesso a esse saber; num mundo em que, portanto, a tecnologia é um divisor de águas – como o foram a religião e a civilização no passado –, convém realizar projetos de pesquisa sobre a influência africana no campo das técnicas agrícolas e mineralógicas, campo em que os africanos tiveram no Brasil uma contribuição digna de registro.


No que tange às influências técnicas do Brasil em relação à costa africana ocidental, pode-se lembrar a ressonância da arquitetura colonial portuguesa, já adaptada ao Brasil, presente no Brazilian Quarter, em Lagos, em Porto Novo e em outras cidades africanas. Constatam-se influências lingüísticas ligadas à tecnologia da construção, pela presença dos artesãos, ex-escravos que se tornaram o embrião da formação das burguesias locais no final do século passado.

Manifestando sua condição de língua dinâmica, o português não só incorporou, como já dissemos, centenas de vocábulos de origem africana e ameríndia, como serviu aparentemente de suporte sintático às línguas criadas nos quilombos do Brasil colonial, além da sua contribuição à formação do protocrioulo ou crioulos portugueses. O português, no plano horizontal, apresenta variantes na acentuação e no léxico (estas decorrentes não só os regionalismos, como ainda da persistência de arcaísmos). O processo da unificação da norma culta necessita tanto do Acordo Ortográfico, como de um amplo esforço no campo do ensino e aprendizado da língua portuguesa.

A importância da língua portuguesa:

Somente com uma língua de cultura, como diria o insigne filólogo e lexicógrafo Antônio Houaiss, se podem estudar disciplinas como Física, Química, História Natural e Filosofia. No planeta, hoje, contam-se cerca de 10 mil línguas; dessas, porém, classificam-se como língua de cultura ampla não mais de meia centena. Ou seja: apenas essas poucas línguas – que congregam um vocabulário de aproximadamente 400 mil palavras, com uma tradição literária e gráfica muitas vezes bimilenar – podem ensejar a transição de uma sociedade industrial para um estádio posterior, de sociedade pós-industrial. A transição para a Terceira Revolução Industrial acontecerá apenas nos países em que o nível educacional permite a seus nacionais a compreensão da complexidade do mundo moderno. O repto é considerável, e o combate ao analfabetismo é conditio sine qua non para a solução dos problemas dos países em desenvolvimento.

Nota-se, então, que o conhecimento do português – também uma língua de cultura, de importante cabedal vocabular – se mostra essencial, para o seu pleno desenvolvimento econômico. O bom conhecimento lingüístico permitirá, ademais, o incremento do intercâmbio comercial e científico entre os países lusofalantes. Este é, a propósito, um dos objetivos fulcrais da formação da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.

O português é hoje a sétima língua mais falada do mundo – o francês ocupa a oitava posição – e a terceira língua mais falada no Ocidente, além de ser a língua oficial de várias organizações internacionais. Cabe aos países lusofalantes empreender esforços para que a língua portuguesa seja adotada como língua de trabalho nas organizações internacionais, papel que a criação de uma Comunidade de Países de Língua Portuguesa poderá reforçar.

Entre as perspectivas de regionalização e de globalização – mormente de natureza econômica – surgem perspectivas culturais, em que o uso das línguas tem um papel fundamental, até porque os espaços regionais não são excludentes. A língua tem o papel de liame, aproximando culturas, algumas de natureza tridimensional, como é o caso da cultura brasileira, e dando substantividade a espaços localizados em três continentes, para não falar de presenças históricas.

As percepções relativas ao espaço de língua portuguesa, com exceção de situações limite como a da redução da importância do português no caso de uma opção exclusiva pela Europa – tese pessimista –, ou então a do recrudescimento da língua pela presença em novos espaços, como por exemplo, em Luxemburgo em que, no final do milênio, a população lusofalante tende a ultrapassar a população francófona – tese otimista –, incorporam várias vertentes em relação à norma culta do português europeu: português de Angola, do Brasil, de Cabo Verde, da Guiné-Bissau, de Moçambique e de São Tomé e Príncipe.

Como língua de cultura, com um vocabulário amplo, o português é falado e escrito como língua materna em Portugal e no Brasil, nos países africanos que conquistaram as suas independências nacionais nos anos 70. É em português que se exprimem expoentes das correntes literárias nacionalistas. Em África, o português, cujo ensino tem sido uma das preocupações dos governos pós-independências, pode ser considerado no futuro uma língua nacional, tal como as línguas africanas que, na medida em que passam a ser estudadas, certamente também irão ocupar o espaço que lhes é devido.

Para ler o texto completo no site da Casa das Áfricas, clique AQUI.


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