litport 4: proposta de avaliação
julho 10, 2010 às 0:40 | Publicado em Uncategorized | 2 ComentáriosTags: avaliações, guerra colonial, luso-tropicalismo, memória cultural, referências
Em nosso curso de Literatura Portuguesa IV deste semestre, centrado no estudo do romance Jornada de África, interessou-nos desenvolver conhecimentos acerca de três temas básicos:
1) conceito de colonialismo moderno
2) formas literárias de representação da memória colonial
3) caracterização do discurso lusotropicalista
Para concluir o curso, realizaremos no dia 19/07, a partir das 19h, uma avaliação escrita que será composta a partir de questões formuladas de acordo com os modelos que seguem abaixo:
• O que é colonialismo? Apresente uma questão relevante no campo político ou sóciocultural brasileiro da atualidade que possa ser relacionada aos valores e instituições herdados do período colonial.
• Apresente os principais procedimentos estéticos e eixos temáticos que organizam o romance Jornada de África. Estabeleça relações entre pelo menos um dos elementos destacados e algumas passagens da obra.
• “Não se trata portanto somente de responder a um discurso unívoco, mas de construir, com as vozes de um discurso literário nacional de autoridade ética, moral e estética e de vários discursos e opiniões políticas, caracterizadas pelo apelo ao diálogo e à paz, um discurso alternativo que denuncia o vazio do centro e se reimagina como novo centro” [341]. Comente as questões colocadas neste fragmento de M. Ribeiro levando em conta o(s) texto(s) transcrito(s) abaixo: (textos a selecionar)
• Analise as passagens transcritas abaixo de JA colocando em evidência os procedimentos estéticos e os eixos temáticos nelas desenvolvidos: (textos a selecionar)
Segunda-feira, dia 12/07, a partir das 21h teremos uma aula-extra na sala 001 para aprofundarmos o debate sobre essas questões e sobre o enredo do romance. Para as dúvidas persistentes quanto ao problemático contexto histórico das guerras coloniais afro-portuguesas, particularmente a guerra independentista angolana, recomendamos expressamente uma visita ao site indicado na figura acima – basta clicar!
o Brasil como nação luso-africana: sincretismos & assimetrias
abril 4, 2010 às 1:01 | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentárioTags: cultura afrobrasileira, cultura portuguesa, herança colonial, identidade, luso-tropicalismo, mestiçagem, racismo
As versões tradicionais acerca da formação identitária brasileira tendem a realçar o protagonismo dos portugueses e a posição hegemônica alcançada pela cultura desse povo durante o período colonial, a qual acaba por se sobrepor aos valores das diversas sociedades indígenas nativas do território, definindo assim uma matriz ibérica, ou lusitana, para a cultura brasileira, matriz cujas principais e duradouras influências se manifestam na língua, na religião e nos modelos políticos que organizam a sociedade. Apesar da atitude “amnésica” que a maioria dos brasileiros mantém com relação às heranças lusitanas, elas de fato são bastante profundas, sendo interessante, ou perturbante, observar como essas heranças foram abrasileiradas e são hoje imaginadas como invenção original nossa. Dê um salto no MUJIMBO e confira alguns elementos básicos da cultura portuguesa, procurando refletir sobre a maneira como esses elementos se reinserem e são ressignificados nas práticas e ideários do povo brasileiro.
A realidade, entretanto, sempre foi mais complexa, ou mais sincrética, do que as definições oficiais acerca da história cultural do Brasil. Desde os primeiros momentos da construção colonial, também constitui-se uma matriz africana para a futura brasilidade, forjada pelos aportes diversificados de saberes, artes, linguagens e sentimentos trazidos pelos milhões de africanos para cá transplantados à força, e que aqui se refazem identitariamente, entrecruzando seus referentes aos europeus e ameríndios. No ensaio “O colono preto como fator da civilização brasileira”, trabalho pioneiro do pesquisador baiano Manoel Querino, começa-se o desmonte dos esforços da historiografia oficial para apagar o papel do negro africano como co-colonizador do Brasil, abrindo caminhos que encontrarão uma decisiva síntese intelectual e ideológica no livro Casa-grande & senzala, de Gilberto Freyre, obra que pode ser considerada como um texto fundador do imaginário moderno sobre a mestiçagem afro-luso-brasileira. Persiste nela, entretanto, uma perspectiva domesticadora para o valor das heranças africanas, tidas como complementares às matrizes portuguesas, e de restritas funções civilizacionais.
A partir do discurso luso-tropicalista freyriano, consolidou-se uma imagem identitária brasileira na qual os elementos culturais africanos adquirem positividade na medida em que se restrinjam a influenciar apenas alguns setores da vida, tais como as relações sentimentais e sexuais, o misticismo religioso, os costumes cotidianos e as artes e festas populares. Em sua dimensão sociológica, esse sistema possibilita aos sujeitos afrodescendentes integrarem-se aparentemente sem discriminação, e mesmo usufruindo de altos graus de intimidade em seus convívios com os sujeitos europeizados, desde que não contestem a hierarquia civilizacional vigente e reproduzam os “bons” estereótipos, como o do negro trabalhador e humilde, da mulata sensual e “alisada”, da criada devotada e submissa, do “negão” companheiro e esportista. Essas formas parciais e simbólicas de integração, no entanto, não impediram que gravíssimas assimetrias sócio-econômicas se instalassem entre os segmentos mais claros e mais escuros da população brasileira, conforme repetidas pesquisas têm demonstrado, apontando mesmo para diferenças entre a qualidade de vida desses grupos mais acentuadas do que as produzidas por sistemas discriminatórios explícitos, como o apartheid sul-africano.
Esse complexo processo transculturador, ou hibridizante, foi às vezes metaforizado como um “cadinho de raças”, do qual resultou, por uma espécie de fusão bio-cultural, o tipo que chamamos de “moreno”, tido como correspondente à manifestação mais completa, ou harmônica, ou objetiva do sujeito brasileiro. Nas interações sociais efetivas, contudo, a morenidade representa um tipo de “brancura tropical”, cujos modelos estéticos, psicológicos e culturais estruturam-se de acordo com padrões eurocêntricos, dinâmica simbólica que termina por naturalizar as situações de exclusão, de sub-cidadania e de super-exposição à violência que afligem à população afrodescendente.
Entre a assimilação controlada e a purgação desejável, as imagens da africanidade e da negrura encontram-se quase sempre rasuradas ou marcadas por conotações negativas, primitivistas e animalizantes, como discute a professora e pesquisadora de literatura afro-brasileira Maria Nazareth Fonseca em um dos seus ensaios. Quais relações podem ser estabelecidas entre as formas de negociação das heranças africanas no imaginário brasileiro e o conceito de “imaginação do centro” proposto por Margarida Calafate Ribeiro para a discussão dos processos configuradores da identidade portuguesa?
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