roteiros para trabalhos acadêmicos

junho 24, 2011 às 22:21 | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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site posgraduando

Fonte útil para obter modelos e referências metodológicas básicas. Clique na imagem para acessar.

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teoria freudiana & racismo “cordial”: articulações

junho 19, 2011 às 13:50 | Publicado em Uncategorized | 1 Comentário
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raça diversidade capa                          freud 1949 negativo

Tal como sugere a capa de livro que ilustra esta postagem, pensar sobre a diversidade humana implica em refletir sobre imagens e linguagens que caracterizam as diferenças entre as pessoas e entre as sociedades. Para compreender a dimensão inconsciente, ou imaginária, desses significantes, o texto de Miriam Chnaiderman linkado a seguir oferece subsídios valiosos, sobretudo pela maneira esclarecedora e instigante com que a autora articula o complexo conceito freudiano de unheimlich às experiências intersubjetivas relacionadas à prática do racismo dissimulado na sociedade brasileira. Enfim, como aponta Miriam, o que está em causa nas manifestações de preconceito racial em nossa sociedade mestiça pode não ser a rejeição do outro, mas sim a recusa em encarar aquilo que este outro revela sobre aqueles que o discriminam.  

CHNAIDERMAN, Miriam. Racismo, o estranhamento familiar: uma abordagem psicanalítica. In: SCHWARCZ, Lilia, QUEIROZ, Renato da Silva (orgs.). Raça e diversidade. São Paulo: Edusp, 1996.

roteiro para o kit antirracista

junho 6, 2011 às 9:42 | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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LITERATURA PORTUGUESA IV – 2011.1
ATIVIDADE FINAL: ELABORAÇÃO DE UM KIT ANTIRRACISMO
Trabalho em dupla
Entrega: 11/07/2011

INTRODUÇÃO:
Por que é importante discutir, em particular no âmbito da formação escolar contemporânea, a questão racial brasileira e nossas matrizes culturais africanas? (mínimo de 60 linhas)

TEXTOS PARA DISCUSSÃO:
•    Selecionar e transcrever uma canção e dois poemas de autores lusófonos, a partir dos quais seja possível desenvolver questões relacionadas à representação do racismo ou das identidades raciais. Justificar as escolhas (10-20 linhas).

•    Selecionar e transcrever uma matéria jornalística ou artigo de opinião no qual sejam abordadas e analisadas questões relacionadas ao racismo brasileiro, ou aos problemas enfrentados pelas identidades “não-brancas” no Brasil ou em outros países lusófonos (10-20 linhas).

OUTRAS SUGESTÕES (opcional):
Indicação de textos teóricos, filmes, sites e obras artísticas que contribuam para uma melhor compreensão dos temas abordados nos objetos selecionados.

Recomendamos visitar, neste blogue, as postagens “literatura e educação afro-brasileiras: alguns pontos cardeais”, “antologia de poesia do negro” e “pós-colonialismo & negritude em língua portuguesa”, tendo em vista acessar fontes primárias de pesquisa.

roteiro para o “kit romantismo”

junho 1, 2011 às 15:45 | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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LITERATURA PORTUGUESA II – 2011.1
ATIVIDADE FINAL: ELABORAÇÃO DE UM “KIT ROMANTISMO”
Trabalho em dupla
Entrega: 11/07/2011

INTRODUÇÃO: Por que é importante discutir, em particular no âmbito da formação escolar contemporânea, a visão-de-mundo romântica?
· mínimo de 60 linhas
· textos de referência: LOWY e SAYRE; Introdução aos Parâmetros Curriculares Nacionais (MEC)

TEXTOS PARA DISCUSSÃO:
· Selecionar e transcrever dois textos poéticos (poemas ou canções), de autores brasileiros ou portugueses, nos quais estejam representados estruturas e valores românticos. Justificar as escolhas (5-10 linhas).

· Selecionar uma cena, ou um tema, ou um elemento do romance A cidade e as serras, de Eça de Queirós, que possa ser considerado como representativo da crítica romântica à vida moderna. Justificar a escolha (5-10 linhas).

· Selecionar e transcrever uma matéria jornalística ou artigo de opinião, no qual sejam abordados e analisados aspectos negativos da vida contemporânea que possam ser relacionados ao aprofundamento da modernidade. Justificar a escolha (5-10 linhas).

OUTRAS SUGESTÕES (opcional):
Indicação de textos teóricos, filmes, sites e obras artísticas que contribuam para uma melhor compreensão da estética romântica e de suas articulações sócioculturais.

* * *

Clique na imagem abaixo para ter acesso a edições eletrônicas dos PCN:

pcn site mec

literatura e educação afro-brasileiras: alguns pontos cardeais

junho 1, 2011 às 1:27 | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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portal literafro

 

pareceres educação etno MEC

 

ceao downloads

 

kit cor cultura site

normas e realidades da linguagem em debate

maio 31, 2011 às 1:14 | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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dossie linguagem IHU

Clique na imagem para acessar o dossiê da revista IHU Online.

Freud por Freud: aprendendo a “ver” o inconsciente através da linguagem

outubro 15, 2010 às 18:15 | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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Clique AQUI para acessar Sobre a psicopatologia da vida cotidiana, um dos primeiros livros de Sigmund Freud a alcançar grande repercussão tanto entre especialistas quanto leigos, obra que contribuiu muito para a divulgação dos fundamentos da psicanálise. É importante notar como a linguagem verbal apresenta-se para Freud, desde o início de suas pesquisas, como  a via de acesso mais eficaz para os mistérios do inconsciente humano e para a compreensão dos descentramentos que configuram nossas personalidades.

Para os que já se sentem muito curiosos com a psicanálise, por que não começar logo a ler a obra completa de Freud?

LitPort 1, avaliação 2: trovadorismo

outubro 9, 2010 às 9:33 | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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trovadora

Entrega: 15-19/10 (individual, 3 pts)

Faça um resumo (10-20 linhas) de um dos textos da bibliografia do curso referentes à Trova Medieval Galaico-Portuguesa (CIDADE; VIEIRA; RECKERT, conferir abaixo). Selecione um poema de um@ autor@ português@ que possa ser relacionado a um dos assuntos destacados em seu resumo. Justifique a escolha do poema num texto de 15-20 linhas.

BIBLIOGRAFIA:

RECKERT, Stephen. Semiótica da cantiga (cantigas medievais como significantes poéticos de significados antropológicos). In: Revista Lusitana. n.4. Lisboa: Instituto Nacional de Investigação Científica, 1982-83.

VIEIRA, Yara Frateschi. Introdução. In: Poesia medieval. São Paulo: Global, 1987.

CIDADE, Hernâni. Cancioneiros medievos e particularmente a obra de D. Dinis. In: Portugal histórico-cultural. s./l.: Círculo do Livro, 1973.

resumir

Para a realização desta atividade, recomendamos uma consulta às postagens modelo de resumo: recordando, e sobre os relatórios das apresentações, ambas publicadas neste blogue. Seguem abaixo mais algumas dicas importantes para a boa realização do resumo acadêmico:

1) Todo resumo é sempre um trabalho de reescrita sintética de um texto-matriz. Logo, o resumo NÃO se compõe pela cópia de passagens selecionadas, mas pela reapresentação dos conteúdos do texto-matriz através de paráfrases.

2) Um resumo NÃO deve explicar as informações e as ideias que integram o texto-matriz, mas apenas descrevê-las, buscando o máximo de clareza expositiva. O emprego de frases curtas, o rigor na pontuação e o uso adequado dos conectivos verbais na articulação das orações são critérios básicos para a obtenção dessa clareza. Igualmente importante é preservar, na construção do resumo, a ordem argumentativa desenvolvida no texto-matriz.

3) Do ponto de vista pedagógico, um dos principais objetivos do exercício de composição de resumos acadêmicos é o de ampliar o domínio d@ estudante sobre o léxico da língua portuguesa, seja incorporando novos vocábulos, seja refinando as significações atribuídas às palavras de uso costumeiro, considerando sobretudo os seus sentidos teórico-conceituais. Assim, os dicionários, tanto generalistas quanto especializados, são ferramentas FUNDAMENTAIS para a elaboração de bons resumos.

4) O resumo deve ser redigido em um único parágrafo, iniciando-se por uma oração que sintetize o objetivo ou a temática do texto-matriz. De seguida, devem ser apresentados os assuntos principais que desenvolvem a temática. Na finalização devem ser também sintetizadas as conclusões.

 

literatura pós-colonial: memória, cultura e diferença

setembro 2, 2010 às 22:44 | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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Poeticas_Maravilhoso2

Segue abaixo uma listagem de links que dão acesso aos textos ficcionais que serão trabalhados no curso:

 

ALEGRE, Manuel. Lusíada exilado. In: Praça da canção; O canto e as armas. 2.ed. Lisboa: D. Quixote, 2003.

Nem batalhas nem paz: obscura guerra.
Dói-me um país neste país que levo.
Sou este povo que a si mesmo se desterra
meu nome são três sílabas de trevo.

Há nevoeiro em mim. Dentro de abril dezembro.
Quem nunca fui é um grito na memória.
E há um naufrágio em mim se de quem fui me lembro
há uma história por contar na minha história.

Trago no rosto a marca do chicote.
Cicatrizes as minha condecorações.
Nas minhas mãos é que é verdade D. Quixote
trago na boca um verso de Camões.

Sou este camponês que foi ao mar
lavrou as ondas e mondou a espuma
e andou achando como a vindimar
terra plantada sobre o vento e a bruma.

Sou este marinheiro que ficou em terra
lavrando a mágoa como se lavrar
não fosse mais do que a perdida guerra
entre o não ser na terra e o ser no mar.

Eu que parti e que fiquei sempre presente
eu que tudo mandava e nunca fui senhor
eu que ficando estive sempre ausente
eu que fui marinheiro sendo lavrador.

Eu que fiz Portugal e que o perdi
em cada porto onde plantei o meu sinal.
Eu que fui descobrir e nunca descobri
que o porto por achar ficava em Portugal.

Eu que matei roubei eu que não minto
se vos disser que fui pirata e ladrão.
Eu que fui como Fernão Mendes Pinto
o diabo e o deus da minha peregrinação.

Eu que só tive restos e migalhas
e vi cobiça onde diziam haver fé.
Eu que reguei de sangue os campos das batalhas
onde morria sem saber porquê.

Eu que fundei Lisboa e ando a perdê-la em cada
viagem. (Pátria-Penélope bordando à espera.)
Eu que já fui Ulisses. (Ai do lusíada:
roubaram-lhe Lisboa e a primavera.)

Eu que trago no corpo a marca do chicote
eu que trago na boca um verso de Camões
eu é que sou capaz de ser o D. Quixote
que nunca mais confunda moinhos e ladrões.

* * *

Eu que fiz tudo e nunca tive nada
eu que trago nas mãos o meu país
eu que sou esta árvore arrancada
este lusíada sem pátria em Paris.

Eu que não tenho o mar nem Portugal.
(E foi meu sangue o vinho meu suor o pão.)
Eu que só tenho as lágrimas de sal
que me deixou el-rei Sebastião.

Nem o Gama nem os doze de Inglaterra
O herói sou eu: aqui sem pão nem glória
Eu camponês no mar e marinheiro em terra
todo o mundo e ninguém. Sou eu que faço a história.

Quem foi que fez de mim este estrangeiro
este sem pátria a quem a pátria dói
Eu que fui camponês poeta marinheiro
eu que fiz Portugal quero saber quem foi.

Lusíada exilado. (E em Portugal: muralhas.)
Se eu agora morresse sabia por quê.
Venham tormentas e punhais. Quero batalhas.
Eu que sou Portugal quero viver de pé.

(visite o MUJIMBO e ouça este poema recitado por Manuel Alegre)

 

SANT’ANNA, Affonso Romano de. Que país é este?. In: Que país é este?. Rio de Janeiro: Rocco, 2010.

para Raymundo Faoro

                Puedo decir que nos han traicionado? No. Que todos fueron buenos? Tampoco. Pero allí está una buena voluntad, sin duda y sobretodo, el ser así.

CÉSAR VALLEJO

Fragmento 1

Uma coisa é um país,
           outra um ajuntamento.
           Uma coisa é um país,
           outra um regimento.
           Uma coisa é um país,
           outra o confinamento.

Mas já soube datas, guerras, estátuas
usei caderno “Avante”
                                – e desfilei de tênis para o ditador.
Vinha de um “berço esplêndido” para um “futuro radioso”
e éramos maior em tudo
                                    – discursando rios e pretensão.

           Uma coisa é um país,
           outra um fingimento.

           Uma coisa é um país,
           outra um monumento.

           Uma coisa é um país,
           outra o aviltamento.

Deveria derribar aflitos mapas sobre a praça
em busca da especiosa raiz? ou deveria
parar de ler jornais
                                 e ler anais
como anal
                   animal
                               hiena patética
                                                       na merda nacional?

Ou deveria, enfim, jejuar na Torre do Tombo
comendo o que as traças descomem
                                 procurando
o Quinto Império, o primeiro portulano, a viciosa visão do paraíso
que nos impeliu a errar aqui?

             Subo, de joelhos, as escadas dos arquivos
             nacionais, como qualquer santo barroco a rebuscar
             no mofo dos papiros, no bolor
             das pias batismais, no bodum das vestes reais
             a ver o que se salvou com o tempo
             e ao mesmo tempo
                              – nos trai.

Fragmento 2

Há 500 anos caçamos índios e operários,
Há 500 anos queimamos árvores e hereges,
Há 500 anos estupramos livros e mulheres,
Há 500 anos sugamos negras e aluguéis.

Há 500 anos dizemos:
    que o futuro a Deus pertence,
    que Deus nasceu na Bahia,
    que São Jorge é guerreiro,
    que do amanhã ninguém sabe,
    que conosco ninguém pode,
    que quem não pode sacode.

Há 500 anos somos pretos de alma branca,
    não somos nada violentos,
    quem espera sempre alcança
    e quem não chora não mama
    ou quem tem padrinho vivo
    não morre nunca pagão.

Há 500 anos propalamos:
    este é o país do futuro,
    antes tarde do que nunca,
    mais vale quem Deus ajuda
    e a Europa ainda se curva.

Há 500 anos
    somos raposas verdes
    colhendo uvas com os olhos,

    semeamos promessa e vento
    com tempestades na boca,

    sonhamos a paz na Suécia
    com suíças militares,

    vendemos siris na estrada
    e papagaios em Haias

    senzalamos casas-grandes
    e sobradamos mocambos,

    bebemos cachaça e brahma
    joaquim silvério e derrama,

    a polícia nos dispersa
    e o futebol nos conclama,

    cantamos salve-rainhas
    e salve-se quem puder,

    pois Jesus Cristo nos mata
    num carnaval de mulatas

Este é um país de síndicos em geral,
Este é um país de cínicos em geral,
Este é um país de civis e generais.

Este é o país do descontínuo
onde nada congemina,
e somos índios perdidos
na eletrônica oficina.

Nada nada congemina:
a mão leve do político
com nossa dura rotina,

o salário que nos come
e nossa sede canina,

a esperança que emparedam
e a nossa fé em ruína,

nada nada congemina:
a placidez desses santos
e nossa dor peregrina,

e nesse mundo às avessas
– a cor da noite é obsclara
e a claridez vespertina.

(continua…)

 

ANDRADE, Oswald de. Manifesto antropófago. In: A utopia antropofágica. São Paulo: Globo, 1990.

ANDRADE, Oswald de. Pau-Brasil. São Paulo: Globo, 1990.

 

ALMEIDA, Manuel Antônio de. Memória de um sargento de milícias. 31.ed. São Paulo: Editora Ática, 2006.

 

MACEDO, Joaquim Manuel de. Pai-Raiol. O feiticeiro. In: As vítimas-algozes. Quadros da escravidão. 4.ed. Porto Alegre: Zouk, 2005.

 

RIBEIRO, João Ubaldo. Viva o povo brasileiro. 2.ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984.

o reverso das caravelas: bibliografia on line

setembro 2, 2010 às 12:02 | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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 rosaventos1

A partir de amanhã estará disponível uma pasta na xerox do campus de Itabaiana contendo cópias dos principais textos do curso. O acesso à bibliografia básica (exceto os ensaios de Eneida Cunha) pode também ser efetuado através dos links abaixo.

GOMES, Heloísa Toller. Crítica pós-colonial em questão. In: Revista Z Cultural. n. 1. ano III. Rio de Janeiro: Programa Avançado de Cultura Contemporânea da UFRJ, 2006. p. 1-12.

CANDAU, Vera Maria Ferrão, OLIVEIRA, Luiz Fernandes de. Pedagogia decolonial e educação antirracista e intercultural no Brasil. In: Educação em Revista. v. 26. n. 1. Belo Horizonte: Faculdade de Educação da UFMG, abr. 2010. p.15-40.

TEIXEIRA, Anísio. Valores proclamados e valores reais nas instituições escolares brasileiras. Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos. Rio de Janeiro, v.37, n.86, abr./jun. 1962. p.59-79.

CANDIDO, Antonio. Dialética da malandragem (caracterização das Memórias de um sargento de milícias). In: Revista do Instituto de Estudos Brasileiros. n.8. São Paulo: USP, 1970. p. 67-89.

FONSECA, Maria Nazareth Soares. Visibilidade e ocultação da diferença. Imagens do negro na cultura brasileira. In: FONSECA (org.). Brasil afro-brasileiro. Belo Horizonte: Autêntica, 2000.

OLIVEIRA FILHO, Jesiel Ferreira de. Leituras triangulares: racismo e alienação em literaturas lusófonas. In: Anais do Seminário Nacional Literatura e Cultura. São Cristóvão: Universidade Federal de Sergipe, 2009.

diogocouto_naufragio2

reiniciando: 2010.II

agosto 19, 2010 às 10:39 | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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reiniciar

D. DINIS

Na noite escreve um seu Cantar de Amigo
O plantador de naus a haver,
E ouve um silêncio múrmuro consigo:
É o rumor dos pinhais que, como um trigo
De Império, ondulam sem se poder ver.
Arroio, esse cantar, jovem e puro,
Busca o oceano por achar;
E a fala dos pinhais, marulho obscuro,
É o som presente desse mar futuro,
É a voz da terra ansiando pelo mar.

9-2-1934

[Fernando PESSOA.In: Mensagem

Com o poema acima, no qual se entrecruzam duas importantes figuras literárias e históricas portuguesas das quais muito falaremos nas próximas semanas, o rei-poeta D. Dinis e o poeta-rei Fernando Pessoa, o blogue LUSOLEITURAS dá as boas-vindas aos estudantes matriculados este semestre nos cursos de Literatura Portuguesa 1 e Literatura Portuguesa 3 oferecidos pelo Departamento de Letras da UFS-Itabaiana. Como já foi afirmado presencialmente, este espaço virtual propõe-se a ser uma continuidade de nosso trabalho em sala de aula, principalmente um lugar de referência para as necessárias pesquisas, leituras e diálogos que dinamizam a evolução de nossos saberes e competências no estudo das literaturas de língua portuguesa. Estudo que, metaforicamente, também define para todos nós um “oceano por achar” e desbravar, tendo em vista o aprimoramento de nossas competências como intérpretes e criadores de ideias e textos.

Para ambos os cursos, nosso texto teórico de referência é o cada vez mais famoso A identidade cultural na pós-modernidade, obra de divulgação de conceitos básicos dos estudos culturais contemporâneos assinada pelo crítico jamaico-britânico Stuart Hall. Justamente por se tratar de um texto com tão importante repercussão entre as mais diversas disciplinas da área das ciências humanas e das artes, é mais do que recomendável a leitura integral do livro, embora nossa discussão se concentre nos capítulos I e III, na LitPort1, e I e II, na LitPort3.  Além dos muitos exemplares existentes na biblioteca e das cópias disponíveis na xerox do campus, uma versão eletrônica integral pode ser baixada da riquíssima biblioteca on line do curso de Letras da Universidade de São Paulo.

Para @s estudantes da LitPort1, a leitura de Hall deve ser, de imediato, diretamente articulada com a do artigo de Renato Gomes Que faremos com esta tradição? Ou: relíquias da Casa Velha (clique ao lado para lê-lo no site da revista Semear), texto que apresenta alguns parâmetros fundamentais para a problematização de referentes e produtos culturais portugueses. Aos estudantes da LitPort3, recomendamos que as descrições de Stuart Hall sobre as configurações assumidas pelas subjetividades modernas sejam desde já acompanhadas pela leitura da obra diversificada de Pessoa, facilmente acessível através do ARQUIVO PESSOA. Novamente, boas vindas e bom trabalho.

litport 4: proposta de avaliação

julho 10, 2010 às 0:40 | Publicado em Uncategorized | 2 Comentários
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site guerra colonial

Em nosso curso de Literatura Portuguesa IV deste semestre, centrado no estudo do romance Jornada de África, interessou-nos desenvolver conhecimentos acerca de três temas básicos:

1) conceito de colonialismo moderno

2) formas literárias de representação da memória colonial

3) caracterização do discurso lusotropicalista

Para concluir o curso, realizaremos no dia 19/07, a partir das 19h, uma avaliação escrita que será composta a partir de questões formuladas de acordo com os modelos que seguem abaixo:

O que é colonialismo? Apresente uma questão relevante no campo político ou sóciocultural brasileiro da atualidade que possa ser relacionada aos valores e instituições herdados do período colonial.

• Apresente os principais procedimentos estéticos e eixos temáticos que organizam o romance Jornada de África. Estabeleça relações entre pelo menos um dos elementos destacados e algumas passagens da obra.

• “Não se trata portanto somente de responder a um discurso unívoco, mas de construir, com as vozes de um discurso literário nacional de autoridade ética, moral e estética e de vários discursos e opiniões políticas, caracterizadas pelo apelo ao diálogo e à paz, um discurso alternativo que denuncia o vazio do centro e se reimagina como novo centro” [341]. Comente as questões colocadas neste fragmento de M. Ribeiro levando em conta o(s) texto(s) transcrito(s) abaixo: (textos a selecionar)

• Analise as passagens transcritas abaixo de JA colocando em evidência os procedimentos estéticos e os eixos temáticos nelas desenvolvidos: (textos a selecionar)

Segunda-feira, dia 12/07, a partir das 21h teremos uma aula-extra na sala 001 para aprofundarmos o debate sobre essas questões e sobre o enredo do romance. Para as dúvidas persistentes quanto ao problemático contexto histórico das guerras coloniais afro-portuguesas, particularmente a guerra independentista angolana, recomendamos expressamente uma visita ao site indicado na figura acima – basta clicar!  

letras para download

abril 15, 2010 às 1:38 | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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letrasusp

A cada dia, a cada minuto que passa, amplia-se num ritmo formidável  a disponibilização de informações e de saberes na rede eletrônica mundial, a famosa internet. Tão imensa e tão labiríntica, o desbravamento dessa rede exige do pesquisador um trabalho contínuo de atualização dos roteiros de busca e dos “favoritos”.

Nas prateleiras eletrônicas do blogue LETRASUSP DOWNLOADS disponibiliza-se uma diversificada biblioteca básica para os estudos literários em suas principais vertentes brasileiras e estrangeiras, além de obras importantes no campo da linguística e das interfaces desta com a literatura. Sem dúvida, vale algumas horas de pesquisa, com garantia de resultados frutuosos.

pesquisando em revistas acadêmicas

abril 11, 2010 às 16:24 | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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dica_pesquisa_c

A pesquisa na internet, para ser eficaz, sempre exige persistência, refinamento e muita criatividade. A diversidade dos temas atribuídos às Tríades, na LitPort 2, demanda também uma perspectiva interdisciplinar para a localização de fontes. No âmbito dos textos acadêmicos, uma fonte ainda pouco explorada pelos estudantes, apesar de sua vasta riqueza, é o PORTAL DE PERIÓDICOS DA CAPES, a partir do qual se podem acessar inúmeras revistas especializadas. Importante lembrar que nem sempre os sites dessas revistas dispõem de bons sistemas internos de busca, reclamando a leitura de sumários e índices de sucessivas edições, mais ou menos como folheamos livros numa biblioteca “de papel”. Outras dicas para a pesquisa podem ser obtidos no site DIA-A-DIA @DUCAÇÃO, da Secretaria de Educação do Paraná, clicando-se AQUI ou na imagem acima.

Aliás: já experimentou digitar no Google “pesquisar na internet” para ver o que aparece?

pesquisar internet

enveredando pelas mãos duplas do Barroco: roteiros de pesquisa

março 20, 2010 às 2:10 | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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ABRIL-Editorial_n3  Tal como demonstra a mais recente edição da Revista Abril, publicação do Núcleo de Estudos de Literatura Portuguesa e Africana (NEPA) da Universidade Federal Fluminense, o Barroco é uma força estética e ideológica ainda cheia de vitalidade na produção literária portuguesa contemporânea (clique na imagem para acessar a revista). Os malabarismos semânticos da agudeza, os caprichos sintáticos do engenho e a intricada melopéia com que vibra toda escrita barroca continuam a servir como recursos expressivos dos mais valiosos para traduzir verbalmente as transformações nas consciências humanas que se sucedem e se complexificam desde o advento da Modernidade. Buscando fundamentos para compreender a constituição da estética barroca, na LitPort 2 @s estudantes foram organizad@s em Tríades que se dedicarão, nas próximas semanas, à pesquisa e à leitura de textos que subsidiem as discussões em classe e a elaboração de um relatório correspondente à segunda nota da disciplina nesta unidade. A relação dos temas distribuídos entre as Tríades e outras instruções referentes a essa atividade podem ser acessados AQUI.

hansen vieira

Já quem quiser uma versão eletrônica das “Agudezas seiscentistas” de João Adolfo HANSEN (posando ao lado com António Vieira), texto que nos abrirá caminhos para o Barroco Ibérico em nossas próximas aulas, visite o site da Revista Letras, da Universidade Federal de Santa Maria. Recomenda-se a navegação nessa tradicional revista que alterna, assim como saudavelmente entrelaça, edições dedicadas aos estudos linguísticos e literários — irmãos siamesíssimos, paridos das multiformes entranhas da linguagem.

literatura é pra se ler ou pra se ensinar? literatura é pra curtir ou pra aprender? aliás, literatura é pra que mesmo?…

março 20, 2010 às 0:35 | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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literatura

Nossos cursos se iniciaram com a aplicação de um Questionário Metapedagógico (clique ao lado para baixá-lo), atividade através da qual pretendemos levantar elementos para construir uma visão crítica sobre como concebemos o ensino-aprendizado da literatura. Um trabalho do qual também se espera a liberação de forças criativas que possamos investir em nosso aperfeiçoamento cultural e profissional, gerando novas ferramentas para a reinvenção da realidade – uma mágica que só a ação educativa pode consumar… Para aquel@s que não conseguiram fotocopiar o capítulo recomendado de William Cereja, o LUSOLEITURAS oferece a possibilidade de ler a tese de Doutoramento deste autor, cujo conteúdo é quase idêntico ao do livro – clique AQUI. Uma das diferenças entre a tese e o livro pode ser especialmente interessante para @s estudantes da Literatura Portuguesa II: Cereja dedica-se no capítulo 3 a realizar um estudo crítico de alguns dos mais famosos manuais de ensino de literatura voltados para o ensino médio, focalizando justamente as abordagens feitas ao Barroco.   

a literatura como instrumento de leitura do “jogo de identidades”

outubro 23, 2009 às 12:08 | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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Num livro seminal para os estudos literários no Brasil, o crítico Antonio Candido afirma, a propósito do trabalho de leitura e interpretação do texto ficcional, que este não pode se limitar “a indicar a ordenação das partes, o ritmo da composição, as constantes do estilo, as imagens, fontes, influências”. Para Candido, a caracterização estética constitui procedimentos auxiliares para um trabalho maior, que consiste em “analisar a visão que a obra exprime do homem, a posição em face dos temas, através dos quais se manifestam o espírito ou a sociedade”. É portanto imprescindível para a aquisição de genuína competência na discussão ou na exploração pedagógica da literatura observar, como enfatiza Candido, que um “poema revela sentimentos, idéias, experiências;  um romance revela isto mesmo, com mais amplitude e menos concentração.  Um e outro valem, todavia, não por copiar a vida, como pensaria, no limite, um crítico não-literário; nem por criar uma expressão sem conteúdo, como pensaria, também no limite, um formalista radical.  Valem porque inventam uma vida nova, segundo a organização formal, tanto quanto possível nova, que a imaginação imprime ao seu objeto”. [In: Formação da literatura brasileira (momentos decisivos). “Introdução”.]

livro fios

Reconstruir essas relações, ou essa tessitura, entre expressão formal e conteúdo existencial, entre texto imaginativo e mundo real, tem solicitado das várias gerações de pesquisadores da literatura a adoção de perspectivas e métodos também diversificados. No que diz respeito à abordagem das questões identitárias e culturalistas, vem se destacando a importância de um olhar interpretativo capaz de identificar a representação de valores fundacionais das sociedades, ou as maneiras como heranças e tradições culturais são tematizadas no texto literário. Algumas indicações valiosas para esses estudos encontram-se sintetizados no artigo de Heloisa Toller GOMES “Questões coloniais e pós coloniais no tratamento (literário) da etnicidade”, disponível AQUI.

sobre os relatórios das apresentações

outubro 2, 2009 às 10:16 | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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O exercício proposto na elaboração dos relatórios volta-se, principalmente, para a capacitação no uso de uma linguagem objetiva e descritiva. O que caracteriza essa linguagem é a concisão, a intenção informativa (e não explicativa), a postura neutra, enfim, aquilo que poderíamos chamar de “estilo apresentativo”. Os sentidos das frases, portanto, devem ficar claramente explicitados; as relações frasais e temáticas devem ser construídas através dos conectivos apropriados; a pontuação do texto deve ser observada com tanto rigor quanto a correção ortográfica. Embora seja normal um certo grau de repetitividade na linguagem do relatório, é preciso evitar as redundâncias. Observe abaixo um mapa conceitual que pode lhe a judar a visualizar como deve ser estruturada a argumentação no relatório:

mapa conceitual (acesse AQUI o artigo de Maria Aparecida Pereira Viana de onde foi emprestada esta imagem)

 

Os relatórios da nossa atividade não precisam de capa, basta um cabeçalho do qual conste identificação institucional ("Universidade Federal de Sergipe", etc), data e nomeação dos membros da equipe. Segue-se uma Introdução, na qual a equipe deve apresentar conceitos para o tema que foi trabalhado na apresentação. No Desenvolvimento, a equipe deve descrever os textos selecionados e apresentados através da seguinte sequência de tópicos: um resumo do texto teórico; um resumo do texto midiático; discussão dos textos literários. Cada tópico deve ser encabeçado pela referência bibliográfica completa do texto selecionado.

O fundamental quanto aos resumos e às discussões é que esses materiais sejam compostos pelos estudantes, com suas próprias palavras, procurando atingir os seguintes objetivos: qual o assunto principal dos textos? quais são os conteúdos dos textos que se referem ao tema da equipe? quais são os questionamentos ou problemas que, segundo os textos, merecem destaque no tema? o que os textos literários trazem de diferente na abordagem do tema? Também é importante que sejam destacadas passagens dos textos especialmente interessantes, justificando-se a seleção.

Não é necessária conclusão, exceto se a equipe desejar incluir um breve depoimento sobre o que significou para os integrantes, como experiência de vida ou de aprendizado, pesquisar e refletir sobre o tema. O relatório deve ser entregue juntamente com cópias impressas e identificadas bibliograficamente dos textos selecionados.

novas leituras brasileiras da subjetividade poética de Pessoa

setembro 9, 2009 às 10:34 | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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poesia fp 1931

Fernando Pessoa, por Madalena Vaz-Pinto


Poesia (1931-1935 e não datada), de Fernando PESSOA. Editora Companhia das Letras, 2009, 648 páginas.

A editora Companhia das Letras lançou há poucos meses o terceiro volume da poesia de Fernando Pessoa ortônimo a partir da edição portuguesa da Assírio & Alvim. Reúne-se aqui a poesia escrita entre 1931 e 1935, além da poesia não datada. A pesquisa realizada pelos integrantes do Espólio de Fernando Pessoa – em que se inclui a brasileira Cleonice Berardinelli, professora emérita de literatura portuguesa – tem sido da maior importância, não só por dar a conhecer uma quantidade significativa de novos textos, como pelas edições críticas e correções de versões anteriores dos textos de Pessoa. Trata-se de uma atividade que, além de um conhecimento profundo da obra do poeta exige dedicação e perseverança, dada a precariedade de muitos textos, escritos nos mais diferentes tipos de papéis e com uma caligrafia muitas vezes difícil de entender.

Só da poesia ortônima são mais se 350 poemas. Se somarmos a este número a poesia dos heterônimos e textos em prosa, fica-se diante de uma produção que impressiona, e que nos leva a concluir que Pessoa, nem sempre hábil para publicar seus textos, parecia não duvidar de seu valor, guardando na mítica arca tudo o que escrevia. Sobre a poesia que agora se publica, uma questão se coloca de início: é a presença de Pessoa na poesia ortônima distinta da dos heterônimos? Existiria aí um sujeito lírico diferente?

Os 123 inéditos incluídos neste volume fazem parte do grupo dos não datados e, como dizem as organizadoras no posfácio, “apresentam um grau de acabamento menor”, muitos apresentando lacunas, o que dificulta sua leitura e diminui o prazer da fruição. Entre os completos, na maioria poemas curtos, versos de cinco e sete sílabas, característico da poesia ortônima, destaca-se o poema dedicado a Baudelaire: “As podridões geram flores/ Bem o sei, ó alma doente/ Ó exilado dos amores/ Espírito do poente.” Outro poema sobressai, pelo tom anticlerical e jocoso: “Há um método infalível/ Conquanto pareça incrível/ De sempre ter a verdade/ É ouvir um padre ou frade./ O critério não é vário: É sempre certo – o contrário.” Em contraste com este tom leve temos num outro poema o aflorar de questões metafísicas que assombravam o ortônimo “novelo virado para dentro” como se definiu: “Se a ciência não nos pode consolar,/ Não busquemos consolo.// Não peçamos à fé que seja certa/ Mas só que seja nossa.” Por último destaca-se “O último cisne”, um dos mais extensos dados a conhecer nesta edição, e que lembra o poema Pauís, ainda muito próximo do tom simbolista, com suas imagens vagas e frases alongadas.

Uma observação deve ser feita sobre a dificuldade para a localização dos poemas inéditos: o leitor curioso tem de recorrer primeiro às notas finais para identificá-los e, só depois, a partir dos títulos ou primeiros versos, localizá-los no índice. No corpus do texto, apesar de notas com variantes textuais e datas, nada existe que os identifique, o que poderia ser acrescentado em uma próxima edição.

A novidade formal da poética de Pessoa, com a criação dos heterônimos, cada um deles com temas, estilo e dicção próprios, constitui um desafio para os estudos literários. Como ler estes textos? Separadamente, como se cada um constituísse um poema autônomo? Mas como ignorar que todos remetem para um mesmo autor? Uma subjetividade poética que se apresenta plural e descentrada, aponta indubitavelmente para a crise do sujeito cartesiano, uno e idêntico a si, certo da propriedade do seu pensamento. As diferenças virão por conta da forma como se ler essa crise, sintetizada nas palavras fragmentação e multiplicidade. São duas noções, dois conceitos, pode-se dizer, que determinam as principais interpretações da poética de Fernando Pessoa. Uma leitura a partir da fragmentação tende a ver a poesia de Pessoa como uma solução. Pessoa fragmentou-se em várias vozes pela impossibilidade de se manter uno, em um mundo dividido onde não existe mais lugar para narrativas absolutas. Já a leitura pelo viés da multiplicidade, vê nos heterônimos a concretização de uma possibilidade, a possibilidade do sujeito, finalmente, assumir a pluralidade que lhe é intrínseca. Estaríamos então diante de uma escrita de afirmação, uma das mais potentes do mundo ocidental moderno.

Em qualquer destas hipóteses, a poesia ortônima levanta problemas por ser aquela que o poeta assinou com o seu nome: Fernando Pessoa. A tentação é retirá-la do conjunto de que fazem parte os heterônimos – Alberto Caeiro, Álvaro de Campos, Ricardo Reis, Bernardo Soares, para citar os mais importantes – e entendê-la como uma subjetividade, senão una, pelo menos não tão mascarada. Entretanto, é justamente aí que encontramos dois poemas, verdadeiras artes poéticas, em que Pessoa expõe as bases em que assenta sua poesia. No poema “Autopsicografia”, pode ler-se na primeira estrofe: “O poeta é um fingidor./ Finge tão completamente/ Que chega a fingir que é dor/ A dor que deveras sente.” No poema “Isto”, escrito depois, Pessoa parece responder aos que criticavam seu assumido fingimento, reiterando seu entendimento do que fosse escrever: “Dizem que finjo ou minto/ Tudo que escrevo. Não./ Eu simplesmente sinto com a imaginação./ Não uso o coração.” E, na última estrofe: “Por isso escrevo em meio/ Do que não está ao pé,/ Livre do meu enleio,/ Sério do que não é./ Sentir, sinta quem lê.”

O poeta é um fingidor, assume Pessoa, mas de que tipo de fingimento se trata? Trata-se de um fingimento estético, não ético, extra-moral, portanto, e que se realiza pelo uso da linguagem. Através dela opera-se uma alterização, um tornar-se outro, como dizia Rimbaud, o que no caso de Pessoa acontece tanto com o ortônimo como com os heterônimos. Por isso as sensações, noção central na poesia de Pessoa, são meta-físicas, formas de devir-outro, como se o poeta quisesse experimentar essa potência infinita de se outrar, pela linguagem. Separar a poesia ortônima do conjunto formado pelos heterônimos não nos leva a um lugar mais seguro, simplesmente porque ortônimo e heterônimos fazem parte do mesmo processo generalizado de ficcionalização.

Madalena Vaz-Pinto é diretora do Centro de Estudos do Real Gabinete Português de Leitura

FONTE: Suplemento Prosa & Verso, O Globo, 24/08/2009

mujimbando: rotas luso-angolo-brasileiras para leituras das identidades

setembro 3, 2009 às 20:22 | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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mujimbo rosa-dos-textos

O blogue LUSOLEITURAS tem um irmão mais velho, o blogue MUJIMBO, que pus no ar no ano passado, para subsidiar cursos que ministrei nas universidades Federal e do Estado da Bahia. Tal como esclareço na Descrição desse blogue, pretende-se nele construir um ponto de vista africanista & angolanizado para as questões lusófonas. Principalmente para os estudantes da LitPort 1, o MUJIMBO oferece um conjunto diversificado de referências úteis para aprofundar os temas desta disciplina. Clicando nos links você será remetid@ para uma postagem do MUJIMBO na qual é possível acessar o texto “Você tem cultura?”, do antropólogo brasileiro Roberto  DaMatta, leitura especialmente interessante para decidir até que ponto é sociologicamente correto falar em “baixa” & “alta” cultura, em culturas “primitivas” & “desenvolvidas”. Também recomendáveis & disponíveis são “Eu e o outro”, do escritor angolano Manuel Rui, & “O entrelugar do discurso latino-americano”, do crítico brasileiro Silviano Santiago, textos que, se valendo de perspectivas & expressões distintas, problematizam as relações entre cultura, identidade & memória colonial.

Para quem desejar ampliar a navegação no MUJIMBO, recomenda-se, como disse, a leitura da Descrição &, de seguida, acessar todas as postagens, que estão ordenadas de forma progressiva & remetem a percursos variados para o conhecimento das literaturas & culturas lusófonas. Fiel às suas matrizes africanas, há também muita música no MUJIMBO, muitas canções que confirmam o enorme poder de tradução da música popular para as significações & os problemas centrais dos imaginários tropicas.

identidades: o individual, o cultural, o nacional & Stuart Hall

setembro 3, 2009 às 18:56 | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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Nas duas últimas postagens penduramos exemplos de textos midiáticos & literários que podem servir de apoio para as discussões relacionadas aos temas introdutórios de nossas apresentações. Tanto na abordagem neurofisiologista de Marcelo Gleiser quanto na leitura estético-documentarista de Roberta Franco, enfatiza-se a importância em compreender as identidades como sistemas simbólicos. Ao nível pessoal, esses sistemas constituem-se pelas memórias individuais; ao nível coletivo, pela partilha de valores culturais.

Cultura pode ser muito sintetica & genericamente entendida como todo tipo de ação & reflexão humana sobre a realidade; uma realidade, por sua vez, continuamente recriada pela própria cultura. Sob um ponto de vista social e evolucionista, as culturas são estratégias de adaptação, são as estruturas materiais & imaginárias a partir das quais as comunidades humanas se organizam, se especificam & se desenvolvem historicamente. Conforme discute Stuart Hall no capítulo 3 de A identidade cultural na pós-modernidade, uma das melhores maneiras para se enxergar essas estruturas imaginárias é pela leitura das narrativas identitárias nacionais, daquelas estórias circuladas e retransmitidas cujos significados conectam “nossas vidas cotidianas com um destino nacional que preexiste a nós e continua existindo após a nossa morte” (HALL , 2006, p. 53).  Assim, em última instância, toda identidade se materializa como aquilo que Michel Foucault chamaria de uma “formação discursiva“. Para quem desejar saber mais sobre o livro de Hall, vale a pena conferir alguns bons exemplos de resenhas do mesmo, escritas por Dennis de Oliveira,   Jacqueline Ramos & por um Autor Desconhecido que pendurou a sua no sítio da Usina das Letras. Uma quarta resenha, mais detalhada e composta com esmero, é assinada pela letreira Genny Xavier, & pode ser acessada em seu blogue Baú de Guardados. Uma leitura cuidadosa desse panorama de resenhas, além de oferecer mais nitidez para um conceito-chave em nossos cursos, proporciona uma valiosa experiência de familizarização com os diversos estilos que compõem a escrita acadêmica. Com qual deles você mais se identifica?

Abaixo, uma bela foto de Stuart Hall:

stuarthall tricolor


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